Serviço público

Na quinta-feira, o Fórum TSF foi sobre “A polémica da sobretaxa”. Na abertura, foram passadas as últimas afirmações de Paulo Núncio no Parlamento, onde negou ter sido feita uma promessa eleitoral e onde se defendeu recorrendo à palavra “metodologia” – isto é, disse que a culpa pela trapaça não é dele nem de ninguém que ele conheça, é da “metodologia”. Minutos depois, no programa, passaram-se as declarações de Passos Coelho em campanha onde não só prometia os tais 35% aludidos como deixava no ar que se ia devolver tudo e mais alguma coisa. Para um retrato ainda mais completo: Gente que fez cálculos que batiam certo com a propaganda do Governo

Chamo a atenção para duas intervenções. A primeira, de Helena Garrido, a qual começa no minuto 19 da 1ª hora. Desde que está a dirigir o Jornal de Negócios, as suas opiniões passaram a ter um indelével travo a Cofina. Não sei se sempre foi assim embora não me apercebesse disso antes, até recordo ter dela uma imagem de opinadora que respeitava a nossa inteligência. Não é essa a avaliação que faço nos últimos dois anos. Nesta intervenção no Fórum TSF, aparece a relativizar e desvalorizar a ocorrência, disparando em duas direcções: contra a “classe política” e contra Paulo Núncio. Ou seja, isto aconteceu porque os políticos são todos iguais (entenda-se: os outros, os do PS, fazem o mesmo) e porque o Núncio é um tosco (ou seja, Passos, Portas e Maria Luís não têm qualquer responsabilidade, foram vítimas da inépcia do secretário de Estado). Pelo meio, ainda teve tempo para nos dizer que os cofres estão cheios; portanto, Costa, nem tentes vir com desculpas. Que dizer? Dizer que é um espectáculo triste ver alguém a mostrar que não precisa de ter honestidade intelectual para abrir a boca em público.

A segunda intervenção que realço é a de José Heitor, começando ao minuto 40 da 2ª hora, e a qual encerra o programa. Se não sabes quem é o José Heitor, o que faz ou fez e onde mora, estás como eu. Tinha umas coisas para escrevinhar a respeito mas faço apenas o convite para que se sinta – e se veja – o que a sua voz exprime. Eis um pedaço do melhor de Portugal.

17 thoughts on “Serviço público”

  1. O ex secretário Núncio, sempre foi um omisso e mentiroso nas suas
    declarações nas Comissões da A.R. senão, vejamos nesta última, so-
    bre a devolução da sobretaxa, a certa altura depois de se defender
    com a tal metodologia, com ar desafiador deu a “volta” desta maneira;
    não me digam que o governo não quis receber os impostos!?! Na
    realidade o que parece é que, o governo reteve devoluções de impos-
    tos ( IRS e IVA) para empolar as receitas e dar a ilusão de uma devolu-
    ção que ruiu mas, isto não foi dito pelos inquiridores ou se foi já não
    me apercebi … esta é a triste realidade dos métodos desonestos!!!

  2. A lata de certa gente sobre a isenção brada aos seus: Ou não têm espelhos ou querem fazer dos outros parvos como a H.Garrido

  3. viva o José Heitor! que diz, com animosidade na voz e comparações simples, que os portugueses podem parecer mas não são parolos e que sabem bem perceber quando lhes estão a deitar banha da cobra para o lombo! :-)

  4. Os pequenos partidos da esquerda estão cumprindo rapidamente as suas agendas parlamentares.

    Desde as homo adopções e uniões, até à dispensa da Carolina fazer exame do 4º ano, tudo vai de vento em popa.

    Também os cachorros do PAN terão uma morte santa.

    E os excurcionistas trogloditas já vêm por aí abaixo em marcha triunfante.

  5. Cara Bombinha, como se isto não fosse permitido e tivesse algo de ilegal como por ex o que outros fizeram, ainda com maior rapidez e nas mais ultrajantes condições como foi o caso da TAP.

  6. Ó jv tudo é permitido em democracia, nada é ilegal, mas o que estes partidinhos estão a fazer é por enquanto apenas a cobrar uns pequenos juros ao PS, e isto só agora começa.

    É um apalpar de pulso.

  7. Querida Catrina Bombista: acha,deveras,que ser comunista é um aleijão de carácter? Em verdade lhe digo: estou melhor na presença de quem adopta e tenta seguir métodos científicos, porque confiáveis,ao invés de companhias crentes em toda a espécie de bruxarias, não passíveis de análise objectiva e quantificável. Acredita V. Exa. no Coelho e no Portas? Não consigo imaginar tamanha fé .

  8. Ninguém que entre pela porta pequena sai pela porta grande, em lugar nenhum do mundo em tempo nenhum do tempo… Quem entra pela porta pequena, mesmo saindo pela porta grande, estará a sair pela porta pequena… Sair pela porta grande para Costa é uma impossibilidade, é “um conto de crianças”… O povo e a história jamais esquecerão como é que Costa chegou ao poder: desrespeitando 40 anos de democracia, desrespeitando o partido vencedor das eleições, desrespeitando a escolha do eleitorado, somando o voto dos perdedores para conseguir um ganhador! Colocar a hipótese de Costa sair pela porta grande é pactuar com o princípio de que os fins justificam os meios… Para Maquiavel talvez, para o povo jamais…

    Enfim, tanto palavreado para dizer o que todos sabem: “O que começa mal tarde ou nunca se endireita.” O povo sabe e o povo nunca se engana!

