Sócrates mentiu quando disse a verdade

Sócrates disse desconhecer o negócio PT-TVI, a 24 de Junho. Ferreira Leite, no seu melhor momento à frente do PSD, disse nessa mesma noite, respondendo a uma pergunta de encomenda para rematar a sua entrevista na SIC, ter a certeza absoluta de que Sócrates mentia. O seu ar era triunfal, feliz. Nos dias seguintes, Henrique Granadeiro e Zeinal Bava declararam que o Governo não tinha sido informado do negócio, confirmando as declarações de Sócrates. Finalmente, nessa mesma semana o Expresso afiançou que o Governo já conhecia o negócio PT-TVI desde o início do ano. A notícia não suscitou resposta de Sócrates ou do Governo, que me lembre.

Vista da fora, apenas através do que se publica e mostra na comunicação social, a situação permite dar razão a todos, tanto a Sócrates como àqueles que não acreditam nele. Por esta indelével razão: é dever do governante mentir. Nem de outra forma seria possível fazer política, a moral angélica não é para seres humanos, muito menos para aqueles que têm de negociar e chegar a compromissos. Mentimos porque precisamos de estar em acordo com a realidade circundante, a vida social ensina-nos a mentir desde a infância. Governar, então, implica assumir a responsabilidade de mentir em favor da Constituição, da Lei, do Estado e do interesse nacional, pelo menos. Um cínico diria, variando, que o governante deve ser verdadeiro ao serviço de mentiras maiores.

A verdade subjectiva pode contradizer a verdade objectiva, a privada a pública, a pessoal a profissional, a psicológica a espiritual, a volitiva a ideal. Estas dicotomias foram sempre fonte de civilização, estão consagradas no primado da liberdade com lei e no da lei que protege a liberdade. Querer acabar com elas é um barbarismo inaceitável. E ver falta de carácter onde há obrigação de responsabilidade é tacanho entender ou banal má-fé. Um homem é sempre mais do que o papel que representa, nem que seja essa capacidade de representar outros papéis.

Como é óbvio, naquelas circunstâncias de Junho, Sócrates não devia ter outra posição que não fosse a de negar qualquer conhecimento, mesmo que o tivesse. Não se concebe resposta alternativa para um Primeiro-Ministro, seria estulto permitir-se qualquer laivo de ambiguidade que seria imediatamente causa de desvairadas suspeições. Ora, há algum indício de que o Governo foi informado do processo em curso? Não há. Há algum indício de que o negócio iria prejudicar a liberdade de expressão dos jornalistas da TVI? Não há. Resta uma muito legítima suspeita de ser improvável que tal operação pudesse escapar à sua rede de contactos pessoais. Contudo, essa já não é uma esfera política. Se um político não tem direito à sua inviolável privacidade, então devemos ser coerentes e mantê-lo sob permanente vigilância, não vá dizer ou fazer algo censurável para o que consideramos correcto num político. Esta tirania demente e populista tem agora quem a represente na Assembleia: o PSD da Manela.

Em suma, os canalhas, hipócritas, moralistas e burgessos que querem ler e usar as escutas não estão interessados na verdade, perseguem febris a mentira. E Sócrates mentiu? Talvez. Mas Sócrates disse a verdade? Sim.

38 thoughts on “Sócrates mentiu quando disse a verdade”

  1. Esse último parágrafo fez-me lembrar o professor Marcelo, quando falava sobre a questão do aborto… não sei se foi de propósito, mas criou um efeito interessante.

  2. Aqui já não consigo concordar consigo, Valupi. Desde sempre, a duplicidade de opiniões pela mesma pessoa me repugnou e fez afastar dessa pessoa. Apenas admito duas opiniões(uma pública, outra privada) em casos de declarado interesse público, e na defesa de bens maiores.Como é lógico, um cargo público exige uma discrição, um “segredo”, necessários à boa condução dos negócios públicos.Penso que o comportamento do 1º Ministro teve que ver com o tentar não agitar mais as águas, através de alguma sensatês nas suas declarações.A chamada “arrogancia” de Sócrates é mais um reflexo de auto-defesa que outra coisa qualquer.Acima de tudo ele é um bom homem e um bom governante.Ninguem tem o o direito de fazer combate politico com acusações desonestas e mentirosas.

