Sexo em grupo — Participa e convida a família

Portugal é um país sexualmente doente, como qualquer sociedade de herança cultural católica tem de o ser. É um país onde os pais se demitem da educação sexual dos filhos, onde a Escola não sabe o que ensinar no âmbito da sexualidade, onde a enorme maioria de homens e mulheres consente em sexo desprotegido com estranhos, onde a prostituição é um hábito arreigado de Norte a Sul e tanto para os pobretanas como para os ricalhaços, um país onde a mulher é alvo de violência familiar logo desde a infância, continuando a ser violentada na adolescência e depois em adulta, seja sexual, emocional, afectiva, intelectual, social, económica, profissional, política ou fisicamente. Precisamos de nos curar. E pessoas como a Patrícia Pascoal vão ajudar. E tu, não a queres ajudar?

58 thoughts on “Sexo em grupo — Participa e convida a família”

  1. Já tentei, há uns tempos, mas bloqueava no final. Não eu, mas o .com da Patrícia. Será isso um sinal da doença que nos mina ou fui bloqueada por não conhecer o porteiro?

  2. ja conhecia através do blog oito e coisa e não preenchi porque nada me garantiu de facto a privacidade que eles clamam existir.

    só por isso.

  3. Acabo de participar no estudo clínico e o preenchimento não apresentou qualquer dificuldade. Quanto a ser “uma seca”, é normal que os elementos para trabalhos de investigação a nível de doutoramento não sejam uma festa. Contudo, a ideia é contribuir para que se faça investigação em Portugal, o que me parece mais do suficiente para sentir motivação.
    Quanto à questão da privacidade,o inquérito é totalmente anónimo. Que dados pessoais fornecemos que sejam identificados ou identificáveis? Nenhum. Por isso, nem se coloca a questão, não é?

  4. Olá Bom Ano!
    Agradeço MUITO a referência ao estudo. Pode ser maçador, pertinente, limitado, invasivo, interessante, ponderado, desenvolvimentista, etc… Já lhe têm chamado tanta coisa… Mas acreditem que tem sido desenvolvido com seriedade e o máximo de rigor e, nesse sentido, há sempre aspectos que podem ser melhorados, mesmo que não se traduzam em alterações no formato (nesta fase já é difícil), contribuem para pensar melhor, construir melhor, “cientificar” melhor.
    Eu vou postando alguns dados no meu blog, nesta altura ainda estou á espera de fazer uma 2ª fase de divulgação. Actualmente tenho 429 respostas. É muito, mas para alguns procedimentos esatatísticos ainda insuficiente.
    Quanto à dificuldade em entrar no estudo… Deve ser um problema técnico, não sei resolvê-los e o técnico precisa de dados mais precisos para os resolver (tipo de browser e versão, por exemplo).
    Que os próximos tempos nos tragam somente a necessidade de aspirinas como esta! Da B, da BOA!
    ;-)

  5. patrícia,
    Pela minha parte fico-lhe grato pelo esclarecimento e vou dar o meu modesto contributo ao esforço comum.
    Desejo-lhe as maiores felicidades.
    E fique tranquila, que a a falta de fluência no manejo do teclado não é uma das variáveis em análise.

  6. Alfred Kinsey há alguns anitos atrás teve uma ideia parecida e, numa sociedade americana puritana do pós-guerra, já sabia que havia toda uma vasta vida sexual para além do tradicional, sexo conjugal. Aliás foi sobre esta faceta “extra-conjugal” que conseguiu, através de entrevistas individuais, obter os resultados mais interessantes. Estudar a nossa vida sexual partindo de pressupostos limitados e redutores pode não ser o melhor princípio.
    Por que são algumas vacas activas sexualmente enquanto outras se limitam a ficar por ali a pastar? Por que precisam alguns homens de trinta orgasmos por semana e outros, nenhum? Por toda a gente ser diferente. O problema está na maioria querer ser igual. Acham mais fácil ignorar simplesmente este aspecto fundamental da condição humana. Têm tais ânsias de ser parte do grupo que traem a própria natureza para lá chegar.
    Estou convicto de que o desfasamento de ideias e princípios entre as pessoas em tudo o que toca à sexualidade é cada vez maior. Neste momento, num mesmo planeta, continuam a existir os mais conservadores que até estes estudos dos finais dos anos 40 do século passado são difíceis de digerir que convivem abertamente (ou não) com outros, para o qual o sexo é livre e não deve ter qualquer tipo de tabus. Consta que é a moralidade que os separa e eu sempre pensei que nestas coisas do sexo, quem mandava era o desejo e o prazer, sempre vigiados pela razão e pelo coração (claro).

