46 thoughts on “Teste aos que, como eu, são contra a pena de morte seja qual for o crime”

  1. pois, eu também não adiro muito, sobretudo ao final, mas gostei de ler, e tem algumas coisas que dá que pensar. As coisas que eu ponho aqui é para partilhar, não ssão declarações de fé, excepto no que se reporta a pastar.

  2. bem, é normal que possamos ter aqui alguma polémica, eu gostava, só que agora vou sair e só volto tarde. Se quiseres esgrimir começa, mas só posso responder logo – há partes do artigo dele que eu acho pertinentes pela positiva,

  3. Este artigo do Baptista-Bastos é engraçado.. deixa transparecer uma nova realidade, realidade essa que é diferente de pessoa para pessoa, o que acontece é que como seres biológicos somos comandados por regras físicas e químicas, que se combinam com os factores externos juntamente com os factores internos e formam uma identidade.. factores biológicos idênticos identidades idênticas.

    Desta forma, concluo duas coisas em parágrafos diferentes, a primeira, é que não concordo totalmente com o artigo de Baptista-Bastos mas sim parcialmente, porquê? Porque se lermos o artigo existem partes acertadas e outras simplesmente descabidas. Isto é, logo no primeiro paragrafo concordo com tudo até a um ponto, esse ponto chama-se exagero. Quando Baptista-Bastos afirma que os media não se baseiam em princípios meramente abstractos, tudo bem, tem razão, agora a meu ver o primeiro exagero que faz (para além do titulo) é quando afirma que a violência que está a ocorrer “põe em causa não apenas a face social do País como favorece a emergência de ataques à liberdade, em nome da segurança.”, este sim foi a premissa mais exagerada do artigo, e claro, existem outros ao longo do texto/artigo que também não concordo mas que são mais discutíveis, ou seja, menos exagerados. Como por exemplo quando garante que os “laços sociais foram destruídos e o homem “moderno” encerra-se em si próprio, indiferente não só ao “outro” como relapso aos assuntos públicos.” são afirmações muito mas muito subjectivas sem qualquer ponto onde se segurar, mas que no fundo é uma perspectiva diferente da realidade.

    Quanto ao assunto relativo à pena de morte, bem esse sim, tem mais que se lhe diga, mas vou dizer menos.. pelo simples motivo de saber que é uma questão que nos ultrapassa. Se por um lado todo o individuo tem direito à vida segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos, por outro até que ponto deve ir a pena quando o individuo não cumpre, e até (será que podemos considerar assim?): ataca o direito que todo o individuo tem à vida. São questões que provavelmente não têm uma resposta naturalmente universal.

  4. Mantenho-me sempre CONTRA a pena de Morte, apesar da dureza do teste. Penso ser uma convicção inabalável: a pena de Morte, admitir uma tal penalidade na Lei, é mil vezes pior do que matar alguém.

    Não garanto é que, perante uma situação como a do teste, não tentaria fazer “justiça” por minhas próprias mãos e por minha conta própria e risco, se tivesse uma boa oportunidade…

  5. Diga-se que isto também é nojento:

    «Judge Edward Lodge overruled Duncan’s objection, as well as a last-minute request from Steven Groene, Shasta and Dylan’s father, to close the courtroom to everyone but essential court personnel and one news media representative.»

    Faço minhas as palavras do Marco Alberto Alves (nome cheio de pinta, hein?).

  6. Aberração, aberração é este lixo de mera forma humana não ter sido enforcado há muito tempo. Para crimes hediondos e crimes contra a humanidade, só a forca, e sem delongas, como em Nuremberga.

    Se o infeliz rapazinho fosse teu filho, Valupi, o que é que fazias a este lixo humano, se lhe pusesses as mãos em cima? Se o matasses, depois arrependias-te?

    E a que pena condenavas os ditadores sanguinários do século XX, responsáveis pela morte de dezenas de milhões de seres humanos? Prisão perpétua? Com ou sem direito a liberdade condicional? Ora abóboras, Valupi!

    Vejo que te deixaste convencer pelos anjinhos de pau carunchoso que pregam contra a “cultura de morte”. É uma superstição de gente hipócrita e fanática que, no passado, já exterminou milhões, ou viu exterminar, encolhendo piamente os ombros.

