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Uma estátua para Marcelo

«A República e a Democracia estão hoje bem vivas em Portugal»

Presidente da República_5 de Outubro de 2025

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Ontem, finalmente questionado sobre a perseguição a Ivo Rosa, Marcelo confirmou o que é: cobarde e cúmplice de criminosos. A sua resposta consiste em dizer que se pode varrer para debaixo do tapete a devassa ao juiz. A espionagem correu bem, pois não foi preciso usar o material recolhido dado o serviço das juízas que anularam o que Ivo Rosa demonstrou ser a Operação Marquês. Foi um azar ter sido descoberta, e logo quando estava em vias de ser destruída a prova de ter existido, mas agora basta apelar a uma “reflexão” dentro dos mais opacos órgãos da República, o Conselho Superior da Magistratura e o Conselho Superior do Ministério Público, para que o assunto fique arrumado.

É uma mensagem aos mandantes para estarem descansados e continuarem a fazer o que quiserem com os meios policiais à sua disposição, essa violência máxima do Estado:

«Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que "o melhor caminho" é haver uma reflexão no quadro interno da justiça em vez de se apelar ao Presidente da República, ao parlamento ou ao Governo, porque isso "levanta outra vez o problema de cá está a política a meter-se na justiça e a condicionar a justiça".

"Se o problema é de saber se a justiça internamente tem problemas de funcionamento, então apelemos aos órgãos que podem, em nome da justiça, apreciar serenamente e refletir sobre isso — sem estar a intervir o Presidente da República, nem se fazerem leis novas por causa do caso A, B, C, D", reforçou.»

Mas o que nos vale é a República e a Democracia estarem hoje bem vivas em Portugal. Se assim não fosse, Ivo Rosa já estaria em parte incerta a fazer de estátua.

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Dominguice

Garcia Pereira publicou uma Carta aberta ao Presidente da República, ao Presidente da Assembleia da República e ao Primeiro-Ministro onde exige uma resposta destes máximos representantes da soberania democrática ao que já se conhece da violação dos direitos do juiz Ivo Rosa por iniciativa criminosa do Ministério Público. Vai ter alguma resposta? Teria melhor sorte se fosse pedir à Serra da Estrela para se deslocar até aos arredores de Beja. O primeiro-ministro é aliado do fulano que representa politicamente os criminosos do Ministério Público. O presidente da Assembleia da República é apoiante da violência verbal no Parlamento vinda dessa choldra. E o Presidente da República alinhou com os procuradores criminosos para derrubar um Governo de maioria absoluta. As três personalidades odeiam Ivo Rosa à pala do Sócrates e gargalham de gozo com todo o mal que lhe possa acontecer com os instrumentos totalitários usados por esse Estado acima do Estado que é o Ministério Público desde 2012.

Ser republicano, neste dia, é reconhecer que Marcelo nos envergonha — e trai. E que teríamos orgulho em ter Garcia Pereira como supremo magistrado da Nação.

Há muito que já estão na falência moral

No Expresso da Meia-Noite de ontem, Ricardo Costa serviu-se de Gaza. Tratou o assunto como se o acordo proposto por Trump já tivesse sido assinado por todas as partes e os camiões com alimentos e medicamentos estivessem a entrar no território, assim justificando a necessidade de falar disso ao dia 3 de Outubro de 2025. Se não dispusesse dessa desculpa hipócrita à mão, teria ido buscar a absolvição de Joana Marques na acção dos Anjos, ou o álbum da Taylor Swift, ou a virose que atingiu o plantel do Benfica nas vésperas do jogo com o Porto. Qualquer assunto lhe serviria para não ter de falar no maior escândalo na Justiça — no regime — em 51 anos de democracia. Um escândalo tão grave que, seja qual for a sua evolução, nós sabemos que não estamos perante actos avulsos deste ou daquele, os quais poderiam ser retirados do Ministério Público com pinças. A origem dos crimes é sistémica, implica os três últimos procuradores-gerais da República, e também envolve a magistratura judicial.

Seguiu-se o programa dos quatro caluniadores profissionais (sim, Carlos Vaz Marques, és cúmplice das pulhices). Esta súcia paga pelo Balsemão tem feito parte da campanha de assassinato de carácter e difamação de Ivo Rosa, têm anos de ataque à sua autoridade e honra. Pois ontem não falaram no seu nome. Dava os 10 euros que tenho no bolso a quem me revelasse se foram eles que o decidiram, do alto da sua canalhice, ou se foi o mano Costa que ordenou a censura.

