Também nós, Troika, e ainda mais do que tu

Fonte da Comissão Europeia, ouvida em Bruxelas, admitiu que a proximidade de eleições legislativas, no próximo ano, envolve riscos, na medida em que qualquer eleição envolve riscos, mas este responsável da troika, disse esperar que um futuro Governo, seja qual for tenha na memória os compromissos assumidos.

O funcionário da comissão acrescentou também que com o fim do programa o país recupera a soberania, frisando que se trata apenas da soberania suficiente para tomar as decisões certas, ou seja, a soberania para adotar determinadas decisões, sem as especificar.

«Se não forem implementadas certas medidas, os mercados muito rapidamente tomarão a soberania de volta», afirmou a fonte já citada.


“Troika”: CE espera que haja memória em Portugal

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Esta fonte é o Durão Barroso, mesmo que na ocasião tenha usado um outro corpo como avatar. Barroso, dizem por aí, é português. Seja ou não, pelo menos sabemos que é presidente da Comissão Europeia. Ora, a dita Comissão é suposto representar “os interesses da União Europeia no seu conjunto“. Vamos admitir que sim. Nesse caso, a União Europeia no seu conjunto está-nos a dizer que:

– A democracia é fonte de riscos.
– O actual Governo comprometeu-se com objectivos variados para um futuro indeterminado.
– O fim do Memorando não corresponde à recuperação da soberania, nem nada que se pareça – apenas nos será dada uma soberania limitada e já com um destino traçado: servir para tomar “decisões certas“; isto é, acatar certas decisões a definir por alguém que não os portugueses ou o seu Governo.
– A soberania, afinal, deixou de existir. O que existe é a vontade dos mercados, os quais, se bem tratados, deixarão que os seus capatazes simulem serem governantes. Caso não gostem do que os portugueses queiram fazer no seu país, “muito rapidamente tomarão a soberania de volta.

Não creio que se consiga ser mais explícito acerca da situação política na Europa e em Portugal. Este, de resto, é o mesmíssimo discurso de Passos, Portas e Cavaco. O método é o da chantagem aberta, impante. Democracia? A Comissão Europeia não aconselha. Constituição? O Governo português alerta para a sua malignidade. Os mercados, essa não-entidade, são dados no discurso como o bicho-papão, o fantasma que nos virá aterrorizar caso queiramos continuar a habitar num país soberano. Mais vale nem sequer lutar, porque nunca ninguém venceu sozinho o Império Romano, berra a guarda pretoriana.

Na aparência, estas seriam condições óptimas para se fazer oposição. Mas com o PCP e o BE a concentrarem o seu poder de fogo no PS, um alvo que para além de estar muito mais próximo ainda se encontra imobilizado, e o PS com o inimigo não só dentro de casa como ao leme, vemos esta cena espantosa de serem aqueles que provocaram a vinda da Troika para terem o poder absoluto a gritarem vitória por estarem a conseguir empobrecer ainda mais os empobrecidos portugueses.

Pois é, Troika, seria maravilhoso haver memória em Portugal. Neste momento, é a amnésia que vai safando os teus algozes.

One thought on “Também nós, Troika, e ainda mais do que tu”

  1. Por essas e por outras é que , se for votar , provavelmente o farei na Carmelinda, que é como as pilhas Duracell, dura, dura, dura….dura, dura, dura. E até parece que acredita…

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