  3. Já sei, Sócrates deveria ter dito no parlamento que já lhe tinham chegado uns zunzuns através de amigos, mas que a PT ainda não lhe tinha feito um briefing sobre o assunto…

  4. …e assim faria o deleite do PSD e restante oposição, assim como da comunicação social …
    caía o carmo, a trindade, quem sabe o governo, porque o presidente aníbal estva extremamente preocupado ou estupefacto ou raio que o parta, sobre o assunto…

  5. joao melo, bem lembrado. Trata-se de um terreno onde a duplicidade é inevitável para quem procura avançar no conhecimento.
    __

    antonio manso, fazes muito bem em discordar. E tens aí uma boa explicação da famosa arrogância do homem.
    __

    Edie, exactamente. E ele também devia andar sempre com um jornalista atrás, para que estas situações chatas das escutas não tivessem de acontecer.

  6. Em que parte é que te perdeste? Sócrates parece que mentiu e, na minha opinião, contrariamente à tua, se mentiu, não devia ter mentido. Por exemplo, podia ter contornado ou evacuado a questão, não precisava de mentir, não era obrigado a fazer uma afirmação ou um desmentido sobre se sabia ou não sabia das intenções da PT. Mentir é mal. Num PM, é pior. E quando se é apanhado, torna-se muito chato para o mentiroso e para quem acredita nele. Quem faz um cesto, faz um cento, lá se vai a credibilidade.

    Claro que nós só sabemos um décimo da verdade e estamos para aqui a especular.

  7. Perdi-me na parte do “spin”. Fazer spin é uma forma de falsificação, enquanto aquilo que me interessou foi a duplicidade e relatividade dessas categorias de verdade e mentira quando aplicadas a diferentes funções e responsabilidades. Para mim, é altamente improvável que exista alguém que não minta nunca. Neste caso da PT-TVI, não só é altamente provável a mentira – como deixei claro – como ela parece-me ter sido uma opção legítima. Falar de respostas alternativas é um exercício que não está a ir ao cerne da questão: o político tem direito a mentir, e só os que querem acabar com a política é que invocarão uma inexistente pureza como critério a aplicar aos outros (e só aos outros…).

    Com a notícia do Expresso, de 27 de Junho, ainda restavam dúvidas de que Sócrates tinha mentido? Sim, mas apenas epistemológicas. De resto, essas nunca se devem abandonar em nome da justiça e para que se faça Justiça.

  8. Não tenho muita paciência para debater teorias comportamentais, sociólogicas e filosóficas sobre a sociedade portuguesa.
    No entanto, medrando como ervas daninhas em campo fértil, uma sucessiva vaga de “Floribelas” agora designados de politólogos, comentadores, professores, professores doutores, jornalistas, economistas, colunistas, magistrados, juízes etc., debitam sabedoria e competência sobre tudo o que atinja o actual 1º ministro.
    Em regra, as suas previsões seguem em linha com as de Manuel Frasquilho sobre a evolução da economia portugues: não acertam uma.
    Vi ou li ontem, nem me lembro, que os procuradores do caso Freeport andam exaustos, acredito e merecem. Não havendo tesouro, escolheram um mapa viciado por piratas, e começaram a cavar no X. No buraco onde se meteram, com toda a gente a assistir no topo, hesitam entre tentar a fuga cavando mais fundo e saindo nos antípodas, ou passar pela humilhação dos olhares da assistência quando, rotos e descalços, treparem ao cimo do poço. Já todos perceberam, mesmo os que dizem que não, que lhes deveria ser descontado o vencimento de todo o tempo que passaram à procura do tesouro.
    É claro, que pior que a gripe A, Portugal é um País de frustrados, recalcados e deprimidos. Infelizmente, em vez da conversa com os psicólogos, têm tempo de antena, e devendo ser medicados por psiquiatras não largam o vinho (já vi esta em qualquer lado…).
    A tragédia final, é que o grande ícone da perseguição ao Sócrates, está em depressão…vai para o Brasil e lá a noite é putona, como se sabe…

