4 mil milhões, diziam em Abril. O número dos erros do Governo e não um resultado de qualquer estudo sério sobre a reforma do Estado.

Afinal parece que é 5, 2 milhões de euros, dizem-nos agora. Porque o DEO vai até 2007, certo? Então ainda é mais.

E amanhã? Que ouvidos os nossos?

Eis o Governo da insegurança jurídica e da destruição da tutela das expetativas, esses princípios vazios, vai-se a ver.

Parece que se pede “consenso”, após o discurso de intimidação – queres sair do Euro? – proferido ontem por Passos Coelho.

Será que vai almoçar com Portas?

3 thoughts on “4 mil milhões, diziam em Abril. O número dos erros do Governo e não um resultado de qualquer estudo sério sobre a reforma do Estado.”

  1. O problema para Passos Coelho é que a intimidação não foi articulada nem compreensível. A única coisa que sobresaiu foi a ideia de que se tivéssemos moeda os salarios da FP e os outros compromissos internos continuariam a ser honrados. Para quem está com a espada de Dâmocles sobre a cabeça (sob ameaça de ir para o desemprego) o que é uma desvalorização de 30% comparada com isso?! Ainda para mais, quem já viveu com 20% de inflação — não foi assim há tanto tempo — sabe que a desvalorização não constitui um problema assim tão grave para os salários reais.

    Aparentemente, Passos não faz a mínima ideia de quais seriam os principais problemas que os portugueses enfrentariam, no imediato, com uma saída impreparada do euro. Eles são, a saber:

    (1) Subida dos juros dos empréstimos de longo prazo (p. ex., habitação), que teria que ser resolvida com uma rápida reestruturação dessas dívidas.

    (2) Escassez de alguns produtos importados essenciais, visto que levaria algum tempo até conseguirem ser substituídos por produção interna. Se a desvalorização fosse excessiva seriam necessárias medidas para favorecer a venda de produtos nacionais no mercado interno; pois, nessa situação, os produtores preferem obviamente exportar para mercados que pagam em moeda forte.

    (3) Desvalorização súbita dos depósitos bancários após a conversão na nova moeda, que poderia causar um pânico bancário e falência de bancos. Essa desvalorização só poderia ser compensada com uma subida atempada das taxas de juro.

    (1) e (3) obrigariam, no mínimo, a uma supervisão bancária muito forte e, no limite, a uma nacionalização dos bancos. Por sua vez a reestruturação apressada das dívidas internas e a desvalorização súbita da moeda levaria necessariamente a uma reestruturação unilateral da dívida externa (não apenas a do Estado, mas também a dos bancos), o que depois iria provocar dificuldades na obtenção de financiamento junto dos nossos credores internacionais.

    Por isso, reitero: se formos apanhados a sair do Euro com Passos Coelho no poder não nos vamos safar só com uma desvalorização de 30%…

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