Não há dinheiro e não há mensagem

Andámos a viver acima das nossas possibilidades

Homem honrado paga o que deve

Numa casa, não se deve gastar mais do que se ganha. Qualquer dona de casa explica isso.

Não vamos deixar as dívidas para os nossos filhos pagarem

Não há dinheiro, qual é a parte que não perceberam? Não há dinheiro.

A economia andou a viver do crédito fácil, agora acabou.

Temos que aprender a viver de acordo com as nossas posses

Não vão ser os outros a pagar os nossos gastos

 

Todos os dias, uma ou várias das frases acima e respectivas variantes entram pelas nossas casas dentro. Via jornais, rádio, televisão, sobretudo pelos comentadores sérios e importantes, com muitos títulos (normalmente não relacionados com economia), que têm a missão de explicar a crise aos restantes cidadãos. A seu favor, uma enorme vantagem: têm toda a razão no que afirmam. Não há nenhuma daquelas frases com a qual discorde. Nem uma só..

A razão para não discordar é que tudo o que ali está escrito é do mais elementar senso-comum. Afinal, ninguém gosta de ter dívidas, e a primeira coisa que qualquer um faria caso ganhasse o Euromilhões, a primeira de todas, era pagá-las todas até ao ultimo tostão. Libertarmo-nos desse peso, poder dizer com incontida satisfação “não devo nada a ninguém”. É uma questão visceral para a grande maioria das pessoas. Outra coisa igualmente visceral é o sentimento de protecção dos filhos, o não querer deixar-lhes um fardo. E dentro do mesmo tipo de sentimentos, ter folga no fim do mês, ou seja, não gastar mais do que se ganha. E caso o dinheiro acabe, cortar tudo o que não seja essencial. Tendo em vista que face a essa situação, o próprio conceito de essencial muda. Casa, comida e roupa. Tudo a partir daí passa a ser luxo sujeito a ser posto em questão. Quando não há dinheiro, não há dinheiro. Ponto final.

Como disse, isto é uma questão do mais elementar senso-comum, e quando alguém diz uma frase destas concordo imediatamente com ele.

Até que as usam para explicar a presente crise. Ou seja, até que mentem. Porque a crise não se explica com estas frases, os estados não se governam como uma economia doméstica, e dívidas publicas são mecanismos benéficos na maior parte dos casos. E sim, as dívidas gerem-se. E gerem-se por períodos de tempo multigeracionais. Os estados, ao contrário das pessoas lá em casa, têm uma certa tendência para não morrerem. Eu construo uma auto-estrada, os meus filhos e netos acabam de a pagar, porque todos beneficiamos. Todos juntos, somos o estado em existência contínua. Imagine-se se não tivéssemos construído a ponte 25 de Abril “para não deixar encargos aos filhos”? Quando é que ficou finalmente paga, recordem-me lá?

Nada disto, no entanto, impede que estas parábolas continuem a ser usadas, e são usadas pela mesma razão que são usadas, para referir o exemplo mais famoso, nos Evangelhos: são terrivelmente eficazes a passar a mensagem, de traduzir conceitos complexos em ideias simples susceptíveis de serem entendidos por quem não percebe nada de economia, finanças e de “como chegámos aqui”. E de como sair.

E esta batalha de ideias e conceitos está a ser ganha em toda a linha pela direita, pelos moralistas, e por todos os que odeiam o próprio conceito de estado social e querem aproveitar a crise para o colocar nos mínimos, ou mesmo acabar com ele.

Agora, não sou economista mas gosto de política, e como ultimamente toda a politica se resume à economia e finanças, tenho procurado saber o máximo possível. Ler jornais económicos, artigos de especialistas, discutir com gente que sabe muito mais do que eu. Adquirir, no fundo, os conhecimentos necessários para não ser completamente passado a ferro quando se discute a crise. E não é fácil, mesmo para quem gosta de ler e aprender. É perfeitamente natural que a grande maioria das pessoas tenha mais que fazer do que andar a ler e aprender estas coisas.

O que se aprende nestas discussões e leituras é também outra coisa: a direita explica a crise e as opções à nossa frente com muito recurso a estes exemplos simples e desonestos, enquanto a esquerda tem tendência a ser mais rigorosa, académica e muito, mas muito menos eficaz. Ou para colocar as coisas de outra maneira: pode ser muito correcto e honesto contrapor cenários macroeconómicos e politica monetária do BCE quando alguém diz que andámos a viver do crédito fácil, mas no fim do dia o que as pessoas interiorizaram foi precisamente a ideia do crédito fácil. Aquilo que compreendem, que experimentam, que conhecem. A direita desonesta passa a mensagem, a esquerda passa a ideia de serem teóricos desligados do mundo real. Os tais que querem “continuar a gastar à tripa-forra”.

Por exemplo, o governo embandeirou em arco com o saldo positivo da balança de pagamentos, com prova que estamos finalmente no bom caminho. Para a maior parte das pessoas, exportar mais do que se importa é uma coisa boa, apesar de na realidade reflectir sobretudo o nosso empobrecimento acelerado. Agora contraponham essa ideia simples com, por exemplo, este artigo mais rigoroso do João Pinto e Castro;

A ausência de política monetária e cambial própria decorrente da integração do país no sistema monetário europeu tornou mais difícil o ajustamento, porque nem as famílias, nem as empresas, nem o próprio estado tinham incentivos para reajustarem os seus comportamentos às novas circunstâncias. Não se alterando os padrões de despesa, foi-se prolongando até hoje o excesso de importação.