  7. Agent:
    Eu realmente não tenho a mínima aspiração/pretensão a desenvolver um trabalho como o do Kinsey. Nunca seria capaz, creio. O trabalho dele é um colosso! Bolas!
    rnv:
    Obrigada!

    Prometo postar alguns dados para a semana. Cumprimentos a todos!

  8. Algo me diz que as minhas respostas vão estragar o estudo da Patrícia…

    ehehe

    Não acredito minimamente nestas tretas, ou então é efeito dos astros

    “:O))

    Conheço um sexólogo que também confirmou que é uma grande treta esta mania dos “problemas sexuais” e deixou-se disso.

    P.S.

    Para o Valupi: já não é a primeira vez que falas na tradição católica e na repressão sexual. Resta saber quais são as outras tradições onde a historieta não foim il vezes pior. Por exemplo- os protestantes ou os muçulmanos.
    Não faz o menor sentido atirar-se as culpas para um passado milenar, sem se saber como seria a vida sexual entre os pagãos ibéricos…

  9. Boa noite sem-se-ver! O Consentimento Informado deixa claro que o meu site não controla o IP porque (estou mais ou menos a “citar” o técnico, não estou a reproduzir as suas palavras mas sim o que acordámos, não estranhem se estiver a dar uma calinada técnica):
    – O Questionário foi desenvolvido por um técnico que a meu pedido não configurou o web server para recolher esse tipo de dados;
    – De qualquer forma, eu própria não tenho acesso ao web server onde ficam os dados, recebo uns ficheiros cheios de números que correspondem à categorização das minhas questões;
    – Pelo que eu percebi (e nisso sou eu que sou mesmo burra) mesmo quando há IP´s estes são normalmente não fixos, variam (?);
    – Resumidamente, ficou acordado que esse dado não seria recolhido de forma a poder constar essa informação logo no consentimento informado.

    Eis o que sei explicar.
    Se tiver mais dúvidas contacte o recolha.de.dados@gmail.com

    Obrigada

  10. patrícia, uma boa ideia seria criar a possibilidade de se deixar a resposta ao questionário a meio para se retomar mais tarde. é bastante demorado e no caso de interrupção seria conveniente poder-se continuar, sem se perder nada. há por aí testes/questionários em que isso é possível. deixe ver se descubro o link para um a que respondi recentemente, deixado aqui pela zazie, para sua referência.

    adenda:
    aqui está ele, lembrei-me que o animal mo mandou por mail.

    http://www.bbc.co.uk/science/humanbody/sex/index_cookie.shtml

    já agora recomendo aos leitores, é um teste bem giro de se fazer.

    quanto ao seu, também já respondi. cláudia, por amor de deus, não custa nada, é só um tempito.

  11. Obrigada Susana, é uma excelente sugestão, mas essa possibilidade nesta fase implicaria fazer testes, o que é altamente desaconselhado enquanto o estudo está a decorrer.
    Para a próxima não deixo escapar essa opção!
    Muito engraçado o teste que enviou! O grafismo é muito apelativo!
    Acho que vou linkar em breve!

  12. Patrícia, nós é que agradecemos o teu trabalho. Desejo-te o maior sucesso com o material recolhido.
    __

    zazie, mas qual é a tua? Então não é óbvio que os católicos são uns taralhoucos no que à sexualidade e à mulher diz respeito? Até os protestantes têm mais bom senso e sensibilidade, como a Escandinávia (mas não só) o prova há tanto tempo. E ainda mais saudáveis são os judeus, ou a influência judaica. Preferíveis aos judeus, só temos o “Papalagui”. É o melhor tratado sexual do Ocidente, de longe, e vem de um alemão.

