Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão. Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.



Em Portugal foi possível a uma jornalista da imprensa escrita ir a um noticiário televisivo e falar sem ser interrogada pelo jornalista presente, o qual optou por manifestar exuberante apoio ao que a jornalista dizia. E ela dizia a bom dizer. Disse que o Procurador-Geral da República e o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça não estão acima da lei, o que muito os deve ter envergonhado e deixado a pensar que ainda podem ir de cana. Disse que Jorge Sampaio devia estar calado em vez de andar a atacar os jornalistas que apenas querem descobrir as cenas. Disse que se o Procurador-Geral e o Presidente do Supremo são pessoas sérias, os magistrados de Aveiro também são, tanto ou mais, pelo que os primeiros é que têm razão e os indícios que encontraram são mais do que suficientes para investigar criminalmente Sócrates. Disse que foi preciso o caso Face Oculta chegar ao Procurador-Geral para começarem as fugas ao segredo de Justiça. Disse que, logo que o caso chegou ao Procurador-Geral, os suspeitos foram avisados das escutas e trocaram de telemóvel. Disse que o Procurador-Geral deve ser investigado por erros, manipulações ou crimes, e que talvez se tenha de recorrer ao Tribunal Constitucional. Disse que esta perversão na Procuradoria-Geral resulta do facto de o Procurador-Geral ter sido escolhido pelo Governo. Disse que nem no Fascismo se apagavam informações de casos polémicos como o Procurador-Geral está a fazer para proteger Sócrates. Disse que qualquer dia ninguém podia dizer nada em Portugal, que vinha aí a grande rolha.

O jornalista aproveitou o balanço para fazer um dos seus comentários elevados e pungentes que tão característicamente definem a sua ética profissional, dizendo que aquele retrato estava de acordo com este Inverno do nosso descontentamento. Foi essa também a forma de mostrar aos pategos que ele, Mário Crespo, com ela, Felícia Cabrita, levavam um avanço de 25 dias em relação ao povoléu que ainda estava a curtir o Outono. Aquele casal de famosos e corajosos jornalistas já tinha chegado à próxima estação. São a guarda avançada do General Inverno.


  1. 1 Tobias

    Por favor, esclareça a minha ignorância: a jornalista Felícia Cabrita não é a mesma pessoa que escreveu a biografia (encomendada) de Pinto da Costa?

  2. 2 Val

    É, Tobias. Mas estás na Internet, tens toda a informação que procures disponível.

  3. 3 Vox

    Não sei que jornalista é essa nem a que programa se está referir pois que a minha alegada limitada inteligência, referida por uma preopinante num outro quadro, me impede de ler o parágrafo final do seu texto, (de onde pelo nome dos intervenientes, se obtém o nome do programa e o canal de televisão do evento).

    Apenas um comentário: a minha estupidez, porém, não me coíbe de subscrever a 100% o afirmado em relação ao “homem que recebeu o poder do pai e deu o poder que tinha, ao filho”, Jorge Sampaio, no dizer de Manuel António Pina, mais um “excelente ex-Presidente da República”, e que eu, pessoalmente, considero, o mais triste e apagado personagem que ocupou o cargo desde o 25 de Abril.

    O homem assinou tudo que lhe puseram em frente, sem pestanejar (para grande desânimo do Tribunal Constitucional, que ficou quase sem nada que fazer) incluindo, a célebre lei que reduziu as pensões dos funcionários públicos, para 90%, (Pacta sunt servanda!) mas não a dele, pois que o exemplo não deve vir de cima :) adiante o nostro, que se lixe o resto, lei essa, da autoria de Manuela Ferreira Leite.
    Mas quanto a esse título, refiro-me a MFL, o sucessor no cargo, penso que deu razão ao ditado “atrás de mim virá …” pois que reduziu ainda mais a coisa.

    Não escondo que nunca gostei dele, e apenas lhe confiei o meu voto (a muito contra-gosto) para evitar que Cavaco fosse eleito para presidente.

    Ora bolas, valeu-me de muito!