Qual é que, na mente do público, consegue passar mais claramente a mensagem? (Estou, claro, a descartar aqui o facto de ser uma publicação económica, virada para quem percebe um pouco mais.)

Isto é algo em que a esquerda, e todos os que se opõem a este caminho têm de mudar, e mudar urgentemente. Bons conceitos têm de ser bem explicados, e por bem explicados entende-se por construir a mensagem de modo a chegar ao maior número possível de pessoas de maneira que estes entendam. Se algum rigor se perde, compensa-se em eficácia. Porque estamos a falar para o público, não para o Victor Gaspar. Por cada exemplo de dona de casa que tem de cortar nos gastos, contrapor o conceito do empresário de transportes a quem dizem que para salvar a empresa tem que cortar no gasóleo. Por cada argumento de “quanto mais austeridade, menos tempo”, lançar a imagem do doente a quem  dizem que é melhor tomar a caixa de comprimidos toda de uma vez. E depois perguntar que raio de médicos são estes. Conceitos simples, curtos e eficazes para explicar porque é que o caminho está errado e o nosso correcto.

Eu, pela minha parte, estou bastante farto de ver a esquerda engasgar-se cada vez que alguém da direita diz, com ar superior, “pois, mas não há dinheiro”. Estou farto de ver a esquerda perder a guerra da mensagem enquanto a direita lança alegremente as culpas para cima de nós. Com as contas públicas em descalabro, a ideia do “não havia nem há alternativa”, mais o discurso da culpa de quem “se endividou” vai ser usada à exaustão. É altura de contra-atacar.

51 thoughts on “Não há dinheiro e não há mensagem”

  1. Bravo!Bravo! Bravo!
    (Vega, não queres ir para secretário geral do PS?)

    …escrevi com boa intenção e depois soou-me mal, tipo “que mal te fez o Vega para o quereres jogar aos lobos?”

  2. o problema, é que a extrema esquerda não está muito interessada em que as contas se façam e sejam explicadas ao povo.se não pudessemos deixar encargos para os nossos filhos,não tinhamos a ponte vasco da gama a expo,que o alcoolico anónimo vpvalente diz com razão, que foi uma aberração,porque não ligou lisboa à expo,o centro cultural do cavaco que era para ficar por 30 mas ficou por 60milhoes de contos.O que está a dar são ppp,para a reboque vir a insinuação de dinheiros para o bolso.mas o engraçado é que tambem nas ppp a direita lidera o ranking.14 ppp (saude) mais a vasco da gama que vamos pagar toda a nossa vida, e com o direito do tejo entregue à lusoponte por muitos e muitos anos.o Ps tem 8 . (estradas.)temos que acabar com este discurso de que foi socrates que nos conduziu a isto.ainda outro dia o “azeiteiro” do Manuel (juri dos idolos) repetiu essa cassete no programa conversas improvaveis.Nota: estive ouvir no canal parlamento o inquerito as PPP gravado, em que o entrevistado é o sec de estado costa pina.grande calma,e competencencia.O comuna honorio novo,que só saiu de casa quando foi para a faculdade,por complexos visuais,quer recuperar o tempo perdido, e esfola até ao tutano e principalmente os socialistas,para colher dividendos.fala grosso, mas devagarinho à moda do gaspar para estar mais tempo debaixo dos holofotes. se pudesse, para obter melhores resultados,punha pingas de agua a cair na cabeça dos inquiridos à moda da pide.na democratica coreia do norte… tambem fazem isso e muito mais…

  3. Bravo, mais um texto tipicamente socialista, muitos conceitos, muita critica, zero em termos de dados ou solucoes.

    O amigo, mas entao quem e que financia os deficits orcamentais portugueses? Como e que vai tapar o buraco de financiamento que ja corre a geracoes? Ta a espera que os holandeses, os alemaes e os finlandeses o andem a financiar a fundo perdido ate ao infinito?

    Poderia explicar o seu conceito para a solucao do problema portugues, e da europa ja agora, demonstrando por A+B que a “direita” esta completamente errada?

  4. Muito bem.
    Certíssimo.
    Os populistas recorrem, sem qualquer pudor, aos slogans, aos sound bites, que entram facilmente no ouvido sobretudo das pessoas mais simples.
    Veja-se o caso do desprestígio do rendimento de inserção. A propaganda negativa da Direita foi muito bem acolhida por gente que não nada em dinheiro. Claro que é sempre possível contrapor: se fosse no seu caso não gostaria de ser ajudado numa situação de extrema necessidade?
    O argumento da pesada herança raia a vigarice. E merece uma resposta ao mesmo baixo nível. Que grande país deixaríamos a filhos e netos com estradas, escolas e hospitais a cair de velho, com rios e campos a transbordar de porcaria (porque o saneamento básico é uma “modernice” pós 25 de Abril muito cara), com famílias inteiras a viver num quarto!
    Falta à Esquerda, como muito bem disse, a tradução das ideias complexas numa linguagem directa e com garra, o que não é fácil. Mas há que tentar. Também se estuda, também se aprende.
    Falta reavivar a memória das pessoas, com exemplos práticos sobre a extrema miséria existente no regime anterior, por exemplo.

  5. rural + básico! quem tinha o remédio para os mercados era a direita, o moedas dizia que era no dia seguinte aos mercados saberem que ele estava no governo, o cavacóide apelava para votarem nele por ser uma sumidade em economia, o dótor pintelhos gabou-se de ser pai do pugrama das festas, o broges era afilhado do strauss khan e tratava das cunhas para o guito e por aí a fora, uma cambada de aldrabões eleitos por um golpe de estado patrocinado pelo bimbo de boliqueime com apoio da esquerda ranhosa, comunas ortodoxos e paradoxos. agora que foderam o resto desta merda querem que os xuxas apresentem soluções e colaborem na execução do próximo orçamento.

