Se chegar às 12 derrotas, chicotada nele

Ivo Rosa derrotado pela 11ª vez na Relação, desta vez por não querer considerar declarações de Salgado

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Numa altura em que se discute o presente e o futuro do jornalismo (por inerência, igualmente o seu passado), dá vontade de ir para a janela bater em tachos de modo a aliviar a fúria quando estamos mergulhados nisto que a “notícia” acima impõe e alimenta no espaço público: uma campanha mediática contra um juiz – que se limita a querer cumprir a lei com zelo pelos direitos dos arguidos e acusados – a quem foi atribuído um processo onde os poderes fácticos (no caso, da oligarquia) pretendem usar a Justiça para obter ganhos políticos (de ordem vária, da táctica à estratégica, passando pela vingança). Os mesmos poderes explícitos e implícitos que ignoram, escondem ou aplaudem os abusos do poder da Justiça desde que sejam contra aqueles que queiram assassinar politicamente.

Por que razão não vai ser possível encontrar um único jornalista capaz de explicar o que está juridicamente em causa na decisão do Tribunal da Relação de Lisboa referida acima? Por que razão não existe um único jornalista, a não ser avulsa e vagamente em espaços de opinião, capaz de expor a estratégia de amalgamento, confusão, do Ministério Público ao ter optado pela criação de um megaprocesso na “Operação Marquês” com vista, precisamente, a obter as consequências perversas que este episódio ilustra? Por que razão tem sido tão fácil fazer na “imprensa” (incluindo a da “referência”) o culto da personalidade de Carlos Alexandre, Rosário Teixeira e Joana Marques Vidal, e tão fácil diabolizar Ivo Rosa de forma sistemática e desde que se conseguiu meter Sócrates numa prisão?

É que para os mandantes e para os borregos do vale tudo não chega que Sócrates e terceiros estejam há cinco anos numa masmorra onde foram despidos do seu prestígio, credibilidade, bom nome, dignidade. Não chega que Sócrates tenha mais não se sabe quantos anos de privação de plena liberdade, podendo realmente acabar por voltar a ser preso (e por excelentes razões, se se provarem as acusações) e a ter de pagar ao Estado somas neste momento incomensuráveis. O processo de investigação, e agora o da instrução, é parte do linchamento maníaco onde os pulhas e os broncos vêem qualquer apelo à razão, à Constituição, à mínima decência como expressão de defesa do monstro que perfuram e queimam no bacanal do ódio político, o ódio tribal mais arcano e animalesco.

Não haver jornalistas, jornais, televisões, rádios, um órgão de comunicação com jornalistas encartados lá do cu do mundo onde haja coragem para defender a liberdade nas muralhas da cidade, eis a verdadeira crise que em muito ultrapassa o jornalismo.

4 thoughts on “Se chegar às 12 derrotas, chicotada nele”

  1. Tem razão, Valupi, é assustador o que para aí se vê e se pressente. Mas,não dá para desesperar…
    Quando na rua não estão seres rasteiros e mínimos como estes que agora querem montar o seu cerco de papelada suja mas sim tanques blindados ,com os seus canhões municiados e prontos, aparece um Salgueiro Maia de peito aberto que os enfrenta e confunde !
    Pobres fascistas e filhos e netos de fascistas ! O vosso destino é o Brasil,para onde fugis como ratos ! Juntai-vos às hostes de Bolsonaro,já que lhe copiais os tiques,os metodos,até os incêndios!!! O que vos diria o padre António Vieira,se lhe passasse pela cabeça desenganar-vos ?
    Que no largo Oceano não navegueis,as mansas ondas apartando , melhor que Neptuno enfastiado do tráfego obsceno vos conduza à salgadeira para pasto futuro das espécies menores !

  2. Do acordão da Relação que, rapidamente passou nas televisões não se viu
    uma derrota do Juiz Ivo Rosa quanto muito, uma divergência de apreciação
    dos tais indícios para prova ou não prova!
    Claro que, a tal imprensa em dificuldades, logo carregou como sendo uma
    pesada derrota do juiz de instrução, mostrando a sua total parcialidade num
    caso que muita tinta já fez e fará correr … todos já vimos, estar perante uma
    espécie de “caldeirada” visando anular o ex P. Ministro José Sócrates sem
    olhar aos danos colaterais já provocados na reputação do país!
    Mais uma vez o presidente Celito perdeu uma oportunidade para ficar calado!!!

  3. “…uma espécie de caldeirada visando anular o ex-PM José Sócrates sem olhar a danos colaterais já provocados na reputação do país!” What?
    Parece-me a mim: o ex-Primeiro anulou-se a si próprio, sem necessidade de nenhuma caldeirada; a reputação do país já era uma boa m… antes da caldeirada ir ao lume.

  4. Nada do que acontece nas instituições está desligado das lutas internas entre os homens que as constituem: ao mais alto nível, no Estado, a luta pelo poder está instituída por leis e eleições.
    Contudo, aos níveis intermédios, as lutas pelo poder e sobretudo pelos poderes que podem determinar a luta pelo poder de Estado, essas, passam-se na obscuridade dos corredores e gabinetes fechados, interditos a não convidados e praticados na sombra dos deveres e práticas comuns.
    A guerra promovida passo a passo a Ivo Rosa, o inesperado e repentino “julgamento” administrativo do juiz Rangel e esposa, o julgamento arrastado anos e anos em lume brando de Sócrates, amigos e familiares (com semelhanças aos julgamentos e condenações bárbaras até à 5ª geração da Idade Média), assim como em contraponto as absolvições expedientes, rápidas e sem controvérsia alguma do juiz Alexandre e outros casos que prescrevem ou são arquivados são, sinais claros, de um pensamento, acção e finalidade pré-determinados.
    A luta diária ininterrupta contra o Estado sob a forma de incessante campanha de descredibilização das instituições estatais enquanto, em contraponto, se apela ao justicialismo selvagem da justiça e sublevação das polícias e organizações obscuras são outros sinais claros, enviados à opinião pública atenta, de uma vontade de subverter o Estado Democrático.
    A criação da anarquia geral é o método infalível para o surgimento do “salvador” oportuno.

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