Um bravo

Duarte Schmidt Lino apareceu a defender Pedro Lomba, seu colega de blogue e, presumo, amigo. A defesa é pícara, arrebatada e termina como começa: desafiando-me para um duelo. Ele quer a minha identificação, como ouvíamos amiúde na rua aos bófias até aos anos 80, e já anunciou o que vai fazer com ela: averiguar o meu percurso em ordem a comparar os méritos intelectuais entre os dois outros vértices do triângulo fantasiado. Por outro lado, manifesta estar num estado de confusão, não lhe parecendo possível que um só indivíduo consiga ter registos tão variados como os que detectou no meu opus. Seja como for, consegue imagens notáveis, como essas onde diz que eu ofendo pelas costas, que um anónimo amanhã — ou mesmo hoje — pode vender a alma noutra freguesia do lado oposto da cidade, que a ganância furiosa não sei quê e, naquele que é um invejável rasgo de estilo, que tenho a estatura moral de um frango depenado. Estou convicto de que este complexo símile do frango depenado não ocorre com facilidade ao homem comum.

Que terá atiçado a testosterona do Duarte? Talvez a iliteracia, pois no diz-que-disse em relação ao Lomba falha o alvo: eu falei de casas, ele fala-me de tachos. Todavia, não serão estes detalhes hermenêuticos a estragar a festa. Quando se convocam ameaças de processos, e uppercuts no focinho, o meu interesse está garantido. De resto, estou muito curioso em conhecer um tipo que não admite a expressão indigência mental, para mais no contexto de uma crítica a um escrito público, mas que convive apaziguado e feliz com esta coisa.

Sendo assim, ó Duarte, escreve-me para o email do Aspirina e indica onde queres o encontro, depois será só acertarmos o dia e a hora. Também podes levar os amigos, caso temas dar por ti cercado de Valupis. Nessa ocasião, poderemos discutir com vigor e audácia a problemática da minha identidade e outras questões que julguemos pertinentes.

36 thoughts on “Um bravo”

  1. Que saudades que eu já tinha do Aspirina e do Val, o único Blogue socialista tolerável, onde ainda impera a democracia

  2. e Vlupi se puderes perdoa-lhes, assim nas horas vagas. Livra-te de eu saber que não andas a dormir bem, aí ico com um pretexto para te raptar, alavancado no meu conceito de bem comum (temos de defender os valores pátrios) e olha que tenho uma tusa do demónio, torna-se indecidível descobrir se é paraíso ou inferno,

    mas portanto deixa cá ver, eu tinha optado por ignorar esta gente, agora se se metem com quem eu gosto mesmo quando não concordo, isto já pia mais fino,

    será que são todas anais retentivas?

    vou-lhes encomendar um ataque de hemorróidas, ou honrando o nosso camarada Afonso y sus corsarios: al’morróidas.

  3. Duarte, belo nome, assim já todos conhecemos o autor de tão interessante posta de pescada. Quem não sabe quem é o duarte?

    Mas Val, não lhes o nome, nem a morada, nem o telefone, que isto não me parece boa gente!

    E escreve tão bem…até diz despoletar, que por acaso não existe na língua portuguesa. O que existe é espoletar, que quer dizer pôr a espoleta em (normalmente aplicado a granada).

    Prontos, é assim ca malta escreve nos meios de comunicação social oficiais e outros…
    Sabem muito e até têm este argumento fantástico à marialva- “anda cá se és homem”.

    Uma pessoa fica logo a ver que a espoleta deles é perigosa e o melhor é tar caladinho.
    E se falas é porque és pago…corrupto!!!

  4. Lá estarei tambem de cadeirinha de rodas ou de andarilho e não me vou esquecer do oxigénio.E se tiver sorte darlhe-ei umas cachaporradas na tola com a muleta.Posso ser entradote, mas ainda tenho tusa .Um grande abraço.

  5. Lembrei-me daquele livro delicioso do Mário de Carvalho, “Contos do Beco das Sardinheiras”, em que os personagens passam o tempo todo a confundir género humano com manel germano. Estes também parecem ter saído dessas histórias…

  6. Bravo Valupi.
    És o maior. Lembras-me o Gary Cooper, aquele dos filme de cowboys, ele era o maoir, uma vez num filme, ele montado no cavalo, 300 mil índios à direita, outros tantos à esquerda e o Valicooper sózinho…
    força, dá-lhes na cabeça, conta comigo que eu ajudo.

