Feministas legalistas e anti-feministas

Ronaldo, Khamenei e o ferro de engomar

Tudo certo neste artigo, excepto a posição da própria jornalista sobre o uso da burqa. Sobre isto, ver um artigo anterior, onde as considerações jurídicas elencadas apenas visam complicar o que, na realidade, é bem mais simples e fundamentar as suas dúvidas incompreensíveis em raciocínios de homens de direito à nora com a política. Na prática, entende que as mulheres devem ser livres de usar ou não usar, pois ninguém tem o direito de proibir o teu direito a não ser visto. E fala em totalitarismo. (“É, na verdade, de um peculiar e paradoxal totalitarismo que se trata: o de, a pretexto de salvar as mulheres da imposição da invisibilidade, determinar que não têm direito (ninguém tem) a não ser vistas/identificadas.”). Esta posição parece-me indefensável perante as críticas que faz às debatentes, pois nessa perspectiva as mulheres (críticas do feminismo, mas não vi o debate) que escolherem ficar em casa a tratar dos filhos e do marido e na total dependência deste, também devem poder fazê-lo, sem julgamentos. Portanto, estaria tudo bem. Nada a criticar. Nota-se, porém, que a jornalista critica muito mais do que a incongruência.

É verdade que elas, as mulheres antifeministas, estão erradas ao manifestarem-se contra a burqa, pois, para serem congruentes, deviam defender que uma mulher ser dependente economicamente do homem e, devido a isso, submissa e de contemplação exclusiva, não devia ser problema, mais trapo menos trapo, seria lá com elas. Mas a jornalista está igualmente errada ao criticá-las pela incongruência, quando ela própria, apesar de considerar a submissão das fêmeas ao macho inaceitável e a separação de funções muito criticável, no que respeita ao uso da burqa, uma fatiota que é o paradigma da submissão e do machismo, já considera totalmente aceitável, alegando que pode ser uma escolha e um direito. Bullshit, não?

Não vou ao ponto de dizer que estão bem umas para a outra, até porque o meu lado é o do feminismo (não atormentado). Mas quase. De facto, do lado das tradicionalistas há assuntos que se podem discutir sobre o acompanhamento das crianças. Pode uma mulher ser paga (pelo marido ou pelo Estado) para ficar em casa, quando existem creches para as crianças? Em princípio não, e deveria ser proibido em nome da igualdade e da dignidade. Mas se a mulher que fica em casa, sem outro emprego que não o de tratar da casa e dos filhos, tem bens próprios, pode considerar isso uma profissão, remunerada por ela própria, portanto um investimento. Ou então a relação contratual com o marido poderá, por lei, ficar plasmada num acordo nupcial (ou equivalente, para quem não for casado). Ou poderá haver um contrato com o Estado, no caso de não haver creches. Claro que nunca estas pessoas põem a hipótese de ser o homem a ficar em casa, o que é de lamentar. Mas, lá está, são antifeministas. São anti-igualdade e anti-equiparação. Umas tontas. De certo modo, são como as mulheres mais velhas do Irão, que pertencem às brigadas dos costumes contra as “liberdades” das mais jovens de mostrarem o cabelo.

As ditas feministas, por seu lado, como a jornalista, são incapazes de condenar a burqa apesar da luta e da repressão por vezes brutal das jovens mulheres do Irão por causa do mero hijab. Exigir-se-ia, digo eu, no mínimo mais solidariedade. Toda a solidariedade. Nem todas as proibições são más. Nem sempre deve ser proibido proibir. A proibição da excisão genital feminina é mais do que bem-vinda e urgente, pouco importando se as miúdas a querem fazer para não desafiarem a família, ou se são poucas a fazê-lo. As vinganças de honra familiares também são proibidas. Se for proibido, essa proibição acaba por ser absorvida e as coisas mudam. Para melhor. Se não for proibido, mantêm-se. Assim é com a burqa no Ocidente. Se for proibida, as pessoas adaptam-se. E não, as mulheres não vão deixar de sair à rua por não poderem fazê-lo com burqa. Isso é uma tolice. Aos poucos, ou no imediato, tirarão a burqa e circularão sem que ninguém lhes ligue. Deixam apenas de ser bichos, e os homens ficarão um pouco ou bastante menos trogloditas. Ou então, se fizerem muita questão, regressam às origens para se sentirem melhor. Não haverá problema nenhum com isso. Nenhum mesmo. Pode é acontecer que “as origens” também já tenham evoluído mais do que as feministas da liberdade de ocultação do corpo debaixo de trapos para os outros machos não as verem e cobiçarem. Seria bom e far-me-ia rir.