    Tive que aturar um e agora tenho que aturar o outro.

    Quanto ao demais, é matéria relativa à livre expressão do pensamento, e quanto a isso, mais poder para todos! São opiniões.

    Que raio de falta de imaginação!
    Num país tão fértil em arquitectura financeira, project finance, e outras maravilhosas invenções, ainda ninguém se lembrou de congelar a dívida externa e o défice, colocar ao Sol, e deixar derreter?

  4. 4 aires bustorff

    juizes e ou procuradores, “investigações”, fugas segredo de justiça, “jornalistas”, “politicos”

    que é tudo isto,

    senão um tacticismo claro

    para preverter, inverter, o resultado de 2 eleições consecutivas

    onde PPD e Cavacu perderam, mesmo com as escutas e asfixias que diustribuiram imprensas?????

    Felizmente que não vi, não ouvi…

    Felizmente há ainda, e sempre, luar…

  5. 5 K

    Com o Mario Crespo general só se for este.
    Não há amor como o primeiro.

  6. 6 luis eme

    é o “post” mais lúcido que tenho lido, escrito por ti nos últimos dias, Valupi.

    infelizmente o jornalismo agora é isto. muitos dos senhores (e senhoras) jornalistas não percebem que a sua primeira função é informar e não opinar.

    e quando as nossas convicções e opiniões são suficientes para matar a notícia, deviamos mudar de profissão, tornarmos “assessores” a tempo inteiro…

  7. 7 Edie

    Deduz-se entao que para a FC o PGR não está acima da lei , mas os jornalistas sim.

    É uma ideia.

  8. 8 jcfrancisco

    Sim Luis Eme a noticia já não existe mas apenas o barulho feito à sua volta… Como aquela primeria página feita com um perú em grande escala. Um perú… Ao que isto chegou. Enquanto se acha graça ao perú ninguém pensa nos verdadeiros problemas.

  9. 9 &

    ora Vox, aí está o que eu gosto: saídas operacionais!

  10. 10 A Face Que Quiser

    Não há dúvidas: a “bernarda” era mesmo para rebentar antes das eleições, com Sócrates investigado por crime gravissimo (certamente nunca se diria qual crime, por escrupuloso respeito pelo segredo de justiça). Mas o PGR não alinhou e agora desde os pachecos, marcelos, sindicalistas de todas as magistraturas e felicias cabritas, andam para aí tão encrespados, que é de arrepiar. Estragou-se-lhe o caldinho e aquela história dos albuquerques andarem a exigir a divulgação das conversas é só para disfarçar. Porque se de facto as conversas comprometessem mesmo o PM, já estariam todas estampadas nos jornais, por um trabalho bem sucedido da investigação jornalistica que temos, das melhores da europa dos 50!

  11. 11 Nik

    Tenho uma vaca chamada Felícia que tem mais honra do que a cabra do mesmo nome.

  12. 12 jafonso

    Pois é, é o “junalismo” no seu melhor. São os assassinatos “a la carte”, é a moralização da imoralidade, é o estrebuchar das corporações, é a pungente carantonha do Crespo aspergindo de água-benta a sua porqueira. ……Travestidas de vestais.

  13. 13 assis

    o crespo convidou aqui há uns dias o óscar mascarenhas. só que lhe sairam os intentos furados. basicamente o mascarenhas disse ao crespo (e a nós todos) que o actual jornalismo é uma merda: está desprovido de um mínimo de ética, os jornalistas só ouvem o que, e quem, lhes interessa para depois poderem aplicar a sua justiça. obviamente estava a referir-se às felícias deste país que militam politicamente num anti-socretismo disfarçado de jornalismo. o crespo ouviu e na altura calou. agora cobardemente ripostou: não no instante em que o devia ter feito mas à sombra das palavras de uma mercenária sem ética.

    leram mais uma entrevista ao barreto (no i)? mais uma vez se coloca a questão: porque têm os catastrofistas tanto tempo de antena quando toda a gente sabe as suas opiniões e nada do que dizem é novo? ah, e mais uma vez a opinião baseia-se em convicções (cheias de azia) e não em números ou factos.