  7. Wilson Mcarmo, tens aí uma boa análise ao artigo do BB.
    __

    Marco Alberto Alves, é isso. Uma dualidade que parece irremediável.
    __

    Primo, bem observado, embora desconheçamos o contexto da decisão do juiz.

    __

    Nik, ora aí é que está: se o filho fosse meu (ou se eu fosse familiar/íntimo de qualquer uma das outras vítimas, e há muitas no caso deste maluco), eu não estaria em condições mentais para elaborar leis. E tenho a certeza de não defenderes que a legislação e jurisprudência devem ser obra dos ofendidos ou lesados, muito menos regerem-se pelo exemplo das suas vinganças. Foi desse caos que se veio penosamente até à Justiça ao longo de milhares de anos, muitos milhares.

    Como é inegável, ninguém está em condições de garantir o que faria perante violência tamanha. É inútil discorrer sobre esse cenário, dado que ultrapassa as nossas capacidades de previsão.

    Agora, tomando o assunto intelectualmente, a pena de morte é algo que não me parece trazer qualquer benefício. Os seus riscos (enganos factuais e impossibilidade de eventual arrependimento) não justificam a ilusão de erradicação do mal. Não há nexo absoluto entre a pena de morte e a diminuição do crime contra a vida, ou qualquer outro tipo de crime.

  8. Nik, lá estás tu pá, ainda por cima chamas-me de pau carunchoso e te garanto que não tem caruncho, não.

    Uma coisa é eu, fora de mim, matar pelas minhas mãos uma besta destas, outra coisa é o Estado. São instâncias totalmente diferentes. Pelos meus actos respondo eu, sano ou insano. Pelos actos do Estado responde a História, quando muito.

    Subscrevo no geral as palavras dos bem vindos comentadores acima.

    Eu concordo em boa parte com os riscos do que o BB aponta. Não concordo nada é com o vector da conclusão – os portugueses não são mobilizados porque são desprezados. Ou seja lá ficamos: nada a fazer, tadinhos dos tugas que se preocupam com o bem comum porque são desprezados e portaanto compreende-se

    Pois são desprezados e depois? Talvez lá mais para a frente sejam louvados, e mesmo que não sejam

  9. ui, saltou,

    … e portanto compreende-se que não sejam mobilizados….

    O caralho!

    Como dizia o Pensamento do Marco Aurélio que botei ontem – meu homem faz o que a tua natureza e consciência ordena, segue,

    já que temos outro Marco por aqui calha bem.

  10. Eu, ainda era um jovem nesse tempo, vi um vez um filme. Era um bom filme, até metia o John Wayne e tudo e passava-se no Oeste. O xerife lá do sítio enforcou um tipo, cheio de má pinta, isto depois de alcatroar o tipo, o tal da má pinta e cobri-lo de penas. Quer dizer, esta parte de mandar alcatroar o tipo da má pinta se calhar foi noutro filme, mas achei que era uma boa imagem, um tipo com má pinta alcatroado e com penas de galinha em cima do alcatrão quente.

    Maneiras que o tipo de má pinta foi enforcado porque o xerife tinha provas irrefutáveis de que o tipo tinha morto uns rancheiros. O filme foi passando, e tal, e aí a meio do filme, já o tipo de má pinta estava em decomposição acelerada, ali pelo Oeste os vermes eram extraordinários no que concerne à decomposição dos corpos, aí a meio do filme, dizia eu, descobre-se que afinal os rancheiros tinham sido mortos por outro tipo, vamos imaginar que era um tipo com boa pinta, para diferenciar do outro, o que foi enforcado.

    E, desde esse dia, até me dá os nervos de pensar que o xerife se tinha enganado, decidi que era melhor ser contra a pena de morte.

    E perguntam vocês, Comendador, e se aquele miúdo da notícia fosse seu(*)filho? É, efectivamente, uma boa pergunta. Não descansaria enquanto não tivesse enfiado um tiro nos cornos do gajo. Simples.

    (*) Isto do “seu” não se aplica ao Caro Valupi, evidentemente. O Caro Valupi perguntará “Comendador, e se aquele miúdo da notícia fosse teu filho?

  11. Valupi & Z, os temas da pena de morte, bem como a prosa do BB, citado por Z, são em si mesmas correlativas e dependentes.

    BB faz uma sopa opinativa “desigual”, e estranha, na forma e conteúdo. Se não é sopa é caldeirada e da má.