 

30 thoughts on “Feministas legalistas e anti-feministas”

  1. Que parvoice, meu deus! As mulheres não são livres “escolherem ficar em casa a tratar dos filhos e do marido e na total dependência deste”? Claro que são, do ponto de vista juridico, são. Não existe nenhuma lei, nenhum principio que o proiba. Pode-se criticar moralmente a escolha, mas ela é claramente dada pelo nosso ordenamento juridico. Dede que se trate de uma escolha feita de livre vontade, como é obvio…

    Nem tudo o que a Penélope, ou qualquer outra pessoa, considera errado, é proibido por lei. Chama-se a isso, um ordenamento liberal. As pessoas são livres de fazer uma data de coisas que a moral reprova. A Penélope, por exemplo, tem todo o direito de escrever disparates, e mesmo de os pensar, chama-se a isso liberdade de pensamento e liberdade de expressão. Não devia existir?

    Dito isto, pensar dois segundos antes de escrever, embora não seja juridicamente obrigatorio, recomenda-se de um ponto de vista moral.

    Boas

  2. www ponto economist ponto com/europe/2025/11/17/a-huge-corruption-scandal-threatens-ukraines-government

  3. Para os que descarregaram as suas frustrações sobre Cristiano Ronaldo, basta lembrar as palavras do grande Vergílio Ferreira: “Demasiado mérito e demasiado sucesso irritam sempre o povo da nação valente e imortal, mas que padece de uma inveja crónica que faz com que «não queira ser mais, mas queira que o outro seja menos».”

  4. as mulheres são livres para o que lhes apetecer mediante as circunstâncias em que vivem desde que não confundam feminismo com femismo que é o que eu acho que as mulheres feministas aferroadas são: femistas a combaterem os machistas. quem quer ter filhos e puder cuidar deles sem os depositar e pagar a quem cuide deles por elas e por eles é porque não está preocupado com os filhos mas sim com o status social do trabalhar fora de casa é que é bem. cuidar é amar e pagar para amar é algo que duvido ser amor. ademais, e como o feminismo nasceu com o foder à vontadinha como um direito dos homens, para mim querer igualdade em algo que se critica é merda. outra coisinha: as feministas aferroadas são, em sua grande maioria, lésbicas, odeiam homens. odeiam homens mas precisam de objectos fálicos para se foderem. são ridículas e invejosas, portanto, e há uma patologia aí que ninguém tem coragem de apontar. aponto eu, homessa.

  5. Esquisito como acham que podem dizer a uma mulher o que deve querer e o mais esquisito é que lhe dizem que deve querer imitar o homem…e são feministas ..
    As pessoas devem ser o que lhes sai de dentro e se querem ficar em casa a educar filhos, se querem ser coronéis, olha, até se querem ser homens ou freiras devem poder fazer ló sem levarem lições de moral.

  6. Como tudo está a virar do avesso, cuidado com o que dizemos:
    Quando vires um paneleiro
    Não o trates com desdém
    Porque se tivesses ovários
    Podia ser tua mãe.

  7. Coisa estranhíssima: ontem concordei com o volupi e hoje concordo com a Penélope. Deve ser inédito. Também incomum é o desacordo dela com a Câncio, uma santinha da casa, embora o recente testemunho da Câncio sobre o Grande Líder 44, onde lhe chamou “esta pessoa”, possa tê-la feito descer uns furos na hierarquia de heróis desta toca xuxa. Certas ofensas não se perdoam.

    A burca, além de um instrumento de submissão e opressão, quando usada voluntariamente é uma maneira clara e imediata de mostrar a todos que se é um carneiro. Ou, neste caso, uma ovelha. E isso, para mim, é razão bastante para bani-la – não só a burca, mas toda a religião que a impõe. E todas as outras religiões, com e sem burcas. Mas a carneirada não é ainda capaz desse passo.

