Sinais interiores de riqueza

O interior do País está um luxo. Estradas impecáveis, casario renovado, parque automóvel de qualidade, comodidades e serviços urbanos, limpeza, tranquilidade. E fora o resto que só se vê na rede familiar ou de amigos: o recheio das casas, o estilo de vida, a educação, a segurança.

Sim, há pobreza em Portugal. Como nos Estados Unidos, em Inglaterra, em França, na Alemanha. Como em todos os países do Mundo. O que nem todos os países têm é a riqueza do nosso Interior.

28 thoughts on “Sinais interiores de riqueza”

  1. É verdade o que diz, mas é uma análise superficial. Eu vivo na aldeia. O que vejo é isso tudo que diz, mais as pessoas a não pagarem impostos e descontarem os ordenados mínimos para as Finanças. A deixarem de estudar para irem trabalhar para Espanha, Argélia e outros sítios para virem mostrar o carro de luxo e a casa em granito. A quererem ter uma moto 4 para andarem pelas ruas da aldeia, mas a nem sequer fazerem uma viagem por ANO a não ser aquelas que fazem quase todas as sextas-feiras para os países onde trabalham, normalmente Espanha.
    Vejo isso e muito mais coisas, além de cada aldeia ter quase a sua auto-estrada, mas educação, onde está?
    O que parece não é.

  2. Sem dúvida, helena, mas é dessas discrepâncias que falo. Por um lado, as estatísticas que falam em 2 milhões de pobres, salários baixíssimos, abandono do Interior, por outro lado, a cada vez maior invisibilidade da miséria, a qualidade das cidades, urbes, vias, a fuga ao fisco, a economia paralela, a mentira nas declarações de riqueza e inquéritos.

    Constatar estes dois planos não anula seja no que for o combate à pobreza, óbvio, mas permite ter antídotos contra uma retórica catastrofista que explora essa própria pobreza demagogicamente. Para além disso, importa lembrar que o Interior é uma área de lazer, ou vivência, de excelente qualidade. O que ainda se conserva de paisagem, terreno agrícola e floresta é um encanto mesmo ao lado das grandes cidades.

  3. Esta não percebi, será que o aspirina b está contra a regionalização?

    Então é um luxo as estradas e auto-estradas, quando Bruxelas disponibilizou o dinheiro para que os efeitos da periferia do nosso país fossem reduzidos, em relação ao centro da Europa? É na defesa do mesmo princípio, que a UE garante o pagamento da parte que lhe compete na construção da linha do TGV.

    Mas as grandes melhorias que têm sido feitas, vão todas por conta das camaras municipais, são os filhos da terra a puxar por aquilo que é seu, e é nesta gente que acredito, são eles que irão levar Portugal em frente, não os outros, como o emérito economista de Oxford, esses que se reformem; porquê, quais as razões? Só um exemplo, o rio Minho separe o mesmo povo, mas os galegos têm um rendimento 40 por cento superior aos minhotos. Nesta conformidade meu caro aspirina b, você fala em luxo e eu falo em; triste sina ter nascido….putaguês!

  4. Val:
    Há bastante tempo que andava para escrever um texto sobre o que o País mudou de há uns anos a esta parte, para lembrar a certos velhos do Restelo, essas mudanças. Por volta de 1967 tive de fazer uma viagem, na camioneta da firma para quem trabalhava, juntamente com o condutor e outro empregado – ia restaurar os maples a um liceu em Sesimbra, a minha profissão era de estofador de móveis.
    Da minha terra, Freamunde, a Lisboa – ficamos hospedados no Campo Grande – são cerca de trezentos e trinta quilómetros e demoramos na viagem, cerca de nove horas, estas nove horas eram devidas às vias de acesso e às condições do veículo. Hoje a mesma viagem faz-se em quatro, cinco horas.
    Não foi só na rede viária e no parque automóvel que houve mudanças, no parque habitacional, quem quer esquecer as entradas de Lisboa, no sentido norte/sul, as barracas, – pareciam os musseques em Luanda – é ver o que é hoje onde está o parque da Expo e o que era antes de ser construído, era uma autêntica lixeira.
    No arranjo dos centros urbanos e parques de lazer. Na minha terra até um rio criamos no parque de lazer. Envio algumas fotos para verem como é o parque de lazer e o seu rio.