  9. Concordo com o Val, ou antes compreendo a perspectiva do Val.
    Apesar de estarmos a navegar em suposições, acho que lhe assiste o direito como 1º Ministro de dizer que não sabia, apesar de hipoteticamente o saber por via indirecta.
    Aqui o saber consiste no conhecimento formal como 1º Ministro e por parte da PT do negocio. Aqui o saber/conhecimento pressupõe um acto e acção formal da sua parte e de outros.
    Se por exemplo qualquer seu amigo o informar informalmente de que a PT esta a pensar comprar seja o que for, ele como PM não pode dai deduzir que tal efectivamente se passa, nem pode intervir ( e aí está o busilis) na vida de uma empresa privada, se bem com participação de capitais publicos, sem o conhecimento formal do assunto.
    Exemplo: se eu sofrer um crime e o disser a um policia ele não poderá actuar sem que eu me desloque à esquadra e formalmente apresente queixa para que possa actuar. Se não o fizer não tem conhecimento formal do crime, pois eu posso perfeitamente estar a a efabular.Ele tem conhecimento do crime? Claro. Será licito alegar desconhecimento por não ter actuado sem a efectiva participação? Claro.O policia esta a mentir? Não.Porque não pode actuar com base em suposições.
    O cidadão Zé dos Anzois (nome do policia) sabia do crime? Sabia.
    Se um superior seu o indagar se sabia do crime e porque não actuou (correndo o hipotetico rsico de um processo disciplinar) o que dira o policia? Sabia ou não sabia?
    Se disser que não sabia estara ele a mentir?

  10. “o político tem direito a mentir”

    Como isso não está em nenhum código ético ou jurídico, deves estar maquiavelicamente a defender que a (boa) política também se faz com mentiras. Discordo totalmente: o político tem obrigação de falar verdade, exceptuando o caso da mentirola piedosa e inofensiva ou, em raras circunstâncias, quando um governante mente ou omite factos essenciais por um indiscutível interesse nacional ou universal. Mentir por conveniência política a um monstro mentiroso, como Hitler ou Estaline, eu acharia bem.

    O spin aqui, como quase sempre, é tentar transformar uma mentira em verdade.

    Os políticos mentem muitas vezes? Alguns sim, outros não. O mesmo se passa com os paisanos como eu e tu. Quando, politicamente, é estúpido dizer a verdade toda, há muitas maneiras de não se ser obrigado a mentir. A mais vulgar é: “Não vou falar sobre isso” ou “não confirmo nem desminto”. Mas há dúzias de saídas. Por exemplo, no caso em apreço: “Não foi o governo que sugeriu ou promoveu as negociações PT-Prisa, é o que posso afirmar.” O que resulta da ‘mentira’ de Sócrates é a suspeita de que ele não pudesse ter dado esta resposta. O preço a pagar é o da sua reputação, não vai preso nem é despedido. Mas a reputação de verdadeiro é essencial para um governante.

    O pior de tudo, para um político, é quando se prova que ele mentiu sem desculpa ou atenuante, que mentiu apenas porque, estupidamente, achou que lhe convinha que uma mentira fosse verdade. Um governante deveria saber que a prova de que mentiu deixa uma marca na sua reputação. Como a mentira acaba muitas vezes por vir ao de cima, um político deveria falar sempre verdade, por respeito pelo país e por uma razão pragmática: para não ser desmentido nem descredibilizado.

