14 thoughts on “Serviço público”

  1. Coincidência a Isabel ter estado internada no Santa Maria ao mesmo tempo que o Carlos Antunes, seu companheiro de outrora, que infelizmente teve sorte diferente. Duas grandes histórias de vida, para quem as quisesse e soubesse contar.

  2. Quão diferente o pensamento da Isabel do Carmo de quando em 1974 queria, uma noite, com os seus das BR e os operários da Lisnave fazer uma manifestação até ao Copcon onde estaria o Otelo para tomarem o poder. Fizeram a dita manif., a comissão de trabalhadores da empresa onde trabalhava recusou alinhar e foi ameaçada e no fim o Otelo não foi à reunião (revolução) e tudo deu em nada ou, melhor, chegou a esta pungente e lúcida opinião com argumento de experiência própria tirada de sua actual vida corrente.
    Na verdade o modelo de tolerância, conflito e convergência de opiniões inerente à democracia é, à sua pequena escala, e de certa forma, uma imitação do modo dialéctico como evolui a civilização humana.
    Assim pode hoje a Isabel ex-revolucionária expressar um pensamento não-político e assertivo relativamente ao processo de pandemia em curso ao contrário de um anormal grupo de jornalistas, opinadores de fora, quadraturas, eixos e governos fedorentos assim como jornalecas à espreita das entradas dos hospitais na tentativa de constatar o mal maior e quando não o encontram fabricam um qualquer.
    E todos à maneira da Manuela F. Leite têm o don de serem presciêntes; sabem tudo o que vai acontecer, contudo, forretas não contam a ninguém e sobretudo nunca usam esse don de presciência própria para atingirem os seus objectivos políticos; são no fundo uns utilizadores políticos do conto do vigário que quer vender o falso bilhete premiado.
    Esta visão da Isabel sobre a actual situação nos hospitais diz-nos algo mais próximo da possível racionalidade de modos de operar dos trabalhadores da saúde nos hospitais ao contrários dos montes de microfones de estúdio e de rua que infernizam a nossa vida com anúncios de catástrofes a toda a hora.

  3. Se o Otelo estivesse disposto a levar estes jornalistas da treta para o Campo Pequeno, e a todos fizesse muitos testes com zaragatoa anal …
    Não se podem ouvir,naquela competição de disparates. Não há cão que aguente…

  4. Alguns comentários (no ‘Público’) ao artigo de Isabel do Carmo mostram bem que os fósseis salazarentos que formam a base de apoio do bácoro nazi de aviário ainda não deram todos o peido final. Não passam, felizmente, de 12% e os filhotes (neles incluído o bacorinho), não irão nunca a lado nenhum, excepto a um ou outro programa de televisão que não tenha mais nada para ocupar antena.

    Alguns desses fósseis merdosos, enquanto se babam copiosamente, insistem no passado “terrorista” de Isabel do Carmo. Desse passado lembro, por exemplo, a bomba colocada no antigo Ministério das Corporações (hoje Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social), na Praça de Londres. Os terroristas das BR de Isabel do Carmo e Carlos Antunes tiveram a madureza de, antes da colocação da bomba, elaborar uma lista o mais exaustiva possível de números de telefone de moradores da zona que poderiam assustar-se com o rebentamento. Depois, antes da hora prevista para a explosão (não sei exactamente quanto tempo), puseram um grupo de apoiantes a telefonar para esses números e a avisar as pessoas de que iam ouvir um grande estrondo mas que não se preocupassem, porque não havia qualquer motivo para susto nem alarme.

    De “terroristas” assim só posso sentir-me orgulhoso e uma “terrorista” como Isabel do Carmo (ou Carlos Antunes) humedece-me os olhos de vaidade. Para um país que produz “terroristas” deste calibre nunca nada estará perdido e são “terroristas” como estes que me consolam por ser nado e criado na Tugalândia. Nada disso me impede, porém, de apreciar a lucidez de um dos comentários no Público ao artigo de Isabel do Carmo, que a seguir copy-pasto, de uma ‘Ana Cristina’:

    “tenho o meu pai numa enfermaria, a ser diligentemente tratado como aqui é descrito. não é esse o ponto. os profissionais de saude em portugal estão de parabens. o problema é a governação. as regras incoerentes. os atrasos na tomada de decisão. a falta de planeamento de recursos, com ministros a dizerem que “não era imaginável” há uns meses o que ia acontecer. o tom satisfeito e arrogante, impermeável à critica e aos apelos. o costa sorridente no dia em que mais mortos houve até agora….. esse é o problema. não os médicos e as equipas a lutarem e darem tudo quanto podem. não os bombeiros a passarem fome à porta do hospital.”

    Infelizmente, tal como a mesma comentadora noutro comentário um pouco mais à frente, também eu não vejo, na alegada oposição, alguém que pudesse fazer melhor, antes pelo contrário. O Rio vai atrás do Costa porque não faz a mínima ideia do que poderia fazer diferente, enquanto arrota umas postas de pescada inconsequentes de comentador desportivo que, depois do jogo, sabe tudo o que correu mal mas nada sobre como poderá correr melhor. Os mabecos da orquestra que dirige largam, de vez em quando, uns latidos e rosnadelas não menos castrados, só para marcar presença. O Jerómico gerontómico joga constantemente a dois carrinhos, com a incompetência que lhe é (re)conhecida, tentando, por um lado, capitalizar (vade retro!) na incompetência pandémica do Governo, que obrigaria a medidas mais restritivas (e inteligentes, coisa de que ele não sabe nada), e, por outro, na angústia e descontentamento generalizados com as consequências económicas e sociais do confinamento. Tudo para tentar recuperar alguns votinhos, o que, obviamente, não acontecerá. A garina Martins está mais ou menos na mesma onda do Jerómico, mas em estilo abstencionista “ai tu não me comprometas”, ou seja, de um modo mais ambíguo e, falando claro, mais cobarde. Do garoto com prisão de ventre da bola ao centro nem vale a pena falar, até um esquerdalho como eu se sente incomodado com o espectáculo lamentável do lento apodrecimento da chafarica que “dirige”. E da pocilga infecta do bácoro nazi de aviário não falo porque não quero, não há nada na decibélica chafurdice do animal que mereça sequer uma análise.