Na SIC e no Expresso, a violência inaudita feita a Ivo Rosa foi abafada, tratada como assunto terciário, rapidamente saiu da montra. Porquê? Porque a Operação Marquês é um processo político que nada tem a ver com os princípios civilizacionais que deram origem aos códigos das leis que usamos para vivermos uns com os outros em segurança. Para Ricardo Costa, defender Ivo Rosa e o Estado de direito democrático implica o risco de tal poder beneficiar Sócrates. Não lhe pagam para isso.

Do regular funcionamento daquela instituição

Duas das pessoas que mais admiro pela frontalidade com que denunciam os abusos e ilícitos do Ministério Público (tomado aqui colectivamente porque, colectivamente, não assume qualquer responsabilidade sobre os actos ilegais de alguns dos seus membros) são o Miguel Sousa Tavares e o Pedro Marques Lopes. Ontem, ao darem a devida — e mui justamente sentida! — ênfase à gravidade do que está em causa na espionagem a Ivo Rosa por arbítrio criminoso do Ministério Público, não foram capazes de colocar a última peça no puzzle: a finalidade da devassa.

O que está em causa não remete para o domínio da “vingança” em resultado da decisão instrutório de Ivo Rosa sobre a Operação Marquês, por mais previsível que seja também encontrar essa motivação no bestunto dos mandantes. O que realmente importa é antes da ordem do pragmatismo, e explica os três exactos anos da coisa. Conseguir assassinar o carácter de Ivo Rosa, pelo menos isso, com sorte enfiá-lo nalguma suspeita sórdida com implicações judiciais que fosse impossível de apagar, era o que se pretendia alcançar para os magistrados criminosos que montaram a perseguição. E porquê e para quê? Sócrates. What else?

Não sabemos quando se iniciou a espionagem, mas, mesmo que tenha sido apenas após a data da decisão instrutória, o Ministério Público iria sempre apresentar um recurso que queria muito, muito, muitíssimo ganhar. Tudo o que pudesse aparecer de negativo a respeito de Ivo Rosa durante esse período, que seria de anos, teria um efeito de influência e pressão sobre os juízes que iriam avaliar o recurso. E algo apareceu em 2022, no que fica como mais um acto criminoso, quando a Sábado lançou a suspeita de que Ivo Rosa tinha recebido dinheiro de um traficante de droga. Entretanto, a espionagem ao alvo, que inclusive passou pelo registo das suas deslocações diárias, comunicações, movimentos bancários e teve agentes da Judiciária a segui-lo presencialmente, ia acumulando material destinado a mais crimes. Se fosse necessário, a sujidade seria despejada pelos meios do costume. Mas não foi preciso, porque as juízas que ficaram com o recurso aceitaram serem cúmplices da golpada do “lapso de escrita” e anularam as decisões de Ivo Rosa. Em Janeiro de 2024, mandaram Sócrates para julgamento com as acusações originais – as tais que Ivo Rosa tinha desmontado com rigor geométrico e deixado para consulta de quem estivesse interessado na verdade. Essa foi a altura para terminar os três anos da espionagem, já não se justificava estar a perder tempo com esse juiz. Havia agora que destruir os registos, apagar os crimes.

Estava cumprido mais um capítulo do regular funcionamento do Ministério Público.

Mil vezes mil

«O primeiro-ministro Luís Montenegro associa, numa resposta oficial do seu gabinete, a data dos pedidos de documentação feitos no âmbito da averiguação preventiva sobre o caso da Spinumviva a duas campanhas eleitorais, insinuando que houve motivações políticas nos timings escolhidos pelo Ministério Público e pela Polícia Judiciária.»

Fonte

Passaram cinco dias após esta notícia ter sido publicada e não se ouviu tugir nem mugir a respeito. É espantosamente extraordinário e extraordinariamente espantoso.

É espantosamente extraordinário que o líder de um partido que instigou e explorou a judicialização da política e a politização da Justiça faça declarações — a partir do estatuto de primeiro-ministro — onde se diz vítima de uma real conspiração política orquestrada através de procuradores do Ministério Público.