  13. Valupi:

    Claro que os padres e religiosos são completamente passados com a história do sexo. Mas isso são todas as religiões. Olha: os evangélicos são mil vezes pior- vê o caso das crianças bruxas em África. E os muçulmanos sempre foram uma ternura em relação a elas.

    O que tu dizes não faz sentido- comparas países e não religiões. Nesses países a libertação sexual foi uma resposta ao Bible Belt. Quanto aos judeus e judiarias e o trato em relação às mulheres é só estudar. Era bem pior.

    Por isso, o que dizes não faz sentido, a menos que reques à vida sexual dos lusitanos ou às macacadas da elite romana. Tirando os etruscos, sempre foi assim. Não existe tradição religiosa com liberdade sexual (excepto o hinuísmo, mas também sem nada de popular).

  14. Quanto aos evangélicos, vai ao Trento na Língua e lê o que por lá se diz…

    Nem calças elas podem usar, ou mini-saias. Só saia pelo joelho… Isto foi confirmado pela Hadassah, uma rapariga normal tuga. Pergunta ao Tiago Cavaco.

    É que tu falas de “países protestantes” com modas que nada têm a ver com a religião, e comparas com religiões opostas.

    Que eu saiba, por cá também o que mais há é maluqueira sexual completamente livre. Basta lerem a Maria para todos quererem atingir aquelas performences, vendidas como saúde.

    Esta treta da sexualidade e dos seus ditos problemas, é mais dos mesmo- uma variante de consumismo neo-liberalóide.

    Quem é normalzinho da silva não vai atrás dessas patranhas. Por isso é que o sexólogo meu amigo se deixou disso, Diz que quando lhe aparecem para lá casais a falarem em problemas de cama, a primeira pergunta que faz é se gosta do marido, ou (no caso de ser homem) gosta da mulher. Se gosta, que vão em paz.

    “:O)))

  15. Mas essa mania da tradição católica ser a mais repressora em relação às mulheres é mesmo um chavão e um mito.

    Sendo assim, nem sei para que ainda se preocupam a falar das mutilações genitais de tradição muçulmana, ou o que é a variante masculina entre judeus…

    É que é mesmo um mito sem ponta por onde se pegue. E depois vai sempre dar ao “liberalismo” das montras nos países-baixos ou à Escandinávia. Como se a par disso não existisse a maior repressão religiosa e até leis autónomas para cantões que seguem a tradição. As mulheres nem podiam votar, ainda há bem pouco tempo, em certos locais da Holanda. E nem televisor era premitido.

    Pergunta ao Ferndinand.

  16. zazie, tem 357% de razão o teu amigo sexólogo. E colhe recomendar Erich Fromm, e citar a sua ideia de que o amor não nasce da técnica sexual, antes todas as técnicas se aprendem no amor.

    No resto, estás a mangar. Porque não há religiões sem países: é precisamente ao contrário do teu pressuposto. Não há uma única religião viva (isto é, com praticantes) que não seja moldada etnograficamente. Só teoricamente, abstractamente, se pode falar de religião como apenas um corpo de textos, práticas e simbolismos, etc. E para não ir mais longe, vide o catolicismo espanhol na comparação com o português.

    Mas mais grave: mandaste a historicidade para o galheiro. Claro que todas as religiões foram sexualmente repressivas, porque – óbvio – as religiões são social, política e culturalmente repressivas em todas as áreas. Se as deixarem, as religiões governam. Ora, não é disso que se fala, nem das variantes fundamentalistas ou perversas aqui e ali, mas da sociedade secular contemporânea. Esta, apesar do tanto que conquistou em liberdades individuais, morais e sexuais, continua na esfera de influência de “superestruturas” (um toque marxista fica sempre bem quando se trata de cascar no ópio do povo) cuja origem é religiosa. É o caso português, onde existe uma neurose colectiva que nos reprime sexualmente ao nível do discurso, da reflexão e, por isso, das experiências. Isso explica as disfunções correntes onde reina a irresponsabilidade criminosa.