  6. Se lhe passassem os comandos do titanic para as maos a 20 segundos de bater no iceberg, era gajo para nao conseguir resolver grande coisa.

    O PS deixou a divida acumulada do sector publico nos 100%, e deficits estruturais no orcamento na ordem dos 6-7% do PIB, ou seja, a divida publica cresceria a cerca de 7-10% ano so com base no status quo.
    Quando entraram estes, nao so levaram com a oficial, como agora tem de desembrulhar a divida nao oficial, a do sector publico estatal e institutos, das ppps, a das contas por pagar na saude, o buraco da madeira que o ps nao conhecia apos 6 anos de governo, etc.

    Tem que admitir que e dificil agarrar um cagxlhao em chamas e tentar molda-lo numa mousse de chocolate.

  7. Muito bem Vega. Muito bem.

    Chega a ser doloroso ver a inépcia dos políticos PS quando são confrontados com aquele populismo referido pelo Vega. Será inépcia ou incapacidade de gente aburguesada no pensamento e no modo de vida? Os politicos do PS sâo envergonhados da cultura popular-popularucha? Nem para se fazerem entender são capazes de lhes vestir a pele?
    Meditem um pouco na figura tutelar do PS, Mário Soares. Não vos parece que este homem esteve sempre a milhas de distancia do povo-popular?
    O PS cresceu e moldou-se à sua imagem e semelhança. Por isso perde com tanta facilidade o contacto com a realidade e com a linguagem apropriada para a expressar.
    Sócrates foi algo de novo e diferente. O “PS Soares” nunca o topou.

  8. que grande baralhção entre custo e investimento que vai para aqui. E confusão quanto aos negócios chorudos da direita que geraram custo e não investimento, como diz a Maria rita.
    Negócios que continuam a ir-nos ao tutano. Ou ainda não perceberam que o país está a saque?

    E o ignatz diz bem: onde está o resultado da receita milagrosa dos azeiteiros mafiosos que nos governam? Onde está? Esta é a receita?A receita da destruição total da economia?
    E há quem goste aprove.É a esses que os governantes deveriam recomendar a emigração, ou talvez não. Sabendo que estão a fazer furos no barco para que vá abaixo, deviam ficar os ratos.

    O PS não tem tanto poder assim,Basico (que nome tão apropriado escolheste). O PS não teve o poder de criar a crise especuladora, de interesses mais próximos da direita ultra-liberal do que do Parido Socialista Português.

    (P.S. A culpa não é do caciquista que faz crime económico, mas do governo central a quem as contas são habilmente escondidas. Fosse o cacique do PS e mudavas logo de discurso, básico)

  9. Fernando, tenho estado a acompanhar-te. Uma lufada de lucidez muito bem vinda (por causa desses representantes rascas do PS a quem já fiz críticas aqui, sabes lá os nomes que já me chamaram. Tu próprio já apelaste a que se mexessem com o poder que têm nas mãos, para lá de vir para aqui fazer queixinhas). Mas aproveita os créditos enquanto não te põem em mira. E sobretudo não ofendas corporações.Ou ofende. Que se lixem os Dantas.

  10. basico,temos que pagar,o que nos emprestaram isso não está em causa. o cerne da questão, está no bom aluno que o governo da direita tem sido, com resultados desastrosos para o pais, mas optimo para o eleitorado que o influência: o patronato .quando tivermos as contas em dia,já não temos empresas suficientes não para empregar toda a gente, mas recuperar parte do que foi para o desemprego.lembro que o memorando não só foi assinado pelo psd, como teve propostas suas plasmadas nesse mesmo memorando. as piores certamente.A troika já viu o que passos não quer ver e por isso em agosto vai abrandar a receita.

  11. e eu a julgar que o texto estava claro, para alguém com um mínimo de literacia.
    Por exemplo, qual é a parte que não está clara, por exemplo, aqui: ” Até que as usam para explicar a presente crise. Ou seja, até que mentem. Porque a crise não se explica com estas frases, os estados não se governam como uma economia doméstica, e dívidas publicas são mecanismos benéficos na maior parte dos casos. E sim, as dívidas gerem-se. E gerem-se por períodos de tempo multigeracionais. Os estados, ao contrário das pessoas lá em casa, têm uma certa tendência para não morrerem. Eu construo uma auto-estrada, os meus filhos e netos acabam de a pagar, porque todos beneficiamos. Todos juntos, somos o estado em existência contínua. Imagine-se se não tivéssemos construído a ponte 25 de Abril “para não deixar encargos aos filhos”? Quando é que ficou finalmente paga, recordem-me lá?”

  12. “O PS não teve o poder de criar a crise especuladora, de interesses mais próximos da direita ultra-liberal do que do Parido Socialista Português.”

    Eu acho engracadas essas ideias, das crises especuladoras, das direitas ultraliberais. O migo, nao seria melhor voce ler uns livros, algo um bocadito mais denso que a accao socialista ou o correio da manha?

    Mas qual especulacao? Quem e que de boa cabeca emprestava dinheiro a um pais que se demonstra claramente incapaz de a pagar de volta?

    Qual direita ultra-liberal? Aquela que governou portugal cerca de 15 anos seguidos (com 2 anos de interrupcao social democrata), e que empurrou o pais para a falencia?