    Se Sócrates mentiu, aliás, já se arrependeu de o ter feito.

  11. Um desabafo
    Este País não merece ser governado por gente como José Sócrates. É um País onde vale tudo desde a calúnia, a provocação, a mentira, as escutas a torto e a direito e pelo que ouço sem suporte legal. Na outra legislatura perdeu-se um dos melhores ministros desse governo que foi Manuel Pinho. O caluniador continua todo sorridente nas bancadas da Assembleia da República, continuando a caluniar os que são do PS. Gente desta devia de ser responsabilizada, vivemos um tempo como a outra diz, que não interessa se é verdade, interessa sim que o povo saiba. Se tivesse capacidade nunca concorria ao lugar de 1º Ministro, para aturar gente como uma grande dos portugueses, preferia trabalhar de sol a sol, do que o que auferia como 1º Ministro. Admiro quem é e sabe ser dirigente.
    É preciso ter determinação para se aguentar com o que se tem aguentado o 1º Ministro. É o caso Freeport; a licenciatura; a Cova da Beira, a mãe, o tio; o primo; a companheira; ainda não falaram do cão e do gato porque não sabem se ele os tem. A nossa Constituição prevê o derrube do governo através de uma Moção de Censura. Porque não a apresentam? Sabem que não tem soluções para que o povo os eleja e a maioria absoluta voltava novamente para as mãos do PS. Vale mais tentar ganhar na secretaria do que no campo, estas atitudes só é digna de cobardes. É impossível que no PSD não haja figuras de relevo e critique estas tomadas de posição. Por onde anda Ângelo Correia, Luís Filipe Menezes, – não falo de Cavaco porque este vive bem com a calúnia – que sempre foram contra esta maneira de se fazer politica. Estou a ver que todos são adeptos do que mais baixo existe na democracia.
    Assim não, e um dia sei que não os posso responsabilizar por voltarmos ao fascismo, parece que estão a fazer os possíveis para que isso aconteça, depois não há crítica, só ditadura. Com todas as contrariedades admiro a determinação de José Sócrates – não sou e nunca fui PS – apenas um admirador, pela sua frontalidade e por o considerar o melhor 1º Ministro na era da democracia. Continue, não dê o ouro aos bandidos, como se usa dizer, dê-lhes luta, julgo se um dia precisar que o povo vá para a rua, ele lá estará. Eu assim o farei e nunca fui a uma manifestação.

  12. K, exactamente. O governante tem de distinguir entre a sua responsabilidade pública e a sua responsabilidade privada. Caso contrário, deixamos de viver em democracia – assumir a governação implicaria mudar de estatuto cívico, sacralizar a política.
    __

    Nik, essa de “a reputação de verdadeiro é essencial para um governante” foi a marosca que Manela&Cavaco tentaram vender ao pagode. Aliás, convido-te a dares exemplos históricos, nacionais e internacionais, de tal fazer sentido.

    Creio que estás a usar os conceitos de verdade e mentira como valores morais, mas tal leva a subalternizar as dimensões política e legal. Foi essa a estratégia da Política de Verdade e desta armadilha das escutas a Vara. Repara: Sócrates não tem de revelar o jogo de bastidores onde se luta pelo poder e pela boa administração do Estado, isso é pedir o fim das liberdades cívicas. Ora, estando ele a ser escutado sabe-se lá desde quando, se se vê no meio de um caso preparado para o entalar, com os adversários na posse de informação que ele desconhece, talvez a sua resposta não pudesse ter sido outra dentro das circunstâncias. Qualquer admissão de conhecimento seria vista como prova de cumplicidade. E isso teria sido o seu fim antes das Legislativas, o PSD estaria agora no Poder.

  13. Não concordo. Ele deveria ter dito (a ser verdade): “Não foi o governo que promoveu as negociações PT-Prisa.”

    Afirmar que não tinha conhecimento prévio dos contactos era desnecessário e, ao que se diz, mentira. Meteu a pata na poça.

