Otário é capaz de não ser a palavra certa

O Rodrigo Moita de Deus fez um daqueles posts aparentemente desmiolados que teve direito a uma resposta do Maradona, já que é um tema que gosta particularmente. Mas independentemente do prazer da leitura, não partilho do pressuposto do Maradona tanto no título como na conclusão. Acho que é ao lado. Vamos lá ver, ao Rodrigo Moita de Deus é perfeitamente indiferente se as inundações em Lisboa são provocadas por chuva torrencial, furacões, chuviscos de verão, deficiente rede de escoamento, mau planeamento, pela água ser molhada, por falta de limpeza de sarjetas, pelas bacias hidrográficas, placas tectónicas ou por a D. Maria do 3ºC se ter esquecido da água a correr no banho. Muito menos interessa se o mesmo acontece ou deixa de acontecer nas restantes cidades da Europa, aqui usadas apenas como exemplo de “isto só aqui e devíamos ter vergonha”. O que interessa para o caso é um facto muito simples: houve as inundações do costume, as inundações do costume chateiam as pessoas, e o que chateia as pessoas pode ser colado ao presidente da câmara, que é um adversário. Partir do pressuposto que o faz por ignorância sobre causas, planeamento e prevenção é errado. Não quer dizer que saiba, atenção, desconheço se sabe ou não. Quer dizer que lhe é indiferente saber, desde que os outros não saibam e o argumento passe. E o argumento é tudo o que interessa. A ignorância neste caso é o que faz o argumento funcionar, logo qualquer tentativa de preencher essa ignorância com um corpo estranho ao mesmo – ou seja, factos – destrói o argumento, pelo que factos não interessam. Partindo do princípio que terá alguma curiosidade intelectual, que admito, até pode achar a resposta do Maradona interessante para memória futura – ou seja, quando a câmara for PSD e acontecerem inundações – mas por agora só será um problema se os factos se espalharem e puserem em risco o argumento. De resto, é igual ao litro.
Não me parece por isso correcto – embora seja muito divertido – qualquer colagem do Rodrigo Moita de Deus à Buchholz. O Moita de Deus não é a Buchholz. Trata simplesmente os leitores como se fossem. Otários somos nós caso o levemos a sério.

16 thoughts on “Otário é capaz de não ser a palavra certa”

  1. “O Moita de Deus não é a Buchholz.”

    se rapar o bigode, oxigenar a trunfa e botar uns silicones é capaz de passar por buchholz ou mesmo carlsberg numa manif/combíbio de estivadores. essa do otário já é mais difícil de resolver porque o gajo mama no orçamento geral e só te excluis banhando o fisco.

  2. Sim, e a referência às autoestradas pretende apenas lembrar a Mota-Engil, que gente da lavra dele normalmente associa ao “escândalo” das PPP e às estradas a mais.

  3. não conheço o Moita de Deus e nem sequer me interessa saber quais as suas tendências políticas; também não sou lisboeta, nem residente, nem sei se a frequência das inundações é proporcional à sua indignação independentemente das causas. mas de uma coisa sei: quem passa e quem lê, sem ir à procura de arranjar lenha para alimentar a fogueira política, lê apenas umas linhas de desabafo pelo desconforto numa questão que, ao que parece, se vem mantendo e repetindo ao longo do tempo. não vejo onde está o problema numa simples expressão de opinião. nem sequer me sinto, porque não sou, otária.

  4. Parece-me que responder já é levar a sério. Porque é que lhe respondem? Eu, por exemplo, [tal como 99,9999999999999999999999999999999999999999999999999% dos portugueses, suponho] nem me lembraria que existe, se volta e meia não fizessem links e tal para o que ele escreve.

