27 thoughts on “Vamos lá a saber”

  1. Sócrates, claro.
    Costa é muito falinhas mansas e tal e coisa. Tem resultado mas ás vezes dá merda.
    Se era sabido que a Portela estava a rebentar porque se demorou 8 anos a decidir construir um remendo?

  2. O texto de Sócrates é uma bofetada bem dada na turba alienada que o persegue há muitos anos. Não há jornalista, comentarista ou político algum capaz de desconstruir o que ali é dito. Sequer se atrevem a ir além da vulgaridade de um ad hominem. A suspeita e criminalização das políticas desenvolvimentistas dos Governos de José Sócrates contribuiu muito para Portugal se ver ultrapassado pela maior parte dos países que entraram depois de nós na União Europeia.

  3. A maior imbecilidade do mês (o ano ainda vai longo) vem hoje no Público, a propósito da alteração que o governo quer fazer à lei que dá ao autarca da Moita o poder de chumbar a ampliação do aeroporto do Montijo. Reza assim:
    “A lei é estúpida? É. Mas é lei”.
    (David Justino, defendendo a posição do seu partido de não permitir mudar a lei estúpida).

  4. Costa não tem razão nem deixa de ter, porque nada diz nem é responsável por nada.
    Quem escolheu construir o aeroporto no Montijo não foi Costa, foi a ANA.

    Sócrates não tem razão em considerar a privatização da ANA ruinosa. É que, se a ANA não tivesse sido privatizada, o Estado português, que está de tanga, não teria dinheiro para construir um aeroporto. A Vinci pode ter optado pelo Montijo erradamente, mas pelo menos terá dinheiro para o construir.

  5. Mais uma vez, o pequeno escrito de José Sócrates só vem por em evidência
    a pequenez dos “anões” políticos que tomaram conta do nosso país, pessoas
    de visão curta, sem rasgo e competência para a recuperação e desenvolvimento!
    Já se gastaram milhares de milhões de euros em arranjos da Portela, pensam
    gastar mais uns milhares de milhões no Montijo, só porque não querem reco-
    nhecer a razão do antigo P. Ministro e criar uma infra-estrutura de raiz com
    maior capacidade, dizem os entendidos, salvo alguma tragédia exógena, nos
    anos 30 a solução actual estará esgotada … nestes casos trabalhar a 10 anos
    de vista é algo difícil de compreender! É só “papelons”!!!

  6. Sócrates não só tem muito mais razão e melhores razões como teve razão antes do tempo contra a menoridae das yos, cavacos e coelhos todos deste país.
    O mesmo vai acontecer com o TGV e os atrasos no Alqueva e correspondente expansão da energia eólica para a mobilidade eléctrica e estúpida destruição da fábrica de baterias e outros projectos e inovações que estariam agora em pleno ponto de exploração e punham Portugal no pico dos países avançados.
    O exemplo dado nesse tempo de que tudo pode parar e nada se fazer porque se pode fazer em qualquer tempo ou “quando estiverem todas as condições reunidas” está-se pagando caríssimo pelo que não se fez e mais ainda pelo que culturalmente se tornou o pensar dos portugueses hoje.
    Hoje, estamos na mesma discussão com o novo aeroporto, na mesma discussão com o lítio, já discutimos o turismo e calculem já alguém levantou o brilhante argumento contra a estabilidade financeira de que “estamos fartos de contas certas”.
    Este é o exemplo típico da cultura política deixada pelas oportunísticas e caluniosas discussões no tempo Sócrates.
    São custos de milhares de milhões que deveriam ser imputados a muitos bem conhecidos que diariamente vinham às TVs botar conscientemente falácias fraudulentas.
    Porque não mostram agora esses palradores tal qual foram nesse tempo contra porque sim ou porque os apelidavam de megalómanos, faraónicos e outros falsos argumentos que levaram o país ao desastre da troika e ao atraso tecnológico relativamente a outros.
    Todos esses que impediram o desenvolvimento do país e criaram prejuízos incalculáveis ao país é que deveriam estar hoje no banco dos réus.

