Canção para Maria José

Nas escadas da estação
Saída da Morais Soares
Este calor da tua mão
Faz um apelo a ficares
Ficar num tempo parado
Sem horários ou rotinas
O que eu sinto a teu lado
Nas tuas mãos pequeninas
Onde a ternura desagua
Como se fosse o estuário
Da paixão que anda na rua
No tempo sem calendário
Onde o calor e a gordura
Faz passar tão depressa
Quem esqueceu a procura
E não levanta a cabeça
Estamos em sessenta e seis
Na Rua Morais Soares
A memória não tem leis
Nem tem mapa de lugares
De repente é o passado
Que nos convida à viagem
Um eléctrico de atrelado
Vem irromper na paisagem
Lá estão homens, mulheres
Guarda-freios, cobradores
Se vais à Patrício Prazeres
Eu vou para onde tu fores
Nas escadas da estação
Saída da Morais Soares
Este calor da tua mão
Faz um apelo a ficares

José do Carmo Francisco

6 thoughts on “Canção para Maria José”

  1. E agora, José?…
    Da alma, um poema,
    Com um belo tema,
    Saiu-te, pois é…
    E a gente corteja
    A mão que deseja
    Fechada na nossa.
    Mas olha que pena
    Que a gente não possa
    Senti-la pequena.
    Pequena e bem feita,
    Que as sortes nos deita
    Nas linhas da palma.
    E essa mão de nada,
    Pequena e fechada,
    Vai mesmo direita
    Ao fundo da alma.

  2. A pouco e pouco, este Daniel de Sá vai-se impondo como o Candeeiro de pé alto da sala de leitura deste ilustríssimo blogue.

  3. Nem todos se podem gabar de ter um poema como comentário, são estas coisas que nos salvam dos outros, os que perguntam «Que queres daqui?» ou que advertem «Não o ponha tão alto, ele nem é licenciado!»

  4. Minha Nossa Senhora de Rima, meu José do Carmo Francisco
    Não vos deixeis enganar. Se a glosa vos pareceu de facto boa, não esqueçais que dependeu em absoluto do mote.

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