    Quanto à Escandinávia, não falo dessas montras, falo das outras. Falo do acesso à educação, ao emprego e ao poder político. A mulher escandinava, e a mulher protestante, tem uma melhor qualidade de vida do que a da mulher latina e da mulher católica. Tudo isto se relaciona com a sexualidade, a montante e a jusante.

    Por fim, o meu querido judaísmo faz do sexo uma “mitzvah”. Já os católicos, foram buscar veneno aos maluquinhos dos maniqueus, através de Santo Agostinho. Grande azar…

  17. Pois tem, o meu amigo tem razão e nem digo quem é porque é bem conhecido (não é o sexólogo moviflor).

    Quanto ao resto, não leste bem o que eu escrevi. Já estava à espera desta resposta. Ora relê lá. Eu não disse que as religiões não eram repressivas. Confirmei-o. Mais- disse até que os religiosos são a dar para o perverso, nessa questão sexual- confirmei-o. A diferença é que entre todos eles, não é na religião católica que encontras mais paranóia sexual e, muito menos, repressão ou secundarização em relação às mulheres. Tens isso tudo, e muito mais agravado, em todas as outras religiões. Depois tens é países e sociedades mais “modernizadas” e outras mais conservadoras e atrasadas (por assim dizer).

    Mas não podes, com legitimidade de nenhuma espécie, atribuir à religião católica, pior tratamento dado às mulheres, sob pena de estares a passar cheques em branco a todas as mutilações genitais, apedrejamentos, ou extermínio como entre muçulmanos ou chinocas.

    No que toca aos protestantes, também são piores porque derivam da grande alteração que se deu com a Reforma, ou, no caso oposto, com o Concílio de Trento. A Igreja medieval era bem diferente e muitíssimo mais livre. Eu sou pré-trentina. O que veio depois pouco me interessa.

    Agora se queres dizer que a religião católica (sem comparar com mais nada) é anormalzinha em relação aos “pecados” da carne, é mais que óbvio. Nisso já tínhamos concordado aqui há tempo. Só não vale é dizer assim, retirando tudo o resto de cena, ou dizendo que os evangélicos e puritanos sempre foram mais tolerantes, apenas porque nos países nórdicos há ribaldaria.

  18. Disseste que não existe religião com liberdade sexual. E disseste que a religião católica não era a mais repressora. E eu apontei que a repressão religiosa é extensiva a todas as áreas da actividade humana. A religião é totalitária. Nisto, estamos de acordo. Contudo, o debate não era comparativo, mas afirmativo: “Portugal é um país sexualmente doente, como qualquer sociedade de herança cultural católica tem de o ser.” Não impede que se seja mais doente ali ao lado, como a mutilação genital o prova barbaramente, ou como o islão exibe em qualquer sociedade por ele inspirada. A questão remetia para Portugal, onde a influência católica, e de facto, reprimiu a sexualidade do povo. E continua a reprimir, já não pela sua influência directa mas pelas matrizes culturais que levam um tempinho a passar (e que estão a passar, como se vê desde os anos 80).

    Nos países nórdicos há saúde, inteligência e maturidade. Mas até os alemães, holandeses, ingleses, franceses e americanos são mais realizados sexualmente do que os portugueses, nisso de não carregarem paranóias agostinianas e paulinas (os principais autores da desvalorização e diabolização feminina, fontes donde nasceram todas as perversões católicas em relação ao sexo). Não por acaso, Manuel Bandeira falava do Brasil ser Portugal à solta…

    Entretanto, é confrangedor assistir ao modo como a Igreja não lida com o flagelo da homossexualidade e pedofilia entre os seus sacerdotes, educandos e pessoal auxiliar. E a questão não é a da orientação sexual, é a da coerência com a função, pois o mesmo se aplica às disfunções heterossexuais. Apenas se dá o caso da pedofilia homossexual ser especialmente grave adentro da Igreja. Pura e simplesmente, não sabem o que fazer. E, só por isso, deviam todos parar já. Algo de absolutamente errado está a acontecer, e dura há séculos e séculos.