  9. Qualquer dia declaram mais um tabu: primeiro tabu: a bancarrota (foi há 4 anos, para quê falar dela, isso é passado); segundo tabu: Sócrates (falar de Sócrates é misturar política com justiça, não dá votos); terceiro tabu: golpe de Costa ( continuar a questionar a legitimidade de Costa é alimentar feridas, ressentimentos, o país não pode perder tempo com essas questões, interessa que o governo governe, não se pode alimentar crises artificiais).

  10. Ó leitinho de Cabra, o comunismo é vítima de comunistas trogloditas.

    Noutros tempos já o PCI e o PCF lixaram e atrasaram a Itália e a França, enquanto os vizinhos com sindicatos civilizados (Alemanha, Inglaterra, Austria, Holanda ) iam de vento em popa.

    Mas após Praga, esses comunistas curaram-se.

    Por cá, o nosso PCP ainda vive em 1917 e já praticamente acabaram com o nosso fraquinho “empreendorismo”.

    A culpa não é do comunismo, é do PCP, troglodita.

  11. Isso, Ignatz, ou esperemos que o Filipa La Féria escreva finalmente por linhas direitas e que aposte na subida à cena teama de uma readaptação do Frei Luiz de Sousa passada a jornada do protectorado lusitano sob o jugo dos Habsburgos (os de Bruxelas e do FMI). Em ritmo rap, claro!* Apesar do dramatismo familiar excessivo, na recensão que estava aqui à mão, o papel de Romeiro esquecido assenta bem ao marido da dona Laura. Lembre-se que foi o Cavaco Silva que desejou ao Passos Coelho e ao Paulo Portas boa sorte… profissional, e então?

    D. João de Portugal (daria lugar a D. Pedro da Portugal à Frente, hoje)

    Nobre cavaleiro, está ausente fisicamente durante o I e o II acto da peça. Contudo, está sempre presente na memória e palavras de Telmo, na consciência de Madalena, nas palavras de Manuel e na intuição de Maria.

    É sempre lembrado como patriota, digno, honrado, forte, fiel ao seu rei; quando regressa, na pele do Romeiro é austero e misterioso, representa um destino cruel, é implacável, destrói uma família e a sua felicidade, mas acaba por ser, também ele, vitima desse destino. Resta-lhe então a solidão, o vazio e a certeza de que ele já só faz parte do mundo dos mortos (é “ninguém”; madalena não o reconhece; Telmo preferia que ele não tivesse voltado pois Maria ocupou o seu lugar no coração do velho escudeiro):

    D. João é uma figura simbólica: representa o passado, a época gloriosa dos descobrimentos; representa também o presente, a pátria morta e sem identidade na mão dos espanhóis / e é a imagem da pátria cativa.

    ___

    * Hamilton (excelente reportagem do 60 Minutes da CBS News, que passou ontem na SIC N, demonstra que o rap nestas coisas agora é um sucesso!)
    http://www.cbsnews.com/news/hamilton-broadway-musical-60-minutes-charlie-rose/

  12. Valupi, serviço público no serviço público. Começa ao minuto 40:36 exactamente, o senhor Heitor que não é parvo nenhum é apresentado como Leitor de Consumos (da EDP, ou dos SMAS lá do sítio?) e ligou a partir de São João da Madeira. No fim, 90% dos ouvintes acharam que o Paulo Núncio é um aldrabão.

  13. Aproveito a pendura, porque tinha de ser.
    Para lá, do turismo, que parece ser para ficar (graças à nossa, nato). apostar , e comprar o que é Português. É essa a receita para a maleita. Um ministério daria muito nas vistas, mas um secretário de estado, pode bem pôr em prática (mecanismos de comunicação), eficazes, no sentido de se consumir, o que cá é produzido.
    Quanto a importações, a eletrónica, que nos têm deixado sem vintêm, Taxa Iva 99% ! Poupava o povo , sem ficar embrutecido. É só escolher, compro a amigos, ou aos inimigos.
    Para grandes problemas, soluções simples.
    Prefiro uma Famlia com jantar à mesa, do que a bacoca apropriação da black friday

  14. Os deputados do António Costa têm que competir a QUINTUPLICAR (em cinco campos)

    1º, ensaiar com o as meninas do Bloco, depois treinar com o PCP, a seguir verdejar e depois acompanhar o cachorro ao jardim.

    Por fim a finalíssima em São Bento contra os 1ºs da classificação.

    Só mesmo a imaginação sem limites de António Costa.

  15. Minha bombinette, minha catrina tão crente (e não quente): Todo o processo científico assenta na permanente análise e discussão das teorias ou axiomas vigentes em dado momento histórico. Tudo o que não é passível de discussão já não é Ciência, é Religião! Assim devemos discutir,pôr em causa,testar toda a teoria de Marx,científica,sem qualquer dúvida. E,deste modo reconhecer os erros e os sucessos do marxismo,sem paroxismos de fé,que não é chamada aqui para nada!!! O marxismo,como é uma Ciência,foi evoluindo. Não gerou fé,não a queríamos,mas inspirou confiança! E os seus instrumentos de aproximação à realidade quais são? A contínua visão da Casa dos Segredos? Saudações revolucionárias!
    í

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