    http://www.jf-freamunde.insertpage.pt/albuns/display/11

    Na educação para se ir frequentar o liceu, quem o ia frequentar, tinha-se de se deslocar para S. Tirso, Guimarães ou Porto, hoje temos um em Paços de Ferreira e outro a ser construído na minha terra para ser inaugurado no próximo ano lectivo, assim como o parque escolar que está a ser construído e a sua inauguração é na mesma data e comporta:
    – Salas de Serviço de Apoio à família, pré-escolar.
    – Salas de Enriquecimento Curricular.
    – Sala de TIC. Sala de Formação de Professores/Educadores.
    – Centro de recursos. Sala de ciências experimentais.
    – Gabinete Médico.
    – Sala Associação de Pais.
    – Gabinete Municipal.
    – Gabinete de atendimento.
    – Sala de professores educadores.
    – Arrumos/limpeza.
    – Zona apoio AAE.
    – WC/Vestiário – AAE.
    – Economato.
    – Cozinha.
    – Armazém de frio.
    – Despensa do dia.
    – Arrecadações.
    – Zona técnica.
    – Polivalente.
    – Zona técnica de apoio ao polivalente.
    – Arrumos de material desportivo.
    – Balneários.
    – WC – JI.
    – 4 WC – 1º. CEB.
    – WC – deficientes.
    – WC de professores.
    Só quem não acompanha o progresso em Portugal ou está de má fé é que não quer ver esta realidade.
    Sou dos que diz, Deus quer o homem sonha e a obra nasce.

  5. Ó Valupi: experimenta escrever um texto sobre a textura das limonadas nepalesas só para ver o que ocorre ao Manuel Pacheco.

  6. ravara, o uso de “luxo” foi metafórico. Eu estou é orgulhoso pelo bom trabalho autárquico, e governamental, feito no Interior.
    __

    Manuel Pacheco, gostei muito da tua recordação e dessa listagem. De facto, é preciso ter vivido a falta disso tudo para lhe dar o valor.
    __

    FNV, grande ideia.

  7. estou sim, bom dia, estou a falar com o sr. manuel pacheco?
    ora muito bom dia. então como está, está bomzinho?
    fala júlia pinheiro, das tardes da júlia, da tvi. é para cá vir ao programa. temos muito gosto em recebe-lo! a sinhã contou-nos que quer lançar uma autobiografia mas que é tímido e que só solta os cães a quem não deve, sabe, e, então, já que não cria a pôrra de um blogue seu – se o objectivo é dar a conhecer os seus traumas e alegrias – tem de cá vir

    (não prometemos que o valupi venha porque é muito ocupado; o cc também o é e o senhor manuel pacheco não vai em ondas de peidos de riso e lágrimas de sangue mas temos uma surpresa para si: vem o zé do carmo – que merece tanto respeito seu como qualquer outro e, quem sabe, até estará disposto a escrever, sobre si, uma notinha no jornal).

    vá, venha daí! deixe-se de merdas!

    :-D

  8. Não respondo mais:
    Sempre tive como lema dar a conhecer o que se passou e passa comigo, com a minha terra e o meu País de que muito me orgulho ser seu descendente. Gosto de falar de coisas de que tenha conhecimento. Comentar por comentar como fazem alguns e só falar de coisas triviais não contem comigo. Aos velhos do Restelo, – não é para os simpatizantes idosos do meu Belenenses – esses têm mais respeito pelas diversidades dos outros e tento na língua.
    Há dias respondi a alguém com um comentário do Miguel Sousa Tavares, mas parece que não compreenderam. Volto a repetir. “ Acabo de ler a entrevista e vejo os posts dos leitores a comentá-la: um chorrilho de insultos, de calúnias reaccionárias de sempre, um misto de ódio, inveja e desprezo à flor da pele que arrepiam de nojo. Que gente é esta? Que nação é esta que produz gente assim? Que, pela frente, calam, obedecem e curvam a espinha, e, por trás caluniam, insultam, inventam, e vomitam até à náusea essa tão antiga e fatal característica portuguesa: a inveja. A inveja e a cobardia escorrem por ali como o mel em terra prometida. Pois que morram de indigestão de tanto prazer solitário”!
    Não preciso de andar a mendigar, nem a pôr-me na posição vertical para alcançar algo. Ao longo da minha vida sempre lutei para as alcançar a pulso. Não preciso de ser proposto para ir a algum programa se o quisesse propunha-o eu, para mais a programas que não vejo e não dou valor e quanto a mim só demonstra o valor intelectual de quem o propõe. Há gostos e como se usa dizer não se discutem.
    Tenho respeito pelo Valupi, nunca lhe pedi nada, nem que viesse em meu auxílio, quando sou contrariado ou insultado no blog, ao contrário de alguns. Sei das minhas limitações, gosto de escrever, mas acima de tudo, gosto de ser um entre tantos ao contrário de muitos.
    Não respondo mais a este tipo de comentários, espero que me ignore como o venho fazendo com você há tempos. Disse num comentário que não tinha nem me dava importância e pelo que vejo não se cansa de o fazer. Faça como eu que a ignoro e era para o fazer mais uma vez mas como diz o ditado: tantas vezes que o cântaro vai à fonte que qualquer dia… Gosto de ser franco com as pessoas e com muitos não se aprende nada, acredite que você está nesse rol.
    Presumo que há muitos comentadores neste blog que certamente queriam dizer o mesmo que eu.
    Não vou usar a frase do MST sobre o mel. Vou simplesmente lembrar como vejo a inveja, há pessoas que quando vêem alguém com uma camisa lavada só demonstram inveja, eu, ao contrário dessas, lavo a minha.

