Why You Can’t Help Believing Everything You Read

Mais um erro de Descartes, mais um triunfo do maior filósofo português de sempre, Bento de Espinoza.

A ideia é esta: assimilar informação implica uma adesão cognitiva ao seu significado, o que leva a outra subsequente adesão ao seu sentido. É nesta segunda adesão que ficamos apanhadinhos. Resultado: para lermos temos de acreditar no que estamos a ler.

E é isto que nos acontece amiúde. Lemos um tipo a dizer bem de A e acreditamos. Lemos uma tipa a dizer mal de A e também acreditamos. Se forem os dois a dizer mal, este tipo e esta tipa, ainda é mais fácil acreditar – por isso ranhosos e imbecis apostam tanto nas suspeições, nas calúnias, nas difamações, nas pulhices.

Solução? Continuar a pensar. Isto é, aprendermos a ser críticos do que se passeia na nossa consciência. Nem tudo o que nos habita é nosso ou merece a nossa hospitalidade.

14 thoughts on “Why You Can’t Help Believing Everything You Read”

  1. Afinal nem tudo está perdido!
    Valupi teve um momento de lucidez e reconhece que errou em muitas das suas apreciações.

  2. Veio-me à cabeça uma das minhas citações preferidas, de Douglas Adams: “Don’t believe anything you read on the net. Except this! Well, including this, I suppose…”

  3. Val, concordo contigo. Acontece que o exercício do pensamento implica um treino continuado. Infelizmente, as pessoas, genericamente inscrevem-se noutros registos, nomeadamente no registo do descartável, tornando tudo à sua volta efémero e no império do efémero não há espaço para o pensamento.

  4. Vivemos em sociedade num sistema baseado na crença/confiança desde o inicio, precisamos, ou melhor, dependemos delas para nos desenvolvermos e para nos protegermos.Na duvida (cartesiana) preferimos “acreditar” uma mentira eterna do que na desestruturação causada pela verdade, por vezes poderá ser só por um mecanismo de auto-defesa e coesão social.Por isso o que sempre mandou e é sinonimo de poder ao longo dos tempos é a mentira e a manipulação. No entanto acho que compreender não é acreditar, é mais aceitar e tambem perdoar.

    Bento (Baruch) de Espinoza nasceu na Holanda, os pais sim eram judeus portugueses da Vidigueira expulsos pela inquisição. Esquema que se repetiu durante séculos neste país mudando somente o nome dos intervenientes.

  5. “Não devemos acreditar apenas em palavras, em posição ou ideologia. É a personalidade da pessoa e as suas acções que mais importam.”
    (Daisaku Ikeda )

  6. Pode haver outra situação, Val. Supõe que eu não concordo com as posições genéricas de outra pessoa sobre determonado assunto. No entanto, considero essa pessoa tão brihante na argumentação que sou compelido a lê-lo (ouvi-lo) só pelo comprazimento que tenho em acompanhá-lo no seu labor argumentativo…

  7. “Tudo o que se ouve ou vê nas televisões, rádios e jornais é mentira”.
    Este é o ponto de partida correcto para quem dá atenção ao que se passa nos média.
    O que li, até pode ser verdade, mas por que razão só agora o dizem?: Uma verdade pode esconder uma mentira (neste caso a verdade é que a primeira verdade só interessou divulgar agora, portanto a notícia é uma mentira, porque se opõe à segunda verdade).

  8. Caro Val,
    Há aí alguma confusão de espinosa. Podemos aderir ao significado do que lemos mas isso não implica que acreditemos no conjunto das ideias que vamos interpretando com a leitura.
    A nossa total adesão só está implícita naquilo que dizemos, naquilo que afirmamos, nas nossas ideias que transmitimos e que foram elaboradas no interior da nossa consciência racional. É por isso que nós nunca mentimos a nós próprios: quando racionalizamos um pensamento e o afirmamos para outrem a consciência já o assumiu como uma verdade.
    Apenas ficamos apanhados quando admitimos algo como verdadeiro e nunca por qualquer leitura por mais profunda que ela seja.

  9. Mário Pinto, já sabes, pousa lá a garrafa.
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    Vega9000, é uma variante do paradoxo do cretense, de intemporal apelo.
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    Carmen Maria, nem mais.
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    K, compreender é a mais complexa actividade mental, e aquela que define o que é a intelectualidade, sem dúvida.
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    Blondewithaphd, se calhar não conheces o País todo.
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    Edu, sim, mas é pelos frutos que os conheceremos.
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    Sinhã, aposto que és uma grande investidora.
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    FV, tens toda a razão, claro. Mas esse gosto já ultrapassa o fenómeno de que o artigo fala, isso de estarmos predispostos a acreditar no que nos contam.
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    Manolo Heredia, defendes a tese de que o paranóico é o mais previdente. Para mim, esse é um preço demasiado alta a pagar para tão poucas certezas, ou nenhumas.
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    adolfo contreiras, com certeza, o que dizes é inquestionável. Todavia, a posição de Espinoza que o artigo apresenta remete para um primeiro momento onde o entendimento implica adesão ao entendido, só depois virá (se vier) o distanciamento crítico. Obviamente, estas conclusões são genéricas e em nada contraditórias com as inúmeras situações em que recusamos de imediato o que estamos a ler ou a ouvir.

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