Sabes para que serve um feriado?

Pessoa amiga perguntou-me pelo feriado de 15 de Agosto. Apesar dos meus 10 anos de escolaridade em instituições sob responsabilidade da Igreja Católica, mais a 1ª Comunhão, não sabia o que se celebrava para merecer feriado. Tinha de ser algo religioso, mas o quê? E porquê tal informação não estar gravada na minha memória?

A Igreja Católica comunga com o PCP de certas características que me despertam o desejo de lhes pensar a comunicação. Estas vetustas agremiações nunca saberão (e para sua sorte) o que perdem por não me contratarem. Até trabalharia para as duas ao mesmo tempo (e por remuneração irrisória), tamanho o meu entusiasmo. Porque elas estão cheias de boas e excelentes ideias, apenas não sabem como as transmitir, nuns casos, e identificar, noutros. O modo como falam aos fiéis é desastroso, as liturgias são anacronismos, as doutrinas estão estéreis. Desperdiçam tesouros intelectuais e antropológicos como se o mundo não fosse acabar amanhã. E dão origem a perversões escabrosas, como sempre acontece quando não se sabe lidar com os remédios: transformam-se em venenos. Igreja e PCP são duas entidades que odeiam a democracia porque não se querem conhecer a si próprias, não querem filosofar. Filosofar é só para os corajosos, e estes pastores católicos e controleiros comunistas estão esmagados pelo medo.

Portugal não é um país católico, nem sequer cristão, no sentido em que a opinião religiosa já não inspira nem influencia. A espiritualidade nacional está reduzida a raras figuras que não têm voz pública. Mas os ateus, os agnósticos, os seculares e os fiéis de outros credos não se importam com os feriados religiosos. Ninguém se importa, e quase ninguém os celebra. Mantêm-se por inércia e hipocrisia. A esquerda não ousa atacá-los, preferindo a contradição ideológica ao sarilho de ser coerente. E a direita aproveita-os para os gastar em futilidades, tenha deixado há muito de os respeitar. É que a direita, lá está, também não é católica nem cristã.

O povo porta-se mal ou atrofia nas assembleias, abomina as cooperativas, é individualista e tacanho. O povo não quer ser comunista. A alma de Portugal é pagã, mágica, celta, romana e moura. Jesus é apenas um dos deuses, ao lado do Benfica, Sporting e Porto. Maria está acima de Jesus pela melhor e mais teológica das razões: é mesmo a sua mãe, como sabem todos os que se reúnem em Fátima. Para o português, Deus santifica — mas, para o bom português, há santos e santinhos que despacham os requerimentos com mais celeridade do que a autoridade máxima. Por isso, pelo País fora, incluindo nas cidades, incluindo entre os doutos, corre solta a superstição e a irracionalidade taumatúrgica.

Todos dizem que os feriados são para descansar. Todos são tristes, pois. O trabalho de cada dia é que poderia ser um descanso, sinal de que tinha ficado bem feito. E devíamos passar os feriados em festa, chegando ao fim mais do que cansados: esgotados de tanto celebrar. Precisamos de um novo Céu, pois.

40 thoughts on “Sabes para que serve um feriado?”

  1. Caro Valupi, todos sabemos como espatifas boa parte dos teus feriados, dás corda ao pessoal aqui no teu Aspirina B.

    Permites uma nota? São 20 (vinte), pela coragem, tema inédito, clareza. Brilhante.

    Muito bem colocada a observação sobre esta maltosa que nem seita chega a ser.

    Há para ai umas castas em ascensão para os lados de Loures, que vão recriando uma espécie de Estado, à sua maneira é certo, mas um belo dia destes vão a meças.

    Se queres tentar fazer um “Céu” novo ganhando pouco, (no inicio é bem de ver) podes ligar-me.

    Estás no bom caminho, já não falta tudo para uma REVOLUÇÃO à maneira.

  2. Antes de começar o comentário propriamente dito, vou fazer uma declaração de interesses relativamente à minha crença religiosa: Sou Agnóstico.

    Antes de mais queira aceitar os parabéns pelo seu texto, não pela mensagem mas sim pela semântica, tenho que reconhecer que consegue juntar as palavras com alguma mestria, sem embargo, isso não torna os texto por si só rico em termos de conteúdo.

    Posto isto, acabei por não compreender quem pretendia atingir com as suas palavras se a igreja católica se a esquerda em geral ou o PCP em particular.

    Quando afirma “Portugal não é um país católico, nem sequer cristão, no sentido em que a opinião religiosa já não inspira nem influencia” fá-lo por convicção pessoal, por conhecimento profundo da sociedade portuguesa ou por quilo que vê da sua janela?