  19. Concordo contigo genericamente. Só não sei se por cá somos assim mais reprimidos que noutros lugares porque não existem estudos.

    Quero dizer, concordo que esse é um dos aspectos que sempre me irritou na Igreja Católica (de um modo geral gosto dela). Só não sou capaz de formular a questão noutros termos- como seria se não fosse esta a tradição?
    Por outras palavras- alguma vez foi melhor numa sociedade ateia, como nas comunistas?

    É que estamos a confundir 2 questões:
    1- a sexualidade – mais ou menos livre, como também o foi na Igreja medieval primitiva- a pré-trentina.
    2- o lugar que a mulher sempre teve no passado, em todas as sociedades.

    E é aqui, nesta segunda questão, que não me parece que a secundarização ou tratamento em relação às mulheres se altere com outras tradições sexualmente bem mais livres. Tens o exemplo do hinduísmo, em que o sexo até está inscrito na própria religião. Mas essa liberdade nunca foi acompanhada de atribuição de direitos para as mulheres. O mesmo sucedia (e sucede) na China. As mulheres até tinham um lugar muito importante na família- a avó era a figura principal. Mas nada disso tinha correspondência com dignificação a outros níveis sociais- era um mero destaque no interior da família- nunca por autonomia de género.

    É por isso que até penso que as questões colocadas no dito teste me parecem confusas.

    Qual a relação entre práticas mais livres sexuais e paridade social entre homens e mulheres? Eu não sei. E nem imagino que seja possível obter-se ganhos sem que acarretem outro tipo de perdas.

    Quais foram as consequências para as mulheres da “revolução sexual” dos anos 60? ou do feminismo? Foram só ganhos? não me parece. Por isso é que torci o nariz a este tipo de “tratamentos”. Porque, como tu disseste e muito bem, a grande questão sexual é o amor- o resto é conversa. Fora isso temos maior ou menor tolerância face a outras questões, como a homossexualidade, mas não vejo esses aspectos marginais como necessárias alterações de estruturas familiares e muito menos como positivas formas de quebrar a tradição- com a própria ordem que sempre estruturou as socieades.

    Se reparares é aqui, nesta necessidade de manutenção de uma ordem, que as outras religiões colocam a tónica. E é por isso que acho curioso o contacto (mesmo que apenas virtual) com outros portugueses evangélicos com uma moral sexual e tradição familiar muitíssimo mais coesa que a nossa. E não encontras diferenças sociais que a expliquem. Apenas a necessidade de preservar uma minoria religiosa num país de tradição religiosa católica, bem mais laxista.

    Não quero dizer que me agrade o moralismo sexual evangélico. Mas percebo a sua existência. E percebo que seja muito mais exigente num país católico que num país em que essa religião é dominante. Há uma necessidade natural de preservação de tradições quando a ameaça à dissolução está bem presente.
    É capaz de ser por efeito oposto que as minorias sexuais desejam o oposto- pelo mesmo tipo de proselitismo.

  20. Agora tens toda a razão em relação ao modo doentio como a Igreja Católica sempre lidou com as taras proibidas e tão apetecidas. Acho piada, enquanto fantasia, a essa perversidade tão engenhosa, mas concordo que é bem contraditória e pouco saudável. Simplesmente não creio que a Igreja tenha grande peso na vida das pessoas, a esse nível, pelo que prefiro defendê-la do jacobinismo que é bem mais hipócrita. O jacobinismo ganha terreno à custa de um hedonismo egoísta que até já nada tem da tradição da festa medieval. E vende porque é “científico” e racionalista. E o Deus da razão é capaz de causar bem mais danos que uma Igreja Católica cada vez mais ultrapassada por uma sociedade que se desumaniza, mesmo (ou principalmente) quando julga que se está a humanizar num mundo-às-avessas.

