Moção de censura do PCP e PS

Já sabemos – ao contrário de Cavaco, da direita e da extrema esquerda aquando do chumbo do PECIV – que, neste momento, somar uma crise política à crise económica e social que vivemos só agravaria a última.
Já sabemos que a moção não tem hipóteses de ser aprovada. Mas as tomadas de posição contam. E são lidas pelos eleitores dos vários Partidos, interessando-me, claro, o PS.
Não teria nada contra uma abstenção que significasse um sinal de censura às consequências desastrosas deste Governo, um sinal de não adesão à moção, mas um sinal de que o Governo também não merece a bancada do PS de pé.
Temo que em nome da coerência, o PS que viabilizou o OE para além da TROIKA, o Código de Trabalho para além da TROIKA, o Tratado Orrçamental que normativiza de forma antidemocrática uma política não sufragada de cunho ideológico pré-definido – esta praga neo-liberal -, temo, repito, que, em nome de várias votações, o PS deva dizer mais uma vez que vota ao lado da maioria.
Consequências consequentes.

30 thoughts on “Moção de censura do PCP e PS”

  1. Exactamente. Não alinhar com os fascistas vermelhos nem com a maioria: abstenção. Se os deputados socialistas fizerem outra coisa, são imbecis.

  2. Cara Isabel,
    oxalá o PS tivesse a coragem necessária para tomar uma resolução desse calibre, pois beneficiaria o País muito mais do que as meias-tintas em que se enreda só para tentar mostrar que é um partido com sentido de estado.
    O sentido de estado não é apenas abanar a cabeça face à destruição do País ou chorar lágrimas de crocodilo em ocasiões especiais, é um pouco mais do que isso, mas este PS não parece ter sensibilidade para tal e prefere olhar para o lado enquanto vai deixando cair os adversários internos que mais os afligem.

  3. Sempre foi a direita que comparou os comunistas com os fascistas. Receio que ande aqui pessoal de direita armado em socialista e ainda por cima a dar sugestões aos deputados do PS.
    Triste PS.

  4. Mas será possível que ao fim de tanto tempo ainda haja este tipo de questões?
    Então o PC mete uma moção de censura ao governo, e a preocupação maior é a reacção do PS?
    Por favor…
    Se o PC mete uma moção de censura, o problema é deles e do eleitorado que o apoia. O PS não tem nada a ver com isso.
    Acho que já é tempo do PS entender o que é uma chantagem politica, assim como também acho que deve fazer uma oposição mais eficaz e sem se preocupar com a reacção das outras forças politicas, nomeadamente as ditas de “esquerda”.
    Caso ainda não se tenha reparado, as pessoas estão um bocadinho mais evoluídas e é inconcebível que continuem a ser tratadas como mentecaptas.
    O PC sempre actuou contra o PS, e o PS sempre foi atrás da chantagem…parem um bocadinho, pensem, não será melhor tentar cumprir o programa eleitoral com que se apresentaram às eleições?
    É que quem votou no PS não votou no PC, e se eles estão com problemas, que os resolvam.

  5. Acho que a posição do PS até é bastante confortável: não pode votar ao lado daqueles que, embora ditos de esquerda, ajudaram a direita a derrubar o anterior governo PS e a pôr lá estes; não pode votar com a actual maioria para não ser cúmplice da política miserável que está a ser levada a cabo contra a classe média e contra os mais humildes. Logo o voto só pode ser a abstenção, sem ceder a chantagens, sejam de um lado, sejam do outro.

  6. Não percebo por que é que uma moção de censura a este governo causa tantos problemas ao PS e pode ser considerada “chantagem política” ao PS.
    O PCP apresenta razões objectivas para censurar o governo. O PS concorda ou não concorda com tais razões?
    Se, como se afirma, “a moção não tem hipóteses de ser aprovada”, chantagem política parece-me ser a ameaça de agravamento da situação provocada pela moção de censura, quase como dizer “não façam barulho ou ainda ficam pior”.

