Saraivadas

«Por exemplo, nos últimos quatro anos e meio Passos Coelho e Assunção Cristas estiveram num governo com a firme convicção de que era preciso empobrecer para que o país deixasse de viver acima das suas possibilidades, com a ideia fixa de que era preciso ser subserviente ao diretório europeu para que os portugueses se dessem ao respeito, com o princípio filosófico de que o Estado tinha de emagrecer os apoios sociais porque só assim se punha fim a uma determinada cultura de subsidiodependência, com o propósito assente de que o Estado é coisa maligna que só atrapalha e que, por isso, deve ser reduzido ao mínimo senão mesmo desaparecer. Tudo isto é ideológico e, goste-se ou não, foi sufragado pela maioria em 2011.»


Nuno Saraiva – Editorial do Diário de Notícias

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Em 2011, diz este caramelo, o Povo deu a maioria a quem lhe prometeu cortes nos salários, cortes nas pensões, aumento do desemprego, aumento da pobreza, esmagamento e extorsão fiscal, destruição económica, aumento e promoção da emigração, desqualificação e redução dos serviços do Estado, o ataque à Constituição e a quem a defende, tudo embrulhado no discurso da “culpa”, do “vivemos acima das nossas possibilidades”, do “somos da Europa do Sul, logo somos madraços e estroinas”. Quem é que vinha com esse discurso? Aqueles mesmos que, realmente, sempre viveram, e continuaram a viver, acima das possibilidades dos 90% ou mais restantes. Numa terra de pelintras, uma direita decadente aproveitou uma crise mundial colossal, seguida de uma colossal crise europeia, para meter as beiçolas no pote. Visto do Olimpo, foi tão-só a banalidade da História, a velha receita a ser aplicada pela enésima vez, onde os tansos são conduzidos com cenouras para o local do abate.

Como explicar que, em 2016, no DN, num editorial, se declare sufragado pelas eleições de 2011 um programa faccioso cujo objectivo era uma reengenharia social através da devastação económica e social e a coberto de um resgate de emergência? Uma de três coisas pode estar na origem do fenómeno. O Saraiva não domina a semântica do verbo sufragar. O Saraiva está amnésico, não tendo acesso ao registo neuronal onde se conservam as memórias de terem PSD e CDS concorrido em 2011 para acabar com os cortes e sacrifícios do malvado Sócrates e só extrair gorduras ao Estado, tal como Cavaco tinha ordenado ao seu exército no discurso da tomada de posse. O Saraiva, depois de ter contribuído com a sua carteira de jornalista para esse resultado eleitoral, crê que pode continuar a tratar-nos como borregos. Fica à escolha do freguês.

Tem isto alguma importância? Não. Mas lá que é importante, é.

5 thoughts on “Saraivadas”

  1. Em 2011 todos em uníssono, não esquecendo o tiro de partida da tomada de posse do pr auto classificado de todos os portugueses + habituais não alinhados do PS + tvs + pasquinagem + pivots + jornalistas agora assim depois assado + os “eus” insuspeitos + quem por aí continua + quem agora troca os pés pelas mãos + banqueiros caídos ou em vias de + aliança negra agora branca + sindicatos agora racionais + colégios privados que continuam a querer ser do estado + redes sociais + eixos + quadraturas + mais provas dos 9 + momentos ditos políticos para dizer cobras e lagartos do PM a abater + influentes da treta + negociadores esperando tacho + os sem espinha dorsal + os agora recompensados entendidos em negócios&economia + as aldrabices políticas para ir ao pote : resultado =

    – desmantelamento acelerado do País e subserviência total à tecnocracia em pasta de coiro.

    O saraiva é idiota e cobarde porque precisa desesperante de dizer que afinal :
    – quem foi responsável pelo estado a que isto chegou foi O POVO !

    Ele sabe o significado de sufragar mas, não tem coluna vertebral para esclarecer que o POVO sufragou o maior embuste eleitoral que o País viveu depois do 25 de Abril.

    Além do mais o saraiva é feio, escreve mal e tem a repugnante presença televisiva correspondente ao mal estar dos intrujões.

  2. O Saraiva e um degradee mais suave do produto marado made in Cyntra. E tudo uma questão de cultura dominante que ultrapassa a noçao de esquerda e direita. Tomemos como exemplo a esquerda correcta, maioritariamente servida por literatos. Com este meus dificilmente a lenda do Robin dos bosques seria passada de geração em geração. Porquê? Ora porque o Robin era ladrão o que é um comportamento desviante numa ideologia totalitária. Que se lixe a injustiça porque quanto a isso escreveriam uns artigos delicodoces na gazeta do príncipe João. Os “clevor trevor”
    https://m.youtube.com/watch?v=eiulgP9kR7c

    (o melhor funk rock ever)

  3. Ó Pinpumpim, se queres saber mais vai à Wiki, pá. Tá lá tudo. Ou julgas que isto aqui é a Lux ou outra merda quejanda?

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