    A sua última citação é um “luxo” de destempero, crava uma valente farpa no autor do “Equador” sem o citar. Não lhe conheço cobardia, mas que lhe faltou garra não existem dúvidas.

    No mínimo, não deve largar mão da coerência quando citar alguém, siga a doutrina que proclama. Ou é só pelo estilo?

    Coisa séria é a morte, podemos ser ateus e reconhecer enormes méritos a todas as crenças.

    A tradição explica melhor o tema do que o moralismo da moda.

    Sempre ouvi dizer aos mais velhos, ” tiveste mais sorte que o Diogo Alves”, (WIKI)
    segundo consta, o último executado pela justiça do Estado em 1841, quando se escapava “à justa” de um destino azarado.

    Ver também -frenologia-, aí podemos observar por que caminhos andou a ciência
    dos homens, suas convicções e doutrina.

    O Diogo Alves tem os miolos no museu de medicina ( ainda hoje) e consta que era “um homen de ar tranquilo”.

    Bons sonhos.

  12. Eu acho que um cabrão destes tem mesmo que ficar vivo e ser confiado, depois de exibida a “película” à população reclusa, aos cuidados da população prisional de Pineiro da Cruz.
    Depois de mortos já não lhes dói…

  13. Pinheiro da Cruz.
    Tenho uma filha e estas merdas são mesmo um teste.
    Mas para a punição destas aberrações prefiro manter a cena em lume brando.

  14. Valupi, eu desejo que haja pena de morte para crimes hediondos, mas com legislação feita por legisladores! É mesmo isso que eu quero!

    Mas entendeste muito bem o que eu te disse. O verdadeiro teste não é o que tu apontas, é este: se te tocar à porta, como é que tu reages? Porque com o mal dos outros podes tu bem. Ser generoso e liberal e misericordioso e revolucionário à pala da dor e da desgraça dos outros… Já conheço essa.

    John Wayne? Connais pas.

    z, a diferença de ser o Estado e não tu é que com o Estado há muito mais garantias de haver justiça do que se fosses tu. Não tem coerência nenhuma o teu argumento. Defendes a vendetta pessoal, mas queres impedir o Estado de fazer com justiça e serenidade o que tu farias por impulso. És uma contradição viva. Mas parabéns pela falta de caruncho. O que é que tomas?

  15. shark, essa tua ideia é muito mais desumana do que a pena de morte. Como sabes, muita gente morre nas prisões e este não duraria muito tempo inteiro. Há opositores da pena de morte que talvez achassem melhor a tua solução. Mas já viste a hipocrisia?

  16. tem coerência sim, se não a queres ver é contigo,

    não defendo a vendetta pessoal, mas há situações limite em que isso cai no indizível, como o Valupi anunciou.

    o Comendador fez uma bela narratura, o meu filme é mais o ‘aconteceu no oeste’ mas também lá vai parar,

    não tomo nada, não preciso nem percebo como se precisa, é assim.

  17. Nik, eu acho que não entendeste o Valupi. A questão não é “como é que tu reagias se fosse com um filho teu”. É, isso sim, se o Estado tem o direito de matar. Porque se o padrão for esse do “como é que tu reagias se fosse com um filho teu”, podes crer que, por mim, o tipo não era morto, era torturado devagarinho, com um método sofisticado que metesse cigarros e corta unhas. É isso que se pretende? Milhares de anos de civilização para chegarmos ao ponto de a legislação ser construída com base nos sentimentos das vítimas ou familiares? Seria um regabofe engraçado, mas não queria estar por perto.

  18. Não tenho filhas nem filhos, por isso a suspeição cai sobre mim. Em todo o caso direi que, para além da possibilidade de erro e para além de não perceber como é que um crime a frio (a execução da sentença) pode ser compensação de outro crime, existe a questão do princípio em si e da subjectividade a ele associada. Se eu aceitar a pena de morte para crimes que considero repugnantes tenho que a aceitar aplicada em qualquer circunstância, porque outros têm o mesmo direito que eu de considerar repugnante aquilo que, para mim, é circunstância normal da vida. Por exemplo, andar de cara destapada na rua ou casar com quem eu quiser, só para falar em casos extremos para a nossa cultura e civilização. A única forma de evitar isso é a oposição à pena de morte, sejam quais forem as circunstâncias.