  5. Há quarenta e um anos Isabel do Carmo mais o filho, devia ter uns três, quatro anos, passou em trânsito pelo Estabelecimento Prisional de Coimbra como reclusa. Foram tempos difíceis, julgo eu, mas ainda bem que ultrapassou isso tudo. Hoje presta um serviço de primeira necessidade aos mais carentes e testemunha como são tratados os doentes nos hospitais. Fico-lhe grata. É destes testemunhos que precisamos. Também eu presenciei a forma como éramos tratados, embora, passasse apenas umas doze horas, mas vi como as enfermeiras/os nos tratavam. Com um profissionalismo e carinho que é digno de registo. Aproveito a oportunidade para agradecer a todos. Obrigados.

  6. A mentira do Costa acerca do desconhecimento da variante inglesa, dita com o envolvimento emocional de uma desculpa de trabalho “chefe desculpe chegar tarde, tive que ir por as crianças à creche”, só está ao alcance de um perfeito canalha. Até Boris Johnson teve mais dignidade.

    Não me farto de espantar com a esquerda, por todo o lado auto-censura , guerreiros de teclado e minnions. A obediência ê para com o chefe, já não para com os mais fracos. Um estranho culto de personalidade e pequenez, só câmaras de eco. Orwelliano.

  7. Strummer:
    Que ocasião soberana para acenderes a tua luz própria e, com a clareza das tuas soluções, cegares a canalha orwelliana, a não orwelliana, o Governo, quiçá o Marcelo !
    O cavalo da sabedoria, hélas, passa raramente à nossa porta, e é criminoso não o montar nesse ensejo, mesmo que muito espantado com a Esquerda !
    A raiva manifestada contra as conferências, entrevistas, inquirições e demais discursos directos demonstra como tal incomoda a fauna das águas turvas , que não sobrevive â claridade e à limpeza

  8. não há qualquer dúvida que o governo está a ser muito incompetente , anda à nora . nenhum. nenhum país está pior que na primavera , exceptuando este. ultrapassamos os records todos e as mortes que há hoje são fruto da incompetência na gestão dos recursos , da falta de planeamento atempado.
    e ser de partidos deve ser mesmo muito chato , não me consigo imaginar sem poder expressar o que penso…

  9. Agora deviam montar a tenda de campismo a frente da A.R. mas da outra vez levaram os bolides outro esqueceu-se do iate ,não têm vergonha na cara os que andaram a pedir o alrgamento de horário para as 3 da tarde ,agora estão muito calados mas o povo não esquece !

  10. Fantástico texto de Isabel do Carmo. Descreve com rigor. Dá-nos uma imagem do interior de um hospital com lucidez e subtileza. Uma lufada de ar fresco, entre o pesadelo asfixiante de notícias trágicas e verdadeiras misturadas com excessos de linguagem, tiradas à feirante e ataques politiqueiros disfarçados. Arre que estamos fartos de prognósticos no fim do jogo!
    Neste fim de semana temos ainda umas luminárias a tirar da cartola a ideia de “governo de iniciativa presidencial”, adiamento das autárquicas, o “caso” das escutas em que Costa é “apanhado”. A frustração põe os derrotados aos berros.
    Há ainda a infame exploração de episódios de vacinas ministradas indevidamente ( em alguns casos, sim, noutros, não). Cria-se um deplorável clima de mesquinharia. Faz lembrar uma família em pobreza extrema em que os famintos olham para o prato do lado para ver se o irmão come mais migalhas do as que lhe couberam. Só nos faltava mais esta!

  11. o texto da senhora vale tanto como um do pm. quem é que acredita que foi tratada como se não fosse uma médica do sistema? é para rir mesmo , a senhora doutora isabel do carmo , um das mães do sns , tratada como a porteira cá do prédio? comem propaganda ( o sns está um caos !! tá nada , olhem como a madame foi bem tratada ) e gostam . ok , fastfood é bom para pouco exigentes com determinado tipo de cozinheiros.

  12. Gostei muito deste teatemunho e relato da Isabel do Carmo, obrigado pelo link .
    Não me pronuncio pelo percurso poltico e opções de luta, apenas deixaria uma reflexão sobre o modo desigual como foram tratados, os chamados bombistas de esquerda e os bombistas de direita .
    E quanto ao apodo “ militares de esquerda “ ?
    Mas ele não há militares de direita ?
    Conheci pessoalmente em Penafiel, no RAL 5, o então capitão de artilharia Dinis de Almeida, um militar corajoso e íntegro, que tratava correctamente os milicianos e os soldados, e também correctamente, os militares do quadro, porém com exigência acrescida, por serem profissionais . Assim, estou a vê-lo a descer a escadaria e, serenamente, a dizer aos sargentos do QP que aguardavam em grupo, e ansiosos, o indispensável papel, que não lhes dava licença para irem para casa, porque o quartel estava em prevenção rigorosa e ninguém podia sair, assim sendo – e foram palavras ditas por ele, – se os que não eram do QP, não podiam sair, muito menos eles, que eram profissionais .
    Depois do 25 de Novembro foi remetido para uma sinistra prisão no norte, em Custoias, para uma cela equipada com balde de merda . Ele e o major Tomé .
    Não obstante existir uma presídio militar perto, em Santarém …

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