Um pide em campanha

A 24 de Setembro, Rui Rio fez afirmações confusas no reino dos Algarves, atabalhoadas pela emoção e falta de preparo. Foi uma juliana de alusões ao Governo, a camionistas e a professores à mistura com algo não identificado que iria acontecer nos próximos dias, servindo a rábula apenas para repetir enfaticamente as expressões “golpe de teatro” e “encenação”; um léxico codificado cuja cifra ele já possuía mas que ainda não queria partilhar com a malta. Algumas notícias interpretaram as suas palavras como sendo o anúncio de vir aí a caminho o tal “golpe de teatro”, mais uma “encenação” dos diabólicos socialistas, só restando saber relativamente a quê. Agora, sete dias depois e após a direita ter afundado a campanha na chicana e chiqueiro de Tancos, é possível interpretar claramente o que o homem estava a dizer. Rio não profetizava qualquer acção do Governo, antes fazia referência obscenamente implícita à divulgação iminente da acusação do caso Tancos, antecipada pela Rádio Renascença no dia anterior – numa violação ao segredo de justiça preparada para coincidir exactamente com o início da campanha eleitoral. Neste quadro judicial e político, sem sequer haver publicação da acusação, e logo ao 2º dia de campanha, Rio fez sua a tese dos procuradores responsáveis pelo processo e declarou que o Governo foi não só conhecedor como cúmplice activo e interessado no processo de recuperação das armas roubadas em Tancos e das variadas ilegalidades e mentiras que foram descobertas pelo Ministério Público. Era esta “encenação” que estava em vias de ser declarada oficialmente “verdadeira” com o selo da Procuradoria-Geral da República, festejou um candidato a primeiro-ministro incapaz de conter a pulsão assassina.

Vale a pena ver e ouvir os registos originais, à prova de estúpidos e pulhas: TVITSF

Faz sentido político registar como este comportamento de Rio é não só contraditório como antinómico com o que jurou ser a sua convicção mais profunda dias antes no debate com Costa, assim como noutras ocasiões logo desde a campanha para a presidência do PSD. Esta pessoa que prometeu ir fazer uma campanha sem berreiro e chungaria, antes com racionalidade e propostas melhores do que as dos restantes partidos, que garantiu ter uma vida inteira na defesa da democracia e de certas causas ligadas à Justiça, chegou ao ponto de proclamar com rugido homérico ter entrado na política aos 16 anos, antes do 25 de Abril, para combater os julgamentos na praça pública, “nas tabacarias e nos ecrãs de televisão“. O cidadão que colocou a actual Justiça de um regime democrático ao nível da do Estado Novo, contudo e já sem nada no alforge da decência, revelou-se um biltre ao ficar em êxtase por existir um SMS ambíguo captado pelas forças policiais a um político. Um SMS que ele Rio não faz ideia do que possa querer dizer posto que não é investigador do MP ou da Judiciária, posto que não foi testemunha dos factos na berlinda, mas o qual lhe iria permitir lançar acusações tóxicas, caluniosas e vexatórias das instituições da República e do bom nome e honra de terceiros.

Só que faz ainda mais sentido, agora cívico, registar como Rui Rio se expõe na sua absoluta incapacidade para assumir as responsabilidades inerentes à chefia de um Executivo. As acusações ao Ministério Público que se transformam de um dia para o outro em elogios assim que dá para aproveitar a munição colocada à sua frente por essa rapaziada mais dada à paixão da Ciência Política (escola da Católica) do que à leitura e respeito da Constituição, as acusações alucinadas às empresas de sondagens que desaparecem logo que mudam os números substituídas por inacreditáveis e primárias manifestações narcísicas, o despejo de teorias da conspiração canalhas contra o PS que são rebatidas pela TVI sem originarem do canalha em causa qualquer pedido de desculpas ou vagido de responsabilização. É este cata-vento, finalmente desmascarado como retinto e desprezível hipócrita, que queremos em São Bento a disparar atoardas e tonteiras deste calibre?