  19. A pena de morte mais não é do que um remédio para esvaziar a raiva colectiva!

    Cabe à sociedade proteger o cidadão das consequências da raiva colectiva, pois uma sociedade que não se demonstra capaz de proteger quem vive à sua margem nunca, porque a gestão dos limites depende sempre dos humores sociais momentaneos, irá conseguir proteger o cidadão cumpridor!

    Casos como os daquela besta mais não são do que um teste à nossa etica colectiva!

    B.B. lavra num erro comum a uma certa forma de pensar. Se é verdade que o meio condiciona o comportamento dos indivíduos, não é menos verdade que o individuo é livre de escolher o seu caminho.

    Esquecemos sempre a relevância da liberdade individual na escolha que cada um faz para o seu futuro.

  20. Em Portugal de forma alguma poderia acontecer. Agora.. o estado tem o direito de matar? Depende, se estamos a falar em estado como matéria aglomerada ou como matéria única (como por exemplo o tribunal ou o exército).. isto porque, se for o tribunal é necessário utilizar tipos de argumentos diferentes do que se for o exército.
    No tribunal, onde é praticada a justiça, a autoridade da justiça tem o juiz que coordena a execução das leis e do direito, assim existe também o advogado que sustenta o raciocínio com argumentos (retóricos? .. provavelmente.), e é nisto que consiste o tribunal, um jogo de regras que se combina com a argumentação (quantos presos estão na cadeia injustamente?.. muitos). O problema na argumentação (perdão.. um dos grandes problemas na argumentação..) é que é feita por humanos, isto é, não temos conhecimento de uma verdade universal então fazemos o que para nós é um aproximado, a argumentação, só que esta pode vir com falácias (voluntariado ou não..) este é um dos grandes problemas da argumentação, é que estamos muito mais vulneráveis ao erro.
    Se for o exército, este tem um sentido ético diferente do tribunal (porém fazem ambos parte da constituição do estado), como tem um sentido ético diferente a temática da morte tem um sabor diferente, daí o direito de “puderem” (puder diferente de dever) matar ser diferente, pois exercem fins diferente na sociedade.
    Depois há o estado (no seu aglomerado?), bem aqui é questionável o direito de matar porque não se sabe bem se estamos só a juntar tribunal, exercito e parlamento ou se estamos a juntar algo mais.. contudo, e penso que essa ideia já foi mais do que transparecida por comentários anteriores, uma coisa é o desejo pessoal ( a de “fazermos justiça pelas nossas próprias mãos”), outra um tanto diferente, é o desejo jurídico.. é necessário separar as águas. Agora para mim um dos grandes cernes desta questão é, até que ponto deve ir esse desejo jurídico?

    Um caso em concreto foi o assalto ao banco em que um assaltante morreu e o outro ficou gravemente ferido na altura, (qual é a relação com este caso?) O estado tem o direito de matar? O tribunal tem o direito de matar? O exército tem o direito de matar?
    Será que demos apostar mais em snipers ou em negociadores (neste caso penso que quem falhou redondamente foram os negociadores), são casos diferentes, bem sei, mas até que ponto? Se associarmos os snipers do assalto com a pena de morte americana e se os negociadores portugueses que trabalharam (bem?) a uma morte não provocada (talvez natural mas na prisão), em qual recaía o teu/seu/vosso/nosso juízo?

  21. Para o João Pedro da Costa: o “meu” nome não tem pinta nenhuma, é do mais foleiro que há e, òbviamente, é falso. Embora não totalmente. Mas penso que uma das regras deste “blogue” é que aqui não há pessoas concretas, há mentes teclantes (de pessoas concretas, por isso posso dar-lhe o meu nome verdadeiro, não tenho nada a esconder: Marçal António Alves). Como vê, ainda tem menos “pinta” (questão interessante: qual a importância do nome, sobretudo quando nada mais se conhece dela, para a impressão que se faz de uma pessoa?)…

    Quanto ao tema, imenso e irremediável, só tenho a acrescentar que, muito embora admitindo (a custo) as tradicionais excepções à regra (pena capital em tempos de guerra, ou para situações de genocídio verdadeiramente insuportáveis, como refere o Nik), a pena de Morte assumida como meio legal de punição pela Sociedade, para além de não estar provado ter “efeitos práticos” na prevenção do crime, constitui em si uma adesão de tal modo grave da Sociedade à prática da violência letal, que torna impossível activar na consciência do Cidadão comum o respeito pela Vida que deve constituir o seu último obstáculo moral à degeneração e à irrecuperabilidade da sua própria boa consciência.