    A questão mais vasta do papel da mulher na sociedade, se fica ou não em casa, se trabalha ou toma conta dos filhos, é geralmente discutida dentro de uma Overton window que revela outro carneirismo: aquele que jamais questiona o capitalismo, onde a função de homens e mulheres é tão-só servir a economia, i.e o capital que a domina e que a explora em detrimento da sociedade.

    Somos animais cuja biologia determina ainda certos papéis: os homens são fisicamente mais fortes, só as mulheres podem ter filhos, etc. Se já evoluímos o bastante para criar um mundo mais igual e justo para as mulheres, pelo menos na maior parte do Ocidente, não há razão para não torná-lo mais justo para todos – a pobreza é a verdadeira discriminação deste e de todos os tempos.

  8. Aposto que o Filipe Bastos é totalmente incapaz de explicar de forma convincente a diferença entre o comunismo básico que ele defende e uma religião. Assim sendo o comentário dele não é apenas ridículo. Também é contraditório…

  9. «a diferença entre o comunismo básico que ele defende e uma religião»

    Carneirinho, para começar não defendo comunismo básico nem avançado. Comunismo e socialismo são termos carregados e hoje largamente inúteis, excepto para reforçar preconceitos direitalhas ou fomentar longas discussões entre esquerdistas cujo efeito é invariavelmente zero.

    De resto, confundir comunismo e religião é duma estupidez a toda a prova: esta baseia-se em crenças e contos de fadas, aquele é materialista e científico; a religião prega submissão em troca duma suposta vida além-morte, o comunismo exalta os submissos a melhorar a sua condição na única vida que conhecemos; a religião sempre esteve do lado dos mamões, o comunismo afronta-os; etc.

    E para o CA mais acima: é costume os fãs do bronco mamão Ronaldo chamarem ‘inveja’ a qualquer crítica ao seu bronco herói. Devem achar, entre as lambidelas ao cu do seu bronco herói, que chamar invejosos a outros de alguma forma os eleva de lambe-cus pacóvios a sagazes observadores da ‘natureza humana’, ou outro disparate que certamente sorvem dos Jordans Petersons da vida.

    Mas continuam a ser lambe-cus dum bronco mamão. Nada mais. Nada menos.

  10. “aquele é materialista e científico”.

    Se exceptuarmos a tua cabeça, existe mais alguma realidade material que comprove a realização próxima do socialismo nas suas fases cientificamente identificadas? É possível que o paraíso que o teu materialismo “científico” procura alcançar se situe antes da morte, mas esse paraíso situa-se com certeza para lá deste mundo, o que torna a tua doutrina funcionalmente religiosa. Quanto à melhoria das condições de vida, é o que apregoam todas as religiões, ou quase, e todas criticam as outras por serem fonte de alienação. Portanto, tenho muita pena, mas a estupidez da minha hipótese está muito longe de estar demonstrada…

  11. carneiro, essa é fácil
    não há qualquer apelo ao divino, ao espiritual, ao transcendente ou ao sobrenatural.
    quanto ao resto, se as semelhanças com a religião que tu apontas são prometer melhoria de condições de vida aos crentes/subscritores então que ideologia politica actual não poderia ser de igual forma considerada religiosa?

  12. Nem a religião se esgota no “apelo ao divino”, nem as relações entre espiritualismo e materialismo são tão simples quanto julgas. Existem materialistas religiosos, e também religiosos materialistas. E até podemos encontrar casos de espiritualismo materialista (cf. https://es.wikipedia.org/wiki/Materialismo_espiritual ). Mas isto levar-nos ia provavelmente longe demais.

    Noto que, apesar de achares que é “fácil” responder, esquivas-te à primeira pergunta. Deve ser distracção, ou esquecimento. Aqui está ela: se exceptuarmos a tua cabeça, há mais alguma realidade material que comprove a realização próxima do socialismo nas suas fases cientificamente identificadas?

  13. Mais uma vez, carneirinho, veste-me um fato que não é meu: não represento nem defendo o comunismo, nem qualquer dos regimes que se disseram ou dizem comunistas, que aliás nunca o foram nem são. Tenho simpatia por ideias do comunismo enquanto alternativa ao capitalismo, é certamente um sistema superior e mais justo, mas, como já disse, discuti-lo é hoje uma perda de tempo.