    Temos um exemplo recente que ilustra bem a questão. O aborto, transformado em nova conquista de género- apadrinhado por jaconinos, feminismos e liberalismos e com toda a legitimidade científica.

  21. Mas achei piada quando dizes que os americanos e ingleses são mais realizados sexualmente que os tugas

    ahhaha

    Porquê? os ingleses? porque se embebedam mais ao fim-de-semana e reprimem nos outros dias? os americanos daquele interior puritano com mais tara que todos medicis juntos?

    Acho que fantasiamos esta historieta. Eu própria só sei de mim e já me chega
    eehhe

    Não imagino em que possa consistir essa “realização”. Ou então, sou tão normalzinha que nunca pensei no assunto. Acho é que se vendem mais problemas que os que existem. E os psicos são os grandes responsáveis pela invenção de doenças. Que mais não são que projecções das pancadas deles e do negócio a manter, ou da crença no determinismo e condicionalismo científico.
    À parte isso, lá hão-de existir disfunções, como em tudo, está visto. Mas nada de muito diferente da existência de reumatismos ou problemas da coluna
    “:O))

    (sempre que me lembro dos mitos que se vendem em livro à custa da menopausa… que é outra treta ficionada para vender livros e alimentar a indústria farmacêutica).

  22. hum. Eu sou pagão, embora goste Cristo e já é altura de tirá-lo da cruz,

    O frei Bento diz que o cristianismo foi uma religião propagada por mulheres

  23. Concordamos em muito. Mas algumas das questões não são as mesmas, ou não estão a ser vistas da mesma perspectiva. E a principal é a da noção de repressão. Aparentemente, entende-la como obstáculo à quantidade e tipologia dos contactos sexuais. Daí o simétrico das “montras” e supostas ribaldarias nórdicas, etc. Não é esse, porém, o meu entendimento da repressão. Seres reprimidos sexualmente podem até ter constante actividade sexual, e libertina. Do que falo remete para a inteligência da sexualidade, a sua compreensão no contexto maior da noção de pessoa, do estatuto social e político da mulher e da temática do sentido da vida como realização idiossincrática e comunitária.

    Por exemplo, hoje sabe-se que homem e mulher não podem – e por isso, nem o devem tentar – ter a mesma dinâmica psicológica e fisiológica na vivência do desejo sexual. Os homens mantêm uma constância desiderativa pela experiência sexual ao longo de toda a sua vida (declinando com a idade, claro), enquanto as mulheres reduzem o seu interesse e disponibilidade interior quando em relações estáveis e/ou havendo filhos ao seu cuidado (independentemente da sua idade). Só isto já dava que pensar o bastante para começarmos, finalmente, a conhecer o que seja isso de se ser mulher ou homem. E por exemplo, a questão dos métodos anticoncepcionais de eficácia máxima, como a pílula, criaram uma situação nunca antes experimentada na História: a fêmea a poder controlar a natalidade através de decisões individuais. É um fenómeno recentíssimo, quais as suas implicações antropológicas? Eis outra área de investigação crucial que permanece abafada no debate público. Enfim, são apenas dois exemplos de repressão, tal como eu a estou a significar, a qual é o resultado da neurose católica (e não só, pois, mas isto é uma diatribe, não um ensaio).

    Um aspecto muito complexo é a tua referência à sexualidade pré-trentina. Não sei a que fontes te referes, mas a questão escapa à lógica da que aqui discutimos. Porque não está em causa fazer comparações, repito, sequer identificar a idade de ouro ou o Shangrilá da sexualidade. Para mim, nunca houve tempo melhor do que o nosso. Aliás, não há outro… A questão é política, tal como também dizes, e, sem o advento das sociedades secularizadas e democráticas no Ocidente, nunca a mulher foi integralmente respeitada como pessoa. Mas há exemplos notáveis, parcelares, de saúde em todo o Mundo. Falas do hinduísmo, o qual é bem mais favorável ao prazer sexual feminino do que o catolicismo (que nem sequer fala dele!), mas podemos chegar ao anedótico japonês, onde as famílias tomam banham juntas e com outras famílias. Por contraposição, o catolicismo é paranóico e obsessivo na relação com a nudez. E podia continuar a passear-me nos manuais de antropologia e a recolher exemplos.