    “Sou assim deste jeito”

    Não vejam em mim o dono
    de toda a razão do mundo.
    Nem tão pouco o seu abono,
    mas sim o que eu sou no fundo…

    Pois nada mais quero ser
    Que um cidadão respeitado,
    que trabalha p´ra comer,
    como um qualquer explorado.

    Mas, sendo assim desse jeito,
    não abdico do respeito
    que merece um ser humano!

    Como qualquer criatura…
    que nunca faz figura
    de um bonequinho de pano!…

    Versos de: Rodela

  9. Manuel Pacheco,

    em sua honra, aqui vai uma citação do Millor Fernandes:

    “Chato é o indivíduo que se interessa mais por mim do que eu por ele”.

    Está tudo dito, não?

    Abraço

  10. e eu, manelinho (manelinho a merda!), lamento que me tenhas tomado por quem não sou e continues. ficas a saber que quem não sabe rir de si mesmo é que não vale, mesmo, a ponta dum corno nem, no teu caso, a ponta dum bigode.

    tenho mais uma para te dizer: os homens só reagem assim quando as mulheres não lhes dão da trela que eles querem

    (eu sei que me fiz entender e que percebeste bem).

    quanto aos outros que falas: estou a cagar-me tanto para eles como para ti. e o dono da casa se quiser que me expulse.

    :-)

  11. “ O maior prazer de um homem inteligente é armar-se em idiota diante de um idiota que se arma em inteligente.”

    (esta é mesmo à Confúcio é para ti, edie) :-D

  12. Tentei entender o seu post como uma simples ironia, até realmente perceber que pretendia falar a sério. 1ª Conclusão: de certeza que não vive no interior. Caso vivesse saberia que:
    – para ir para Lisboa ou Porto teria de atravessar largos Km´s de estradas sinuosas e muitas vezes em mau estado
    – para ir para o hospital, mesmo que tenha 80 ou 90 anos e dificuldades de mobilidade, teria que andar 50 Km´s.
    – para ter acesso a eventos culturais, teria que viajar cerca de 50 km´s.
    – que o parque automóvel é na realidade paupérrimo
    – que as pessoas não têm acesso a empregos

    …isto só para dar alguns exemplos. Ora concerteza que o interior de que fala não é o “meu” interior !

  13. Já o fiz muchas vezes ….”O maior prazer de um homem inteligente é armar-se em idiota diante de um idiota que se arma em inteligente.” :) e sabe muito bem :)

  14. Caro Pacheco,

    O problema consigo e que voce ve mais insultos que aqueles que lhe sao atirados e isso revela um amor-proprio a prova de bala, mas nao a prova de ridiculo, e uma carapaca de ferro sensivel a correntes de ar. Continue a ‘vomitar ate a nausea’ e vai ver o trabalhao que um dia destes vai dar aos gajos da gastroenterologia do Hospital de Guimaraes.

    Quere um conselho de amigo? Se a ainda tem forca na pica, assuma a ‘posicao vertical’ e lute pela transferencia da sede do concelho para esse paraiso dos dinheirinhos (mercy beaucoup) de Bruxelas. Afinal Freamunde (foi ai que construiram as VI e V2 dos nazaricos?) e a freguesia mais populosa. Calculo que deva existir um sentimento invejoso de revolta, pelo menos entre o pagode socialista e os seus companheiros da sueca.

