Grandes derrotas

Nobre não vai para presidente do parlamento, poupando o PSD a uma avalanche de embaraços nos próximos meses. Passos confirma o mito em construção do “homem de palavra” perante os portugueses, alguém que não tem medo de “perder” pelas suas “convicções” (duas votações duas. Ele tentou a sério, não foi?). Ah, valente. Portas mostra que não anda a mando de ninguém, muito menos de Passos. E no final, o nome proposto é o de uma mulher, Assunção Esteves, gerando um capital de simpatia imenso e dando a imagem de um primeiro-ministro “inovador” e que não cede perante “os barões”.

Vitória em toda a linha de Passos Coelho. Foi uma jogada cínica e hipócrita, mas foi uma grande jogada.

23 thoughts on “Grandes derrotas”

  1. Concordo, Vega 9000
    E o PPC está a mostrar uma “voracidade” nada sugerida pela sua voz de menino de coro. Eles (PPC e PP) sabem muito bem ao que vêm…

  2. Na AR.
    Ontem deu-se um dos encontros mais fáceis – á partida – que AR vai ter de defrontar nestes quatro anos, se é que vão ser quatro e contra um adversário que no último defeso não conseguiu arranjar uma equipa estável.
    Depois da saída do seu timoneiro e sem que ainda esteja decidido ou optado por Assis ou Seguro o campeonato vai decorrendo e para que não fosse marcada uma falta de comparência, à última hora o PS, resolveu apresentar-se a jogo com uma aquisição temporária – Maria de Belém – para liderar a bancada e não apresentar ninguém para Presidente da Assembleia da República. Fez bem. Assim o problema era do PSD, que se digladiassem. Assim aconteceu.
    O “jogo” se fosse bem delineado, à partida estava ganho. Fazia lembrar um treino de avançados contra defesas, só com uma baliza. Parecia o tiro ao boneco como se usa dizer nos meios futebolistas. Só que as coisas quando não são bem planeadas resultam num fracasso e numa vergonha.
    Este embate estava bastante noticiado não faltando a comunicação social com todos os seus pesos pesados para fazer a cobertura. Via-se no rosto de muitos a alegria e a forma como tratavam a equipa visitada. Até o árbitro era da casa – aqui não percebo, os assessores eram da outra legislatura e por que não o presidente cessante, era mais bonito e democrático – mas nem isso valeu.
    Não houve bolas para fora nem anti-jogo, embora o tempo de jogo foi para além do normal. Fez lembrar os prolongamentos só com uma pequena diferença aqui não houve penaltis para desempatar ficando para hoje o desempate. Fez-me lembrar uma final da taça Ribeiro dos Reis, entre o Leixões e Beira-Mar, há mais de trinta anos em que os dois clubes andaram uma semana a fio para ver quem era o vencedor.
    Espero que isto não aconteça na AR. Após as votações e nas idas para os “balneários” ainda se tentou uns directos mas os nervos eram tantos e as justificações tão poucas que ninguém ousou falar. Se fosse há uns três meses os que agora calam o que não diziam!
    Num jogo de estreia que devia ser ganho com as maiores facilidades tornou-se num pesadelo de difíceis repercussões.
    Uns acham que não se perdeu grande coisa. Outros que foi um pedaço de broa no bico de uma galinha. A ver vamos.

  3. Há ainda mais duas vitórias de Passos Coelho que não abordaste – algo que toda a gente sabe e fala, mas que hoje ia caindo do banco do café quando vi referido no JN: sobre a Maçonaria, que se movimentou para eleger Nobre, e sobre a Opus Dei, que se movimentou para eleger Mota Amaral.

    Sob a capa da derrota, Passos Coelho atinge vitórias estrondosas em várias frentes. Não é tão tenrinho como eu pensava que fosse.

  4. Grande jogada?! O que passou para a grande populaça foi a tentativa de imposição de um vira-casacas convencido e oportunista por um oportunista igual, e a derrota dos dois no final, penso eu. A escolha de uma mulher talvez contribua para corrigir o tiro, mas apenas.

  5. mdsol, espantosamente começo a ter algum receio pelo Portas, sabes? A velha raposa se calhar encontrou um jovem lobo com pele de cordeiro.
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    Marco, tens razão. Não é, como começa a ser evidente, e quem o subestimar fá-lo por sua própria conta e risco. Pelo menos em táctica politica, vamos ver como se dá, como diz o Valupi, com a puta da realidade.
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    João Pedro da Costa, a questão vai ser quantos pães se fazem com tão pouca farinha disponível.
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    Penélope, não me parece que seja assim que a generalidade das pessoas viu a coisa. Foi à luta e perdeu, mas foi à luta. Isso conta.

  6. Bem eu estou sempre a aprender mas já não tenho idade para ler vitórias nas derrotas. Para mim o passos perdidos foi derrotado e só seria vencedor se tivesse impedido o homem da galinha «antes» da votação – porque quem votou foram os outros não foi o passos perdidos. Para mim foi vencido pois o nome por si imposto perdeu.

  7. Vega, basta ver um merdoso inquérito no Correio da Manhã, que pergunta se Passos devia ter retirado a candidatura de Nobre: 71% de respostas sim, 29% de respostas não. Esta é a visão popular imediata da “jogada”.