  13. Li, todos os “Fins da História”, Fukuyamas e Cª, mas o migo é que parece estar alheio da crise mundial criada pelos ditos (não retiro os nomes aos bois).

    Claro que não há especulação nenhuma, nem agências de rating a valorizarem produtos tóxicos, nem a EDP, 2ª líder de mercado no sector foi considerada lixo nas vésperas de venda aos chineses, e os americanos que andaram a prender os senhores “pontas do iceberg” são uns lunáticos. E não há crise mundial nenhuma, tudo é imaginação duns esquerdalhos que tentam desculpabilizar o único responsável pela situação económica europeia: O governo socialista de Sócrates.

    Em muito menos que 15 anos consegue-se empurrar o país para a falência. Há até uns iluminados que estão a tentar fazê-lo em menos de dois anos. E com sucesso. Os Básicos estão de parabens.

    P.S. A governação social-democrata do Cavaco Senil não conta para e estatística porquê?
    Se não lesse só o Diário de Notícias e Voz do Povo, saberia que a nossa história não se resume aos 15 anos de governação socialista.

  14. back to basico! quiseram governar à força com o argumento da credibilidade, um ano depois somos mais credíveis porque aumentámos a dívida. se não são capazes, saiam de cima antes de estragar o pouco que resta, qualquer governo que venha, por muito mau que seja, fará melhor. todas as semanas há uma desculpa nova para justificar a incompetência de uma maioria com um presidente da mesma cor.

  15. presidente da República e presidente da assembleia, 2ª figura do estado. e maioria confortável. E classe dos juízes. Nunca houve terreno interno tão favorável, e mesmo assim estes broncos incompetentes não conseguem. Conseguem, sim, aumentar o pote próprio. Mesmo com duplicação do aparelho do governo (caramba, já perdi a conta ao número de novos gabinetes e de nomeações extras nos mesmos e nas empresas públicas que estão sem plano de acção a não ser aumentar os preços dos serviços), conseguem diminuir a despesa, até agora, com o corte nos subsídios de férias dos funcionários. Estes chicos espertos têm bem feita a contabilidade azeiteira, há que reconhecer. Mas no momento histórico que atravessamos não era bem de azeiteiros que precisávamos à frente do país.

  16. maria rita,

    errado, a base de apoio deste governo já nem é o patronato: basta ver as declarações dos representantes do mesmo, a pedir ao governo que se contenha na dose de veneno mortífero que está a injectar na economia de que eles próprios (des)beneficiam. A base de apoio deste governo são os amigos nomeados para os vários cargos de poder público.Ponto. (para governo supostamente liberal, não está mal, hein?)

  17. creio que a propósito, um artigo no “Zurara” de Julho:
    —————————————————–
    Sair da Zona de Conforto

    Um dos meus maiores temores é ser vencido pelo cansaço, à semelhança do que tem acontecido com a maioria dos meus concidadãos. Cansaço e resignação no que respeita à cantilena, mil vezes repetida, da necessidade de medidas de austeridade como expiação dos nossos males e, sobretudo, das “reformas estruturais” que nos são impostas, por forma a restaurar a nossa “competitividade”. Estas mensagens são repetidas pelos membros da troika, pelo governo e comunicação social. Até nas nossas conversas com colegas, amigos ou desconhecidos, a maioria assume implicitamente como verdadeiros os fundamentos de tal argumentário, apenas divergindo a partir do mesmo. Espanta-me, no entanto, tal situação, uma vez que um mero olhar ingénuo e simplista é suficiente para “sair da zona de conforto” e detetar a intrujice que diariamente força a entrada do nosso intelecto.

    Comecemos pela austeridade. Antes de mais, é necessário relembrar que apenas chegamos a défices excessivos e dívida pública acima do recomendável, no primeiro caso devido à maior crise financeira desde a Grande Depressão, e no segundo como efeito da subida exponencial das taxas de juro da dívida soberana, virtude da especulação financeira sobre um país pequeno, sem ajuda dos seus parceiros na moeda única. É verdade que necessitaríamos sempre algumas medidas duras por parte do governo, porque precisamos de garantir a segurança em torno da dívida, assegurando o seu pagamento regular. Não obstante, é também indesmentível que quando chegamos ao pedido de assistência à UE e FMI, essas medidas foram obrigatoriamente mais penalizadoras dado que em função da crise política provocada, acentuou-se gravemente a incerteza, e, consequentemente, a especulação. Com a vinda do novo governo, já todos sabemos que essas políticas espelhavam as suas convicções e que este demonstrou, ainda antes de inventar desvios, que ansiava ir “além da troika”. Este é o primeiro mito a desmontar. A austeridade da forma como está a ser implementada, isto é, sem efeitos positivos na confiança no cumprimento dos nossos compromissos, e sem o apoio efetivo dos parceiros europeus na proteção face aos mercados da dívida, apenas levará a mais pobreza, menos receitas, mais défice e mais dívida, e mais incerteza.