    E nao se esqueca que os electricos de Lisboa ainda sao amarelos como no tempo de Salazar. Pouca vergonha.

  15. Manuel: não esqueças do que está escrito por debaixo do ‘não mata mas alivia’. Está lá o aviso, calha a todos, ri-te vá. E eu xonex.

  16. Só quem não dá umas voltas pelo país tanto interior como litoral não sabe reconhecer a diferença abismal que existe entre o tempo que se viajava dias e noites inteiras para chegar ao Norte ou ao Sul. M as não são só as rodovias. São por todo o lado, os lares, centros de dia, casas da Cultura, velhos cinemas restaurados, pavilhões desportivos e tantas outras coisas. É evidente que como qualquer outro país que saíu do entulho que nós saímos há falta ainda de muita coisa em muito lugar. O Post de hoje não quer dizer que vivemos num paraíso. Só os loucos poderiam pensar assim.Mas é possível fazer uma comparação com um passado não muito longínquo. E é deveras surpreendente a diferença entre o Portugal de hoje. Democrático e com o poder local a funcionar bem em muitos e muitos lugares do País… É evidente que os senhores que falam maldosamente quereriam talvez um Teatro S. Carlos em cada aldeia ou mesmo um Hospital da Cuf de 20 em 20 Kms. Bardamerda com licença para quem apenas gosta de desconversar. E viva a nossa Democracia. António José – Loulé

  17. Realmente Portugal esta um autentico paraíso…, a que nem faltam algumas famílias da alegada ex-classe média a viver o dia-a-dia e a dormir envolvidos num monte de cartões ali no Terreiro do Paco e outros locais de Lisboa.
    Mas o paraíso ainda vai ficar melhor, quando o pouco que resta do sector produtivo desaparecer, e os estrangeiros adquirirem o que esta a ser vendido (oferecido) a pataco, em especial aos angolanos que estão a prostituir economicamente Portugal, seguindo o bom exemplo dos Espanhois nuestros hermanos.
    Sugiro; em termos de visão social do presente para que os seguidores do regime façam uma visita turística nocturna a Estação Ferroviária de Santa Apolônia, ou aos claustros do Terreiro do Paco para poderem ver in-loco os sinais interiores e exteriores do Portugal de 2010, e que se vão potenciar nos próximos anos para outros locais da bela Lisboa das 7 colinas.
    Estive ausente de Portugal cerca de 3 anos, e quando ai passei no passado ano, nos meses de Abril a Junho, fiquei com vergonha de ser português, e ao mesmo tempo horrorizado com a realidade social que fui encontrar. Este não é o Portugal que conheci, e direi mais… nem no pior momento da crise dos anos 80 vi tanta miséria espalhada pelas ruas, ao mesmo tempo que como fiquei alojado na zona do Chiado, pode constatar a realidade da juventude nacional, que agora se dedica a beber sem parar (criando um mundo virtual na base da alcolemia) para esquecer a realidade que os espera no mundo real.
    A realidade pode ser vista e sentida; com os olhos de quem a quiser ver e assumir sem ficar agarrado e cego a opções políticas, e com a leitura dos números bem divulgados, mas que alguns não querem interpretar, embora saibam muito bem o que representam.
    Ou será que o encerramento de centenas de pequenas e medias empresas, para além das grandes industrias com o obvio passar dos dois dígitos no desemprego, fora aquele desemprego que está a ser escondido nas formações e outras tretas sem futuro, bem como o aumento dos portugueses que rumam a outras paragens do globo em busca de outro futuro laboral, será pronuncio de êxito da política que esta a ser seguida pelo senhor Pinto e Compª Ldª.
    O êxito de que os ‘xuxas’ tanto falam; passa pelos simplexes, merdalex, magalhães e afins, que estão a tornar Portugal num País de falsos doutores e hinginheiros, que acabado o sonho dos fundos sem fundo vão apascentar gado para os espanhóis nas planícies alentejanas, ou a apanhar alfarroba nos Algarves…
    Se preparem todos, que assim que os fundos comunitários deixarem de chegar, (e já não flta muito) também vocês vão saber na pele o que é a realidade que tanto tem andado a defender…