  8. Houve, em tempos que já lá vão, outros homens de palavra a que a história veio a chamar teimosos, lembro-me inclusivamente de um que, perante o risco de vida, renegou o que tinha dito em voz alta, muito embora fosse verdade o que afirmava, mas teimosamente resmoneando “eppur si muove”. O tempo deu-lhe razão!
    Passos sabia à partida que a eleição estava perdida desde o momento em que o CDS lhe negou o apoio.
    Por uma questão de palavra levar o homem à votação uma vez, poderia entender-se, esticar a corda até insistir numa segunda votação fazendo a AR e ele próprio perder um dia com rodriguinhos para depois mandar o Nobre fazer aquela patética retirada foi um erro crasso.
    Portas viu confirmada a sua inevitabilidade de consulta prévia em todas as questões sob pena de lhe estragar o arranjinho.
    A maioria dos deputados disseram-lhe que ali escolhiam eles e ou o senhor os respeitava ou então que fosse aprender – o que ele fez, rapidamente.
    Pode haver quem ache que foi uma vitória, está no seu direito. Mas ser enxovalhado duas vezes (a segunda pior do que a primeira) numa questão que era para nem levantar ondas, se tivesse Nobre desistido de concorrer ao lugar evitando esta cena triste, e que o Relvas andasse atarefado atrás de Portas a tentar que este alterassea sua posição ainda durante o desenrolar da votação faz-me sentir que isto não foi uma vitória, antes pelo contrário.
    O tempo me dará razão. Infelizmente.

  9. Porreiro, segundo parece Passos Coelho está a ganhar adeptos em todos os quadrantes. Cá por mim ele foi derrotado e bem pela A.R., e a humilhação seria maior se a quase totalidade dos deputados PSD não se vergasse à partidarite e à obediência cega ao chefe, silenciando a consciência. Com a escolha que fez, e como a fez, Passos ofendeu os seus colegas de partido e a própria Assembleia à qual voltou a ofender com as declarações feitas aos jornalistas ao sair após o chumbo.

  10. Por uma vez se pode colocar com justa razão que o parlamento está meio cheio de gente com alguma dignidade e meio vazio de gente sem dignidade alguma, só que uns são mais, pouco mais. Fez a grande diferença.

  11. Também fiquei admirado com a capacidade de Passos Coelho de matar várias “lebres” de uma só cajadada: o pavão Nobre e os “barões” do Partido, incluindo o baboso Alberto João Jardim. Pode ser que, afinal, o Aspirante maçarico venha mais bem treinado da recruta do que se imagina e acabe mesmo por dar algumas dores de cabeça a quem o subestimar. Também ao instrutor Paulo Portas, mas sobretudo ao velho lateiro do quartel-general de Belém, que a esta hora ainda deve estar a coçar o queixo sem perceber se deve rir, com a derrota do Nobre, ou chorar, nem ele saberá ainda bem com quê! Mas lá que lhe deve ter soado, assim de mansinho, uma “campaínha” incomodativa, não duvido…

  12. Vega, parece-me que Passos goza de um verdadeiro estado de graça. Se não, diz-me lá, e se Nobre tivesse sido eleito, teria sido uma derrota de Passos? Ou pelo contrário teria sido visto como a sua primeira grande vitória, sobre o partido e sobre Portas? Seria não só ‘um homem de palavra’ como mostraria ter poder negocial e capacidade para levar a água ao seu moinho. Mas, pronto, pelos vistos, não precisa de nada disso, aconteça o que acontecer será sempre uma vitória. De facto, o homem é invulgar…

    E quanto à inovação de não ceder aos barões do partido, vamos ver o preço que pagará. É que de facto consta que aquilo é um saco de gatos, que os barões mandam neste mundo e no outro, mas é o partido dele, e, ou muito me engano, ou Passos vai precisar, e muito, do apoio de todos eles e mesmo assim pode ser insuficiente. Assanhá-los numa altura destas talvez não seja boa política.

  13. Passos talvez seja o Aspirante maçarico de que fala o comentador Marco Alves. Mas tem por trás um Coronel lateiro que sabe muito da poda: o terrível Ângelo.

    Passos é apenas o seu homem de mão, como de resto o próprio Ângelo deu a entender numa entrevista (salvo erro ao Sol).

    Já agora, a minha opinião sobre a derrota. Ela é tanto do Nobre, como do Passos.

  14. Se não, diz-me lá, e se Nobre tivesse sido eleito, teria sido uma derrota de Passos?

    A expressão “vitória de Pirro” ocorre-me, guida. Daí o título do post. Acho que é um caso de ter limões e fazer limonada. Aliás, o conceito de “derrota” inclui perder alguma coisa, e tendo em vista que Passos ficou a ganhar, acho que de “derrota” só mesmo no aspecto formal.

  15. Vega, para usar a tua expressão, penso que quando Passos se lembrou de Nobre para este cargo tentou fazer limonada sem limões…

    Reparei no título que deste ao post e acho que te percebi, o meu comentário foi uma provocaçãozinha. Não podes ser só tu a provocar… :)

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