  7. Socrates tem razão, mas o mundo mudou como ele próprio disse na TV na sua despedida de 1º Ministro. como a CORJA = CAVACO -PASSOS E PORTAS, deram a concessão da ANA por longos anos e o franceses da VINCI não abrem mão a mais milhões, COSTA tem razão em aproveitar a base Aérea do Montijo. encerrada,para fazer um aérea´porto para aviões de escala mais curta. Preocupam-se muito com ambiente e aves daquela zona e nós em Lisboa onde de noite e de dia circulam milhares de aviões como uma bomba relógio sobre as nossa cabeças como eu que vivo a Avenida de ROMA e é ve-los passar a toda a hora e momento, e o CONCORDE acabou, passava todas as noites às 2 da manhã e o prédio estremecia como se fosse um abalo de terra. MARIQUICES DOS AMBIENTALISTAS, felizmente os mais assanhados QUERCUS andam ai envolvidos num potencial fraude a var se se calam.

    fazer u Aeroporto anexo para avoões

  8. como não me apetece pensar , José , responde do além o defunto Vasco , numa avaliação que fez do 1º ano de governação trócates :

    4. Ota e TGV: Quando se deve muito dinheiro, só as dívidas nos salvam. Décimo quarto episódio do “Vigarista milionário”, uma peça clássica portuguesa.

    ( vigarista , eh lecas , o homem era mesmo visionário , em 2006 fez logo o desenho final , nem precisou de esboço)

  9. Cara yo mais uma vez temos opiniões muito diferentes no caso de VPV.
    Pois penso que vigarista só pode ser alguém que participou num programa de tv nojento como aquele na TVi com a Moura Guedes.
    Vigarista só pode ser um intelectual que se faz passar a ideia que pode discutir tudo e todos a todo o tempo nos jornais e vai para o Parlamento e durante seis meses seis não abre a boca a bem nem a mal da nação.
    Vigarista só pode considerar-se alguém que produziu frequentemamte juízos como aquele que na véspera de terminar a Expo’98 publicou no “Público” um dos seus textos verresinosos afirmando que passados três dias três de fechar a Expo a linha de vermelha do metro tinha de fechar por falta de passageiros. A dita linha passados tempos era a mais rentável de todas.
    A sua, agora, idolatrada “épica” obra ninguém a conhece ou cita sobre o que quer que seja e a correspondente obra política é um traste obsoleto.
    Mas claro, as yo deste mundo emprenham de ouvido à escuta das aleivosas apologias indevidas porque para criar mitos sem mitologia.

  10. Grande Neves!
    Pões as coisas claras,perante os e as sacristas que temem,oh quanto, a nudez!
    Nem o manto diáfano da fantasia, esses canalhas têm que apanhar com a verdade nas fauces !

  11. Ó Neves
    Esta tropa fandanga não saberá que existe um TGV, há anos em funcionamento, entre Ceuta e Casablanca ?
    Estes PPDs se fossem o Governo em Marrocos,ainda andavam com os camelos às costas !

  12. Herédia:
    Não haverá, se a China não quiser!
    Os USA são bons mas é para bloqueios !
    O de Cuba tem 62 anos e viva a democracia ! Vitória bélica USA durante esse período,em todo o Mundo? Em Granada ?

  13. Amigo Samuel, “Vitória bélica USA durante esse período, em todo o Mundo?”

    Parece que não vais ao cinema, companheiro! “Vitórias bélicas USA”, na grande pantalha, e agora cada vez mais também nas pikenas, à la maison, são mais que chatos na pentelheira encardida do javardo de Boliqueime!

  14. eeee, tanta gente a querer começar a casa pelo telhado – :) fiem-se na engenharia do injenheiro, fiem-se.

    José, de boas intenções está o inferno cheio, o que conta são os resultados …e o resultado da governança foi uma estrondosa bancarrota e uma operação ao marquês da covilhã.