  7. Isto é o velho PS no seu esplendor! Meias-tintas que o hão-de levar ao que neste momento é o PASOK na Grécia, com 10% dos votos. A direita aldrabou as contas; o PASOK foi governar tentando agradar a gregos e troianos, sem caçar quem fez a vergonha e dela se aproveitou e agora assiste à disputa do poder entre a extrema esquerda e a direita que fez a festa da contas escondidas e agora vai apanhar as canas uma a uma.
    Seguro é o digno coveiro do “grande PS”. Não assumiu (nem podia porque a combateu sempre) a governação do seu antecessor e, sem pudor, caiu nos braços de Passos-Portas, que devem estar a rir à gargalhada com o “anjinho”.
    Esta trapalhada, em torno da moção de censura, é Seguro no seu melhor. Sabe que a moção nâo belisca a maioria absoluta da direita, mas age como se isso fosse verdade. Convem muitissimo o voto contra ou até abstenção PS, para apresentar como troféu à Merkel e à TroiKa. Será que aquela gente do PS ainda est’a convencida que são as provas de “bom aluno” e “portugueses domesticados” que vão convencer os mercados a baixar a pressão dos juros da dívida? Ainda não perceberam que a guerra é outra e a crise é sistémica e não portuguesa? Vejam o raciocionio destes xuxas: o problema é nosso, sempre foi da nossa irresponsabilidade de governação socialista, como muito bem proclamou e chapou na cara do PS-Sócrates (e matem o discurso retroativamente) a nossa direita em peso e os seus lacaios BE e PCP. Seguro carrega a pesada cruz, como muito bem viu o espertalhão Marcelo, da desgovernação socialista de Sócrates ou Guterres, que contrastam, acredita Seguro, com o verdadeiro oásis da governação laranja.
    O PS perdeu a alma. Nem a história consegue ler. O PS fez muitas coisas boas, bem mais que esta desgraçada direita, apesar dela e dos ataques ferozes dos esquerdalhos. Mas não é capaz de assumir e esfregar nas ventas da direita a sua obra. E porquê? Porque est’a minado por muitos Seguros e Carrilhos. E estes chegaram, finalmente, ao topo, para acabar, de vez, com os socialistas portugueses.

  8. É minha opinião que o PS devia ter retirado todo o apoio a Passos-Portas desde o momento em que os seus partidos, deputados, governantes e apoiantes começaram a desferir ataques demolidores e completamente injustos à anterior gorvernação PS, que era aplaudida por todos e deixou de rastos as oposições até ao ano fatídico de 2008, om a crise gigantesca internacional que carregava. Nem as campahas negras e caluniosas nunca vistas contra um PM conseguiram iludir o sucesso da governação.
    Depois foi fácil aos abutres fazerem o seu jogo. E Seguro, que estivera antes com os abutres no ataque ao governo PS-Socrates, muito naturalmente, agora, passa uma esponja por estes anos de muito boa governação PS e cola-se, diz ele ” com sentido da responsabilidade”, a uma direita que zurze desde o primeiro dia da sua incompetente governação, o seu partido. Dissessem ao menos eles a verdade. Mas não, inventam desvios colossais e crimes em tudo quanto foi decisão política dos governantes PS. E ele, Seguro, sente-se na obrigação de ser solidário com os algozes trafulhas do seu próprio partido.
    Graças a Deus não sou xuxa. Não saberia onde enfiar a cara, tendo Seguro como Secretário Geral.
    Pelos vistos, os xuxas têm estomago para tudo. Bem merecem descer até aos 10% do PASOK de que fala o Fernando.

  9. está chapadinha no regulamento do grupo parlamentar como uma das pouquíssimas hipóteses de disciplina de voto. no OE e no CT não havia disciplina de voto, no meu entender. posso, claro, tentar pedir escusa da disciplina. veremos. ainda não houve reunião do grupo parlamentar. estou a falar em abstrato.