    Por outras palavras: como ensinar às crianças que a Vida Humana é “sagrada” (as aspas apenas pretendem libertar o conceito de qualquer conotação religiosa concreta) e absolutamente inviolável, se o Estado a promove em determinadas circunstâncias?

    Não será esta duplicidade inibidiora para a interiorização concreta (no sub-consciente?) de até que ponto MESMO até a violência mais descontrolada deve ter sempre um último “fusível” de alerta no caso de ser posta em perigo a Vida de alguém?

    Ou a coragem e a ousadia desencadeadas caso se pressinta que, sem a nossa resoluta e pronta intervenção, possa alguém em perigo acabar por morrer?

    É mais este tipo de razões morais, somadas a todas as outras que constituem o corpus central do argumentário contra a pena capital, que sustenta a minha firme determinação de ser, em qualquer circunstância, contra a pena de Morte.

    Sem prejuízo de defender um sistema judicial eficiente e capaz de, precisamente pela sua eficiência, contribuír para a prevenção eficaz do crime de homicídio (a par de muitas outras medidas, que todos conhecem e seguramente aprovam).

    Quanto à difícil questão “negociadores vs. atiradores”, eu opto inquestionàvelmente pelos primeiros (como aliás sempre vinha sendo prática corrente em Portugal!), sem prejuízo de, como último recurso, ter de recorrer aos segundos de forma a salvar outra Vida (mas, caramba, um tiro incapacitante tem mesmo de ser mortal?…).

  22. Penso que todos o terão percebido, mas em todo o caso corrijo um parágrafo claramente mal redigido.

    Este: «Por outras palavras: como ensinar às crianças que a Vida Humana é “sagrada” (as aspas apenas pretendem libertar o conceito de qualquer conotação religiosa concreta) e absolutamente inviolável, se o Estado a promove em determinadas circunstâncias?», que deveria ter ficado assim:

    Por outras palavras: como ensinar às crianças que a Vida Humana é “sagrada” (as aspas apenas pretendem libertar este conceito de qualquer conotação religiosa em concreto) e absolutamente inviolável, se o Estado admite a sua eliminação em determinadas circunstâncias?

  23. «Cabe à sociedade proteger o cidadão das consequências da raiva colectiva, pois uma sociedade que não se demonstra capaz de proteger quem vive à sua margem nunca, porque a gestão dos limites depende sempre dos humores sociais momentaneos, irá conseguir proteger o cidadão cumpridor!»

    Doutrina bacana, esta, amigo jtmota. Portanto, vou já cometer as maiores atrocidades e, depois, refugio-me junto das “autoridades”, para que eles me protejam das “consequências da raiva colectiva”. Fantástico. É isso mesmo que os maiores criminosos esperam. E ajuda psicológica de reinserção social, se for possível, porque no fundo, no fundo, os criminosos são todos pessoas «doentes», coitadinhos.

    Como se o Estado e a Justiça não estivessem mandatados por todos nós para exercerem a violência necessária (e legítima) para proteger a vida de todos os cidadãos.

    Como é que se protegem as crianças de autênticas feras humanas que as violam, torturam e matam, deliciando-se com os seus gritos? Com 25 anos de protecção num hotel grátis, onde a raiva colectiva não chega?

    Exactamente porque a vida humana é sagrada é que há que enfrentar o crime atroz com a máxima força, caro Marco Alves. O que é a guerra? O que é legítima defesa? É isso mesmo: a vida é sagrada, por isso há que defendê-la, se necessário matando. A vida não é “sagrada” ao ponto de deixarmos os criminosos matarem sem castigo adequado à sua maldade e perigosidade.

  24. O caso dos negociadores e dos snipers no assalto de Campolide foi um caso complicado, mas que deu muito tempo para avaliar clramente a situação e tomar a difícil decisão (parabéns à polícia e ao ministro pela coragem!) de atirar a matar sobre dois criminosos que ameaçavam directamente a vida de dois reféns e se preparavam para sair para a rua escudados nos seus corpos.