  18. Raul:
    É como diz no seu comentário só não vê quem não ver. Acho que em certos exemplos você está a ser generoso. Quando diz que muitos gostavam de ver um teatro S. Carlos ou um hospital da Cuf, em cada aldeia, acho que aí está enganado. O que eles gostavam era que só houvesse em Lisboa ou Porto. Porque julgam que estas instituições ou equiparadas não são para aldeões usufruir.
    Quando se faz lembrar certas recordações entre o passado e presente julgam que estamos a diabolizar. Pela parte que me toca não gosto de cuspir no prato em que como ou que comi, mas simplesmente, não ter vergonha da minha origem.
    Hoje na casa dos sessentas anos dá-me prazer quando me encontro com colegas e recordarmos esses tempos. As nossas brincadeiras, o jogar ao pião, à montanha, ao bata parede para se ganhar umas formas (botões) como dizíamos, roubávamos da roupa dos nossos pais e irmãos, jogar à bola entre equipas que formávamos dos lugares em que morávamos. Hoje são os jogos de vídeo, super Mário e outros que não sei dizer. Fico contente ao ver os meus netos a praticarem esses jogos porque sou a favor do progresso. Ainda nos recordamos do nosso tempo de escola em que éramos cerca de trinta e cinco alunos e só três é que foram estudar. Um formou-se em professor primário, Victor Lobo, outro em advogado, Eduardo Santos e um outro José Armando, foi para empregado de escritório de uma empresa de um seu tio. O melhor aluno de todos nós foi trabalhar para uma fábrica de ligaduras que as fabricava para os hospitais. Depois da tropa, a seguir ao vinte e cinco de Abril conseguiu fazer a sexta classe e empregou-se como bancário. Continuou com os estudos formou-se em advocacia, fez um acordo com o banco e está a praticá-la, isto depois dos cinquenta anos. Tenho orgulho quando o encontro e lhe chamo senhor doutor Fernando (Lacerda) o que ele me diz logo, deixa-te de gozo.
    Quando apareceu o primeiro aparelho de televisão na minha terra, em que o filho de um casal nosso colega, Hernâni (Nani) Santos, irmão do Eduardo, nos disse temos um rádio que em que se vê as pessoas. Todos nós ficamos de boca aberta, em minha casa nesse tempo, 1957/58, nem rádio tínhamos e agora este a dizer que tem um rádio que se vê as pessoa, pode lá ser!
    Mas era, e todos os dias lá éramos convidados para ir assistir aos programas de televisão. A sua mãe, dona Brazinda, arrumava a sala e ali nos sentávamos no chão, éramos sempre para cima de uma dezena de crianças. Quando dava o lanche aos seus filhos a nós também nos servia algo. Era uma família média alta, o pai da dona Brazinda era industrial e o marido dela também ali era empregado de escritório.
    Por isso quando relato algo e critico industriais, ponho de parte alguns, caso da família Santos, que para nós era quase nossos pais. O Senhor Santos como o tratávamos era do Porto, filho de um crítico de teatro chamado Edurisa e ele no meio teatral ficou a ser conhecido por Edurisa Filho.
    A terra ainda não lhe prestou a devida homenagem, por tudo o que fez por ela, desde a cultura, o teatro e outras coisas mais. Sei que uma grande parte se está maribando para o que escrevo, mas é destas coisas que Portugal precisa saber. Agora criticar por criticar não contem comigo.
    Quando se fala dos sem abrigo de certeza que não se tem conhecimento do seu motivo. Uns são por opção. Havia um da minha terra que andou anos e anos pelas ruas do Porto, após a sua viuvez, os filhos a segurança social e pároco da minha terra tudo tentaram para o demover de tal situação, nunca se dispondo. Há cerca de dois anos que está a habitar numa casa, só ele, paga pela segurança social e com a ajuda da comunidade. Onde se encontra mais sem abrigos? Não é nas grandes cidades onde ninguém se interessa por ninguém. No interior isso acontece? Claro que não, pelo menos na minha terra. Será que em Espanha, França, Inglaterra, Alemanha, Estados Unidos da América, – aqui fez-me impressão quando assisti num programa de televisão o tratamento que davam aos cancerosos que simplesmente foram abandonados porque passaram a desempregados e as seguradoras deixaram de contribuir para o seu sistema de saúde – Itália e tantas outras não há sem abrigos? Países abençoados, não estão a ser governados por Sócrates.
    Há miséria, claro que sim. Um pai que tenha uns poucos de filhos e lhes dê uma mesada igual a cada um, no fim do mês de certeza que há algum que tenha mais que outro. Sempre ouvi dizer que o dinheiro não é de quem o ganha é de quem o poupa.