  10. Mario,não seja mau para nós.Há tempo para mudarmos de lider. vou recordar-lhe o que cavaco dizia sobre a situação e o que estava a acontecer. em 22 jan de 2008 dizia: tenho que dizer com seriedade que portugal está melhor, na medida em que a taxa de crescimento economico é hoje mais forte do que era quando fui eleito. lusa 22Jan de 2008. cito novamente: portugal é um pais de grandes mudanças,onde se está a realizar um importante conjunto de refomas.Publico de 3 de setembro 2008, por ultimo,e continuo a citar cavaco Silva: O abrandamento da economia portuguesa que se tem vindo a verificar não me surpreende excessivamente. primeiro,porque se tornou claro ,desde o segundo semestre de 2007que se estava perante deterioração do sistema financeiro internacional a qual apesar de origem localizada teria consequências inevitaveis sobre a economia global.Cavaco Silva mais tarde, esquecendo-se que a narrativa é teimosa, negou a crise internacional em varias as intervençoes para despachar o governo de josé Socrates. Como as pessoas que me conhecem,me fazem a fineza de reconhecer na minha pessoa algumas virtudes,como a seriedade,não posso deixar de defender a governação de josé Socrates . Um primeiro mandato sem paralelo em portugal e um segundo já em minoria, cheio de espinhos e com muitos pulhas da direita à esquerda, a complicarem a vida ao governo e aos portugueses,ao impedirem a implementação de medidas estruturais para diminuição do deficit e na luta contra a crise internacional que atacou todos os paises da europa,mas negada nas alturas convenientes pela direita. termino desta forma:Hei-de lutar pela verdade até que a voz me doia.

  11. Obrigado, Maria Rita, por me ter recordado o Cavaco de antes da crise.
    Repare que eu destaquei, precisamente, que a governação de Sócrates até à crise deixou de rastos toda a oposição, com o PSD a mudar de presidente como quem muda de cuecas. Agora a Rita recorda-me que Cavaco também estava convencido e rendido. Mas parece que os Carrilhos, os Alegres e os Seguros do PS não estavam e não reconheceram, então, o que não reconhecem agora. Se o fizessem, deviam estar a esfregar nas ventas da actual maioria e do Cavaco cata-vento os sucessos das “bandeiras” do governo Sócrates. E como não fizeram, é Cavaco e Passos-Portas quem aproveita para fazer suas e como obra sua os sucessos, por exemplo, nas exportações com a diversificação de mercados e nas renováveis. Diga-me lá, Rita, como vão Seguro e os seus xuxas reclamar estas “bandeiras” se ele, Seguro, as ignorou por seis longos anos?
    Bem queria animá-la, Maria Rita, mas temo que já seja tarde.

  12. Mario, tenha esperança,pois não há mal que sempre dure.O Ps por vontade de “Deus” como cantava a grande Amalia,já tinha desaparecido.Agora já o estão a ver com 10% como o Pasok na Grecia. 10% para o Pcp era um resultado optimo,para o Ps é efectivamente pessimo,isto não quer dizer nada? Nesta eleiçoes gregas quem saiu a ganhar mesmo perdendo foi o pasok,pois vai obrigar os dois primeiros “qualificados a resolverem o problema governativo.

  13. Na minha modesta opinião,e com todo o respeito que me merece a deputada Isabel moreira,não acho bem vir para um blogue,sem nada que o justifique dar satisfações do que vai ou não fazer no parlamento.Vote contra,acho muito bem,mas não precisa de mandar foguetes para o ar antes do tempo e em abstrato como reconheceu.Nota: Para que não haja duvidas estou de acordo com a maioria das suas posiçoes no parlamento e subscrevo o seu post .este meu texto refere-se ao seu : está chapadinha no regulamento….

  14. Pois é! Este PS, se votar contra a moção de censura do PCP ao governo, não será jamais o PS em que, há tantos anos, eu voto. Ao menos abstenham-se…

    João do Canto Lagido (74 anos)

  15. oh senhor lagido! o que é que diz a moção? era o que faltava, votar moções em branco do pcp. acha que se fosse ao contrário o pcp votava a favor do ps? tirando o folclore mediático da coisa, qual é o efeito prático? cascar no ps para delírio dos visados pela moção, só pode. com 74 aninhos e ainda acredita no pai natal, francamente.

  16. Até o” profeta” Louça,quando lhe perguntaram se iam votar a moção do PCP,respondeu desta forma: as moçoes não se votam sem conhecermos o texto que as suporta.

    .