Rui Rio e Cristas querem fazer das eleições de 6 de Outubro um pelourinho onde o PS será castigado por Azeredo ter escrito numa mensagem pessoal “Eu sabia”. Saber a que é que ele se referia não interessa para o seu julgamento. O crime está provado, ele teclou “Eu sabia” no seu telemóvel e o Ministério Público já fez a hermenêutica autêntica, tornando-se irrelevante o que o próprio Azeredo tenha a dizer sobre os seus actos de fala. PSD e CDS não querem que se saiba mais nada, põem as brasas todas na acusação do caso Tancos e berram que o que ela contém já chega para irmos a votos e escolher como é que a Saúde, a Educação, o Ambiente, os Transportes, a Segurança, a Justiça, o Trabalho e a Economia, entre outras dimensões da nossa vida comunitária sem grande interesse, devem ser governadas. Podemos pois concluir que não é só a Justiça que lembra o salazarismo, também na direita há pides em campanha.

18 thoughts on “Um pide em campanha”

  1. Desde aquele discurso, em que afirmava que não existiu fascismo em Portugal, que só se deixa enganar por esse senhor quem quer.

  2. Excelente apreciação sobre o “droguista” R. Rio que, não passa de um “troca tintas”!
    Já o Miguel Sousa Tavares na TVI teve oportunidade de quase desmontar a debilidade
    da acusação sobre Tancos e que, o SMS tão falado é uma mera suposição dos procura-
    dores, que se referia ao modo como foi recuperado o material roubado!
    Outro aspecto em que, o C.S. do M.Público, se devia pronunciar é sobre a bondade
    da data escolhida para a acusação (abertura da campanha), dizem que tudo estava
    pronto em fins de Julho? Porquê no limite do prazo até porque, como já ouvimos
    para esta entidade os prazos da Lei são meras indicações!?!

  3. Bravo, excelente espantalho de palha … : )

    “ berram que o que ela contém já chega para irmos a votos e escolher como é que a Saúde, a Educação, o Ambiente, os Transportes, a Segurança, a Justiça, o Trabalho e a Economia, entre outras dimensões da nossa vida comunitária sem grande interesse, devem ser governadas. “

    Pois, não dizem nada, porque isso seria “ relambório de tansos “.

    “ a Saúde, a Educação, o Ambiente, os Transportes, a Segurança, a Justiça, “

    A aquilatar pelo número de greves nesses sectores, tem ocorrido boa governação .
    Mas isso é “assumpto” que o governo remete para concertação social .

    “ o Trabalho e a Economia, “
    têm sido governados de acordo com a orientação do governo anterior . Por imposição da troika, ou, da alémdatroika .
    “ A direita agradece “ .
    Isto, já é matéria de CONSERTAÇÃO social .
    Coisa que, o PS, não fez. Não reverteu .
    É “assumpto” “insolúvel” “não há detergente “ .

  4. Fode-te, simplório de mérdia, vai vomitar azia para o CARALHO mais velho. Todos já te topámos, ó filho da puta!

    Vê-se à légua que és apenas mais um daqueles bó-bós que precisa da gamela do Estado para organizar a sua vidinha, sempre à custa do voto dos Tanços, mas sabes bem que para ti essa chucha já secou, javardola. Faz-te à vida, CABRÃO!

    Olha e de caminho lava a cona e pergunta aí no bordel que importância tem ou terá algum dia esse palhaço triste chamado rui rio. É que a conaça da Cristas já não intruja ninguém, mas este ainda teve um dia um sonho lindo, que findou…

    O Diabo que o carregue, como ao outro.