É extraordinariamente espantoso ter-se um primeiro-ministro a declarar publicamente ser vítima de um lençol de crimes gravíssimos cometidos por magistrados e depois toda a gente – dos jornalistas aos comentadores, dos partidos ao Ministério Público – fingir que não leu, não tomou conhecimento, não sabe de nada.

Este episódio de Montenegro é mil vezes pior, naquilo que revela sobre a anomia que transformou o Estado de direito numa farsa em Portugal, do que a notícia da CNN sobre a espionagem de anos a Ivo Rosa por iniciativa do Ministério Público, sendo que esta notícia é mil vezes pior do que qualquer outra surgida após o 25 de Abril de 1974 acerca da injustiça na Justiça portuguesa.

O parolo e o taralhouco foram brincar com a tropa

O evento ontem na base de Quantico, onde centenas de chefias militares norte-americanas das mais altas patentes foram convocadas para estarem sentadas e caladas a levar com um palhaço da Fox e um cobarde que fugiu ao serviço militar, é uma peça especial no processo de implosão da democracia nos EUA. Quando se fala da importância histórica da democracia americana, tal também se deve ao rigoroso apartidarismo da corporação militar e à ausência de golpes militares, sequer tentativas, nos 236 anos após a rectificação da Constituição americana. Por isso, ver o bufão Pete Hegseth achincalhar uma plateia recheada de verdadeiros heróis de guerra, revelando ter uma concepção pré-tecnológica e circense do que deve ser um soldado, desperta esta inevitável curiosidade: quais as consequências de ter a elite do exército dos EUA a desprezar visceralmente o actual Secretário da Defesa? E depois ver um Trump em acelerada desagregação cognitiva, com exuberantes sinais de exaustão física, a largar retintas insanidades antipatrióticas em palco, leva a outra interrogação: se o Supremo Tribunal continuar a permitir o processo de tirania em curso, virá do corpo militar uma última linha de defesa da democracia?

Porque a verdade é esta, alguns dos melhores seres humanos deste planeta fazem parte das forças armadas americanas.

Pela calada

Que me lembre, o Lucas Galuxo começou a comentar neste blogue por causa de Sócrates, dizendo-se apoiante desse cidadão vítima de graves abusos, e de crimes, nascidos intencionalmente de agendas políticas de governantes, magistrados, patrões de imprensa e jornalistas. Muitos anos mais tarde, ficou claro que não percebia patavina do que é um Estado de direito democrático, o que fazia do seu suposto apoio a Sócrates apenas uma expressão de fanatismo. O mesmo fanatismo que o leva, actualmente, a ser defensor de Putin, Trump e Bolsonaro. QED.

Esta introdução só para enquadrar o seu comentário acima pendurado. Resolvi usá-lo porque ele é paradigmático de incontáveis outros comentários que se têm feito desde que o Chega apareceu. São, numa leitura superficial, apelos a que não se reaja à violência dos populistas de direita. Em comum, o mesmo argumento de serem essas reacções um factor de crescimento dos chungas. E, como neste exemplo do Galuxo, podem chegar ao ponto de verbalizar a sua finalidade, a sua motivação principal: “ficasse calada”. É só isto, de facto e em síntese — querem calar as vítimas através da sua culpabilização.

Podíamos fazer teses de doutoramento em múltiplas disciplinas a analisar os mecanismos mentais e sociais que originam este fenómeno. A pessoa que na Internet se apresenta com a identidade de “Lucas Galuxo”, que não faço ideia quem seja nem essa informação teria qualquer utilidade para o caso, gasta uma parte da sua vida a expor a sua cumplicidade com a degradação das instituições democráticas. A lógica da sua atitude consiste em apoiar aqueles que pretendem tomar o poder através da violência. Como não é assim que se concebe, precisa de deturpar a realidade para conseguir manter a integridade psicológica. A partir da sua crassa ignorância (o Galuxo não faz ideia do que seja uma república ou uma constituição, nem quer perder um segundo a pensar nisso), usa na sua cognição o que consegue perceber. Eis que consegue perceber uma manipulação básica do Ventura sobre a Isabel Moreira, produzida em 2024. Pois então é isso mesmo que vai usar para bolçar uma inanidade acerca de um episódio de Setembro de 2025.