  17. Atenção,aos socialistas desde pequenino… que sugerem voto na moção do pcp e nunca mais votar no PS se não o fizeram.Já são tantos com este discurso… neste e noutros blogues,que já dava para o PS ter conseguido maioria absoluta nas ultimas eleiçoes.

  18. João o seu texto peca por falta de rigor historico.A direita, ainda hoje não utiliza a expressão de social fascista porque muitos milhares dos seus acolitos são adeptos do fascismo. Quem vos apelidou com com essa expressão mesmo antes de abril foi o MRPP,que se fartou por isso, de levar pancada do PCP.Durante o prec as tentativas de tomada de poder por parte do PCP fizeram alastrar a expressaõ de social fascistas a outros partidos democraticos de esquerda. não confundo os trabalhadores bens intencionados que acreditam no comunismo com as cupulas dirigentes do Pcp.muitos ainda há pouco anos diziam que na união sovietica não havia greves,porque tudo rolava sobre esferas.A liberdade era um” bem de consumo” permanente e o essencial estava garantido. Continuarei a chamar social fascistas ao Pcp, porque o são na sua ideologia e na pratica,os exemplos estão à vista.toda a sua politica de pretensa defesa dos trabalhadores teve e continua a ter na sua génese a implatação de um regime comunista em portugal.o odio à nato, a saida da comunidade economica europeia, o apoio a regimes como o da coreia do norte e do defunto regime cubano são exp mais que suficientes para eu não mudar de registo .Outro dia disse e repito que o Muro não caiu por ter sido construido com tres baldes de areia e só um de cimento.Enquanto o pcp defender este tipo de projecto de sociedade (mesmo com desvios…) continuarei sempre que venha a proposito a utilizar essa expressão que tanto o magoou.Quem tem como inimigo principal um partido da esquerda moderada (social democrata se quizer) como o partido socialista não pode ter outro tipo de tratamento.A direita não vem para este blogue para atacar o pcp.eles são inteligentes e sabem bem que os comunistas na pratica são os seus maiores aliados. Quem os pos no poder no ano passado?.Quantos governos do ps foram derrubados no parlamento com moçoes votadas pela direita e comunistas tudo em defesa dos trabalhadores?Como posso considerar um partido como democratico, que por discordar da invasão sovietica,na primavera de Praga a mando de um alto dirigente (dito e escrito ) quizeram assassinar a militante Candida Ventura.E por aqui me fico com os votos de que o social fascismo nunca impere em lado nenhum.

  19. Maria,

    Você esquece as origens revolucionárias do que é hoje o liberalismo parlamentar, estas origens são assim como o avô revolucionário que o neto bem posto na sociedade esconde dos seus amigos. Uma rápida leitura de história mostra como foi violenta a transição do antigo regime para a chamada modernidade. Mesmo os liberais que tentam usar a Inglaterra como exemplo de uma transição pela via reformista nunca falam do papel decisivo que teve Cromwell em mover a restauração da monarquia mediante uma grande transferência de poder da monarquia para o parlamento.

    Você possivelmente pensa que uma transformação dos acontecimentos será possível através de acordos de concertação social – ou seja, convencendo o capital a aderir às teses do chamado socialismo democrático – mas, no entanto, temos visto como a cada passo o capital vai demolindo aquelas que são para os socialistas as grandes conquistas da democracia, nomedamente o que se conhece como Estado Social, como sindicalismo e até já em alguns casos a chamada a eleições gerais. Aliás, pelas recentes acções do PS temos visto que é sim o PS que vai abandonando as suas bandeiras como se viu na “assinatura” que colocou nas medidas que sairam da última concertação social. Como é que o PCP pode aceitar que um partido que se diga socialista apoie um tal acordo? Onde é que está o socialismo nesse acordo de concertação social?

    Você diz que o PCP se opõe sistematicamente ao PS, mas não é verdade também o inverso, não é verdade que todas as coligações que o PS fez para governar foram com a direita – o CDS e o PSD? Veja que se tivessemos chegado ao dia de hoje sem comunistas, com toda a esquerda representada no PS, não teríamos quem tivesse, no parlamento e na rua, se oposto ao acordo de concertação social, ao novo código de trabalho, à destruição da independência sindical, às teses de que é necessário fazer recuar o Estado Social, embora aqui seja verdade que o grau deste recúo não é o mesmo para o PSD ou para o PS.