    Não sei se conhece o Portugal profundo particularmente os que se encontra na margem direita do Mondego. Digo isto porque importa definir o que significa ser “país católico”, ou “cristão”. Como sabe e disse “A alma de Portugal é pagã, mágica, celta, romana e moura” sim, é um facto, mas é isso tudo misturada com a fé cristã, basta estar atento a muitas das festas que existem na província para perceber como se mistura a fé cristã com as práticas pagãs, convivendo assim à largos séculos.

    Concordo consigo quando diz “A espiritualidade nacional está reduzida” “a figuras que não têm voz pública”, parece ser um facto, mas diga-nos, ter voz pública legitima? A espiritualidade é exactamente o contrario disso é privada e sem necessidade de reflexos públicos!

    Depois tem a tentação da dicotomia Esquerda=agnóstico/ateu Direita=católico/cristão, não acha isto demasiado maniqueísta? Eu conheço muito boa gente de esquerda que é fervorosamente católico assim como conheço muita gente de direita agnóstica e até atéia! Como saberá melhor que eu desde o Séc. XVIII que se afirma terem existido membros do clero ligados à maçonaria ;-)

    Quanto à Fé dos portugueses pode ver o interessante gráfico : http://pt.wikipedia.org/wiki/Ateísmo

    Se pretender ser O Valupi a definir o conceito de ser cristão ou católico, então estamos conversados e não há discussão possível!
    Mas não me parece que deixar as nossas concepções afectar a forma como vemos o mundo isso seja filosofar, aí estaríamos supostamente a ser como o PCP e a igreja católica ;-)

    Para finalizar, quem são os taumaturgos?

  3. Valupi,
    Julgo conseguir vislumbrar daqui a pontinha da tua maleita, deixa lá ver se posso ajudar, não te mexas, inspira fundo, expira tudo, diz trinta-e-três, com voz de macho, isso, trinta e três, agora outra vez, tanto faz como fez, e pronto já está. Foi um instantinho, não doeu, viste? Já podes vestir a camisa, compõe as calças. E agora senta-te e escuta, se fazes favor.

    Leio-te bramir horrores por causa dos feriados em geral, est’último em particular. Quer dizer, não será bem por causa dos feriados, mais talvez por conta da taumaturgia que os pariu, se bem te entendi. Mas também acontece, ao que julguei perceber, que andarás um tudo nada arredio do grande rebanho, e mesmo quiçá um nadita faltoso aos rituais da grande quinta, cujas folhas informativas ao domingo te trariam mais informado sobre feriados e outras bênçãos que o Nuno Rogeiro sobre geoestratégia e outras merdas. Ou seja: suspeito-te um caso grave, claro e evidente, de atordoamento espiritual causado por prolongada e profunda crise de Fé. Mais um caso, consola-te. És apenas mais um.

    O problema é que ter Fé dá trabalho e não é pouco, meu estimado amigo. Acreditar, em Deus e na sua santa Igreja, é uma trabalhêra da pôrrã, nem que seja só pelo compromisso de coerência a que nos obriga, se a sério, connosco próprios. Coisa muito pouco flexível, acredita, uma chatice a ser levada com alma. E isto para não falar da postura, que se espera natural e compulsiva, de permanente disponibilidade para servir os outros, para ser irmão, de facto, unido ao próximo pela força tamanha desta mesma Fé. É obra, meu amigo; mas também é A obra! Às tantas será a única que vale a pena, bem feitas as contas..

    Não, ter Fé não é pêra doce, para mais descascada e servida na medida exacta do nosso apetite, até porque esse é sempre desmesurado e sempre em função da nossa necessidade permanente, uma vida de recorrentes aflições. Ora todos os caminhos da Fé apontam outra direcção, contrária até, mas que fornece o correcto sentido à existência de cada um, não umbiguista mas sim solidário, não em função de si próprio mas sim em função do outro e do que ele precise. E esse sim, um viver de excelência cristã: o alegre apostolado que seria a vida de cada membro activo desta Igreja universal num mundo mais próximo da perfeição que este nosso. Não te parece? E onde toda a gente soubesse o que comemorar a 15 de Agosto e com a alma em festa, que não é de um novo Céu que precisamos mas sim de uma Terra em melhores condições para a gente gozar esse e todos os outros feriados dados pelos homens com a graça infinita que Deus lhes deu.

    E deixamos o PCP para a próxima, pode ser?

  4. 0. O medo é estranho porque tem dos mais invisiveis e longos tentaculos e, mesmo quando sabemos muito bem a lição, não nos deixa de surpreender até onde pode chegar. irritante que seja tratado como uma emoção simples e básica!!!

