«Não tem por isso razão o Presidente quando afirma que Portugal "ficará bem servido, seja qual for a escolha" para seu sucessor. Há um motivo político: em quase todos os momentos cruciais, o Presidente raramente nos falhou. Aliás, quando estão ameaçados valores civilizacionais que são fundamentos do regime, Marcelo não foi de tibiezas e não hesitou na defesa da decência, do vínculo democrático e do respeito pelo outro. Uma postura que contrasta com a timidez substantiva e o tacticismo dos atuais candidatos a Belém.»
Sou fã do Pedro, daí ficar atordoado com aquilo que é tecnicamente uma alucinação sem defesa possível. A citação ilustra o essencial do seu panegírico, havendo outras enormidades no texto completo. Quem mais viu este Marcelo que “raramente nos falhou”? Os 10 euros que tenho no bolso como mais ninguém de ninguém.
Não se sabe quais são os pressupostos da prosa, quais os “momentos cruciais” convocados, que “valores civilizacionais” estão a servir de bitola. Talvez o Pedro apresentasse argumentos que tivessem algum mérito. Ficando tudo isto oculto na subjectividade do autor, o discurso esgota-se no inevitável absurdo. Marcelo iniciou o seu primeiro mandato ainda sem Ventura e sem Chega e vai terminá-lo com a Justiça enterrada em escândalos sucessivos, sistémicos e violadores do Estado de direito democrático pela prática de crimes e pela interferência golpista na soberania política.
Nos 10 anos em que pôde influenciar o regime, o sistema partidário e a comunidade, jamais se ouviu a Marcelo uma singular palavra acerca dos perigos do populismo de extrema-direita ou acerca das disfunções e atentados originados na Justiça. Algo espantoso, visto estarmos perante uma das mais qualificadas mentes portuguesas no campo da jurisprudência – que o mesmo é dizer, da Constituição e dos tais “valores civilizacionais” que nos permitem viver em paz uns com os outros e ter direito à dignidade e à liberdade. Népias. Mas palavras contra os Governos de Costa, contra os governantes socialistas, contra o carácter de Costa, isso não faltou. Numa oposição ilegítima que só descansou após ter sido cúmplice de um golpe de Estado.
Se calhar, a recuperação do patriotismo para o Palácio de Belém passará mesmo por colocar lá quem garanta uma “timidez substantiva”.
Talvez, na hora da despedida e o ver de costas a desaparecer de vista, Adão e Silva queira ser benevolente para esse passarão predador dos valores constitucionais democráticos tal como jurara na tomada de posse; ou outros valores de sombras atuais ou futuras existam nos planos de PAeS.
A vida é feita de tudo incluindo o inesperado, o imprevisível, e muito mais ainda quando já se anuncia novo ‘caos’ e respetiva mudança de paradigma histórico. O Valupi fica muito ‘chocado’ com estas ‘traições’ de gente que era ‘fixe’ mas que, de repente, deita para fora de si o outro lado escondido pela cultura; são os casos dos do “eixo do mal” e “governo Sombra”, gente de esquerda de boca mas manhosa e calculista quando se trata de bolso.
Marcelo foi amigo quando se apercebeu de que um Centeno com Costa às costas conseguia levar o país a porto abrigado. Consentiu, então, fazer o jogo de Costa e deixar este arrumar a casa como nenhum governo o fizera antes, com margem nas contas públicas. Feito o trabalho mais difícil e chegado o 2º mandato o Marcelo do pequeno trumpismo veio ao de cima; até dos sem-abrigo se esqueceu e acabou a deixar estes aumentarem quando queria acabar com eles.
O último Marcelo foi um tal de Presidente dos seus contra os demais; só pensou em deixar a sua herança ao seu partido e viu-se obrigado a dar um golpe na democracia para deixar ao Montenegro, conta sua aposta no falsete Moedas o que seria ainda um maior palavroso de promessas sem ideia nenhuma do que fazer à governação do país. Foi o verdadeiro ‘pantomineiro’ exemplo de avatar do Presidente.
Marcelo não merece qualquer elogio, pois, não contribuiu para a estabilidade e consistente continuidade económica e financeira do país, mas, antes pelo contrário foi uma contínua fonte de instabilidade, da qual resultou o ‘sprint’ do Chega ao 2º lugar na sociedade portuguesa.
Contudo PAeS faz-lhe, na hora do adeus, um elogio de vida? Ou fúnebre?