    Mas se foi o governo a promovê-las, foi asneira grossa, no contexto das acusações de “asfixia”. Pata na poça também nesse caso.

  14. “o político tem direito a mentir”

    Pois tem, quem lhe deu o direito? tu?

    Acrescento eu o politico tem direito de roubar, subornar, ser subornado, corromper, ser corrompido.

    Isto se estivermos a falar de políticos do PS. Mas se foram doutra “cor” ou “credo” bom, aí a coisa muda de figura!

    Alguém que afirme uma coisa destas merece algum crédito?

  15. Mas ele foi questionado directamente acerca do conhecimento prévio do negócio. Esta pergunta teve de esperar até Novembro para desvelar as suas raízes. E mesmo com a sua declaração de desconhecimento, o PSD aproveitou para lhe chamar mentiroso de uma forma debochada. Logo, se ele reconhecesse prévia recepção de informação, seria sempre visto como cúmplice, activo ou passivo. E como estava em causa a TVI e o Freeport, era a morte do artista.

    Quanto à possibilidade do negócio ter tido algum tipo de apoio de Sócrates, Governo ou PS, parece realmente uma decisão estúpida.

  16. A falácia do Sócrates escutado é brilhante. Ao que parece que era escutado era o Vara, o Sócrates foi um dano colateral. Pelos vistos há muitos por aqui a espumar e a trocar os supostos factos.

    Enfim, fraca gentes tem este Portugal!

  17. Conhecimento prévio? Prévio a quê? A uma notícia dos jornais e a uma acusação estúpida da Manela, secundada depois por uma declaração cretina do Cavaco, que fez Sócrates intervir. Se a própria Manela teve conhecimento “prévio” das negociações PT-Prisa, porque não o haveria de ter tido o governo? Ora essa! É obrigação do governo estar informado sobre um negócio desse tipo, porque o Estado é accionista. Não era obrigação dele impedir o negócio, nem interferir porra nenhuma.

    Sócrates devia ter declarado que não esteve na origem das negociações, que não foi ideia do governo, ponto final. Quando muito, poderia ter admitido que a dada altura teve conhecimento do que estava a passar, porque era sua obrigação, sublinhando sempre não ter sido ele a promovê-lo.

    O que se passou foi que Sócrates se sentiu obrigado pelo Cavaco a chumbar a negociação em curso. Sócrates não se devia ter dobrado a essa chantagem, achei que fez muito mal em obedecer à velha safada e ao Cavaco. Devia ter denunciado a intromissão da esfera política (PSD e Cavaco) numa negociação que dizia respeito a duas empresas privadas. Como se viu, a velha e o cavacório só intervieram para defender os interesses da Ongoing do Vasconcelos, que se anda a preparar para mandar na comunicação social, com o apoio do PSD e do Cavaco. É o processo em curso, the ongoing process.

    Sócrates deveria tentar assegurar o pluralismo da comunicação social, mas não estou a ver como ele o quer fazer. Nem ninguém.

  18. Se aquilo da PT-Prisa foi sugestão do Sócrates, estamos fodidos. Foi tão inábil que, no final, só fortaleceu o oligopólio e a concentração na comunicação social. Cinco ou seis grupos, todos em promiscuidade com o PSD, tomaram conta de tudo. É o hara-kiri do Sócrates. Ou ainda não terá percebido porque lhe lançam merda para cima todos os dias?

  19. Ter conhecimento prévio implicaria impedir esse negócio, como é óbvio pelo contexto político, tanto o anterior, como o presente, como o futuro em relação a data da ocasião, 24 de Junho. E como é óbvio pela decisão tomada depois da intervenção de Cavaco. Repare-se que esse conhecimento, a ser admitido, seria sempre considerado conhecimento oficial.

