As mãos de meu avô José Almeida

Caiu o telhado. Não sei se imaginas

Como tudo agora é sombrio e triste

A casa onde vivemos está em ruínas

O quarto onde se nascia já não existe

As pedras e os barrotes são só entulho

Ficou tudo acumulado no rés-do-chão

Há um silêncio onde antes era barulho

Que era um sinal de vida em profusão

Fosse na casa, no quintal, no palheiro

Onde também se fazia o nosso lagar

As tuas mãos à luz do velho candeeiro

Trabalhavam na noite fora sem parar

E aos domingos a trompete tão diferente

Faiscava entre a luz do sol na procissão

As tuas mãos, o chumbo e a água quente

Faziam na trompete um som de perfeição

8 thoughts on “As mãos de meu avô José Almeida”

  1. Acabaram as minhas férias
    Desde ontem que voltaram os meus afazeres diários como avô. Depois de umas férias bem merecidas -para mim – além de estar aposentado, acho que também merecíamos um mês de férias, uma vez que recebemos o subsídio de férias, era a máxima, a lembrar o outro, que quando estava a ser discutido trabalhar-se só um mês no ano, o trabalhador anarquista, lembrou logo! E o mês de férias?
    Este ano os meus afazeres aumentaram cem por cento, o ano transacto levava um neto Duarte, (materno) segundo ano escolar, este ano acompanha-o Diogo (paterno) pré – primário. Sinto prazer além do compromisso diário, tenho de rever certos hábitos, como o atravessar nas passadeiras para peões, – neste período abandalhei um pouco – passava fora delas. Fazer-lhes ver as regras do civismo, assim como não deitar lixo para o chão, não andar aos pontapés aos caixotes do lixo, respeitar o bem público, fazer-lhes ver que estes valores são essenciais para o bem-estar de todos, que tão difícil é hoje neste Portugal, pôr em prática. Por vezes eles dizem-me que sou bastante exigente mas de pequenino se torce o pepino. Também me vou encontrar com outros avós, falar da vida, do futebol, da política e do novo Centro Escolar em fase de arranque.
    Vão acabar as velhinhas escolas. Para o ano o itinerário será diferente, mais distante, mas julgo que vai valer o esforço. O novo Centro Escolar vai congregar 20 salas do 1º. Ciclo do Ensino Básico – 500 alunos, 8 salas de Jardim de Infância – 200 alunos. Dá gosto ser aluno hoje em dia, que diferença das salas de aulas do meu tempo, nem sitio para arrecadar alguns haveres. Depois os professores dizem que o governo de José Sócrates, não fez nada por eles e pelas nossas crianças. É ver:
    – Salas de Serviço de Apoio à família, pré-escolar.
    – Salas de Enriquecimento Curricular.
    – Sala de TIC. Sala de Formação de Professores/Educadores.
    – Centro de recursos. Sala de ciências experimentais.
    – Gabinete Médico.
    – Sala Associação de Pais.
    – Gabinete Municipal.
    – Gabinete de atendimento.
    – Sala de professores educadores.
    – Arrumos/limpeza.
    – Zona apoio AAE.
    – WC/Vestiário – AAE.
    – Economato.
    – Cozinha.
    – Armazém de frio.
    – Despensa do dia.
    – Arrecadações.
    – Zona técnica.
    – Polivalente.
    – Zona técnica de apoio ao polivalente.
    – Arrumos de material desportivo.
    – Balneários.
    – WC – JI.
    – 4 WC – 1º. CEB.
    – WC – deficientes.
    – WC de professores.
    Isto no primeiro ciclo. Vai nascer a tão desejada Escola Secundária. Sou de um concelho de maioria absoluta PSD, mas nunca nenhum governo fez tanto pelo concelho como o governo de José Sócrates. Até atribuíram o nome de Manuel Pinho a uma avenida.
    Por tudo isto espero esta minha missão durante uns anos, é bom para eles e para mim, é sinal da minha existência.

  2. Isto não é um mercado, ó pá! Junta-te à comitiva PS e vai fazer campanha! Olha-me este, a servir-se de um blog para angariar votos. Pagaram-te quanto? Há cada um…Coitados dos netos…Já estão filiados? E em que terra moras, onde não há contentores? Se ensinas os teus netos a «não dar pontapés nos caixotes do lixo», só podes ter feito uma viagem ao passado.

  3. Que pena, José do Carmo.
    Eu também vejo, na minha aldeia, tantas casas em ruinas !
    E tantas mãos que partiram para sempre. Mãos de tocar trompete, mãos de levantar casas, mãos de granjear pão, mãos de abençoar !
    A sua benção, meu avô !
    Jnascimento

  4. É verdade, foi um golpe profundo porqeu inesperado. Ninguém me preparou. Nem eu estava preparado. Ver um monte de entulho no quarto onde se nasceu é um choque brutal. A sua benção avô, Joaquim! (Tive um avô emprestado Joaquim marido da irmã da minha avó…)

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