Yes, you should

As peripécias da reeleição de Obama, onde se conta a desilusão que foi o seu 1º mandato face às messiânicas expectativas geradas e também o cansaço com que chegou a esta corrida eleitoral, são uma lição para todos aqueles apaixonados pela cidade.

Não existe trabalho mais difícil do que governar em democracia, dificuldade agravada em período de crise económica e agravada quando as oposições são irresponsáveis. Isso faz com que a probabilidade de sucesso seja muito baixa, o que traz como malefício acrescido o crescimento das tendências populistas e de apatia cívica.

Mas o que seria o sucesso? O cumprimento do programa eleitoral? O cumprimento do programa de governo? A ser isso, seria um acaso. Porque a complexidade dos sistemas políticos, económicos e sociológicos ultrapassa qualquer capacidade de prever as suas circunstâncias futuras, inclusive as de curtíssimo prazo. Bem governar, pois, implica bem criar soluções para problemas que se desconheciam antes da eleição para o cargo. Só que as condições para descobrir e realizar essas soluções são as piores dado o constante estado de emergência nos Governos e os inevitáveis boicotes dos opositores.

Obama foi eleito em 2008 com a promessa de ser possível fazer milagres. Para os próximos 4 anos, basta que ele faça o milagre de levar o Mundo a voltar a sonhar para que o seu sucesso seja absoluto.

14 thoughts on “Yes, you should”

  1. burros são eles! obama, foi reeleito, apesar da crise.desemprego em numeros anormais para EUA,deficite publico agravado, economia em baixa e promessas não cumpridas.que estupidos são estes americanos! Ai se eles tivessem a nossa inteligencia eleitoral….

  2. nuno CM,
    exactamente. É possível manter e reforçar (bons) líderes em períodos de crise. Está bem que depende dos líderes, mas a lição aqui para a Europa veio dos liderados. Toca a criar “obamazinhos” europeus, com carinho, cambada. Seremos capazes ou o nível de decadência já não nos permite?

  3. Essa explicação do cansaço de Obama alegando uma suposta estratégia – embora até possa corresponder à verdade – não difere muito do argumento do Al Gore a respeito da altitude para justificar o fiasco da prestação no 1º debate com Romney. A verdade (pelo menos, a minha) é a de que esse cansaço até no discurso de vitória está visível. É o cansaço de quem já não acredita no que disse 4 anos antes e sabe não ter algo similar para vender.

    Dito isto, tal não impede que estejamos a assistir em directo e a cores ao nascimento de um novo Obama, ainda melhor do que a promessa.

  4. E não se sabe qual foi o sentido de voto dos Apaches e Comanches.

    Nunca se sabe o que essa gente pensa e andam sempre de flecha à cinta.

  5. Discurso de Obama [e os meus pensamentos conexos]:

    “Esta noite, mais de 200 anos depois de uma antiga colónia ter ganho o direito de determinar o seu próprio destino, a tarefa de aperfeiçoar a nossa união dá um novo passo.”

    [Não por uma, mas por quatro vezes tivemos que lutar para ganhar o direito a determinar o nosso destino.]

    “Nós queremos que os nossos filhos cresçam num país onde eles têm acesso às melhores escolas e aos melhores professores — um país que está à altura da sua tradição de líder global em tecnologia e descoberta e inovação — com todos os bons empregos e novas empresas que se lhes seguem”

    [Ai a refundição de Portugal: nem às piores escolas teremos acesso (quanto mais às melhores) e de bons empregos e boas empresas nem valerá a pena falar]

    “Nós queremos que os nossos filhos vivam numa América que não está sobrecarregada pela dívida…”

    [Aqui em Portugal, isso só se for não pagando a dívida.]

    “… [uma América] que não é enfraquecida pela desigualdade…”

    [O tuga sonha há séculos com um Portugal assim.]

    “… [uma América] que não é ameaçada pelo poder destrutivo de um planeta a aquecer.”

    [Este problema em particular é democrático: se formos para o inferno devido ao aquecimento global, vamos com o resto do mundo]

    “A América nunca teve a ver com aquilo que pode ser feito para nós; tem a ver com aquilo que pode ser feito por todos nós, em conjunto, através do difícil mas necessário trabalho de auto-governação. Esse é o princípio segundo o qual fomos fundados.”

    [A troika considera que o tuga não tem direito a se refundar segundo o princípio da auto-governação.]

    “Eu não estou a falar de optimismo cego, do tipo de esperança que ignora a enormidade das tarefas à nossa frente ou os bloqueios colocados no nosso caminho. Eu não estou a falar daquele idealismo pueril que nos leva a ficar sentados na berma ou a fugir de uma luta. Eu sempre acreditei que a esperança é aquela coisa teimosa dentro de nós que insiste, apesar de toda evidência em contrário, que algo melhor nos espera desde que tenhamos a coragem de continuar a procurar alcançar, de continuar a trabalhar, de continuar a lutar.”

    [Não estará na hora de os portugueses recuperarem a independência nacional?]

  6. pronto, isto por aqui não está a dar nada, o Val nem sequer explicou como se chama o que foi ver no cine e que o deixou translumbrado – embora os irmão Taviani, claro, obvia e seguramente tenham um excelente CV) e não me apetece pesquisar, (go straight to the point, podemos não ter o tempo que tens…adiante).
    Ainda não botei música hoje, pois é?
    You got a(n) er(e)action?
    http://www.youtube.com/watch?v=QKntY8WkNYQ

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.