  19. Este apontamento de Joao Massapina parece-me um retrato bem mais perto da realidade que o Lago dos Cisnes do Parque de Lazer de Fearmundo. Sim, apanhar alfarrobas no Algarve nem sera um fim tao dificil se suportar, o pior e termos de as comer com dentauras nao subsidiadas depois delas ja estarem bem secas.

  20. Pontos de vista:
    Para os que contestam os sinais interiores de riqueza faço-lhes a seguinte proposta e aposto dobrado contra singelo. Nós, seres terrenos que nos apercebemos no nosso dia-a-dia do progresso e evolução do País, não valorizamos esses avanços.
    Se quem deixou de pertencer ao mundo dos vivos entre as décadas de 70/90 do outro século, lhe fosse dado oportunidade de voltar a este mundo, de imediato voltava para ele, pois não estava preparado para receber essas modificações. Suponham que um desses seres era Salazar? O que lhe acontecia? Certamente outra vez a queda da cadeira.
    Dou um pequeno exemplo: quando cumpria o serviço militar no norte de Angola, (Balacende, zona dos Dembos) a minha companhia esteve isolada durante toda a comissão.
    Acontece que eu e muitos soldados viemos por várias vezes ao Caxito e Luanda. Muitos colegas meus não se dispuseram a isso para não gastarem dinheiro e quando viemos para Luanda para aguardar embarque tivemos que os ajudar a atravessar as ruas e estradas porque não estavam familiarizados com a vida citadina.
    Era o que acontecia a Salazar e outros que morreram nessas décadas mas, também não me oferecia para o ajudar.

  21. Lembranças:
    Como sempre gosto de voltar aos temas de que tenho conhecimento e lembrar tempos idos e por mim testemunhados.
    Para os mais novos que por aqui andam não me quero tornar num velho – os velhos só se tornam pelas suas ideias e actuações – da miséria que o País vivia. Havia muito dinheiro, mas faltava saber como aplicá-lo, tal como: na educação, na rede viária, na indústria, na construção civil, no comércio e tantas outras coisas mais.
    Podem dizer que na rede viária não se compreendia porque o tráfego não o exigia. Nessa altura a maioria do meio de transporte era em duas rodas – a moto, a motorizada e a bicicleta a pedal. Quem não se lembra dela. Hoje serve como meio de diversão e desporto, naquela época era uma peça de ferramenta de trabalho. Nos seus primórdios dava gosto ver os seus utilizadores com elas cromadas e a brilhar e a fazer tlim-tlim, para encantar a simpatia das moçoilas. Mas os grandes governantes vêem-se pela visão de futuro que possuem. Não tinham a visão dum Marquês de Pombal, intitularam-no de louco, pela obra, que hoje serve e se chama Avenida da Liberdade.
    Na construção civil: é voltar atrás e lembrar as barracas que circundavam as grandes cidades portuguesas, principalmente Lisboa e Porto. Não tinham sanitários, para se fazer as principais necessidades, os seus residentes ou serviam-se das fossas “mouras” ou no quintal ou numa bouça, o tomar banho tinha de ser numa bacia e a água aquecida num fogão. Se dúvidas houver, visitem as chamadas ilhas que ainda existem nas grandes cidades e aí vêem com olhos de ver, embora algumas já recebessem algumas benfeitorias.
    No sistema escolar pode-se fazer alguma comparação? Não. O resultado está à vista. Tanto no parque escolar, liceal e universitário, no número de estudantes e no seu aproveitamento.
    No comercial só quem está de má fé. Olhe-se para as grandes superfícies, para os bens de consumo e seus preços.
    Na indústria: as fábricas melhores preparadas na sua maquinaria. Repararem na entrada e saída dos empregos a maioria dos seus empregados nos seus automóveis, naquela época era a pé e ainda parece que ouço o bater das chulipas na calçada das suas ruas, os seus trajes, como referi há tempos, as calças com os seus remendos pareciam o mapa de Portugal a assinalar as suas províncias. Mando um slide da saída da minha segunda escola.
    Por tudo o que exponho não pretendo fazer com que os detractores mudem de opinião mas, uma coisa pretendo. É dar conhecimento a quem por ventura desconheça essa realidade.

    http://www.slide.com/r/wCtLWfvnpT8RUNzBmuyO7TVo3OTxrpoK?map=2&cy=bb

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