Ocorrendo isso neste pardieiro, não tem qualquer importância. Nada do que se passa neste blogue tem importância, seja para o que for, no seu ambiente exterior. O que releva é ser sintomático do que acontece na sociedade com centenas de milhares ou milhões de portugueses. As expressões de ódio, quando não contestadas sistematicamente, começam a parecer opiniões válidas entre outras. Os cidadãos comuns, especialmente os mais jovens ou com menor literacia política, passam a incorporar estes discursos como parte legítima do debate democrático. Como se vê no comentário acima, os cúmplices dos fascistóides agitam serem apenas “excessos de linguagem”. Mas ai de quem reaja, quem se indigne, quem queira poder discursar sem ser alvo de assédio machista, racista, xenófobo, pois aí vem o Galuxo explicar que tal defesa da decência, das leis e do humanismo é que está a alimentar o monstro. Comam e calem, é a bandeira destes colaboracionistas.

Essa fuga para o silêncio produz consequências catastróficas. Acelera a erosão das normas democráticas, porque cada ataque não respondido torna o próximo mais aceitável. Contribui para a desmobilização democrática, porque os cidadãos comprometidos com a democracia sentem-se isolados e impotentes. Facilita a captura institucional, porque as instituições democráticas enfraquecem quando ninguém as defende publicamente. E, paradoxalmente, fortalece eleitoralmente os populistas, porque lhes permite dominar a narrativa pública sem contestação efectiva.

O argumento de “não provocar” os extremistas foi usado repetidamente nas décadas de 1920 e 1930 na Europa. As elites moderadas, assustadas com a conflitualidade social, acreditavam que ceder espaço e não confrontar directamente os fascismos emergentes levaria à sua moderação ou desaparecimento natural. O resultado foi horrendo. A ausência de resistência firme foi interpretada como fraqueza e acelerou a normalização do inaceitável. Cada provocação não respondida, cada ataque às instituições não defendido, cada expressão de ódio não condenada contribuiu para deslocar a janela do que era considerado aceitável no discurso público. A história ensina-nos que o silêncio nunca pacificou autoritários — apenas os encorajou.

Os pulhas querem assustar e calar a Isabel Moreira. Faz sentido, pois ela está nas muralhas da cidade. Sem medo e com gana.

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Dominguice

Que pretende Trump? Quantos anos de vida acha que lhe restam? Para que quer mais dinheiro? Existe algum plano naqueles que o manipulam nos bastidores para além de manter o poder pelo poder? Os juízes do Supremo Tribunal dos Estados Unidos, que têm aceitado transformar esse órgão num instrumento do autoritarismo violento e desumano de Trump, não se importam como a História os vai retratar? O Estado de direito pode recuperar de se ter transformado a Justiça numa arma de perseguição e vingança política? Que será preciso acontecer para que a população americana saia à rua na defesa da democracia e da liberdade?

Talvez só a hipótese de se ver Trump dar um tiro em alguém ao calhas na Quinta Avenida, que o próprio lançou num comício em 2016 para ilustrar a alienação dos seus apoiantes, fosse capaz de quebrar a apatia. Mas não é certo.

E tu?

Ventura sobre Isaltino e Sócrates: “qualquer dia temos um líder terrorista a dar entrevistas na televisão”

Questionado sobre as declarações de Isaltino Morais a seu respeito, na peça acima acessível, Ventura de imediato vai buscar Sócrates, acrescenta Paulo Pedroso e chega aos terroristas. Todos juntos, todos iguais na sua retórica do ódio. Se sobre Sócrates está apenas a expressar o que a sociedade e o sistema partidário igualmente pensam — que esse cidadão devia estar preso sem direito a defesa num tribunal — já sobre Pedroso estamos perante um outro cidadão que não foi pronunciado por crime algum. E que depois obteve do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos o reconhecimento de ter sido vítima de gravíssimas violações dos seus direitos por exclusiva responsabilidade do Estado português através de agentes da Justiça.