  7. Valupi: já estava ali a esticar um dedão e resolvi vir cá. Não cedas à tentação de te desanonimizares se queres manter a tua capacidade de influenciar a vida e agenda política. A tua coragem será posta à prova mas é ao contrário, metade do teu efeito impactante é a qualidade e persistência da tua verve, a outra é o mistério Val.

    Chamam-te cobarde para te desinquietar naquilo que poderá ser o teu ponto fraco: provar a tua coragem ad limite. Ora essa prova-se não cedendo, dá-me idéia. Lembra-te do Seven.

    bem, entretanto cá estarei se por acaso o filme for este, mas bem dormido no entretanto. Ou pelo menos farei por isso.

  8. Eu conheço um Duarte Lino, mas não é Shit, coitado. Nem todos podem…

    O que é que eu fico a saber sobre a alma de um necas que me revela, sem eu lhe pedir, que se chama Duarte Shit Lino?

    Que gozo me dá isso?

    O que é que adianto?

    Que proveito tiro eu de conhecer o nome de um pateta, ainda por cima amante (no sentido místico do termo) do Lomba, o novo nhonga do Belmiro?

    Para que me serve essa intimidade indesejada com o amante do Lomba?

    Duarte Shit Lima para mim é sinónimo de spam, bites de esgoto, lixo da blogosfera.

    Val, não sujes as mãos com merdosos.

  9. Qualquer dia não tens mãos a medir, talvez não seja má ideia afixares aí do lado direito uma lista de espera dos Val-entões.
    Não dês conteudos a idiotas Val.

  10. Uma dica ao Lomba e a todos os que querem o DNI do VAlente Valupi ou seja do Va… Lu…Cas Pi…res.

    Abraço, é só rir.

    Este Blog Vicia, é dos bons…

  11. O xy tem razão, a partir do momento em que estes merdosos tenham oportunidade para julgar uma pessoa, não pelas suas ideias, que aí perdem sempre, mas pela sua vida pessoal, o que fez, o que faz, com quem dorme ou não, quem conhece, de quem é amigo pessoal, tá tudo tramado. A coisa começa a perverter – é por não conseguirem apresentar argumentos lúcidos no campo das ideias que para eles é tão importante saber o resto.

    Basta ver o tipo de argumentação anti-sócrates que utilizam…

  12. pois, mas temos de fazer algo. Ainda não sei bem o quê, vou ali perscrutar noutra dimensão. Até lá é isto que o Val e outros fazem: denunciar, desmontar, mostrar,

  13. É assim a vida…

    Foram muitos anos de ditadura e a democracia não existe por decreto. Ou está dentro de cada um, e dos seus grupos sociais, ou então ficam com vontade de silenciar os que deles discordam. Se não me engano, era o que acontecia no antigo regime.

    Talvez sejam necessários mais um par de anos para que se deixe de falar em democracia e a praticar a democracia.

    Só uma curiosidade. Ontém, o bastonário da OA, em lugar de democracia falou em “estado de direito como cimento da Republica”. Pareceu-me haver naquelas palavras a fuga à palavra democracia.

  14. “…a partir do momento em que estes merdosos tenham oportunidade para julgar uma pessoa, não pelas suas ideias, que aí perdem sempre, mas pela sua vida pessoal, o que fez, o que faz, com quem dorme ou não, quem conhece, de quem é amigo pessoal, tá tudo tramado.”

    Edie, finalmente vejo aqui um gajo que coloca os camaradas de blog, e postadores mais assíduos na ordem!

    Parabéns!

  15. Murphy,

    para já não vês gajo nenhum porque eu sou gaja; depois: tens alguma ideia que queiras demonstrar?

    Se não for o caso, o meu tempo para ti esgotou.

  16. desculpa Edie, não pretendia ofender…mas pareceu-me, se queres ser coerente, que estarias tmb a criticar os teus “colegas postadores”, ora vê lá o esmero dos seus argumentos:

    “…o que eu gostava de ver era dares na lomba do lingrinhas do lomba.”

    “…Todos ao c… do lomba…”

    “Que proveito tiro eu de conhecer o nome de um pateta, ainda por cima amante (no sentido místico do termo) do Lomba, o novo nhonga do Belmiro?”

    “Que saudades eu tinhas destas ferroadas nos traseiros destes patetas alegres.”

    enfim… fica a pergunta o que distingue os teus “camaadas” de quem estavas acriticar?
    ” é por não conseguirem apresentar argumentos lúcidos no campo das ideias que para eles é tão importante saber o resto. “

  17. Carmen Maria,

    Tens toda a razão, o Estado de direito deve ser um instrumento ao serviço da democracia. Se a subverte, perverte e sei lá que mais verte, deve ser reformulado e saneado.