  15. O aeroporto é a mais recente incompetência dos governos e também do povo. O estudos começaram no tempo do Marcelo Caetano. Havia inicialmente 18 hipóteses de localização. Quando chegámos ao Guterres foram indicadas 2 localizações : OTA e Rio Frio.. Finalmente ! Depois foi a bagunça a que assistimos com novas localizações ( outras ?) . Especialistas e mais especialistas apareceram , qual deles o mais dotado, habilitado e com currículo super . Todos com tempo de antena à fartazana . Antes ninguém sabia da sua existência . Mas percebia-se que além dos saberes havia interesses até dizer basta . E não importou que a Portela estivesse a rebentar pelas costuras e que um aeroporto não se compara na loja e deve levar anos a fazer . Assim ao fim de 48 anos ainda não temos aeroporto seja lá onde for. Nem no Montijo nem na Moita…. E com a pandemia de agora, provavelmente iremos chegar à conclusão que a Portela é mais que suficiente !
    Mas acreditam que é/foi só o aeroporto ?
    O Alqueva vem da década de 1940. Iniciou, parou, recomeçou e ainda não está concluído
    A ponte 25 de Abril vem do final do seculo XIX.
    O tal cais de contentores da Trafaria também vem da década de 1940. Ainda não havia contentores e era para ser um cais de carvão. Agora, se for já nem será na Trafaria.
    As circulares de Lisboa vêm do tempo do Duarte Pacheco
    E nem para deitar abaixo somos capazes. O prédio de Viana do Castelo ainda está em pé. A ideia de o deitar abaixo data de 1976 ou por aí.
    Por isso é que rio à gargalhada quando ouço falar em “JANELAS” DE OPORTUNIDADE”. Mas que havemos de fazer ? Somos assim !

    É por isso que preocupo com o COV19. Não acredito que estejamos preparados !

  16. Ó Lavoura,
    Sócrates não tem razão em considerar a privatização da ANA ruinosa? Como também foram ruinosas a entrega da CIMPOR, da Fidelidade ou da EDP? Como foi ruinoso o empurrão do BES para o precipício?
    Está por demonstrar que a única saída para lidar com as consequências da crise financeira global fosse parar o país e entregar os seus melhores activos a pataco. Os poucos que foram beneficiados por esse caminho, muitos, comissionistas do processo, repetem que não havia alternativa. Mas havia.

  17. Costa não comete os erros de Passos Coelho mas comete os erros de Sócrates. As mesmas causas produzem as mesmas consequências. Montijo, Alcochete, Beja e porque não Évora?

  18. Obrigado, amigo Lucas, pela boa vontade, mas não consigo abrir porque não tenho Livrodotrombil. Não me fazes o obséquio de copy pastar a coisa de um modo um pouco mais jurássico?

  19. Ainda sobre VPV, esse Génio, lembram-se da córnica que escreveu, a propósito das auto-estradas que, finalmente, se construíam, onde descrevia a viagem que então fez à Figueira da Foz, para comer umas sardinhas?
    De obra mastodòntica deserta, ao silêncio assustador, passando pela angústia do perdido no deserto, tudo foi invocado para denegrir uma obra que desagradava aos seus patrões.
    Passem por lá hoje. E depois falem-me da clarividência genial, do português único…

  20. Obrigado, amigo Lucas, já li e parece-me que o homem tem razão, a argumentação é clara e pormenorizada, convence-me.

    Mas não posso deixar de lamentar que os argumentos e critérios que agora expõe não tenham sido sempre os que adoptou e seguiu no passado, nomeadamente quando foi ministro do Ambiente do governo de Guterres.

    Por exemplo, quando escreve “Se a solução Montijo for adoptada ela será a única opção – repito, a única – que nunca teve um estudo de comparação com qualquer outra alternativa. A única.” É pena que não se tenha lembrado disso aquando da construção do Sublanço Aljustrel-Castro Verde da Auto-Estrada do Sul, a seguir a Rio de Moinhos, por volta de 1999/2000, quando era ministro do Ambiente.

