Scolari, vai-te embora – V

Um treinador que descura, desaproveita e diminui um jogador como Quaresma, merece um prémio: o de treinador mais imbecil do Mundo. Quaresma bate bem a bola, como raros, mas bate mal da bola, como tantos. Vê-se que há ali um Dani em potência. Só que o Filipão Sargentão era também o auto-propalado rei da motivação, até a sua psicóloga aparecia a botar sentenças. Cadê? Como é possível que Quaresma, Nani e Hugo Almeida não tenham lugar na equipa do Petit, Nuno Gomes e actual Sabrosa? No Entroncamento nunca se viu nada tão estranho.

Quando Mourinho foi para Inglaterra, ninguém acreditou que ele viesse a ter sucesso. Agora, passa-se o mesmo com Scolari. Só que agora vai tudo ter razão, e o homem não vai conseguir aquecer o lugar até ao Natal.

28 thoughts on “Scolari, vai-te embora – V”

  1. Valupi, rapaz, tu és tramado. Que pena não te ter dado para morder a canela do tricheur, deixa para lá o homem, mas também gosto de ver o Quaresma a jogar. O jogo foi bem esgalhado, ri-me até ao céu com o golo do Nuno Gomes, cumidos-em-si, e a bela esgalhada do Postiga -> tufa, e como o outro foi de empurrão e devia ter sido anulado, lá saímos eventuais ganhadores morais, assunto em que somos especialistas.

    Tenho aqui uma coisa para ti, prometida desde há dias:

    Linnaeus: «There are as many species as the Infinite Being produced diverse forms in the beginning,»
    Darwin: « I look at the term ‘species’ as one arbitrarily given, for the sake of convenience, to a set of individuals closely resembling each other,»
    Zimmer:« Two closely related species of bacteria might be more different than humans are from all other primates»

    What is a species?, Carl Zimmer, Sciam June 2008

  2. Toninha, a menos que aproveite para vender alguma coisa.
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    z, fascinante questão, a das espécies. Até porque, como reza a tese, viemos todos de um só organismo original.
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    Nik, de que padeces? Azia?

  3. AFINAL, NÃO APRENDEMOS NADA COM O EURO/2004!

    E também pouco ou nada aprendemos com o Alemanha/2006!…

    A diferença para o último “Mundial” foi que, desta vez, perdemos com os alemães “apenas” por 3-2 (e o Schweinsteiger só marcou uma vez…). Talvez para a próxima consigamos, enfim, empatar a três…

    A lição, mais importante, que não aprendemos nem com o “Europeu” das bandeirinhas à janela, perdido em casa, na Final, contra uma selecção banal, sem vedetas, nem quaisquer pergaminhos à altura, como a Grécia, é que NÃO SÃO AS VEDETAS, OU O VEDETISMO, QUE FAZEM AS VITÓRIAS!

    Todavia, em vez de contribuir honestamente para acordar de vez o País para esta e outras verdades dolorosas àcerca da Selecção portuguesa, a nossa comunicação social desportiva desta manhã tinha um assunto bem mais relevante para noticiar: Cristiano R. talvez vá para o Real Madrid!!!!

    E isto acontece porquê? Porque, efectivamente, a maioria dos consumidores de notícias desportivas até prefere assobiar para o lado e, assim, tentar apagar rápidamente a profunda mágoa sofrida ontem pelos portugueses com o inconcebível desastre da “nossa” selecção, mergulhando de novo nas costumeiras, bizarras e ABSOLUTAMENTE INÚTEIS peripécias da vida desportiva, ou melhor, profissional e “social” das ilustres personalidades futebolísticas que “fazem a notícia”, para gáudio de quem tem de continuar, apesar de todas as decepções e derrotas, a vender papel impresso com seja lá o que for, em vez de enfrentar de uma vez a causa de toda esta inultrapassável “maldição” de continuarmos a ser, em boa verdade, nada mais do que uns PERDEDORES NATOS, naquele sentido muuito pejorativo que os anglo-saxónicos imprimem à palavra “LOSERS”!!