    Estranho também a passividade em relação à posição alemã e dos chamados países credores no que respeita à competitividade da economia portuguesa. A Alemanha e os países do Norte da Europa são exportadores líquidos, sendo que os países do Sul, onde Portugal se insere, são países tipicamente importadores. Aliás, o somatório dos défices da balança comercial destes últimos é praticamente o espelho do excedente comercial dos primeiros. Para além deste fator, enquanto a especulação financeira ataca sem piedade os países mais frágeis (Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha, Itália), a Alemanha está a financiar a sua dívida a taxas de juro que já atingiram valores negativos (isso mesmo, os emprestadores aceitam receber menos dinheiro no fim do prazo do que aquele que emprestaram inicialmente.). Estas taxas são a referência para empréstimos ao seu sistema bancário e, por conseguinte, à sua economia. Posto tudo isto, quando Angela Merkel rejeita qualquer outra forma de apoio ou partilha da responsabilidade da dívida, incentivando em alternativa a recuperação da competitividade, alguém acredita em tal altruísmo? Quererão os germânicos passar a ser países importadores e relativamente menos competitivos? Desejarão ter taxas de juro mais altas para a sua dívida pública e para a sua economia? A Alemanha foi e continua a ser o país que mais beneficia deste impasse. Portanto o que nos querem impor nada tem a ver com os nossos interesses, e esta apenas alterará a sua posição quando a queda iminente de países maiores como a Espanha e a Itália colocar diretamente em risco a sua economia.

    Mais curiosa ainda é a retórica do governo e da maioria dos opinion makers em relação às tais reformas necessárias ao incremento da competitividade do país. Uma reforma estrutural é algo que se caracteriza por reorganizar, ou mesmo refundar os princípios de uma determinada área tendo em vista a criação de um novo paradigma nessa dimensão económica. Concordando-se ou não com as iniciativas ou os meios, um projeto como o da criação de um cluster de produção de energias renováveis, bem como a promoção da requalificação das escolas a nível nacional, ou um programa como as Novas Oportunidades de difusão do ensino e qualificação de adultos, são reformas estruturais com vista à dinamização da economia e ao crescimento sustentado. O atual governo tem como objetivo a destruição destas últimas, entre outras, e apresenta como reformas estruturais alternativas os exemplos da venda das participações públicas na EDP, REN, AdP, etc. (que de estrutural têm pouco ou nada), a reforma do ensino que significa um retrocesso a procedimentos ultrapassados e que conduzirá a um maior abandono escolar, ou a revisão do código do trabalho que apenas preconiza a perda de direitos dos trabalhadores e o aumento do trabalho a título gratuito, sem comprovadamente influenciar de forma positiva o emprego ou o crescimento.

    Tenhamos agora em consideração que a característica comum mais evidente entre os países ricos e desenvolvidos é o elevado padrão na educação e formação dos seus povos. Na sua maioria, os seus estados continuam a deter direta ou indiretamente algum nível de controlo nas principais empresas de interesse estratégico nacional (energia, comunicações, infra estruturas, etc.). Países como a Alemanha, por exemplo, têm mercados de trabalho com mecanismos de proteção do emprego e benefícios sociais incomparáveis aos portugueses, mesmo antes dos cortes dos últimos anos. Serão as reformas que nos propõem (ou impõem) que tornarão Portugal mais competitivo?

    (andré azevedo)

  18. Sair da Zona de Conforto

    Um dos meus maiores temores é ser vencido pelo cansaço, à semelhança do que tem acontecido com a maioria dos meus concidadãos. Cansaço e resignação no que respeita à cantilena, mil vezes repetida, da necessidade de medidas de austeridade como expiação dos nossos males e, sobretudo, das “reformas estruturais” que nos são impostas, por forma a restaurar a nossa “competitividade”. Estas mensagens são repetidas pelos membros da troika, pelo governo e comunicação social. Até nas nossas conversas com colegas, amigos ou desconhecidos, a maioria assume implicitamente como verdadeiros os fundamentos de tal argumentário, apenas divergindo a partir do mesmo. Espanta-me, no entanto, tal situação, uma vez que um mero olhar ingénuo e simplista é suficiente para “sair da zona de conforto” e detetar a intrujice que diariamente força a entrada do nosso intelecto.

    Comecemos pela austeridade. Antes de mais, é necessário relembrar que apenas chegamos a défices excessivos e dívida pública acima do recomendável, no primeiro caso devido à maior crise financeira desde a Grande Depressão, e no segundo como efeito da subida exponencial das taxas de juro da dívida soberana, virtude da especulação financeira sobre um país pequeno, sem ajuda dos seus parceiros na moeda única. É verdade que necessitaríamos sempre algumas medidas duras por parte do governo, porque precisamos de garantir a segurança em torno da dívida, assegurando o seu pagamento regular. Não obstante, é também indesmentível que quando chegamos ao pedido de assistência à UE e FMI, essas medidas foram obrigatoriamente mais penalizadoras dado que em função da crise política provocada, acentuou-se gravemente a incerteza, e, consequentemente, a especulação. Com a vinda do novo governo, já todos sabemos que essas políticas espelhavam as suas convicções e que este demonstrou, ainda antes de inventar desvios, que ansiava ir “além da troika”. Este é o primeiro mito a desmontar. A austeridade da forma como está a ser implementada, isto é, sem efeitos positivos na confiança no cumprimento dos nossos compromissos, e sem o apoio efetivo dos parceiros europeus na proteção face aos mercados da dívida, apenas levará a mais pobreza, menos receitas, mais défice e mais dívida, e mais incerteza.