    A Brisa estudou inicialmente três alternativas para aquele troço, mas, como todas suscitavam fortes objecções, de sectores diferentes, por motivos diferentes, a empresa acabou por apresentar à discussão pública uma quarta opção, que satisfez praticamente toda a gente, desde autarquias a ecologistas (e todos sabemos como estes são difíceis de contentar). Havia, assim, quatro alternativas, ou opções:

    Alternativa A e Alternativa C – Ambas com um traçado que passava aproximadamente a um quilómetro da vila de Aljustrel, esse factor agradava obviamente à autarquia, mas, alguns quilómetros a sul, tanto a A como a C rasgavam, sem qualquer pudor, a Zona de Protecção Especial (ZPE) de Castro Verde (abetarda e cisão, principalmente), gerida pelos ecologistas da LPN (Liga para a Protecção da Natureza). Isso suscitava fortíssima oposição de várias organizações ambientais, como a própria LPN, a Quercus e o GEOTA (Grupo de Estudos para o Ordenamento do Território e o Ambiente), oposição a que as próprias autarquias eram sensíveis (Aljustrel e Castro Verde, mas também outras não directamente afectadas).

    Alternativa B – Resolvia o problema do atravessamento da ZPE, que “mordia” apenas superficialmente, satisfazendo os ecologistas, mas afastava-se cinco a seis quilómetros de Aljustrel, suscitando a oposição da autarquia.

    Alternativa C+B – Como a designação indica, combinava a C (que aproximava o traçado de Aljustrel) e a B (que o afastava da ZPE). Contentava, assim, autarcas e ecologistas, gregos e troianos, Deus e o Diabo, façanha raramente alcançada. Na última assembleia da consulta pública (em Ourique, se não estou em erro), antes da cambalhota, a C+B foi quase unanimemente apoiada, nomeadamente pelo representante da Quercus e pelo presidente da Câmara de Aljustrel, que, na sua intervenção, frisou, satisfeito, que dava esse apoio em nome da autarquia e de todas as juntas de freguesia do concelho. Tínhamos, assim, a harmonização de interesses habitualmente inconciliáveis, o melhor de dois mundos, o céu na Terra! Mais não se podia desejar!

    Pois, mas a Brisa desejava outra coisa, que era simplesmente mostrar quem manda, seja lá o que for que as autarquias desejem, os ecologistas alertem ou eventuais proprietários afectados reclamem.

    Assim, no último dia da consulta pública, às escondidas de toda a gente, a empresa entregou à socapa, no Ministério do Ambiente, uma quinta alternativa, que deitava para o lixo as anteriores, que desprezava com arrogância a feliz conciliação anteriormente alcançada e que, entregue no último minuto, o público já não pôde consultar ou discutir. E porquê? Porque sim, com um pretexto esfarrapado que não convencia ninguém e de solução escandalosamente fácil, ao contrário da barbaridade que pretendiam fazer e fizeram. “Manda quem pode, e aqui quem manda somos nós, o resto serviu apenas para vos entreter, para vos dar a ilusão de terem uma palavra a dizer, e agora ide-vos foder!”

    Protestos indignados de ecologistas, idem de autarquias, aspas de privados afectados, como era o meu caso e de familiares. E friso o “afectados”, diferente de “prejudicados”, pois a pequena área em que nos mordiam era agricolamente pobre e a indemnização paga pela Brisa foi “generosa”, quanto a mim superior ao valor real do terreno, ao contrário do habitual em situações de expropriação por motivos de interesse público. Nem tudo é redutível a dinheiro, porém, coisa que nem toda a gente entende.

    Na “guerra” que a seguir desenvolvi tive o apoio da Câmara (Aljustrel) e da Junta de Freguesia da zona (Rio de Moinhos), não porque lhes tenha apetecido apoiar interesses privados (meus e dos meus familiares), mas porque, por motivos históricos, afectivos, ambientais e paisagísticos, o nosso interesse coincidia com o das populações por eles representadas. Foi isso que alegaram nos protestos que fizeram chegar à Brisa e ao Ministério do Ambiente de José Sócrates. E protestos semelhantes chegaram da Quercus, da LPN e do GEOTA, onde eu não conhecia ninguém.

    No (alegado) Estudo de Impacte Ambiental encomendado pela Brisa, feito, obviamente, por uma empresa (alegadamente) especializada, aconteceram fenómenos “surrealistas” como os que passo a descrever.

    No capítulo dedicado ao “uso dos solos”, descreveram a zona que me afectava como “cultura arvense de sequeiro”, ou seja, terra nua, lavrável, usada para cultivo de cereais, girassol ou leguminosas, por exemplo. O que lá está, porém, é a mancha de montado de azinho mais extensa e densa da zona, umas 2500 azinheiras (centenárias e bicentenárias algumas delas) concentradas numa pequena área de uns 20 hectares, que nem a um cego escapariam, pois se por ali passasse não deixaria de bater com os cornos em algumas. E não as viram os especialistas ambientais apesar de, bem no meio delas, terem andado a espetar, ao longo de centenas de metros, dezenas de estacas delimitando o bendito traçado da futura auto-estrada. Prodígios!

    Aos ceguinhos da empresa especializada contratada pela Brisa não escapou, porém, uma recentíssima plantação de sobreiros alguns quilómetros a sul, em que a única coisa visível eram os tubos de plástico de meio metro espetados no chão, para proteger as arvorezinhas recém-nascidas. Naquela gloriosa e “frondosa” floresta de centenas de tubos, apenas meia dúzia de rebentos tinham conseguido trepar nove ou dez centímetros acima da boca do tubo protector. Enfim, cegueiras selectivas…

    Outra bizarria: o Estudo de Impacte Ambiental, “preocupadíssimo” com a protecção dos montados de sobro e azinho, cita com inexcedível “profissionalismo” a legislação aplicável para a sua protecção, nomeadamente o Decreto-Lei n.° 172/88, de 16 de Maio (sobreiros), e o Decreto-Lei n.° 14/77, de 6 de Janeiro (azinheiras). Azar dos Távoras, a empresa “especializada” não sabia (alegadamente) que esses dois decretos haviam sido revogados, na íntegra, quase três anos antes das suas profissionalíssimas elucubrações, e substituídos por um único documento, para sobreiros e azinheiras, o Decreto-Lei n.° 11/97, de 14 de Janeiro. Qual era o problema? Elementar, meu caro Watson! O decreto mais recente, o verdadeiramente aplicável, era muito mais restritivo no que respeita a eventuais malfeitorias que lhes apetecesse fazer às árvores.

    Outra: a mancha de montado de azinho a que me refiro devia estar referenciada, obrigatoriamente, como REN (Reserva Ecológica Nacional), porque reunia as condições que a classificariam como tal. Mas, mais uma vez milagre, no mapa delimitando as zonas de Reserva Agrícola Nacional e Reserva Ecológica Nacional (RAN e REN) oferecido à consulta pública (com a data de Agosto de 1999), a área que me dizia respeito estava cirurgicamente excluída da RAN e da REN. Azar dos Távoras, mais uma vez: o maluco do Joaquim Camacho teve a madureza de percorrer de fio a pavio a floresta de dossiers que faziam fugir a gente sã, e nessa excursão encontrou ele outro mapa RAN/REN, elaborado cinco meses antes (Março de 1999), em que a zona em causa estava, como não podia deixar de ser, muitíssimo bem assinalada como REN. O que poderá ter acontecido? Bueno, além de facilitar a entrada dos bulldozers em terreno sem qualquer protecção, a área poderia, sem restrições, ser transformada num maravilhoso estaleiro, em que a sombra de milhares de azinheiras, durante a construção da auto-estrada, seria um óptimo refúgio em dias de canícula.

    O que tem o José Sócrates a ver com tudo isto? Tudo, porque era ele o ministro do Ambiente, a ele competia fiscalizar e travar as tropelias da Brisa e dos “profissionalíssimos” especialistas ambientais que a empresa contratou para a ajudar a tornear obstáculos. E aí ele primou pela ausência, para não dizer conivência. Não tem nada a ver com os crimes, ou pecados, de que agora o acusam, e em que, como tenho aqui manifestado, não acredito, pois não vi até agora qualquer prova. Trata-se de outra coisa, em que o Costa também é barra, tal como o de Massamá (este em muito pior) e outros artistas da Tugalândia: é preciso fazer obra, mostrar trabalho feito, e se para isso for preciso meter por alguns atalhos, cortar alguns cantos, conferir alguma elasticidade às regras, pisar alguns calos, pois força nisso, that’s the spirit! Acontece que não estou de acordo.

    Disse-me nessa época o assessor de imprensa de um secretário de Estado do Ministério das Obras Públicas mais ou menos o seguinte: “Você tem toda a razão, aqui no Ministério toda a gente está de acordo consigo, e nós podíamos obrigar a Brisa a cumprir tudo, rigorosamente, segundo as regras e leis aplicáveis. Mas o que é que acontecia a seguir? O presidente da Brisa é do CDS, o vice-presidente é do PSD, o governo é PS. A empresa é concessionária de tudo e mais um par de botas, pelo país fora. Há um troço de estrada que precisa de ser completado aqui, outro que tem de ser reparado acolá, um terceiro que deve ser alargado acoli, e, se nós os encostamos à parede, eles, com os mais variados pretextos, entram num jogo de represálias camufladas: atrasam o fim das obras no A, engonham no B, suspendem o C, e nós, como governo, queremos mostrar obra feita e está tudo suspenso ou a passo de caracol, não temos nada para mostrar. Por isso não podemos pressioná-los muito.” Franqueza maior era impossível e com ela ganhou este assessor (ex-jornalista), o meu respeito e consideração, mas não é por isso que a realidade deixa de ser uma puta. Uma coisa te digo: o empenhamento do Ministério das Obras Públicas de então na tentativa de moderar os abusos da Brisa, até mesmo a sensibilidade para questões ambientais, devia ter envergonhado o Ministério do Ambiente seu contemporâneo, se a vergonha andasse por lá. Ao que parece, tal não aconteceu. Imperava o espírito do “doer”.

  21. Excelente testemunho de compromisso cívico, Camacho. È assim que se faz. Obrigado. Mas um pouco whataboutista em relação ao texto de Sócrates, não?

  22. Lucas, não sei se entendo bem a tua referência ao whataboutismo, mas, se é aquilo que penso, esclareço que a relação entre o texto de Sócrates e aquilo que expus tem a ver com a necessidade, que ele refere, de existência de alternativas que possibilitem uma escolha fundamentada.

    No processo que descrevi, foram apresentadas quatro alternativas e uma delas mereceu invulgar consenso entre sectores geralmente inconciliáveis. A empresa que as apresentou, nomeadamente a alternativa consensual, subverteu completamente o processo nos últimos minutos (literalmente) do prazo de consulta pública, desprezando-nos, a nós público, com arrogância, e acabou por concretizar uma quinta alternativa completamente diferente, que suscitou a oposição veemente de todos os sectores antes pacificados. A relação com o texto de Sócrates é que, quando teve a oportunidade de proceder de acordo com os princípios que nele defende, com os quais, repito, estou de acordo, fez exactamente ao contrário, deitando para o lixo todo o processo anterior de análise de alternativas, fazendo vista grossa às falsificações grosseiras da legislação vigente perpetradas no estudo de impacte ambiental e assim branqueando e dando cobertura ao quero-posso-e-mando da Brisa.

    Todas as aldrabices do estudo de impacte ambiental que referi foram reconhecidas por escrito, pelos departamentos estatais com intervenção no processo, e tenho todos esses documentos na minha posse. Aliás, para passar a escrito todo o arrazoado acima tive de consultar de novo a documentação mais relevante. Era uma coisa que andava para fazer há anos, para memória futura, e o texto de Sócrates deu-me a desculpa e o empurrão de que precisava, o que lhe agradeço.

    Nada do que aqui expus me vai impedir de continuar a acreditar e a defender que tudo o que agora estão a fazer-lhe é uma barbaridade politicamente motivada e que, das acusações que lhe fazem, não vi até agora qualquer prova. Não vou ignorar as asneiras que fez no passado e me afectaram pessoalmente, mas não posso chamar-lhes o que não são. Houve ali opções de governação oportunistas, levianas e erradas, politicamente criticáveis, mas não crimes, e eu seria um ressabiado cobardola à la Boliqueime se usasse os meus agravos pessoais para dar mais umas biqueiradas num homem que já está no chão, a quem destruíram a vida e que continua a não dobrar a cerviz. Respeito- o por isso.

  23. Camacho, és um tipo com muita pinta. Vale a pena perder tempo neste pardieiro para encontrar contribuições como estas.

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