    Não tenho tempo, nem vocação, para proceder a uma análise objectiva, racional e construtiva dos evidentes males do futebol português em geral e desta selecção em particular. Sou apenas um amante deste fabuloso espectáculo, sem quaisquer interesses materiais no mesmo, e a única coisa de que me sinto “culpado” é de, desta vez, ter acreditado que Portugal poderia fazer melhor figura do que nos últimos dois campeonatos acima mencionados.

    Mas ontem percebi melhor por que é que uma selecção mediana, como é afinal a alemã, conseguiu em poucos minutos destroçar todo o enorme potencial do conjunto português com a aparente simplicidade de quem abre uma garrafa ou uma lata de cerveja, da boa, alemã. E causa-me profunda repulsa constatar que nos deixamos menosprezar e bater sem reacção, reacção sobretudo para nós próprios, para que possamos evoluir e aprender com as adversidades. Como os outros demonstram conseguir (e não é apenas no futebol, mas adiante…). Vejamos:

    1º – Portugal entrou em campo visivelmente desorientado e amedrontado, sentindo enormemente o peso da responsabilidade (inédita!) do seu favoritismo e nunca soube ultrapassar as dificuldades que os adversários conseguiram, apesar dos seus “limitados” recursos, criar-lhe. Conclusão: a nossa famosa preparação psicológica não resistiu às primeiras pressões e estalou como vidro de má qualidade ao primeiro “choque”, o golo inicial. Nunca mais existiu aquela equipa sólida, determinada e avassaladora dos dois primeiros jogos, provando-se que de nada serve uma equipa recheada de talentos individuais, se estes não estiverem convenientemente “cimentados”, a nível táctico e, sobretudo, a nível anímico. Depois, quando se começa a pressentir o desastre, começa a sentir-se aquele “frio” e percorrer a boca do estômago e, sensação pior de todas, temos a certeza de que é impossível virar o rumo dos acontecimentos e temos que nos render à evidência: NÃO TEMOS NERVOS DE CAMPEÕES!

    2º – A selecção portuguesa, incensada e sobre-avaliada enquanto isso nos fazia, estupidamente (e sem base factual), inchar o “ego”, revelou-nos ontem as suas mais candentes debilidades técnicas: alguns elementos titulares, pura e simplesmente, não estavam à altura – com especial destaque para Ricardo e Paulo Ferreira, aliás, duas inconcebíveis teimosias do seleccionador! –, o “banco” não serviu positivamente para NADA – qualquer substituição provocava a IMEDIATA DERROCADA do estilo de jogo do onze titular, como se provou após as saídas dos insubstituíveis João Moutinho e Nuno Gomes. Isto à excepção de Miguel e, eventualmente, de Quaresma (que poderia ter sido muito mais útil do que Simão) e de… Maniche (que tanta falta nos fez…). Conclusão: NO MEIO DE TANTAS CELEBRIDADES MEDIÁTICAS, NEM ONZE TÍNHAMOS DE JEITO PARA PÔR A JOGAR!!

    3º – Os nossos comentadores desportivos, tão ciosos de manterem uma “unanimidade patriótica” para dizerem apenas o que não possa causar danos à selecção, levam essa sua atitude a um extremo de acriticismo e “debilidade mental” que, por sua vez, em nada contribui para o diagnóstico dos MALES ESTRUTURAIS que, ano após ano, arrastam os apreciadores de futebol lusos para esperanças desproporcionadas face às reais possibilidades das nossas participações em provas internacionais, tomando como “vitórias” alguns bons resultados recentes, criando a ilusão de que o sucesso é possível “para a próxima”, mas impedindo a livre discussão desses males que, por serem convenientemente escondidos, continuam há décadas por atacar e resolver. Conclusão: muita da culpa da derrota de ontem jaz num certo tipo de análise e comentarismo desportivos que se limita a debitar louvores antecipados e a esconder as raízes dos maus resultados, lamentando-se pateticamente com a “sorte”, as “vitórias morais”, ou os índices das “estatísticas do jogo” (golos à parte…) para se desculparem, a posteriori, daquilo sobre que não sabem, ou não querem, reflectir. Frases como “vá lá Portugal, ainda faltam três minutos, foi o tempo de que a Turquia necessitou para virar o resultado com a Rep. Checa!” são patéticos e inadmissíveis para quem está a presenciar os acontecimentos e tem capacidade para perceber, objectivamente, até que ponto tudo aquilo não passa de conversa fiada…