    Estranho também a passividade em relação à posição alemã e dos chamados países credores no que respeita à competitividade da economia portuguesa. A Alemanha e os países do Norte da Europa são exportadores líquidos, sendo que os países do Sul, onde Portugal se insere, são países tipicamente importadores. Aliás, o somatório dos défices da balança comercial destes últimos é praticamente o espelho do excedente comercial dos primeiros. Para além deste fator, enquanto a especulação financeira ataca sem piedade os países mais frágeis (Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha, Itália), a Alemanha está a financiar a sua dívida a taxas de juro que já atingiram valores negativos (isso mesmo, os emprestadores aceitam receber menos dinheiro no fim do prazo do que aquele que emprestaram inicialmente.). Estas taxas são a referência para empréstimos ao seu sistema bancário e, por conseguinte, à sua economia. Posto tudo isto, quando Angela Merkel rejeita qualquer outra forma de apoio ou partilha da responsabilidade da dívida, incentivando em alternativa a recuperação da competitividade, alguém acredita em tal altruísmo? Quererão os germânicos passar a ser países importadores e relativamente menos competitivos? Desejarão ter taxas de juro mais altas para a sua dívida pública e para a sua economia? A Alemanha foi e continua a ser o país que mais beneficia deste impasse. Portanto o que nos querem impor nada tem a ver com os nossos interesses, e esta apenas alterará a sua posição quando a queda iminente de países maiores como a Espanha e a Itália colocar diretamente em risco a sua economia.

    Mais curiosa ainda é a retórica do governo e da maioria dos opinion makers em relação às tais reformas necessárias ao incremento da competitividade do país. Uma reforma estrutural é algo que se caracteriza por reorganizar, ou mesmo refundar os princípios de uma determinada área tendo em vista a criação de um novo paradigma nessa dimensão económica. Concordando-se ou não com as iniciativas ou os meios, um projeto como o da criação de um cluster de produção de energias renováveis, bem como a promoção da requalificação das escolas a nível nacional, ou um programa como as Novas Oportunidades de difusão do ensino e qualificação de adultos, são reformas estruturais com vista à dinamização da economia e ao crescimento sustentado. O atual governo tem como objetivo a destruição destas últimas, entre outras, e apresenta como reformas estruturais alternativas os exemplos da venda das participações públicas na EDP, REN, AdP, etc. (que de estrutural têm pouco ou nada), a reforma do ensino que significa um retrocesso a procedimentos ultrapassados e que conduzirá a um maior abandono escolar, ou a revisão do código do trabalho que apenas preconiza a perda de direitos dos trabalhadores e o aumento do trabalho a título gratuito, sem comprovadamente influenciar de forma positiva o emprego ou o crescimento.

    Tenhamos agora em consideração que a característica comum mais evidente entre os países ricos e desenvolvidos é o elevado padrão na educação e formação dos seus povos. Na sua maioria, os seus estados continuam a deter direta ou indiretamente algum nível de controlo nas principais empresas de interesse estratégico nacional (energia, comunicações, infra estruturas, etc.). Países como a Alemanha, por exemplo, têm mercados de trabalho com mecanismos de proteção do emprego e benefícios sociais incomparáveis aos portugueses, mesmo antes dos cortes dos últimos anos. Serão as reformas que nos propõem (ou impõem) que tornarão Portugal mais competitivo?

    (André Azevedo, no “Zurara de Julho)

  19. Espera aí, ó Básico. Mas que raio de contas estás aí a fazer?
    Quantos anos de MAIORIA ABSOLUTA Cavaco, com dinheiro a entrar às pásadas?
    Claro que só estou a contar com a oportunidade perdida dos fundos estruturais, pois até aí tínhamos um país pobre, atrasado, pós-revolucionário, a marcar passo devido à perda das riquezas das colónias e à própria guerra. Achas que é de escamotear estes factos, ó Básico?
    A modernização que esse patego nos deixou foi: automóveis, betão e universidades da treta. Tudo isto à custa do abandono da agricultura e das pescas, junto com a privatzação de sectores públicos altamente rentáveis (ex: energia, cimentos, etc). E que défice deixou o Prof. de Economia?
    Depois, tivemos quantos anos de MAIORIA RELATIVA Guterres, onde, para se conseguir aprovar um Orçamento, se teve que fazer todo o tipo de concessões e, em último caso, recorrer à estratégia Limiano? Posto isto, qual foi o défice?
    Entra em cena, na sequência do pântano, a MAIORIA ABSOLUTA Cherne e a conversa da tanga. Fugiu e deixou o tosco do Santana. Défice?
    Seguidamente, MAIORIA ABSOLUTA Sócrates. Défice: 2,8!!!! Como? Os Xuxas?
    Last but not least, conjuntura económica mundial mais as peripécias político/mediáticas que conhecemos, deram origem à queda de mais uma MAIORIA RELATIVA PS. Défice? (Dá para fazeres um pequeno descontinho pelo BPN, submarinos e Madeira?)
    É suficientemente Básico para ti?
    Até tu consegues fazer as continhas como deve ser, não?
    Afinal, quem é que andou a apagar fogos?

  20. (correcção, antes de ir para a caminha, para não dizerem que estou a atacar o sistema democrático legitimador do poder igualmente “democrático”. Emendo: claro que a base de apoio é o povo português que elegeu este governo e que continua a dar-lhe maioria de intenção de voto. Coloquemos os pés na terra, eu, ignatz, Val, Vega, Penélope, etc…isto é um clube desligado do sentimento do povo. MAS, diz um gajo que é todo direitola (RuiRamos), no último Expresso, a revolução do 1789 ou a de 1917 não foram lideradas pelo povo, n’est ce pas?)