    O que é que as boas almas que defendem que “a vida é sagrada” teriam feito se estivessem elas no lugar da polícia? Há para aí quem diga que os negociadores falharam. Grande estupidez. Os negociadores estão preparados para negociar casos destes e tentaram tudo. Que mais queriam as boas almas? Queriam dormir descansadas e sonhar com um mundo onde só há happy ends.

  25. é completamente diferente disparar para defender vidas humanas in loco, ou condenar um tipo à morte em tribunal

    é passar de um oximoro para um oximoro maxime

  26. Diferente em quê? No tribunal há mais tempo e mais meios para decidir serenamente e com justiça. In loco é no momento, sem pensar muito. Onde há maior possibilidade de errar?

    Muitas vezes é preciso tirar a vida a criminosos para proteger as vidas de vítimas. Não é oxímoro nenhum.

  27. Aqui, no campo, o filho do presidente da junta disse-me que quem se prende com princípios nunca chega ao fim…

  28. Não querendo sobrepor qualquer opinião (até porque não tenho nenhuma definida em concreto sobre este tema/problema), o ultimo parágrafo do meu texto é um paragrafo de reflexão daí a ser um tanto subjectivo, (provavelmente culpa minha em não ter sido mais explicito nesse ultimo paragrafo, contudo como não queria sair do tema, criei a tal analogia), isto é, a real intenção não é bem o facto do que aconteceu no assalto em questão mas sim uma outra via de resposta (à pergunta anteriormente reiterada por comentários anteriores ao meu..) “se o Estado tem o direito de matar”? e ao longo do texto desenvolvi o tema sempre em mente o artigo de discussão e a temática. Acabando o texto com a tal analogia.

    Não sendo portanto meu objectivo inicial alongar este assunto, mas atrevo-me a esclarecer alguns pontos, que neste caso do assalto em Campolide são bastante mais “fáceis” de serem analisados.

    Tudo começa com um inicio, porem salto essa parte e passo para o meio (até o meio tem um inicio.. engraçado) então já a meio do acontecimento, o grupo de operações especiais em posições, mostrou sinceramente que esta bem equipada para casos deste calibre, (entre parênteses podemos comparar a ética deles à do exército (escrevi sobre isso no meu anterior comentário), agora o mesmo não se pode dizer dos negociadores encarregues da tarefa de transaccionar com os delinquentes. Será que o melhor que conseguem é fazer com que os assaltantes prefiram suicidar-se que se entregar??… já para não falar que foi uma noticia obtida graças a um primo, se não nem isso sabiam.
    Existe ainda o outro verso da medalha, (penso que foi o que Marco Alberto Alves quis referir) mas este recai sobre o grupo de operações especiais.. pois sendo este um grupo de elite em que os snipers são profissionais e extremamente bem treinados “um tiro incapacitante tem mesmo de ser mortal?…” ora nem mais, será que era obrigatório matar ou será que não?
    Não fique a ideia de um extremismo partidário ou algo que se assemelhe, não. Apenas estou a demonstrar os demais (e plausíveis) pontos de vista, que por coincidência (sim?) neste caso em concreto revelam alguma opinião pessoal. Repare, eu não estou a criticar o trabalho na sua globalidade, não opinei se fizeram bem ou mal em matar o assaltante, agora.. claro está que, não devemos esconder o óbvio, houve falhas sim! mas também é claro que isso são falhas internas para o grupo.. lógico que não iam dizer à comunicação social as suas falhas na missão. Mas apesar de tudo considero que foi uma missão bem sucedida.
    Para finalizar (e agora sem analogias nem problemas de reflexão), não se tem a certeza sobre os factos, mas provavelmente os empregados tinham sido preparados para casos de assaltos com tomada de reféns, daí a se terem saído tão bem.. e também, neste caso, muito provavelmente, têm um conhecimento fenomenológico de assaltos e de tomada de reféns mais aprofundado do que um par de delinquentes que fazem a sua grande inauguração neste tipo de crime. Não tenho conhecimento de nenhum relatório da policia a esclarecer pormenorizadamente o acontecimento, temos isso sim, uma descrição um tanto falaciosa, narrada pelos meios de comunicação social (no que diz respeito a rigor contradizem-se uns aos outros) e é com base nessa descrição que me foi apresentada, que é correcto afirmar que houve falhas.

  29. Nik, eu acho que a tua confusão deriva do facto de não saberes a diferença entre a condenação à morte e a legitima defesa.