    4º – Scolari vai-se embora. Já devia ter ido em 2006, como é ÓBVIO. Não deixa quaisquer saudades. Apenas a amarga recordação daquele célebre poema de Mário de Sá-Carneiro: “Quase”. Que, numa “simples” palavra, resume TODO O SEU PERCURSO aos destinos da selecção de Portugal! Até nunca mais, senhor L. F. QUASE!…

    E agora? O futuro: primeiro, já se sabe que não iremos aos Jogos Olímpicos. Ninguém lamenta, mas é pena. Pois vai tudo ter de recomeçar novamente do zero, isto é, das ditas “camadas jovens”. A propósito, muito a propósito, a saída de Scolari é um óptimo pretexto para nos lembrarmos, sim, mas de quem continua a ser o único que fez alguma coisa de sério pelo Futebol em Portugal e que, “por acaso”, continua a ser o único a poder gabar-se de nos ter feito CAMPEÕES e, por sinal, do MUNDO: um Senhor Professor, competente mas modesto, chamado… CARLOS QUEIRÓS.

  4. Com o Scolari a pensar no Chelsea e o Cristiano a pensar no Real Madrid não havia grande hipótese. Depois o Batta lá estava a fazer o papel de besta negra. Tal como na tragédia grega aconteceu, tinha que acontecer…

  5. Calma pessoal, foi só um jogo. E até foi um jogo bonito, mesmo sem apuramento.

    Valupi, amanhã conto-te mais sobre o passeio na origem da vida, como tu disseste só por lá me passeio, já não acampo,

  6. olha o Quase – um pouco mais de Sol e eu era brasa, (…) faltou-me um golpe de asa, se ao menos eu permanecera aquém

  7. A. Castanho, excelente catarse.
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    jcfrancisco, ah pois tinha.
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    z, jogo bonito? Isso só para os alemães.

    Traz lá essa vida, de maravilha.

  8. Ouvi o jogo num computador sintonizado para a RDP Açores que estava em rede com a RDP Antena 1. Estou de férias mas portei-me como um emigrante…

  9. mas amigo, eu não vinha dizer grande coisa, era só para recordar que isso de provirmos todos do mesmo organismo é apenas uma das teses, como sabes a ciência adora uma grande redução; havia também a tese de uma origem múltipla – algures em poças sulfurosas ter-se-iam formado cianobactérias, enquanto noutros habitats especializaram-se outras formas de células de procariotas voltados para outros metabolismos, e depois entraram em processos de simbiose de que resultaram organismos mais evoluídos em que esses procariotas se internalizaram como organelos: a célula.

    A simbiose é a lei prioritária da Vida, não é a competição, esta é supletiva.

    Mas portanto o ponto de partida é a membrana celular que diferencie um interior de um exterior, e isso forma-se por emulsão. Depois lá dentro tem que haver enzimas, que são proteínas, cadeias de aminoácidos, que têm como função ser catalisadores, agarram-se ao substracto e permitem reacções químicas que de outra forma só existiriam em condições de temperatura e de pressão incompatíveis com a vida.

    A água, com a sua molécula polar, é a grande mediadora.

    As proteínas são hoje em dia codificadas por DNA e/ou RNA, mas é possível que inicialmente se tenham formado espontaneamente nas tais poças termófilas onde abunda o aminoácido triptofano, por exemplo, e tenham engendrado por complentaridade electrica e química as bases azotadas que formam a cadeia de nucleósidos.

    Depois tens bolinhas que se entrechocam e umas fundem-se e seguem em frente, selecção darwinista por um lado, afinidade por outro

    (está um bocado despachado mas já podes chutar)

  10. z,
    li tudo, fascinado. Segui-te passo por passo, tu a apontares para as pocinhas sulfurosas e eu logo de olho nas cianobactérias, fui contigo na mesma simbiose de procariota em procariota até à célula final. Estive ao teu lado na emulsão que nos ofereceu a membrana salvadora e acabei na cadeia de nucleósidos, talvez por sobrelotação de Vale de Judeus, Linhó e Pinheiro da Cruz. Tudo, mas tudo me encantou. Eu já sabia a história, mas só a versão desse teu resumo final das «bolinhas que se entrechocam e umas fundem-se e seguem em frente». São incríveis, as adaptações dos grandes clássicos, não são?
    Abraço-te, pá!

    upi,
    I’m back, como dizem os franceses. «Continuas a falar mal da Rainha de Inglaterra?», pergunta Gene Hackman a um English Bob vestido pelo carismático Richard Harris, antes de o sovar a pontapé, no ‘Imperdoável’ do velho Clint. Continuas a falar mal do Scolari, tu, pergunto-te eu de longe e pé quieto?
    Levas abracito também, foi da ausência. Sou um sentimental, que queres?