  21. “La élite económica mundial evadió 17 billones en 5 años”

    “Un informe de la Tax Justice Network denuncia cómo los bancos privados favorecen la fuga de capitales a paraísos fiscales. Algunos países en vías de desarrollo pagarían su deuda externa con el dinero evadido en 30 años.” (Público.es)

    “Sabemos dónde tienen el dinero y quiénes lo robaron” (http://blogs.publico.es/eltableroglobal/sabemos-donde-tienen-el-dinero-y-quienes-lo-robaron/324)

  22. Edie,isso são os varões.eu falo da maioria esmagadora que aproveita a onda, para despedir trabalhadores incómodos, e mesmo os outros a quem lhes comeram a carne durante anos.esta pratica, abrange todas as atividades empresariais.nota: passos,numa de proletario no jantar com os deputados, ia dizer que também andava a passar fome…mas relvas ao seu lado falou-lhe em morse e ele rectificou para o: eu estou mais magro porque ando a fazer dieta.só que a mulher, pelo porte, deve estar a comer a comida dele…

  23. @ BÁSICO: A divida pública só passou os 100% com este governo. Quando o PS largou o governo a divida pública rondava 90%. As PPPs de que gostas de falar não significam mais de 2% da divida. É preciso saber os números REAIS daquilo de que se fala sob pena de parecermos uma cambada de aldrabões de direita.
    Não estás a falar para uma plateia de ignorantes da Universidade de Verão do PSD.

    Agora que rebentei com os “dados” do teu segundo comentário, fica realmente a parecer que tens “um cagxlhao em chamas e tentas molda-lo numa mousse de chocolate.” Facciosismo e Fascismo são palavras parecidas.

  24. O Básico tem os números colados com cuspo. Lê o Povo Livre e o Correio da Manha e acha que é doutor. Deve ter sido colega de escola do Relvas.

  25. “o buraco da madeira que o ps não conhecia após 6 anos de governo”
    ó básico, o único partido que fingiu que não conhecia o buraco da madeira, foi o partido que o fez. O PSD.

  26. @ Básico: «A dívida pública atingiu 111,7% do PIB no primeiro trimestre do ano, o que representa perto de 190 mil milhões de euros.» [Público]

    Ou seja os teus compinchas, aumentaram a divida em 21,7 pontos percentuais em 6 MESES!
    É o mesmo que aumentou em 3 anos de PS no auge da crise!
    Parabéns, pá!

  27. André:
    Na boa tradição dos direitolas, o Básico não tenta moldar nada, apenas lhe muda o nome.
    Passa a chamar-lhe ” Cagalhão flambé”

  28. Básico,mais uma medida tipicamente socialista.Crato vai encerrar duzentas e tal escolas,pois e´melhor para o pais e para os alunos.Lembra-se da narrativa anterior? e das manifs. volta Socrates que estás perdoado.Outro dia ouvimos o reitor de uma universidade de lisboa dizer Sócrates tem razão quando diz, que as dividas publicas são para se ir gerindo.Por este caminho, que se vai fazendo, um dia deste anda com a mãozinha na lapela.

  29. Edie,acha que o 25 de Abril foi liderado pelo povo? nós fomos para a rua depois.O pai do Miguel Sousa tavares até se pôs em cima de uma arvore, de megafone na mão a ver como paravam as modas… (em frente ao quartel do carmo)

  30. Maria Rita,

    leia lá outra vez, o que eu escrevi.
    “Coloquemos os pés na terra, eu, ignatz, Val, Vega, Penélope, etc…isto é um clube desligado do sentimento do povo. MAS, diz um gajo que é todo direitola (RuiRamos), no último Expresso, a revolução do 1789 ou a de 1917 não foram lideradas pelo povo, n’est ce pas?). ”
    Agora vou fazer uma coisa que detesto fazer: explicar a ironia implícita.
    Depois de nos auto-acusar, meio a brincar, de não estarmos sintonizados com o povo – base de apoio do actual governo, e corrermos o risco de estar em circuito elitista, lembrei, citando o Rui Ramos, que as ditas revoluções não foram promovidas nem lideradas pelo povo. Como quem diz (detesto isto), a próxima também não tem de ser.

    (ou foi o facto de ter identificado o Rui Ramos como direitola que a confundiu?)

  31. “É altura de contra-atacar” e como tal os Abrantes Corporativos estão de volta. Vega9000 e Galamba vibram no twitter. Ao menos podiam ser mais discretos

  32. Eh pá!
    Tens razão, Emanuel. Enganei-me.

    Afinal, foi… 2,6%.

    http://economia.publico.pt/Noticia/defice-de-2008-ficou-acima-do-objectivo-do-governo-1371166
    Notícia no jornal do hipermerceeiro baseada em dados do INE.

    Só um bocadinho mais credível do que a merda da fundação do outro merceeiro que paga os impostos na Holanda.

    Isso não foi leitura rápida, foi enviesada.
    Ainda bem que não és nada parvo.

    Deixo ao André a defesa da sua honra.
    Também basta uma leiturinha rápida.
    XD

    Hoje, só me saem duques…

  33. Sobre este assunto, cito, com autorização, o ponto de vista de um amigo, que também é o da História:
    “O crédito ou seja a possibilidade de obter algo que se vai pagando mais tarde faz parte do sitema capitalista desde que este se foi definindo lá pelos fins da Idade Média. Os Estados pedem emprestado desde que há dinheiro a circular seja para fazer a guerra seja para pagar os seus compromissos com fornecedores por exemplo de barcos para ir em busca da pimenta lá pelo séc. XVI.
    Hoje em dia a noção de investimento sem a qual não há progresso económico, sem a qual as empresas não podem progredir, não se faz mais exclusivamente com capitais próprios – há que recorrer ao crédito. Os limites para isto são bastante flexíveis mas dependem em absoluto da boa vontade dos credores. Não há progresso sem crédito, mesmo correndo o risco de por vezes ser difícil ressarcir os credores.
    Nenhum Estado que me lembre faliu com incumprimento, os credores sempre encontraram solução para essas dificuldades. Já com as empresas a situação pode ser diferente se não houver algum regime de proteção que evite desequilíbrios inesperados e não fraudulentos.
    Esta linguagem é imprópria e destinada a iludir o pagode.”