  30. É oximoro sim! Bem, mas o Pedro foi incisivo. Nik pá, que falta que faz um c aí, o Nick falava-me da linha da beleza e tu vens-me com a defesa da pena de morte. E tens muita sorte que eu já me consagrei como um javardo meio-ibérico, a cheirar a Endovélico, mesmo com o novo nariz da Letitia,

  31. Adelaide dixit:

    «Aqui, no campo, o filho do presidente da junta disse-me que quem se prende com princípios nunca chega ao fim»

    É bem verdade!

    Aqui na Cidade, o Irmão de um Presidente de Câmara poderia mesmo dizer: «Quem quer chegar a certos fins, o que não pode mesmo é ter princípios!»

    Mas quem “chega ao fim” sem ter princípios faz o quê, no FIM?

  32. Ó z, com c e com o que tu quiseres e achares bem: tu defendeste aqui, à tua maneira, o direito individual de cada um perder a cabeça e se vingar por sua conta e risco. Eu sou defensor da legalidade e da acção serena e pensada por parte daqueles cujo mandato democrático e cujo dever é proteger a sociedade contra o crime. A pena de morte que eu defendo é mais justa (e bela) do que a tua. A beleza não é nada sem a verdade e a razão. É uma trapaça.

    Pedro: a guerra justa, a legítima defesa e a pena de morte (em países onde há democracia, liberdade e onde a justiça funciona) têm várias coisas essenciais em comum, que não te vou explicar, porque isto não é uma aula. Tu gostas de fazer amálgama, deturpar o que um gajo diz, é-te mais fácil discutir assim. Por isso achas que eu não sei a diferença entre legítima defesa e pena de morte, o que chega a ser uma espécie de insulto. Mas tudo bem, isso não me preocupa nada. Pensa na questão. Não partas sempre de ideias feitas. Eu cheguei à posição que tenho depois de pensar muito na questão. Também já fui contra a pena de morte: nasci no Portugal de Salazar, quando essa posição era completamente legítima e correcta. Mais não te digo, que estou com sono.

  33. Há portas que não devem ser abertas nunca, tamanho o risco em jogo. Ah, dirão, e neste caso, há algum risco, alguma dúvida, não se mata um filho da puta assim? Respondo citando dois dos maiores filósofos da actualidade e mesmo do futuro: «Obviamente, esta aberração não faz cá falta. Mesmo assim, deve ficar.», de autor pouco conhecido, e «Há portas que não devem ser abertas nunca, tamanho o risco em jogo» (especialmente desconhecido este último, graças a Deus, mas um prodígio)

  34. ai Nik, deixa pra lá, pá. Felizmente és minoria e eu sou a favor da integração das minorias, de resto não consigo ver beleza nenhuma nisto. Um teste, sim. O Nick do alto dos seus bonitos vinte e poucos, vida destroçada aos pés, falava-me da beleza de uma esquina na rua, nem sequer porque era aquela, mas apenas porque estava lá

  35. Minoria, z? Fizeste aí uma votação em casa com amostra representativa? Eu já vi sondagens, no Expresso, e não deram esse resultado que tu dizes, mas o contrário, muito claramente. Sobre este assunto a nossa classe política não aceitaria fazer referendo, para já não falar da malta bem pensante, sempre muito altruísta e misericordiosa à pala dos outros. Democracia sim, mas devagar. Coisas da esquerda avestruz e dos seus tabus mentais quando se fala de segurança, justiça e protecção da vida das pessoas.

  36. Só pra provocar…

    A afirmação do dia é:

    «Foda-se, não importa de que se disfarce, o valupi é um paneleiro de esquerda».

    Claro que o valupi ser de esquerda não implica o valupi ser paneleiro. É as duas coisas e ambas saltam à vista, agora, mais que nunca.

    Mas nem todo o pessoal de esquerda é paneleiro, nem todos os paneleiros são de esquerda, nem o valupi é «os de esquerda» ou «os paneleiros» do mundo.

    É só um paneleiro, e um paneleiro de esquerda.

    Pronto, ó girl u are, moss u are…

    Apaga lá esta merda que ainda ninguém viu.

    Vá, velho Sócrates, massacra-me aí com a tua dialéctica imbatível.

    ZuzzzZuuUZZuuuuu… aimentem o troll… yeah :))

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