  11. z, muito obrigado. É como um livro policial. E essa da simbiose é uma boa pista. Mas o mistério continua sem solução (lá está, os mistérios nunca têm solução).
    __

    rvn, baralhas-me com enredos de rainhas e excelentes actores. Mas ainda mais com os abracitos e os sentimentos. Talvez devas agitar o pé, para ajudar a esclarecer a coisa.

  12. rvn, depois de preciso de informações sobre a qualidade desses estabelecimentos. Estou a precisar de fazer uma sabática de matemática, variável complexa, e cá fora cheira-me que não consigo. Mas ainda vou experimentar uma variante.

    V,. sim creio que os grandes mistérios são forever, mas os pequenos mistérios resolvem-se muitos, não? Não sei se leste, há muitos anos li um livro da Argonauta chamado A Nave Invencível do Stanislas Lem e achei genial, mesmo bem conseguido, sobre a Teoria da Evolução

  13. valupi,
    não, querido amigo, não é faiança, é fiança, foi sob fiança que me deixaram sair. Terás percebido mal, deixa, acontece. Está finalmente explicada a tua confusão, ferpeitamete natural, de resto.
    Quem é a dar, agora?

  14. z,
    sendo assim sugiro veementemente que esqueças a variante e não varies mais: vai dentro, que a variável por lá não só não tem qualquer complexidade como também pouco varia, para não dizer nada. E é do mais sabático que pode haver. Sabatiquíssimo. Tenta os nucleósidos, pelo sim, pelo não. Só depois o EPL.

  15. Eu já estava baralhado, rvn, mas agora, perante essa informação de teres saído sob fiança, estou realmente preocupado. É que tu à solta és um perigo.

    E as faianças, chegaste a ter de as devolver ou continuam escondidas?

  16. Entreguei-as na hora, assim se esclareceu o mal-entendido, ficámos do peito. Vê lá tu que eles queriam que eu saísse de confiança, e eu, com a pressa, percebi que quisessem que eu saísse com a faiança (por sinal bem bonita e com uns cavalinhos e tudo). Apanharam-me à porta do prego, a fila era enorme. Esta minha cabeça…

  17. cálculo de variações, portanto

    gosto mais de variedades definidas implicitamente, até ver

    PS: gostei que a Espanha ganhasse à Itália

  18. imagino que depois do jogo com a suíça, valupi há-de ter percebido porque motivo jogam nuno gomes e sabrosa e outros que aqui defendeu ficam de fora.

  19. Finalmente vamos voltar a ter a selecção de antigamente, que raramente chegava às fases finais e se por azar fosse apurada, era logo desclassificada. Saia barata ao país. E em tempos de poupança é uma selecção dessas que faz falta.

  20. valupi, se depois de ver quaresma jogar, muito mal, e como sucede amiúde, no jogo contra a suíça ainda acha que scolari é que tem a culpa (terá muitas, mas aqui nenhuma), espero que nunca venha a suceder ao treinador gaúcho.

  21. Quaresma não jogou mal, jogou tanto como os outros. Acontece é que Quaresma é um dos melhores jogadores do Mundo, como o que já fez o demonstra. Foi Scolari que o queimou psicologicamente.

    Antes de Scolari, fomos a muitas fases finais a partir dos anos 90. E duas vezes antes. Mas o futebol antes de Scolari, nos clubes, também era muito diferente. Não foi ele que mudou as coisas, apanhou-as já mudadas, umas, e a mudar, outras. Dito isto, claro que ele também tem méritos, mas não como treinador, mais como gerente.

  22. Eu por mim contratava o Artur Jorge, que dá garantias de não irmos enterrar mais uns milhões nas fases finais.

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