    Já que o tema o fascina há-de explicar onde é referido um “paraíso”. E conhece alguém, alguma ideologia ou partido que prometa piorar a vida das pessoas? Claro que todos prometem maravilhas, carneirinho – a começar pelo capitalismo, apesar de estar ao serviço duma ínfima minoria.

    Tudo o que v/ diz tresanda ao evangelho direitalha que só vê falhas e crimes do outro lado, jamais do seu. O comunismo surgiu numa época de tremenda exploração e injustiça, em resposta ao mamanço obsceno dos que mandavam e ainda mandam no mundo. No que depender de gente como v., sejam idiotas úteis ou lacaios venais e conscientes, eles continuarão a mandar e a mamar.

    P.S. Posso ser burro, mas não sou cinzento. Não fui eu que lhe respondi.

  14. @ Filipe Bastos,

    Desculpe tê-lo confundido com um burro. Quanto à sua primeira questão, julgo que não é exagerado dizer que a fase última do “socialismo científico”, ou seja, a sociedade comunista regida pelo princípio “a cada qual segundo as suas necessidades”, se assemelha muito a uma forma de paraíso terrestre. Quanto ao resto, v. é que afirma que o comunismo se distingue duma religião por ser uma doutrina “científica”. Tanto quanto julgo saber, a ciência caracteriza-se pela capacidade de ajustar as hipóteses que enuncia à realidade objectiva, a qual se afere por experimentação racional. Donde a minha pergunta: em que realidade objectiva (e material) se apoia o comunismo para reivindicar-se como doutrina científica? Caso não saiba explicar este ponto, vou concluir que, se calhar, não sou eu (que sou ateu, por sinal, e que me considero de esquerda), que tresando a evangelho…

  15. «julgo que não é exagerado dizer que a fase última do “socialismo científico”, ou seja, a sociedade comunista regida pelo princípio “a cada qual segundo as suas necessidades”, se assemelha muito a uma forma de paraíso terrestre.»

    Está a esticar a comparação para chegar a uma conclusão predeterminada, e creio que sabe disso. Poderá argumentar que o regime estalinista e outros atacaram a religião, em parte, para ‘eliminar a concorrência’ e instituir a sua ortodoxia, culto da personalidade, etc., e até certo ponto concordo, mas o comunismo jamais foi ou pretende ser uma religião. E a definição de Marx da religião é ainda a melhor.

    O comunismo é científico e livre de superstição, crenças religiosas e alucinações em geral. Baseia-se nas condições materiais objectivas das pessoas e das sociedades, na análise das contradições do capitalismo e de coisas concretas como a propriedade dos meios de produção e a luta de classes.

    Deixando de parte o comunismo, uma organização racional da sociedade é necessariamente científica, ou seja, adere ao mesmo método e aos mesmos princípios. Fantasias religiosas ficam à porta. E tal como na Amazon ou em qualquer outra grande empresa, pode e deve ter planeamento central.

    A diferença para tais empresas/mamões é a sua gestão democrática e a sua orientação para o bem comum, não para encher os ditos mamões. O primeiro passo é derrubá-los e expropriá-los.

  16. “Nem a religião se esgota no “apelo ao divino”, nem as relações entre espiritualismo e materialismo são tão simples quanto julgas.”

    afinal quem não sabe o que é religião é ele, apesar do discurso ser de padreco

  17. Pois… Muito paleio e, à mistura, muita ignorância arrogante, mas quanto a responder à única questão que permitiria, de facto, decidir se o materialismo científico pode, ou não, ser considerado como uma doutrina científica, népia! Mais uma vez, em que medida é que a doutrina marxista submete as suas hipóteses à prova dos factos e, se o faz, em que realidade objectiva esta doutrina pode apoiar-se para considera válidas as suas hipóteses?