    1. Também quero festejar os feriados!

    2. Este ultimo ano sempre que há um feriado dou comigo a dizer/pensar que não dá jeito, tenho muito que fazer…

    3. Desejos de receber os feriados de forma diferente neste novo ano lectivo que se aproxima.

    4. Num futuro muito longínquo o PCP e a Igreja serão parte da confederação dos planetas e com um pouco de imaginação discutirão de forma diferente (entre si, claro).

    5. Declaro: Amanhã é feriado!

  5. Hoje eu quero ser feriado
    (só para saber o que sente
    um desses que toda a gente
    critica mas aprecia)
    Estarei vivo mas fechado
    sem expediente do dia
    para o público em geral
    e nada se passa em mim
    que não seja excepcional.
    Solto as horas num jardim
    para que mudem o passo
    que lhes é habitual
    e pulem, sei lá, rebolem
    façam o anti-natural
    saltitem, de trás para a frente
    das doze para as vinte e três
    e de excepção se consolem
    nesse jardim inventado
    antes que a regra outra vez
    se instale, naturalmente
    e acabe com o meu feriado.

  6. Valupi, você desaproveita de tal forma as boas ideias que tem, que me desperta o desejo de lhe pensar a comunicação. Por remuneração irrisória, tamanho o meu entusiasmo. Porque os seus posts estão cheios de boas e excelentes ideias, apenas não sabe como as transmitir, nuns casos, e identificar, noutros.

  7. Na minha visão secular, os feriados têm isto de bom: descanso ou pagamento a dobrar :-)
    E o Valupi pintou bem o estado da religião no país. É um decoro podre, um farrapo em desuso, um resto de comida deixado à beira do prato. Os feriados religiosos vigoram decorrendo de uma rotina inconsciente.

  8. Ana, pois.
    __

    ramalho santos, estás a oferecer-me emprego? Cuidado, ainda passas por aliado do Sócrates e sua vil campanha dos 150.000.
    __

    z, se calhar há vantagens no nuclear, é assunto a pensar.
    __

    Mario, e eu gostei que tivesses escrito isso tudo.
    __

    Ibn, muito obrigado pela tua interpelação. Concordo contigo em tudo, pois o meu texto não se apresenta como ensaio, apenas como devaneio. Assim, todos os conceitos estão por definir e relacionar. E assim devem ficar, o intento é meramente sugestivo.

    Claro que há pessoas crentes na esquerda e descrentes na direita. Claro que começa por haver suprema complexidade, até ambiguidade, em delimitar os campos ideológicos. Falar como falei é aceitar o reducionismo simplista, caricatural, para efeitos de rapidez na comunicação.

    Quanto à temática religiosa, o fenómeno não é só português, antes universal. A Igreja aproveitou muito do paganismo, em processos que umas vezes o tentavam erradicar, outras esconder, e outras ainda conciliar. O Portugal rural sempre foi muito mais pagão do que cristão, se a avaliação for antropológica. Ir à missa não é ser católico, sequer cristão. Ir à missa ao domingo era/é parte dos rituais sociais, e serviço muito mais ligado à psicologia feminina e idosa. Na vida, as pessoas entregavam-se às paixões e apetites mais desvairados. Quão mais oportunidades, quão mais aproveitamento. É a regra simples e de ouro, em todos os tempos.

    Os taumaturgos são todos os que prometem soluções fáceis, miraculosas, irracionais. Os que vendem serviços de astrologia, Tarot, adivinhação, curas esotéricas, mas também os trafulhas, os manhosos, os impostores, os pulhas. Continuam com clientela, imensa.
    __

    Rui, pode ser, sim. Mas, já que te apanho à mão, conta lá: és católico?

    (muito fixe o poema feriado)
    __

    dina, louvo a tua clarividência.
    __

    Comendador, estás a imitar-me a prosa; e isso, seguramente, irá trazer-te estupendos benefícios. Peço-te é que resistas à tentação de imitar os nossos atletas olímpicos, e acabares a desistir de provas para que andaste a treinar com tanto afinco. Assim, expõe lá o que queres dizer, para ver se passas à meia-final. Podes começar por explicar o que escreveste, e continuar a partir daí até à meta.
    __

    claudia, muito bem lembrado, o pagamento a dobrar. E forte razão para celebração.

  9. val,
    não tenho como negar. Mais do que apostólico, se tal significa ser dependente da Santa Sé e de Ratzinger para decidir o meu pensamento e as minhas convicções. De qualquer forma, não enjeito a fé à sombra da qual fui criado e educado, apesar de já ter descoberto por mim próprio (the hard way) que a suposta impermeabilização dessa capa protectora é uma treta. Quando chove a gente molha-se na mesma.
    Respondi à tua questão, ou ficaste com tantas dúvidas como eu?

  10. Valupi, eu não participo na corrida. Uma pena, nem me diga nada, tanto talento desperdiçado, toda a gente o diz, mas que quer? Prefiro ir incentivando o atleta, entre duas baforadas no Cohiba Lanceros.