    Nem mais.

  34. Todos os Básicos são mesmo básicos…

    Mas há sempre um Básico que ultrapassa qualquer básico quando diz que o PS governou cerca de quinze anos seguidos, com “dois anos” de “interrupção social-democrata”, referindo-se aos seis anos (6) de governação Guterres somados aos 6 anos (seis) de governação Sócrates – dá doze, não quinze! -, transformando os três anos de governação Durão/Portas/Santana em… “dois anos” – numa amputação percentual de 33,(3)%!

    Já vimos que a segurar o “Titanic” em vinte minutos ainda deve ser menos básico do que a fazer operações aritméticas simples. Palavras para quê? É um Básico e, como todos os básicos, está convencido de que sabe mais do que os que estão acima dele na cadeia evolutiva…

  35. Isto sem entrar em questões menos básicas, que já exigem raciocínios um nanésimo acima do básico, como sejam considerar que três anos de maioria absoluta no Parlamento, que tiveram os Governos Durão e Santana, valem bastante mais do que o mesmo número de anos em maioria apenas relativa, como aconteceu de facto em todo o período Guterres e em quase um terço do período Sócrates!

    Mas isto, como diria qualquer básico do calibre aí de um João César das Neves, é areia demais para um Básico…

  36. @Vieira o défice em 2008 foi de 3,7%, superior até ao de 2007 que foi de 3,2%, o mais baixo que Sócrates conseguiu. São dados oficiais ACTUAIS e as fontes estão no link que coloquei. Mas claro, ignorar a verdade é um direito que assiste aos idiotas. Ficou provado que mentiste.

  37. Cá estou eu outra vez!
    Deu para perceber que já estou maijómenos de férias, hã edie?

    Mas vamos ao que interessa:
    Ó ultra-ultra, posso explicar-te de uma forma bué da básica como a coisa funciona?

    Olhe, é o seguinti:
    Eu e mais dois jagunços vamos viver p’a tua casa, óquei?
    Tu és o natural responsável pelas contas da água, luz, relação com o condomínio ou senhorio, whatever, tudo.
    Até aqui, tudo bem, né?
    Agora imagina que qualquer decisão sobre prioridades nos pagamentos, lavagem da loiça, utilização da casa de banho, etc, tem que passar por uma votação?

    ‘TAVAS FUDIDUUUU, muahahahahahahah (riso alarve)

  38. Achas que ficou, Emanuel?
    Ótimo, não quero que te falte nada.
    Eu a pensar que conseguia prever o teu próximo passo argumentativo, mas parece que te sobrestimei. Não leste o que te escrevi e manténs o mesmo registo. És intelectualmente desonesto (ó pra mim tão bonzinho a reconhecer-te intelecto).
    Quando chegares à Madeira, podes utilizar a minha modesta parábola no que diz respeito a dívidas ocultas. Imagino o mortal á retaguarda com pirueta encarpada que davas se estivessemos a falar de Açores vs Passos Coelho.
    Caga nisso, man. Paz.

  39. O pa, isto aqui e tao giro, faz lembrar as eleicoes do Benfica na altura do Vale e Azevedo.

    Ainda me lembro das enormes filas de gajos que ate choravam pelo “Presidente” de todos os Benfiquistas. O tipo de cegueira face a evidencia e no minimo, semelhante.

    http://fotos.sapo.pt/lusa/RUFYcRAphhGVyYgIrHmr?a=1

    O Jose Pinto de Sousa era o maior, ele pos as contas em dia ! (Not)
    http://www.agenciafinanceira.iol.pt/economia/portugal-agencia-financeira-eurostat-defice-governo-pib/1201560-4058.html

    O Jose Pinto de Sousa era o maior, liderava o pais com o maior crescimento da Europa (o que aconteceu entretanto?)
    http://www.jn.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=1568016

    O Jose Pinto de Sousa esteve no poder quase ininterruptamente desde 1995, mas como raramente foi em maioria absoluta, nao conseguiu fazer nada! Se lhe tivessem dado sempre maiorias absolutas, entao sim, nao teriamos chegado a Bancarrota Socrates.

    O Jose Pinto de Sousa nao e o culpado da Bancarrota de Portugal, a crise internacional, que arrastou TODOS OS PAISES DO MUNDO PARA A FALENCIA, e que e.

    O Jose Pinto de Sousa nao tem nada que ver com o Miguel Relvas, o Jose sempre foi um estudante modelo.
    Em 1975, logo a seguir a revolucao, matriculou-se no ISEC, e consegui tirar em 4 anos um Bacharelato com a brilhante media de 12…
    Entre 1987 e 1993 esteve matriculado na Lusiada, mas nao completou nada.
    Em 1994/1995 esteve matriculado no ISEL, mas nao completou nada.
    Em 1996 ele conseguiu licenciar-se a um domingo na Universidade Independente, que entretanto foi fechada pelo Governo Socialista, na sequencia de graves irregularidades pedagocias, eticas e financeiras. Um seu grande amigo do peito , o Armando Vara, tambem cursou na Independente, conseguindo licenciar-se 3 dias antes de ser nomeado administrador da CGD.
    Em 2005 ele conseguiu um MBA, o premio de nao ter acabado um Mestrado de 2 anos no ISCTE.

    Enfim, vao tomando uns comprimidos que isso passa.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.