    Catecismo marxista não deixa de ser catecismo. Ou seja, uma religião que, de acordo com a doutrina da nossa parelha de forcados de trazer por casa, devia banida tal como todas as religiões…

  18. quando o amigo mé-mé mostrar o que qualquer doutrina macro económica tem de científica, pode então aplicar o mesmo raciocínio ao marxismo.
    até lá, toca a chorar baba e ranho

  19. “quando o amigo mé-mé mostrar o que qualquer doutrina macro económica tem de científica”

    É provável que muitas “doutrinas macro-económicas”, ou seja de economia política, sejam inquinadas da mesma forma, ou seja que assentem em dogmas e postulados dificilmente verificáveis. Não contesto esse ponto. Eu apenas defendi que quem enche a boca com o carácter “científico” do marxismo, arguindo que ele se opõe radicalmente a uma religião, e sustenta que as religiões deviam ser todas banidas, ou é capaz de demonstrar a diferença entre as duas coisas – o que manifestamente não acontece aqui – ou incorre numa evidente contradição…

    QED

  20. “quando o amigo mé-mé mostrar o que qualquer doutrina macro económica tem de científica, pode então aplicar o mesmo raciocínio ao marxismo.
    até lá, toca a chorar baba e ranho ”
    Parabéns , uma coisa que trabalha com cenários probabilidades e ignora a acção imprevisível dos cidadãos , ciência? se fosse ciência não andávamos de crise em crise desde que esses coisos , a maioria judeus , peritos em fraudes , se autodenominaram cientistas .

  21. «em que medida é que a doutrina marxista submete as suas hipóteses à prova dos factos e, se o faz, em que realidade objectiva esta doutrina pode apoiar-se para considera válidas as suas hipóteses?»

    Alminha, já lhe disseram que a realidade objectiva são as condições materiais das pessoas, a propriedade dos meios de produção e tudo o que configura a luta de classes. Tudo isto é tão real, palpável e objectivo quanto séculos de exploração duma vasta maioria de pobres, remediados ou miseráveis por uma minoria de monarcas, senhores, proprietários, capitalistas e mamões em geral.

    Para “submeter hipóteses à prova dos factos” é preciso que esses mamões o permitam: a comuna de Paris foi massacrada; a rev. russa foi logo atacada por vários países; Allende (cujo projecto Cybersyn era muito interessante e avançado para a época) foi deposto e morto; Sukarno foi deposto e pelo menos um milhão de supostos comunistas foram chacinados; Lumumba, que negou ser comunista, foi mesmo assim cortado aos bocados; Cuba, Grécia, Guatemala, podíamos estar aqui o dia todo.

    Os poucos regimes que conseguiram resistir à retaliação imediata e brutal dos mamões, encabeçados pela canalha americana e amiúde apoiados pela religião, no caso cristão em evidente e hipócrita contravenção à suposta mensagem de Cristo, são, sem surpresa, os mais opressivos e violentos: democracia e liberdade até podem resistir a bombas de B-52s, mas não a invasões, golpes de Estado, fundos ilimitados de CIAs e afins, ou a um sistema económico mundial todo instalado contra si.

    Mas usemos o seu ‘strawman’: que sejam banidas as religiões e também o comunismo… logo após, claro, banirmos o capitalismo – sabe, o sistema que realmente manda no mundo? Poderemos então criar de raíz algo racional, democrático e igualitário, com limites razoáveis de poder e da riqueza, e prioridades focadas na evolução e no bem comum em vez de religião, ganância, rentismo, consumismo, crescimento ‘ilimitado’ e outros delírios que só nos atrasam e degradam. Ontem já era tarde!

  22. Pois… As hipóteses do socialismo “científico” já estariam há muito tempo verificadas pela realidade objectiva se os factos deixassem! Não há nada mais querido e ingénuo do que um comunista empedernido, a não ser talvez um fanático iluminado, mas talvez seja rigorosamente a mesma coisa.

  23. «Não há nada mais querido e ingénuo do que um comunista empedernido»

    E v. a dar-lhe. Alminha, cago de alto para o comunismo: se calhar funciona; se calhar não; a verdade é que não sabemos e nunca saberemos porque ditadores e mamões não deixam.

    Mais: o mais importante nem é o que ‘funciona’ ou não; essa é uma visão limitada da questão. A maneira como organizamos a sociedade, ou melhor, a civilização, não é como fabricar uma torradeira – se é barata e torra bem funciona, se custa muito ou deixa o pão queimado não funciona.