  5. Precisamente mdsol,
    O intuito de rmf é esse mesmo de criar uma polémica que amplie o seu som rasteiro. E o que ele queria era apanhar peixe grado, por exemplo o presidente da CML, o A. Costa, mas pescou o Maradona; à falta de melhor já lhe serve e agora com o Valupi a dar uma ajudinha.
    Depois do fiasco como realizador, o rapazola do pote julgava que fazer filmes é fazer colagens (montagem é outra coisa) para ilustrar uma piadola política reaccionária, dizia, o rapazola procura mostrar serviço ao dono e lhe fazer esquecer o “realizador pateta”.
    A táctica é velha. O j.tavares do “c. da manha” usou-a com Sócrates e resultou e outro tanto, ele e o coutinho, também do “c. da manha”, andam tentando relativamente a Mário Soares acerca do manifesto. Não perdem uma ocasião para pôr-se em bicos de pé a atirar pedras na tentativa de provocar uma discussão na imprensa que lhes sirva de elevador na hierarquia comercial.
    A corrupção tem muitas formas e os corruptos adquirem por natureza própria todos os moldes dessas formas e colorações.

  6. Não conheço o RMD de lado nenhum e divirto-me sempre com os “posts” da Maradona, mas, neste caso concreto, parece-me que o primeiro tem toda a razão.
    É verdade que, na passada quinta-feira “choveu a potes”, mas também é verdade que todos os anos, assim que começa a época das chuvas, Lisboa se tranforma numa piscina. Há aqui algo de estrutural que não está bem. Uma das razões é o emparedamento do leito das ribeiras que “descem” pela Avenida da Liberdade e pela Almirante Reis e que, como toda a gente sabe, foram desviadas pelas obras do metro, garagens subterrâneas e outras obras afins. O Eng. Ribeiro Telles há décadas (o homem é velhinho) que fala sobre esse erro crasso e tem toda a razão. Eu próprio tive de deslocar-me ao S. Jorge, onde fui ver e ouvir o Fernando Venâncio e, ao sair do autocarro em frente ao cinema, fiquei completamente molhado até aos tornozelos, tal era o caudal de água que descia a avenida. De acordo com o motorista, isto está muito pior depois das recentes obras na Avenida. Ele passa por lá todos os dias e deve saber.
    Vivi 30 anos em Amsterdão (cidade atravessada por canais e situada 3 metros abaixo do nível médio das águas do mar) e não me lembro de qualquer cheia na cidade, isto apesar de chover e bem na Holanda. A intensidade da chuva é um factor importante, mas não explica tudo. Não se trata aqui de acusar a actual vereação, mas de criticar todos os responsáveis por este estado de coisas. O problema de fundo, chama-se laxismo português que adia as soluções sempre para as calendas e depois desculpa tudo com as intempéries.

  7. oh mota! viveste 30 anos em amesterdão, não deste por aquilo ser plano e não viste uma cheia, se tivevesses conbibido mais com taxistas holandeses tinhas alargardo os horizontes. o parolo do moita tamém acha que em londres não há cheias.

  8. Ignatz,

    Não percebes nada do que estás a falar, por isso mandas umas bocas, para disfarçar.
    Repara: a Holanda sofreu a maior catástrofe natural em 1953 (cheia nas províncias da Zeeland, a Sul de Roterdão) devido à quebra dos diques nessa região, por força das águas do mar do Norte. Mais de 1500 mortos, fora os desalojados e danos materiais. O governo da altura aprendeu a lição e iniciou uma obra de recuperação e prevenção para todo o litoral holandês. São centenas de quilómetros de diques que foram (re)construídos de Sul a Norte do País. Esta tarefa ciclópica (uma das maiores obras de engenharia mundiais) só este século ficou concluída. Isso permitiu defender o interior do país, que foi recuperado ao mar e está parcialmente abaixo da linha de água. São 3 metros em média, na cidade de Amsterdão (portanto distante 30 km do mar do Norte). Obviamente, para além dos diques, foi criado um sistema de comportas que funcionam de acordo com as marés de forma a diluir a pressão da água na cidade. Sempre que há chuva a mais, abrem-se (ou fecham-se) as comportas de forma a desviar a água excedente para as terras circundantes. Pura engenharia hidráulica (e da boa!) e muita prevenção que as catástrofes naturais também se prevêem. Sabias que os engenheiros portugueses no tenpo do Presidente (engenheiro) Carmona da CML, foram chamados a Lisboa para solucionar as ruturas na estação do metro no Terreiro de Paço, porque os nossos engenheiros não o conseguiam fazer?…
    Aprende pá! (e não digas baboseiras).

