Palavras que desaparecem

Tutela. Tutela quer dizer alguma coisa. Ou queria. Quem não se lembra de ver uma ponte cair e, de seguida, o Ministro das Obras Públicas a demitir-se?
Tutela vem associada a responsabilidade política. Quem a tem pode não lhe ver imputada qualquer culpa concreta ou acusação criminal, mas é responsável. Politicamente.
Ontem, Passos Coelho, o responsável máximo pelos serviços de informação, sem capacidade de delegação, foi à AR defender-se sob a capa da defesa exclusiva de um seu Ministro, de resto pronto para sair do debate para a primeira Comissão.
Relvas, sim. Mas pelos pingos da chuva passa o PM, a quem um Secretário-Geral do PSD nunca (???!!!) transmitiu o facto de ter recebido mensagens e mails obscenos do espião do momento.
Relvas, sim. Mas na concentração do ataque e na defesa num círculo unipessoal chamado Relvas fica de fora quem não demite o dito Ministro, quem não demite o SG dos serviços de informação, quem nada, mas nada de nada faz no exercício dos seus impolutos poderes de tutela.
Porquê esta psicótica proteção de um Ministro e de um Sistema corrompido quando tudo nos levou a uma questão, verdadeiramente, de podridão do regime?
Não sei. Mas se o o pedido do espião de levantamento do segredo de estado for deferido, talvez estas e muitas outras questões fiquem respondidas.
Da pior maneira.

7 thoughts on “Palavras que desaparecem”

  1. Concordo plenamente.

    Mas “responsabilidade política” têm também os srs. deputados da primeira Comissão, e o que se viu ontem foi penoso.
    Em vez de fazerem perguntas directas, sucintas, assertivas, em busca de esclarecimentos, que procurassem as contradições do ministro, perdiam-se em divagações ou multiplicavam as questões à eternidade, tornando fáceis as (não) respostas.
    Talvez assim fosse o início de um caminho para que “estas e muitas outras questões fiquem respondidas.”

    Nisso o Ricardo Costa tem razão: “o parlamento inglês dá lições todos os dias ao português.”

  2. o passos endossou a responsabilidade da decisão sobre a reserva do espião para o cavacóide ou seja já começou o chantagem, se o gajo falar tu tamém te fodes.

  3. oh crime lisboa! a tua mãe deveria ser presa por te ter parido e o teu pai multado por não ter tirado a tempo.

  4. A autorização virá no dia de S. Nunca. Porque o fio da meada pode mesmo chegar a Belém e à intentona. Lembro-me que o ex-ministro da economia do PS falou, na altura, de espionagem política. E agora sabe-se pelo próprio se ter descaído, que Relvas em 2007 já recebia “clipings” do espião-mor Silva Carvalho. Talvez clipings e mais qualquer coisinha.
    Mas tudo isto vai ser mais lavadinho que as cuecas do Papa e, para começar a lavagem, nem de propósito, hoje o que é notícia são as vigarices nas PPP. Crimes, dizem os juizes e mandaram para a PGR.
    Paulo Campos, com aquela habilidade extraordinária dos governantes PS, em vez de enfrentar as camaras e dar uma primeira resposta que, no mnimo desse indicação da sua inocência, decidiu fugir das camaras como um criminoso apanhado em flagrante, dizendo, numa declaração a meia-cara de imagem, que primeiro queria ler o relatório. Esta primeira imagem vai valer por mil palavras que ele agora possa ter oportunidade de dizer (se é que vai ter outra oportunidade). Estes desgraçados xuxas comportam-se como perfeitos patetas.
    Ó Isabel, alerte os seus camaradas para o absurdo do seu comportamento face à comunicação social. Se é que os xuxas têm emenda.

  5. “Porquê esta psicótica proteção de um Ministro e de um Sistema corrompido quando tudo nos levou a uma questão, verdadeiramente, de podridão do regime?”

    Porque o PM depende deles, foram eles que o colocaram no lugar que ocupa.

    Para além disso, Pedro Coelho é um covarde, sempre foi. Desde a mais tenra infância não possui coragem física nem mental, é um poltrão, por isso é absolutamente incapaz de despedir um Relvas devido ao medo do que este lhe possa fazer como vingança.

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