    Enquanto seres racionais temos a possibilidade e a obrigação de decidir – democraticamente – como deve funcionar; como queremos que seja o futuro da nossa espécie e do planeta, até onde podemos controlá-lo. Actualmente estamos subjugados aos ditames de mamões e ‘mercados’, passe a redundância, cuja única função é gerar riqueza do ar e acumulá-la indefinidamente. Nada disto serve.

    Temos de quebrar mamões e ‘mercados’, democratizar as decisões, limitar e redistribuir a riqueza, mudar regras e prioridades. Um exemplo claro é a saúde: todos os dias ouvimos falar de custos, como se fosse isso o que importa. Esta lógica é insana, obscena. Há tanto dinheiro quanto queiramos; o dinheiro é um mero número num écran. As regras são as que quisermos. Isto ‘funciona’ como quisermos que funcione. Quem não quer mudar é quem agora ganha e mama, ou espera mamar nisto.

  24. Desculpe, mas v. é que está a desconversar e a querer levar-me para uma discussão perfeitamente estranha aos meus comentários. Nunca procurei defender o capitalismo, nem sequer aliás criticar o comunismo a não ser num aspecto muito específico, que é a sua pretensão a ter uma base “científica”, que não só carece totalmente de fundamento, como é uma forma manhosa de se considerar superior às outras doutrinas políticas e único detentor da verdade, ou seja uma atitude que se assemelha bastante à das (outras) religiões dogmáticas e exclusivas que conhecemos.

    Quanto ao resto, defenda lá as suas ideias, comunistas ou não, e viva em conformidade com elas, sobre o mercado, sobre a redistribuição, sobre a saúde, etc. Tudo bem, desde que v. não negue aos outros o direito de o fazer também, a pretexto de que as ideias deles seriam “religiosas” e deveriam como tal ser banidas. Só isso.

  25. Sim, só lhe interessa equivaler comunismo e religião, o que já lhe disseram que é um disparate. Mas não adianta falar-lhe em condições materiais, propriedade dos meios de produção ou mais-valias, ou todos os dados históricos, estatísticos e empíricos por trás da obra de Marx, porque a única conclusão que v. aceita é que o comunismo é uma religião, e quem discordar é comuna.

    Quanto a isso tudo bem; a cada um os seus devaneios. Mais estranho é v. afirmar-se ateu e de esquerda; olhe que ninguém diria. Recomendava-lhe alguma introspecção.

  26. Oh é uma pena o Galuxo não se manifestar sobre a religiosidade marxista. Como votou PCP e se converteu á fé cristã, tenho a certeza que teria algo incrívelmemte estúpido a dizer. Que pena.

  27. Científico? Talvez seja melhor simplificar.
    Marx utilizou um método de análise, tendo como base o método dialético inspirado em Hegel. Defini-o como científico.
    Digo eu.

    Quando o utiliza, como no Capital, para o estudo em torno da mercadoria, para mim a conclusão é científica. Está lá tudo.
    Digo eu.

    Já quanto ao resto…., chamo-lhe utopia.
    A natureza humana é bruta. Olhemos para o que se passa nos nossos dias, e o que se passou na primeira metade do séc. passado.
    Maravilhosa utopia que nos enche de esperança por um mundo melhor.
    Digo eu.

    Talvez seja melhor simplificar.

    (Somos piores que animais selvagens. Os ativistas de uma ditadura proletária começam por matar-se uns aos outros. A natureza humana)

  28. partilho das ideias do Filipe , até à virgula , quando fala de economia e politica ; fico a olhar com cara de parva quando ele quer levar à igualdade até às últimas consequências e propõe IA implementada nos cérebros -:) ( o Filipe ainda não percebeu a maravilha que é a diversidade) e não sou comunista … também acredito em Deus , e não sou religiosa , nada , zero : a minha crença não assenta em dogmas , em grupos , em rituais ( que abomino) assenta num caminho , guiado pela razão , estritamente pessoal e guiado por seres que não são desta dimensão . e não sou maluquinha , não. apenas ninguém conseguiu contar-me o fio ao pensamento e à intuição e limitar-me caminhos com a conversa de que não podem ser vistos e medidos.

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