Pedroso não é apenas um inocente, é também um não acusado e alguém que obteve uma indemnização por ter sofrido danos incalculáveis e indeléveis, que continuam a provocar sofrimento atroz. Esse sofrimento estende-se à sua família e amigos, e ainda a qualquer pessoa decente que se sente atingida pelos abusos cometidos e pelas suas consequências para a comunidade. Quando foi detido no Parlamento, com 38 anos, ele era um dos mais promissores políticos do PS, considerando-se que estava destinado a chegar a secretário-geral e, portanto, eventualmente a primeiro-ministro. Hoje, quem o oiça ou leia com honestidade intelectual fica triste por não ter o protagonismo político que merece e nos faz falta.

Ventura terá dificuldades cognitivas que lhe dificultem o entendimento dos factos judiciais relativos a Paulo Pedroso? Não parece. Terá provas que escaparam à Justiça, e que ainda não entregou às autoridades, onde baseie a sua convicção de estarmos perante um abusador sexual de menores ou maiores? Não parece. Então, que resta? Por que razão, ou razões, se tornou num explorador político do sofrimento de alguém que nunca lhe fez mal? Como se permite continuar a violar os seus direitos, e até a ameaçar agravar a violência já infligida desde 2003 até à actualidade? Que podemos, e devemos, concluir a respeito de alguém que fanfarrona ser carrasco de um inocente enquanto líder partidário, deputado, candidato a primeiro-ministro e candidato presidencial?

Ele permite-se fazer isto dado só ver à sua volta cúmplices e cobardes. Atente-se como o título da notícia, da responsabilidade do editorialismo do Ricardo Costa, agarra-se a Sócrates e apaga Pedroso. Ventura falou da Palestina, das creches, das autárquicas. A SIC aproveita para vender o Sócrates criminoso e cala-se sobre a violência de que Pedroso volta a ser vítima, agora também tendo a SIC como canal divulgador e amplificador. De cada vez que isto acontece, e acontece sempre e em todo o lado em que se reproduzem as canalhices do Ventura, o espectador tem bons motivos para considerar que é normal repetir ser Paulo Pedroso um criminoso que devia estar preso porque abusou sexualmente de crianças e jovens. Afinal, se nem sequer os jornalistas gastam uma caloria a rebater as calúnias ditas na sua cara, sequer um político de um outro partido aparece a defender a honra e a liberdade dessa pessoa — os seus direitos fundamentais, aqueles que reclamamos para nós próprios — é porque todos concordam com o pulha.

E tu, também concordas, né?

Mourinho e o fisting

Mourinho chegou e ganhou. Ao Aves, nas Aves, último classificado. Disse que tinha metido dois dedos. E que isto e aquilo, à sua pala. Só com dois dias, frisou. Seguiu-se o Rio Ave, na Luz, antepenúltimo classificado. Já com mais dias. Empate. Terá metido a mão fechada até ao cotovelo?

Um treinador de futebol só serve para ir falar com jornalistas nas vitórias, porque aí pode alucinar para gaúdio da plateia. Nos empates e nas derrotas, os treinadores não servem para nada e mais valia que ficassem calados. A realidade, isso de eles não passarem de um elemento arbitrário num sistema caótico, é tóxica para o espectáculo.

Nas muralhas da cidade

«Hoje, a linguagem do esclarecimento volta a ser transformada em instrumento de obscurantismo. Esta dinâmica invertida, ou este fator de apropriação indevida, transforma cada acto de responsabilização em “ataque”, cada crítica em “censura”, cada investigação em “perseguição”. A “segurança” torna-se eufemismo para repressão de minorias e “liberdade” significa direito a incitar violência sem consequências. Como um espelho aldrabão que reflete sempre a imagem inversa: o agressor vê-se como agredido, o opressor como oprimido.

Estamos, na verdade, perante uma estratégia deliberada de destruição efetiva, que não é ingénua nem resulta de confusões semânticas. Visa, sim, matar-nos a alegria e os próprios referentes éticos básicos que protegem a humanidade do caos e da autodestruição. Se “discurso de ódio” pode significar seja o que for, então não significa coisa nenhuma. Se “liberdade de expressão” protege igualmente a dignidade humana e a sua negação, então não protege realmente nada. Se a “tolerância” inclui a intolerância, então deixa de o ser. Esta erosão dos fundamentos da política não visa apenas confundir o debate público, mas impossibilitar qualquer orientação ética. Como se alguém trocasse sistematicamente as bússolas de uma cidade inteira: todos os caminhos conduzem a lugares errados, mas mantém-se a ilusão de mapeamento e orientação.»


Graça Castanheiro

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