    Um exemplo: se é verdade que aquele juiz Rui que tem o ‘muito bom’ suspenso cometeu erro grosseiro ao mandar o Pedroso para a prisão, e isso levar justamente a uma indemnização por parte do Estado ao lesado, por efeitos do direito de regresso deve ser o juiz a repôr a maquia do seu bolso.

    Mais: a questão fundamental é que os juízes sejam julgados superiormente se cometerem atropelos e abusos face à lei. Há o Conselho Superior de Magistratura, mas é um organismo do sistema. Também há o Provedor de Justiça mas não me lembro de nenhum caso em que um juiz foss chamado a responder, mas talvez tenha havido.

    Devia haver outras instâncias que por emanação dos cidadãos poderiam accionar os juízes para estes responderem em tribunal se fôr o caso. Afinal os juízes não podem estar acima da lei. Nem o rei de Esparta, pela Lei, podia contrariar o oráculo lá do sítio.

  18. Murphy, Murphy…o aspirina é um espaço de ideias…não viste nenhuma por aí?? Mas isso não quer dizer que não haja espaço para a indignação. Quando te mandam àquela parte, vais debater toda a teoria filosófica que tal frase envolve ou calas-te ou quê?

    Vá lá, com um pouquinho de boa fé, hás-de admitir que a tua análise do blog é, no mínimo, redutora.

  19. vá, não se chateiem demais que somos precisos todos, andei a tarde toda a moer intermitentemente nisto. Temos de organizar uma rede de blogues em defesa da democracia e dos corajosos V, e de todos nós afinal.

  20. x&y (já estás com quase tantos heterónimos como o Pessoa),

    há quem lhes chame os blogs agregados :)

    pronto, deixa seguir, tens razão, e está quase na hora do xonex :)

  21. ando com jet-lag no heterónimo, mas pronto, já quase passou. Sempre gostei do terceiro incluído, fica o &, mas deixa-me assim a modos com uma ressonância comercial, não? Só espero aterrar neste uns tempos mas ainda não percebi se gosto.

    agora com o xonex tens toda a razão, estava aqui a catar uma pulga mas até já tou pisco :)

  22. oh z desculpa lá , mas aí no brasil os teclados não têm z? z…y..x..ou não me digas que vais soletrar o abc de trás prá frente? ou andas numa de 007? vá , cuida-te.

  23. So hoje leio o texto idiota do tal Duarte S.

    Desculpem se alguém ja disse isto, mas o que assusta e preocupa é o raciocinio e o que esta subjacente. Valupi escreve sobre um texto do Pedro Lomba a dizer que manifesta indigência mental e, em vez de discutir o juizo confrontando-o com o texto, vamos procurar medir curriculos e pilinhas.

    O’ Duarte S, eu tenho nome, escrevo em meu nome, e digo-te que, quem quer que sejas, o que escreves é estupido. Não por causa daquilo que és, ou que possas ser, que não me interessa nada, mas por causa daquilo que escreves, que é aflitivo de imbecilidade e que mostra que não sabes o que seja sentido critico, nem percebeste para que serve o orgão que carregas no crânio.

    E se eu por acaso não tivesse nome, o que esta aqui escrito não deixaria de ser verdade…

  24. z, a.k.a xy, a.k.a x&y, a.k.a &,

    Tens a certeza que queres permanecer um rapaz simples? É que lembrei-me que fica bem assim: z de x e y. Tás a ver, tipo Francisco de Araújo e Silva. E ainda podemos tornar a coisa mais fina com um hífen: z de x e y-k.

    Também podes compôr um zyx ou um xyz…Olha, não sei, resolve lá isso, ou não:)

  25. Edie,

    Em resposta ao teu repto, voltei ao blog à procura de ideias.
    O meu diagnóstico é o seguinte: o texto do Lomba refere um facto incontornável – o critério acerca no nível de escritínio a que titulares de cargos públicos devem estar sujeitos é totalmente distinto se quem está em causa é, ou não, da minha “tribo”.

    E esta ideia merece ser debatida. O nível de desenvolvimento de pessoas, ou sociedades, está directamente relacionado com o grau de objectividade que colocam na discussão de assuntos (principalmente os que vão contra os seus gostos ou convicções pessoais).

    O que vi foi uma data de “questões” pessoais…mas, admito, o diagnóstico talvez resulte da minha visão redutora.

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