    Jerónimo de Sousa, crítico como é do PS, disse também que o PS não é exactamente a mesma coisa que o PSD e o CDS – e eu estou de acordo – mas o PCP não se pode dar ao luxo de deixar o socialismo entregue ao PS e tem o dever de, na defesa de uma proposta socialista que não capitule face às teses fundamentais da direita actual, colocar também o PS em xeque. Se não o fizer seria a admissão que o socialismo está todo ele entregue ao PS que por sua vez o entrega ao capital que por sua vez faz gato e sapato dele.

    Como sabe o que não faltam são MRPPs hoje na direita o que retrospectivamente explica porque razão, como a direita hoje também o faz, naquela altura comparavam os comunistas com os fascistas. Mas essa comparação é essencialmente uma tese direitista para conter qualquer veleidade comunista e para garantir que qualquer crescimento da esquerda desague nos PSs e não nos PCs, já que desaguando nos PSs desagua no interior da situação onde, mesmo na oposição, a direita pode garantir que as suas teses fundamentais são levadas a cabo.

    E mais. É corrente o desprezo que hoje tanto o PSD como o CDS têm por tudo o que inclua a palavra socialismo de modo que a preferência recorrente do PS em fazer alianças com o PSD e com o CDS autoriza tacitamente que esse desprezo passe a ser natural, aceitável e que cada vez mais nos movamos para uma percepção de tipo norte-americana onde ser socialista é ser uma espécie política sub-humana.

    Você diz que o PCP colocou a direita no governo mas não é assim. O PCP tem as suas propostas cujas o PS rejeita, então, nessa medida, o que pode fazer o PCP se o PS rejeita e despreza os comunistas aliando-se à direita no coro anticomunista? Que fidelidade pode o PCP ter em relação ao PS se o PS, como pode ver em todos os discursos de Sócrates sobre esta matéria, tem o PCP como o último dos partidos com que, na Assembleia da República, faria qualquer aliança? O PCP, e aqui ao contrário do PS em relação ao socialismo e às alianças que faz com o PSD e o CDS, simplemente não aceita uma aliança sistemática com partidos que desprezam o comunismo.

    Depois, retrospectivamente, a moção de censura que os comunistas votaram e que levou à demissão do governo do PS foi sancionada pelas eleições ao derrotar o PS de modo que, dado que vocês se dizem democratas, não há razão para se indignarem. Afinal as eleições confirmaram que a maioria dos eleitores não queria mais o PS de Sócrates no governo. A vossa insistente responsabilização dos comunistas serve para esconder de vocês mesmos que o acto eleitoral derrotou o PS. E não esqueçamos que muita da propaganda eleitoral da direita foi claramente anti-socialista, dizendo mesmo que a crise era culpa do socialismo, ora, uma vez que o PS hoje em dia tem estado fundamentalmente ao lado destes mesmos papalvos, que o PCP, por sua vez, estivesse ao lado do PS significaria estar ao lado de um partido que, por seu turno, adere às teses políticas e económicas fundamentais de partidos que desprezam o socialismo.

    Enfim, cara Maria, concerteza não vamos estar de acordo, mas em todo o caso fica este comentário para que não se pense que os comunistas se opõem ao PS para favorecer o PSD. Não. Opõem-se ao PS porque é seu dever. Sem essa oposição, se toda a esquerda estivesse entregue ao PS, o PS já a teria entregue, por exemplo em sede de concertação social, ao grande capital.

    Cumprimentos.

    PS: não sou militante do PCP, sou simpatizante, digamos assim, de modo que falo apenas em nome da minha interpretação do que deve ser a acção política dos comunistas no tema da sua relação ao PS – uma interpretação que, a meu ver, é compatível com as acções do PCP.

  20. pois é joão, só te safas na coreia do norte. vê lá se te despachas, corres o risco de chegar lá depois do mcdonalds

  21. Ignatz, recomendo-lhe o blog Insurgente. Vai sentir-se em casa lá. E não sei que mania tem este pessoal de estar sempre a querer despachar pessoal para fora do país…ah! já sei. É o passos-coelhismo aqui na versão socialista-da-treta.