    Nesse sentido, a revolução sexual dos anos 60 cumpriu a missão de assinalar a nova tecnologia (a pílula) e de curar a ressaca da desgraça da Guerra. Mas não podia dar mais, pois os problemas da sexualidade não se resolvem com mais sexo, como temos os dois aqui andado a dizer. Quanto aos ingleses and all serem mais realizados, atenção, apenas nisso de não carregarem dualismos e misoginias encapotadas. Porque no que diz respeito à dimensão pessoal, a questão nem se coloca, obviamente.

  24. Dediquei-te um post, ó Valupi. Tenho por lá muitos outros no género que ilustram o que queria dizer. A Igreja medieval, a inicial, teve essa espantosa capacidade de conciliar o sagrado com o profano, sendo muitíssmo mais livre da dos nossos dias. Foi a partir do Concílio de Trento q

  25. ups! saltou. De trento que tudo isso se modficou. E este aparte serve também para desmistificar o outro chavão (muito comum entre jacobinos) que o pagansimo é que era bom, porque não tinha dogmas nem crendices. Quando era mil vezes pior e foi graças à Igreja que muitas tradições bárbaras se humanizaram. Isto, nos primeiros tempos, claro, na Alta Idade Média. Quanto mais se avança mais a Igreja vai separando o ser humano da criação, atribuindo-lhe a centelha divina na razão. Não faltou muito para que esta centelha racional mate Deus e o substitua pela crença da Razão.

    Claro que não queria dizer que estes tempos foram melhores que os presentes. Apenas fazer notar que aquilo a que se chama ” a tradição do catolicismo” ou “da Igreja” também já foi coisa muito diferente. É raro pensar-se nestes detalhes, dada a mania de associar a Idade Média às trevas.

    Este é um aspecto. O outro, os tais estudos e diferenças entre mulheres e homens, também suponho que tenham boa parte de verdade. Mas, o certo é que as diferenças me parecem existir muito mais individualmente que outra coisa. Pela mesma razão que há pessoas com maior ligação à natureza sem essa praga das alergias, por exemplo; e outras com menor efeito sensitivo.

    No entanto, a questão principal que até o dito inquérito levanta, é a familiar. O bem-estar familiar, para além do par. Mas é claro que a sexualidade não se reduz à família ou à estabilidade afectiva e é por isso que também sempre existiu todo um tempo de aventuras e seduções que são o sal da terra.

    Quanto aos ingleses, os gajos são como todos os ilhéus. Um pocinho de pancadas. Claro que os curto muito por causa do sentido de humor. Mas tu, se conheceres aquilo de perto, percebes rapidamente que o que mais existe é tara sexual com crimes praticamente diários, como nós desconhecemos. Não mudou assim tanto, desde o Jack o Estripador. Nós somos uns básicos a vender saúde, ao pé deles.

  26. Claro que eu insisto muito na Igreja medieval por deformação de gosto, mas é um facto que muitas vezes penso que o que seria desejável não era um mundo ateu mas a manutenção dessa velha mistura sagrada e profana entrosada na vivência popular. Este é que é o bom sentido da religião, porque é suficientemente aberto, com derivas e iconoclastias q.b, capaz de manter uma coesão e ritimos próprios que nada têm a ver com a terraplanagem do presente.

    Ainda sonho com estas ideias de municipalismos e tradições autónomas, à Alexandre Herculano. Nunca consegui encontrar panorama melhor e muito menos vejo neste liberalismo ateu e egoísta; ou no totalitarismo jacobino, qualquer alternativa ou receita melhor.

  27. zazie, terás alguma razão, mas não podes dizer que a igreja católica está mais certa porque já esteve mais certa. a igreja católica é todo o conjunto do que foi e do que passou a ser. sendo o presente mais actual do que o passado, portanto mais definidor do que é a igreja católica.

    belas imagens as tuas na cocanha. a que tens abaixo do macaco sedutor é uma maravilha. mostra mais, please.

