Ninguém vos toma por monstros, Maria

Mas não desesperemos. Apesar de a direita liberal ser ignorada, afinal já (atentemos ao já) não necessitamos de estar confinados às leprosarias políticas. (…) Nem – já – uns facínoras que se deleitam ao ver crianças a mendigar descalças na neve (nesta altura já não me levam a mal ir buscar imagens à vendedora de fósforos de Andersen, pois não? 

Ó Maria João Marques, ninguém diz que a direita liberal se deleita ao ver crianças a mendigar descalças na neve. O que dizemos, porque é correcto, é que a direita liberal se está nas tintas quando vê crianças a mendigar descalças na neve, porque não é com eles, muito menos com o dinheiro deles.

Há, apesar de tudo, uma diferença.

5 thoughts on “Ninguém vos toma por monstros, Maria”

  1. parece que a tal Maria anda há muito tempo a pensar, sobre o quê é que disse nada…e falar da igreja ao lado da igreja….com a mesma ligeireza com que as meninas brincam às bonecas…

  2. A crer no que se passa agora na Noruega e no que se fala em certas partes dos EUA, em Espanha, etc., a direita liberal não estará longe de pôr as crianças a mendigar descalças na neve, mas onde ninguém as possa ver.

  3. Julgo que as palavras “direita” e “intelectual” nunca farão sentido na mesma frase. Porque para professar a primeira, a condição necessária é ser-se grunho ( uns mais ou menos sofisticados, mas grunhos no seu intimo), portanto a antitese da segunda . Para se ser a segunda, a consequencia seria nunca professar a primeira . Atenção que anda por aí muito falso “intelectual” : são precisamente os que se dizem de direita. No fundo não passam de grunhos disfarçados.

  4. OK, Vega, estou contigo.

    Agora sejamos completamente honestos intelectualmente, o que os neoliberais dizem, na verdade, não é bem isso, ou pelo menos não é so, nem principalmente isso. E’ também que o funcionamento livre do mercado acaba por beneficiar mais aos mais carenciados, nomeadamente por afastar medidas artificiais que impedem a concorrência de alcançar a plenitude dos seus efeitos (supostamente benéficos para o consumidor) e que, a pretexto de corrigir desigualdades, acabam por ter um efeito contrario. Por exemplo, na optica desses neo-liberais, o custo das politicas de intervenção paga-se a termo, em inflação, que é um imposto disfarçado sobre os mais pobres.

    Não digo que concordo com isso. Discordo muito.

    Mas é injusto, e contraproducente, desvirtuar ou caricaturar o que diz o adversario. O que a direita diz, portanto, não é que se esta nas tintas para a criança descalça na neve (mas antes que o facto de os ricos enriquecerem é a forma mais eficiente de se arranjar rapidemente sapatos para a criança descalça, bom, agora sou eu que estou a caricaturar…).

    Boas

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