  22. onde é que fica o insurgente? deve ser alternativa à coreia do norte, para ser recomendado por ti. se não gostas do regime não tivesses votado contra o pec 4, organiza manifs dos 300 ou acampa em belém, mas desampara com a k7 comunóparasitária.

  23. João,não seja tão”ambicioso”conheço a suecia e dinamarca,lá há capitalistas,mas a qualidade de vida não tem paralelo em nenhum pais com outro tipo de regime..Eu já sonhei há muito com o que o joão sonha agora.perdi a esperança.Não posso obrigar o povo a ser comunista.10% de votos não dá para ganhar eleiçoes e depois para governar.João eu quero um pais com eleiçoes e em liberdade com dialetica na rua e no parlamento.Acha justo por queremos um regime que toda a europa rejeita,tenhámos uma politica do tudo ao nada.Tal como o povo os capitalistas mas por outras razões não vão aderir ao socialismo.Ele ha-deum dia chegar,mas por geração espontanea.As circunstãncias vão por-nos a aceitar um regime dessa natureza se as circunstancias a isso nos obrigar.Portugal não é uma ilha vivemos na europa precisamos de lhes comprar e de lhes vender.recordo-lhe que no tempo de vasco gonçalves, muitas das grandes empresas deixaram de exportar por boicote à politica vigente em portugal .estas coisa não podem ser ignoradas como a correlaçao de forças.precisamos do capital,mas com maioria no parlamento podemos adoptar politicas identicas aquelas que já tivemos em portugal e que as perdemos por termos partidos com o unico objectivo de implementar uma sociedade socialista,numa europa liberal.João lutemos juntos por uma sociedade mais justa,mas não queira andar em contraciclo com a realidade.Cuba caminha para um regime diferente e com mais futuro para aquele povo. A coreia só a repressaõ impede aqule povo de dar o grito da liberdade.Acha correto o ataque constante ao unico partido que pode chegar ao poder para melhorar as condiçoes de vida dos trabalhadores? Por muito que lhe custetudo que de bom tivemos teve a mão e o voto do Ps.Quem se arroga em defensor da classe trabalhadora,não pode aparecer àporta da fabrica quando o patrão fugiu? mas antes para prevenir que isso aconteça atraves do dialogo com os delegados sindicais.Acha correto que em muitas empresas se ande anos sem assinarem um unico acordo colectivo? qual a razaõ? qual a motivação? é simples, a politica do quanto pior melhor,aproveitando a ignorancia de gente simples.O descontentamento e a desacreditação dos adversarios politicos´é o grande objectivo.O partido socialista ésocial democrata,o partido comunista,nada tem de comunista.Se o Ps fosse socialista tinha os votos do Pcp e estavamos a ver a direita a governar a seu belo prazer e há muitos anos e com menos regalias do que aquelas que hoje temos,por causa da ida ao pote.A europa aceitava do governo socrates uma alternativa ao resgate.Ã direita o pcp e o bloco,quizeram ir a eleiçoes. O Ps perdeu,mas o joão sabe que a campanha foi contra tudo e contra todos,mais as mentiras do PM.Mesmo assim teve o triplo da percentagem do Pcp.Gostei da sua resposta,espero que mesmo discordando tenha gostado da minha menos idealista mas mais realista.os meus cumprimentos.

  24. A vocação do PCP e dos comunistas não é a da gestão de assuntos correntes do capitalismo e nessa medida arrisca-se a permanecer por tempo indefinido resumido a uma minoria, arrisca-se mesmo à extinção, mas a questão é que se inverter esta lógica e aceitar tornar-se mais um partido disponível para esta mera gestão de assuntos correntes, então mesmo que aumente a sua votação já desapareceu enquanto partido comunista. Por isso aceito que do ponto de vista do PS o PCP pareça um partido intratável, mas este não é o meu ponto de vista, ou seja, eu não tomo a lógica do PS como aquela mediante a qual eu devo pensar o PCP, porque nessa altura eu já simpatizaria mais com o PS do que com o PCP, o que não é o caso.