  14. 14 jafonso

    Muito bem, assis! “porque têm os catastrofistas tanto tempo de antena quando toda a gente sabe as suas opiniões e nada do que dizem é novo?” Se me permites eu dou uma hipótese: é porque eles sabem, melhor do que ninguém que lá fora há um país que trabalha, estuda, investiga, escreve, sonha, realiza e não abre os “telejunais”, nem vai á porqueira do Crespo. Eles sabem e sabem-no, na sua pulhice, muito bem. Eles sabem que um país em depressão profunda, facilmente aceitará um “salvador”. Mas enfim, a eles a sua missão, a nós a nossa.

  15. 15 aires bustorff

    Só para dar aqui uma força à generalidade dosvarios comentarios

    realçando dizeres do “Face a que quiser”, Assis e JAfonso

    abraço todos , Val sempre!

  16. 16 Ana Costa

    Querem fazer acreditar os que tem paciencia para os ouvir,que é o poder politico que controla a comunicação social,mas da concentração dos média pelos grandes grupos económicos já não lhes convem abrir o jogo.De todas as corporações profissionais os únicos “acima de toda a suspeita”são os jornalistas.É dificil encontrar na Imprensa escrita neste País um jornal que justifique o preço que ele custa.Quanto á televisão só vale a pena ligá-la depois de ver a programação dos vários canais e selecionar o que realmente nos interessa ver.Alguns canais do cabo exibem séries com muita qualidade e interesse.

  17. 17 antonio manso

    Felicia Cabrita e Mário Crespo que lindo par de jarras .Se casassem os filhinhos deviam ser lindos.E então com a neutralidade e a ausencia de partidarismo dos dois era um autentico inferno na terra.Pessoas como estas não são dignas dos nossos comentários.Literalmente abaixo de cão!

  18. 18 Manolo Heredia

    Os jornais, as televisões, as rádios, são hoje correias de transmissão dos grupos financeiros para modelar a opinião pública aos seus interesses, e para chegar ao Poder, e os jornalistas são somente os seus empregados (soldados). O problema é que certos grupos financeiros são caganitas de mosca comparados com outros, que fazem bosta de elefante.
    O Sócrates está do lado do elefante. Bem pode o Crespo, o Público, o Belmiro, ou eles todos juntos estrebuchar, que a caravana passa…

  19. 19 antonio manso

    Que moral teem o Mário Crespo e a Felicia Cabrita para atacarem o Dr.Jorge Sampaio? Nenhuma, nem moral nem categoria.São lixo ,apenas lixo e sem classe .Péssimos na sua profissão, não teem o direito de diserem mal de quem dizem.

  20. 20 Ana Paula Santos

    Quem , há meses atrás ,assistiu á entrevista que o Sr. Crespo fez ao Alberto João na Madeira,já não se devia indignar com o seu estilo jornaleiro (não jornalístico,que isso é outra coisa)! Felizmente que não vi esta dupla (Crespo e Felícia) em acção mas , pelo que aqui li ,só confirmo o que penso de ambos e de mais uns quantos que também “andam por aí”.
    P.S. Gostei de ver a foto do Crespo na juventude , com ar de adoração , junto ao Caulza de Arriaga. Como diz o “K” ,não há amor como o primeiro.

  21. 21 J

    Por que é que concordo com quase todos os argumentos que Valupi valoriza negativamente? E por que é que, com muito poucas excepções, este conjunto de comentários me faz lembrar um cestinho de laranjas muito juntinhas, muito igualzinhas e muito podres?

  22. 22 Val

    J, tenho estado para aqui a pensar nisso e continuo sem fazer a mínima ideia.

  23. 23 vox

    Não haverá também fotografias da Felícia Cabrita como o uniforme das enfermeiras para-quedistas ? [PS: Kaulza criou os para-quedistas].
    Procure melhor.

  24. 24 Savoy

    Oh, oh, Manso, tens tu o direito de “diser” um erro e três disparates a cada duas palavras.

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