A sucessão de D. Francisco, Rei da esquerda

Lisboa, Agosto de 2012
Chegou ao nosso conhecimento uma notícia que nos enche de pesar. SAR D. Francisco Louçã, Rei da esquerda e Coordenador-mor do reino, acaba de indicar o seu profundo cansaço e a sua vontade de não prolongar o mandato para além do mandato. A sua vontade foi comunicada ao seus súbitos, o “povo do bloco” como sua magnificiência gosta de se lhes referir, recusando o medonho “cidadãos”, numa sentida nota no Facebook em que SAR demonstra mais uma vez o seu à-vontade entre os simples tratando-os por tu e procurando explicar as suas razões para mais um gesto que o cobre de glória e nobreza.
Fazemos notar que, no entanto, a resignação de SAR era já esperada desde há mais de um ano, uma vez que todo o reino comentava a débil saúde de SAR após os graves ferimentos que sofreu na ínfame “batalha de Junho”, em que embora demonstrando a bravura que lhe é habitual, SAR não conseguiu evitar que no rescaldo da batalha contra o inimigo jurado, o traidor Sócrates, as tropas da direita tomassem de assalto o parlamento e lá se instalassem. Dizem as más-línguas que SAR resistiria a debruçar-se sobre o premente assunto da sucessão. Nada mais falso! Como se prova na missiva, o findo ano foi dedicado a demoradas e complexas negociações entre os nobres da corte de modo a resolver tão delicada questão, que se fosse tratada com ligeireza – eleições entre o povo, como alguns incautos ousam sugerir – poderia descambar numa guerra civil entre as várias facções com resultados certamente desastrosos. Pois para que serve a nobreza senão para representar o povo, senhores, e os livrar de tais preocupações?
Eis pois o tão esperado anuncio, e observamos maravilhados como SAR, num gesto final de grande visão,  impulsiona o reino em direcção à modernidade tão em voga no estrangeiro com uma brilhante sugestão para a sua sucessão: o reino será doravante liderado por um casal, caindo tão pesada responsabilidade sobre os ombros do Duque João Semedo e da Baronesa Catarina Martins. Será assim satisfeita a pretensão do povo de ver representado tanto o belo sexo como o sexo forte na condução dos aspectos reais, uma ideia que não hesitamos em rotular de bíblica. Poderão contar com a plena colaboração de SAR, que assumirá doravante a posição de mero conselheiro-regente.
Desejamos a SAR uma agradável e merecida reforma, onde certamente se dedicará a prazeres mais mundanos como o o seu yatch, as caçadas de Purdey com o poeta-mor Manuel Alegre, a literatura e a escrita. E que passe bem da sua importante saúde.

8 thoughts on “A sucessão de D. Francisco, Rei da esquerda”

  1. Senhor Prof. Doutor Francisco Louçã, economista, 13 anos mentindo para a sua reforma dourada, foi este que dizia que a crise era o Sócrates.
    Senhor Prof. Doutor Vitor Louçã Gaspar, economista, teve o apoio do Francisco para ser eleito e já vai há mais de um ano, (por outro caminho) fazendo o mesmo que o Francisco.
    Infelizmente vão continuar a fazer a única coisa que sabem fazer.

  2. Que secccca! Nem um golpezinho palaciano do Barão de Carnaxide, Daniel Oliveira, para animar a sucessão?

  3. Se repararem, as cores da faixa usada pelo rei (a pintura representa D. Carlos, mas vocês já sabiam isso) são exactamente as mesmas do logótipo do Sirysa, o que é curioso. Alguém sabe o que significam? Onde é que anda o João Afonso Machado quando precisamos dele?

  4. Sua Magnificência autoconverteu-se em Sua Obsolescência, mas a sua inestimável colaborância na recuperância da direitância dá direito a merecida promoção a Sua Excremência.

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