  20. O pior de tudo, a ser verdadeira a ligação de Sócrates ao negócio da PT-TVI, era isso vir a dar razão ao Ricardo Costa nas suas críticas na altura. Isso é que me parece demasiado para o Regime.

  21. Não implicaria nada impedir o negócio! Por que raio, se convinha à PT e à Prisa e o controlo da Media Capital passava para mãos portuguesas?

    Sócrates só se sentiu obrigado a impedir, quando foi pressionado e chantageado e cedeu. Teve medo da comunicação social e do Cavaco. Cedeu à imposição do PSD.

  22. Não creio que lhe fosse possível ir para as Legislativas com esse trunfo dado à oposição. Não mais se calariam com a vergonha de uma empresa do universo estatal ser usada pelo Governo para atacar um declarado inimigo do Primeiro-Ministro, para mais envolvendo o Freeport ao barulho. E isto é tão óbvio que ficamos banzos com o facto de ter podido acontecer, quanto mais de poder ter acontecido com a promoção de Sócrates…

  23. Foi a diferença entre o que devia ter sido feito e o que podia ter sido feito.
    Não acredito que o negocio PT-Prisa fosse de iniciativa governamental. A PT precisa estrategicamente de uma parceria naquela área.
    O que é estranho é que o PS não tenha ninguem que denuncie o esquema Ongoing e já agora o que aconteceu com a suspensão da atribuição da licença do 5º canal.
    O PS nunca soube lidar com o dossier da C.Social, talvez por algum complexo politico-ideologico. O que é certo é que em Portugal não existe um unico grupo de CSocial de centro esquerda. Enquanto por outro lado se entranhou sem qualquer dificuldade que um militante nº1 de um partido e uma igreja controlassem duas Tv’s. Isto permite um enviesamento politico consideravel, com a capacidade de manipulação necessária para pressionar qualquer governo, como se viu e virá. Resta a net.

  24. Desta vez acho que as observações do “K” vêm dar um complemento nacessário à nota do Val. E – há sempre uma 1ª vez – não concordo com o “NIK”. Oh NIK, basta ler – as que quiser – biografias, ou melhor, as memórias de politicos, para saber que os politicos podem ter conhecimento pessoal de situações, que não as declaram simultaneamente públicamente!
    O que eu acho é que é tempo de os “pilares socialistas”, i.e., os fundadores do PS, virem a terreno desmascarar estas intentonas contra o Primeiro Ministro…
    Basta ler o Expresso de ontem: agora já apresentam “todos os casos” que a oposição e as corporações profissionais construiram, como se de ilegalidades ou mesmo crimes confirmados se tratassem…! JORNALISMO RANHOSO!

  25. De facto é preocupante a complacência que esta gente tem para com a mentira dos políticos! Será por isso que cada vez mais gente tem péssima opinião da politica e dos seus agentes? É um hipótese.

    Se há coisa que não tolero é a mentira venha ela de quem vier, que mente que enganar e ludibriar. Se há gente que gosta de ser enganada por aqueles que deveriam ser os últimos a fazê-lo tudo bem! Cada um sabe de si!

    Mas lá que é lamentável, isso é!

  26. Maria da Guia, eu apenas estou e estarei sempre contra o recurso à mentira.

    Explicitamente defendi que os políticos não têm que declarar tudo o que sabem publicamente. Você leu-me mal.

    E também disse que Sócrates não tinha nada que afirmar ou negar se teve conhecimento das negociações. Não era obrigado a falar nisso, tinha apenas que dizer que não foi ele que as promoveu.

  27. Maria da Guia, escreves tão mal e tão torto que a língua portuguesa até se torce toda de riso. O que é isto de meter de seguida dois advérbios de modo em filinha indiana?
    “simultaneamente públicamente”?
    Sem contar com o acento que está ali a mais, pois só se aplica para o adjectivo.
    Inversamente, os politicos levam sempre acento: políticos.
    Não me irei estender mais, pois a minha “intentona” não é vir para aqui dar lições de português.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.