    Segundo a lógica do PS o PCP é um partido de extrema-esquerda mas segundo a lógica do PCP, o PCP não é o extremo de nada mas uma agência política para uma proposta alternativa de sociedade. É aqui que logicamente o PCP e o PS são irredutíveis. O PS aceita os termos do capitalismo e tenta moderar os seus efeitos predatórios já o PCP, a meu ver, considera que a prazo, com o correr do tempo, estes efeitos predatórios irão conquistando cada vez mais terreno dada a natureza intrínseca do capitalismo, cuja exige uma revolução constante dos seus limites, ou seja, a da transformação de suas contradições em produtos de mercado – é isto que acontece com todos aqueles produtos financeiros que nós mal percebemos, se sequer percebemos.

    O capitalismo vive por antecipação e portanto é de sua natureza considerar a riqueza de hoje de manhã é já um produto ultrapassado que é para ser tornado obsoleto e revolucionado já à hoje à tarde.

    Esta dinâmica produziu frutos importantes – não esqueçamos que Marx faz um grande elogio ao capitalismo no manifesto comunista antes de passar à crítica – mas acontece que está a ficar cada vez mais abstracto e veloz em relação ao tempo de decisão e acção política e em relação ao ritmo do que é uma vida minimamente auto-referente. Enfim o capital, e quando digo capital, não falo das pequenas e médias empresas mas das multinacionais, nomeadamente as financeiras, está cada vez mais livre do processo político e a sua velocidade e abstracção é o que hoje causa a necessidade da precarização do trabalho, a necessidade de fazer de cada um de nós para a vida corredores de mochila às costas atrás das necessidades do capital, sempre e invariavelmente atrás.

    Onde chegaremos? Que exigirá o capital na concertação social daqui a 10 anos, a 20 anos?

    Então chegamos após 35 anos de rotatividade PS – PSD/CDS melhores do que estávamos com Salazar, isso é verdade, mas também chegámos ao ponto em que somos dos países mais envelhecidos do mundo, com uma taxa oficial de desemprego de 15% que acrescenta ao envelhecimento a emigração de muita juventude. Que bons auspícios mostra a situação actual para que valha assim tanto a pena lutar por ela, lutar pela manutenção das estruturas que nos trouxeram ao estado deprimente em que nos encontramos? O que gerimos quando fazemos da política uma gestão dos assuntos correntes da situação? Estamos a gerir a coisa para ela melhorar ou estamos a gerir para que ela não piore na Alemanha e na França enquanto entre nós caminhamos para uma acentuação crescente da miséria?

    Então eu estou com o PCP não porque esteja na esperança de uma transição em breve para o comunismo mas porque tenho como necessária a reprodução da alternativa comunista ao longo do tempo. Assim, permita-me que discorde de si quando diz que eu não sou realista. A minha posição é, ao invés, duramente realista, cujo resumo é: se eu não for comunista a Maria não o será por mim; se eu não votar no PCP a Maria não votará por mim; se o PCP desparecer o PS não aparecerá por ele.

    Cumprimentos.

  25. João para terminar o debate sobre esta materia, vou-lhe fazer uma pergunta.O que leva à situação da coreia e de cuba? porque aconteceu a derrota do socialismo a leste? Não me venha com desvios!

  26. Caro joáo na minha opinião o p”c”p é mesmo social fascista enquanto me lembrar do que se passou no 1ºde maio de 1974 e na assembleia do sindicato dos metalurgicos depois de o terem assaltado e tomado pela força (democracia?) e depois de muitas outras passagens em que participei na vida politica sem retirar o merito de algumas intervenções pena é que na maioria dos casos façam do PS o inimigo nº1pois aparte o bla bla bla contra o ps votam sempre ao lado da direita.

  27. Maria,

    Deixo essa pergunta para si. A questão é: ou se é comunista e se está disposto de um lado a aceitar que a URSS foi uma experiência comunista e de outro a recompor as propostas actuais tendo em conta as experiências adquiridas; ou não se é comunista e absorve-se toda a propaganda anticomunista como correspondendo ao que é o comunismo.

    Como somos todos adultos, presumo, cada um toma a via que quiser.

    Cumprimentos,

    João.

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