  5. Ó Riozinho, não eras a favor da rejiunalisaçom? Experimenta criar a Liga Norte e candidata-te lá a presilhas, pá! Fazias melhor figura do que andares a fingir que estás ao nível de entrares na Champions, meu…

  6. Ai, Agostinho, ai, Agostinha, que rico binho…
    Bai uma pinguinha?
    Este PSD perdeu o tino, a armar ao fino!
    Este PSD é um colosso, está tudo grosso…

  7. Rio forjou um perfil mais “respeitável” do que os do Paf; afinal não era como o Passos ou o Santana. Gozou da falta de escrutínio à sua atuação como autarca. Homem de carácter… oh, ingénuos!
    Assumiu hipocritamente a crítica à ” justiça de tabacaria”. Preparou antecipadamente o ataque, conhecendo bem o apetite de acusadores, que não querem perder oportunidade de marcar a agenda e entrar na disputa política. E interferir nela. Vivemos em regime sujeito a regras democráticas, onde é suposta a separação de poderes. Será?
    Foi tudo planeado.
    Despudoradamente, fartou-se de elogiar a magistratura, que tanto criticara, dias antes. Era preciso ter lata. Ele tem-na.
    Por fim, ele que tanto despreza a vida parlamentar, (é candidato a deputado, mas não quer sê-lo) voltou a ser o cata-vento do costume. Quer aproveitar-se justamente do Parlamento para a sua campanha suja.

  8. “ A 24 de Setembro (…) em campanha “

    O texto valida as afirmações, ou as afirmações é que validam o texto ?

  9. Pide, o Rio ?
    Figura de pide, faz quem mandou os bancos informar à autoridade tributária os saldos bancários das contas dos cidadãos.
    Foi Costa .

  10. Comentário de

    Rio Seco
    1 DE OUTUBRO DE 2019 ÀS 9:35

    À consideração da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Selvajaria na Internet .
    Autêntico exemplar de uma favelada chuchialista .
    Atenuante : à falta de pior argumento, só podia vomitar aquilo . Não tem talento para mais ( nem para menos ) .

  11. Se o meu faro não me engana, este “simplório”, pelo estilo, lembra-me um passarão direitolas que em tempos por aqui andava amiúde, um tal de eric, por aqui, FRC ou Arthur por outras bandas. És tu, pázinho?

  12. Simplório talentoso,
    o que tu tens sei eu muito bem, sabemos todos e é por isso que nem tu, nem os que têm o que tu tens nos conseguirão mais enganar.
    Percebes, parolo, ou falei depressa de mais?
    Mete esse arremedo de talento todo pela peida acima e olha, bó-bó, volta lá para a África Minha, que é donde tu mentalmente provéns. Lá até podes meter muitos mais talentos nessa bilha, que tos devem estar a dever há para aí uns 45 anos, pelo menos…
    Volta sempre, carochinho!

  13. rui rio, precisa sempre de uma MULETA para alcançar os seus objectivos.quando ganhou a Câmara do Porto pela 1. vez, fernando gomes o presidente, tinha sondagens na casa dos 50%. .o Porto candidatou-se a cidade capital da cultura e o executivo de fernando gomes em funções, meteu mãos à obra e deu um grande volta à cidade na area de jardins,passeios ruas e avenidas. estas obras causaram transtorno a toda gente principalmente aos comerciantes. para defender esta classe, surge a dona laura ,presidente dos comerciantes que sem o mínimo pudor e por ser direita organizou uma campanha contra as obras e o presidente da Cãmara fernando gomes. RUI RIO foi o escolhido pelos barões para candidato, porque nenhum quis ir a votos com fernando gomes . resumindo: a dona laura transforma um candidato perdedor,no presidente da segunda Camara do pais.e assim, nasce um politico que agora quer ser primeiro ministro!só que agora, não há obras e a dona laura ou está muito velhinha, ou já não pertence ao número dos vivos!

  14. nota: a muleta do rui rio agora é Tancos.tenho a dizer-lhe que os portugueses estão-se Cagando para esta manobra politica!

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