  28. valupi,
    Um mimo de comentários e respostas. O prazer de ler intaligência. Prémio ‘melhores citações do ano a propósito do tema’, destacado: Fromm, adequadíssimo na circunstância, e o Manel Bandeira feito cereja no topo. Ès o maior, às vezes, muitas.

    zazie,
    Um mimo de comentários e respostas. O prazer de ler intaligência. É um prazer ver-te em forma, embora com uma velocidade longe das tuas melhores marcas. Um beijo na mão.

    Patrícia,
    Tire daqui a sua lição primeira sobre o tema que nos trouxe: o sexo pode ser simples ou complicado, mas pensar atrapalha, no mais das vezes.

  29. Thanks, ó malandro de rvn. Realmente estava a petiscar com a outra mão
    ehehe

    Susana: eu não disse que a Igreja estava mais ou menos certa. Eu apenas questionei duas coisas: a noção de Igreja Católica como algo sempre idêntico ou como o presente (quando já foi muito diferente); a alternativa de socieadades sem religião.

    Foi apenas isto. E achei que entre ganhos e perdas, o mundo ateu não é melhor, e a religião católica não é a pior. Sendo que o que considero mais verdadeiro são sociedades em que a religião está entrosada com a vivência tradicional do povo, sem que o o sagrado se perca por se misturar com a tradição pagã. E acho que aqui sim, é que está toda a mais valia de uma resistência à terraplanagem destes novos tempos.

    (o sexo entra nisto, porque só não entra e fica doente quando se perdem estas boas raízes mais humanas).

  30. zazie, respondi no delicioso post que me dedicaste. Quanto ao que aqui dizes, claro que taras sexuais há em todo o lado. É um continente ainda por descobrir, o da sexualidade. Até o Freud se espalhou ao comprido.

    A solução não está nas religiões nem no ateísmo. E é libertador sabê-lo.
    __

    Rui, continuas em festa, ’tá visto. A oferecer presentes ao pessoal.

  31. eu não vejo terraplanagem, vejo uma paisagem epigenética e desdobrar-se no espaço e no tempo

    (também gosto muito de sopa de grão com espinafres e cominhos)

  32. passo este totalitarismo ao Endovélico,

    “Pessoa lutava, no plano religioso, por um «paganismo superior», que integrasse e fundisse «portuguesmente» todos os deuses e todos os credos, e lutava também, pela força do verbo, por um universalismo que, com base nas virtualidades da língua portuguesa, ensinasse cada homem a «ser tudo de todas as maneiras», pois que a verdade estava em «não deixar nada de fora», o que seria afinal o mesmo que ensinar todos os homens a serem portugueses.”

  33. Pois é. A solução da sexualidade não está nas religiões nem no ateísmo. Estará sempre no “fazer orelhas moucas”, como o macaco do S. Brás.

    A única finalidade da moral católica é mostrar aquelas “bandeirinhas” a dizerem que não se deve fazer. Apenas para que se saiba. E é em relação a estas “bandeirinhas” que sempre foram sanções de reprimenda e não condenações de lei, que os jacobinos dos nossos dias terraplanam e transformam tudo em obrigatório. O que não é proibido é obrigatório, é a máxima deste admirável mundo novo da lei positiva uniformizadora.

    “;O)

  34. De acordo com a nova lei jacobina da dona Maria de Lurdes, uma escola em S. Brás de Alportel, nunca poderia ter o nome do santo. E, para ter o da terra, também se tinha de chamar Senhor Brás de Alportel, por causa da sensibilidade de cadela laica.
    Ainda que o dito S. Brás, fosse dos santinhos mais pagãos e com tradições menos ortodoxas, desde os mais antigos tempos.
    Mas é assim, e o pior é que há toinos que gostam, porque parece de esquerda, muito moderno, mesmo com estes laivos de ditadura.

  35. caralho, não é primo!, e eu já tinha obrigação de confirmar primeiro

    mas como se pode ver já estou com os olhos a fechar e vou dormir na mesma

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