Dominguice

Se tivéssemos de escolher uma autoridade moral em Portugal, quem seria? O problema começa a montante: seria possível chegarmos a acordo do que significaria ser-se uma autoridade moral? Obviamente que não. Mas imaginando esse impossível, e calhando a definição ter fundamento e coerência, resultaria fatalmente inglório ir à procura de tal ser. Moralmente, não se conhece quem seja confiável, constante, corajoso. Há exemplos que se aproximam, cada um se lembrará dos seus, mas não existe uma figura que tenha reconhecimento comunitário nessa dimensão por palavras e actos. Não existe nas religiões, na justiça, na academia, na política, nas artes, no mundo das empresas e do trabalho, na imprensa.

Grave? Não. Grave é ir à rua, perguntar a quem passa o que seja a moral, e descobrir que quase ninguém elaboraria uma resposta acima da indigência intelectual.

4 thoughts on “Dominguice”

  1. Submarino ao fundo.
    A moral também, se é que alguma vez existiu nas cacholas de quem tem poder para mudar alguma coisa.

    Mas falemos antes de coisas que não interessam para nada.

    -Governo vai dar aos privados as linhas ferroviarias mais lucrativas
    O ministro das Infraestruturas e Habitação, anunciou ontem que a primeira subconcessão do serviço urbano da CP vai ser decidida durante o primeiro semestre. O Governo apontou para a s subconcessões nas linhas de Cascais, Sintra/Azambuja, Sado (Barreiro – Praias do Sado) e Porto. O ar pode ser a próxima concessão.
    –As palavras de José Gomes Ferreira, jornalista da SIC: «Com a cegueira própria dos capitalistas ávidos de acumular cada vez mais dinheiro no curto e médio prazo e sem cuidar do futuro de longo prazo, como tem sido habitual na nossa história económica recente, escondem que estão dispostos a ceder o controlo da única refinaria existente em Portugal sem se preocupar com as consequências que essa decisão imprudente possa vir a ter para a soberania nacional.»
    «Já o silêncio do primeiro-ministro, do Presidente da República, dos próprios candidatos às eleições presidenciais e dos líderes dos partidos políticos, com a honrosa exceção do PCP, impressiona muito pela negativa.»
    —A palavra a SARAMAGO
    Privatizem tudo e mais a puta que os pariu a todos.

  2. Eu escolhia o Agostinho da Silva, o Miguel Torga e o Aquilino Ribeiro. Gosto da “moral” deles, sem sofisticação, e espelhada nas suas vidas

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *