Vamos a votos numa quinta-feira: 25 de Abril de 2013

Só na última semana de Janeiro do próximo ano é que os portugueses descobrirão o que é o Orçamento de Estado para 2013. Ao verem quanto dinheiro a menos vão receber pelo seu trabalho e nas suas pensões, depois de tudo o que já perderam desde 2011, o despertar será violento e a rua irá entrar em tumulto ao longo de Fevereiro. Esse é também o mês em que Vítor Gaspar irá anunciar onde se farão os cortes dos 4 mil milhões de euros que vão ser retirados aos serviços que o Estado presta aos cidadãos. Fevereiro, e para nada já contando o que os partidos tenham a dizer ou a calar, é o mês em que o Governo vai cair. O choque de se constatar como aqueles fulanos que recorreram a todas as mentiras, conspirações e ofensas que conseguiram encontrar para levarem Portugal a perder a soberania – assim obtendo o escudo com que passaram de imediato à realização do seu plano escondido de empobrecimento da classe média e devastação da classe baixa – estão decididos a continuarem a sangria financeira e a destruição social fará o 15 de Setembro parecer um passeio de domingo.

Não admira que Jerónimo de Sousa tenha exibido o seu desprezo por essa inaudita manifestação de Setembro em que o Soberano se fez povo unido. Ver a presença espontânea, civilizada e patriótica das bases de apoio do PS e do PSD deixa qualquer proprietário da contestação andarilha a espumar de azia. O sectarismo desta esquerda que se profissionalizou no parasitismo da democracia não tem remissão. Se Marx os conhecesse fugiria esbaforido de conservadorismo tamanho. A cidade não é daqueles que estão contra o presente em nome de um passado sacralizado e de um futuro delirante, é daqueles que acolhem os contributos do passado e as sementes do futuro para fazerem do presente a sua casa.

É bom que haja quem despreze os pobres, quem diga que este país é de madraços e estroinas, quem nos queira castigar porque gastamos recursos públicos a tentar que a Educação e a Saúde cheguem ao maior número de pessoas, quem apenas consiga fazer política pelo ódio, quem ache que a Constituição não passa de um papel pintado com tinta. É bom, mas só porque é bom viver em liberdade. Quanto ao resto, já que se trata de referendar um modelo de sociedade e uma lógica comunitária que levaram perto de quatro décadas a desenvolver, o voto resolve. O voto é precisamente aquilo que o doutor receita para lidar com um Governo que conseguiu juntar a indigência intelectual, a escória das negociatas, o fanatismo ideológico e a violência dos tecnocratas. Uma proeza. E nenhum dia melhor do que o 25 de Abril para decidirmos se é com estes trastes que queremos continuar ou se está na hora de sair do pesadelo e acordar para a vida.

14 thoughts on “Vamos a votos numa quinta-feira: 25 de Abril de 2013”

  1. e não se esqueçam que nos peditórios à porta dos super cada euro de mercearia rende ao estado 23% de iva e 30% de margem para o merceeiro aderente ò seja mais de metade vai directa para os chulos e o restante para a puta.

  2. E acordar para a vida com quem, Valupi? Com o fulgor intelectual, o carácter de lealdade e a experiência profissional e executiva de António José Seguro?

  3. Oxalá, Valupi.
    Não resisto a notar que pareces já aceitar o derrube do governo a mal, que a bem seria lá para 2015 , como estava programado pelo Meio-Seguro.

  4. muitos de nos dizem mal de seguro,porque são muito exigentes na sua avaliaçao.Depois de lideres como mario soares, jorge sampaio, vitor constancio, antonio guterres e por ultimo Jose socrates, inevitavelmente,são levados a fazer comparaçoes.De uma coisa não tenho duvidas,o lider do ps josé seguro,hoje a liderar o pais,não tinha tanta insensibilidade social e falta de competencias para a função como passos coelho. o estatuto de incompetente do actual Pm, não lhe permite mais do que se por de cócoras perante perante os escriturarios do fmi e bce e de “calças em baixo” na frente da dona merkel!

  5. De jeronimo de sousa nada podemos esperar,acabou-se a imaginaçao depois do afundanço a” leste do paraiso”.o problema, são os gajos que cá temos a deliciar-nos com as suas estorias do tempo que nunca lá passaram! Presto aqui a minha homenagem, aos milhoes que morreram pela causa da liberdade nesses paises.

  6. ignatz, vi o nojo.
    Compreendamos a Isabel Xoné: a dótora beata bafienta está em campanha de angariação/alargamento da clientela do Banco Alimentar. Quanto mais pobrezinhos, mais garantido o papel social do Banco, a caridade. Mas justiça lhe seja feita, faltou-lhe o tempo de antena para explicar aos cidadãos como beneficiar da dita caridade. Eu sei como se faz, que já me explicaram de dentro do próprio BA (um demissionário). A pessoa só tem de se inscrever (caso não pertença) na paróquia mais perto de si (ou organismo ligado à igreja central) e está automaticamente habilitada a um pacote de arroz e um de bolachas, devidamente acompanhados da Palavra do Senhor (porque nem só de pão vive o Homem).
    E todos ganham – uns em propaganda, outros em sobrevivência e a Isabel ganha o reino dos céus. É um win/win, tás a ver?

  7. Tenho de penitenciar-me. Hoje, dia de S. Pensão, degluti bife. Mais propriamente um bitoque. Oh inclemência, e com um tété a cheval.
    Na realidade a Dra. Xonet apenas verbalizou uma ideia que cada vez faz mais escola nos nossos orgãos de comunicação social, o elogio da pobreza e a substituição de algumas das funções assistenciais do Estado por caridadezinha com o ojectivo, conforme a própria afirmou, de impedir as pessoas de se revoltarem.
    Escorada na interessante ideia (onde é que eu já ouvi isto ?) de que as pessoas não podem sequer pensar em viver um terço da sua vida penduradas numa reforma, a Dra. Xonet condena-nos ao empobrecimento. A Dra. Xonet quer os probezinhos enquadrados ao grito de “Pobres aos seus lugares”.
    Repito, juntemos este discurso a outros. Juntemos este discurso a outro de um bem sucedido homem de negócios entrevistado na última quarta-feira pelo Gomes Ferreira que se viu na obrigação de o moderar tal o extremismo das suas opiniões. Acaso? Não o creio. A direita mais extremista, junto à qual a Democracia Cristã faz figura de perigosa esquerdista, está a ajustar contas com a história e com o país que teve o topete de, após 1974, exigir três refeições por dia, ter casa própria ( a preços e juros especulativos), mandar os filhos para o Liceu recusando as Escolas Técnicas que deveriam ser o seu lugar natural e, naturalmente, comer bife.
    Culpa da Dra. Xonet? Culpa dos jantares assistenciais e das iniciativas caritativas que no fim doam 1€ por cada refeição para uma organização de caridade (Sim, convém não habituar mal os pobres, não vão eles gastar à tripa-forra o dinheiro e comprar um Alfa Romeo)? Não, culpa nossa que não conseguimos deixar para trás o que nos divide para valorizar o que nos une.

  8. a santa isabel jónette cuspiu na sopa que dá aos pobres em directo, ao vivo e a cores, entrementes as comissões de desagravo & interpretação das palavras da santa já são mais que muitas. só sei que não gostaria de estar na pele dos filhos, aparentemente mal educados, porque lavam os dentes com a torneira aberta, enquanto que a mãe poupa no xampú não lavando a cabeça (dela), que a dos outros bem tenta.

  9. “É um win/win, tás a ver?”

    edie, não tou a ver nada, fiquei turvo com a lata desta gaja e não quero ouvir falar de banco alimentar, bpi e ami nos próximos tempos. por mim acabaram as pedinchices e os depósitos a prazo, vão gozar com a tia deles e rezem para que não lhes assaltem as casas.

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