  9. oh mota! tou-ta ver, uns diques resolviam as inundações em lisboa, só não percebo onde é que o metro do terreiro do paço entra na história. podias ter ficado na holanda, sempre era menos um deslumbrado a mandar bitaites.

  10. Ignatz,

    O ponto do meu comentário, é a falta de planeamento urbanístico e a prevenção, coisas em que os portugueses são francamente maus. Se não percebeste ainda, diz-me que eu faço-te um desenho.

  11. foda-se demoraste a corrigir o tiro, apesar dos empurrões. já agora, como é que corriges erros urbanísticos dos últimos 100 anos, chamas a troika e dizes que foi culpa do socras? quanto aos portugueses serem maus a prever, queres concretizar ou é influência das últimas bandeiradas. se quiseres imagens de inundações de capitais europeias é so pedires.

  12. Ignatz,

    Eu não corrigi tiro nenhum, porque desde o primeiro comentário “(lê a partir de: “há aqui algo de estrutural…”) que aponto as razões para as cheias: desvio dos rios que atravessam Lisboa no sentido longitudinal, construção em leito de cheias, emparedamentos devido a obras no metro, garagens subterrâneas, etc…tudo coisas que os mais “sábios” vêm dizendo há décadas (o Ribeiro Teles é apenas o mais conhecido) e que autarcas e promotores imobiliários desprezam sempre. Portanto, estamos a falar de uma tendência.
    Pedes-me para te dar exemplos. É pá, essa é fácil! Lembras-te das estações de metro que foram todas renovadas, porque as plataformas eram demasiado pequenas para as composições do metro? Ou das autoestradas (A1, A5 e por aí fora) que tiveram de ser alargadas, pois ao fim de alguns anos já não comportavam o fluxo de trânsito? Ou do CCB, cuja caixa de palco teve de ser ampliada porque não tinham previsto a entrada de cenários para óperas. Ou dos estádios de futebol do Euro 2004, dos quais, metade não têm espectadores? Lembras-te dos anos (10!) que duraram as obras da estação do metro do Terreiro de Paço, porque ninguém pensou que o túnel passava ao lado do Tejo? Lembras-te da nova ponte de Benavente, que não tem altura suficiente para passarem lá barcos com mastros fixos? Isto para não falar dos “fogos” e da prevenção, que dava um “post” à parte. Como vês, é só pedir…
    Portanto, só há duas conclusões a tirar daqui: ou é incompetência ou é corrupção. O que é que preferes?

  13. já vi que a tua especialidade é atirar a tudo que mexe e acertar no que está parado.

    . não pedi exemplos de nada, perguntei se querias fotografias de inundações em capitais europeias, coisa que pareces ignorar a existência.

    . perguntei-te como se corrigem 100 anos de asneiras urbanísticas numa cidade como lisboa e tu respondes com bocas de cenários de ópera, estádios vazios e caravelas em benavente.

    . agora atacas o problema com corrupção e incêndios.

    quem anda à chuva molha-se, podes prevenir-te para a eventualidade com o uso diário de escafandro ou reclamar as imprevisões meteorológicas do antímio, mas não podes evitar que chova e que os táxistas tirem partido disso. quanto à parolice emigrante, já dúvido que tenha tratamento.

  14. oh mota! quem é que resumiu as inundações em lisboa à água que escorre pelas avenidas liberdade e almirante reis abaixo atribuindo culpas ao metro, garagens e engenharia nacional, referindo que na holanda, onde viveste 30 anos, não há disto. até parece que antes do metro, das garagens e da engenharia nacional só havia cheias no ribatejo por causa do bode.

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