    Algumas (poucas) vezes apetece-me explicar porque é que digo ao atleta que a performance podia ser melhorzinha, que esteve quase lá, que não se devia ter distraído com a balzaquiana da primeira fila da bancada. Outras não, recosto-me, olho para o royal flush que tenho na mão e decido que não vou a jogo.

    Partilharei os meus argumentos consigo, mais tarde. Agora deixe-me aproveitar este Old Bushmills sem gelo.

  11. A igreja católica parece realmente vir avançando no desfasamento em relação às realidades, mas não está tão morta assim. A fé dos católicos e cristãos de outras cepas também não me parece moribunda em Portugal. O nosso cristianismo sempre teve bastante de pagão e pendor mágico, já não era novidade há um século. Como ateu e liberal, isso não me preocupa nada, acho graça. Mas também há ateus de espírito religioso, muito dados a crenças irracionais, magias e rituais, não menos engraçados do que os religiosos propriamente ditos. Só me chateiam os obtusos, os intolerantes e os salafrários, que os há em todos os quadrantes.

    Se não houvesse estes feriados religiosos, haveria outros, dedicados a temas igualmente indiferentes para o povo que só quer folgar. A I República aboliu os dias santos da Monarquia, criou outros, laicos, mas o Estado Novo voltou a santificá-los. Por fim, a Democracia instituiu uma solução de compromisso, com feriados democráticos e republicanos alternando com dias santos. O Zé Povo não tuge nem muge, desde que lhos não tirem.

    Mas isto não é o que eu queria dizer, ou melhor, perguntar ao Valupi. Então o que é que farias para melhorar a comunicação da Igreja e do PCP, se ambos te pedissem para os ajudar a explicar ao país a sua posição sobre o aborto? Jogarias em dois tabuleiros, com argumentos opostos? Ou tentarias converter os comunistas às tuas posições anti-aborto?

  12. «Se não houvesse estes feriados religiosos, haveria outros, dedicados a temas igualmente indiferentes para o povo que só quer folgar. A I República aboliu os dias santos da Monarquia, criou outros, laicos, mas o Estado Novo voltou a santificá-los. Por fim, a Democracia instituiu uma solução de compromisso, com feriados democráticos e republicanos alternando com dias santos. O Zé Povo não tuge nem muge, desde que lhos não tirem.» Quando o tentam fazer o Zé logo dá conta do seu desagrado e dá-lhe à bruta no protesto, como é apanágio dos mansos. Terá sido o primeiro grande revés (prenúncio de castigo eminente) de Cavaco, ao tempo em estado de graça no coração da nação, quando entendeu brincar com o carnaval da rapaziada, lembram-se?
    Não se mexe no feriadar do povoléu. Não perceber isso é não compreender de todo a grande vocação nacional, mínima de empenho quando se pode negar ao malvado esforço, e para mais por obra e graça de um pretexto legítimado pelo senhor prior, graças a Deus, que assim não cai mácula naquela imagem do ‘ele era um bom rapaz trabalhador, um operário leal cumprindo bem’. Fado, valupi, o nosso fado, que rima com feriado, que rima com sagrado, e fica o assunto acabado.

    Nik, boa malha.

  13. Rui, se bem te entendo (mas irás corrigir-me se for caso para, certamente), tu pertences àquela maioria ruidosa que se assume como “católica não-praticante”. É isso?

    (as tuas considerações sobre o povo mandrião são evidências, evidentemente)
    __

    Comendador, neste momento estás sob a punição de um cartão amarelo, resultado de uma falsa partida. Toma cuidado, que o Chico deu-se mal com isso e nem era nada com ele.
    __

    Nik, muito obrigado. Excelente questão. Levaria cada lado a conseguir identificar o essencial da sua posição. No caso do aborto, creio que o terreno comum é o da consciência da mulher. Ora, nesse campo, católicos e comunistas querem o mesmo: a liberdade de consciência. Era por aí que iria, cantando e rindo.

  14. upi,

    não é bem isso: sou praticante, não sou é federado.

    e quanto a pertencer a uma qualquer maioria, se fosse o caso, nunca poderia ser silenciosa (vê a barulheira imensa que eu faço por tudo e por nada, homem!).

  15. Rui, fui eu que te enganei, pois viste bem: de silêncio passou a ruído. Mea culpa.

    Agora, não te entendo. E aceito (óbvio!) que não o queiras explicitar, mas… que é isso de seres “praticante”? Atenção: sei bem da fina (imperceptível?) linha que separa a cena do obs-ceno, portanto fica por tua conta na resposta.

  16. Valupi, achei um bom ponto de vista ideia de que a falha da Igreja Católica e do Partido Comunista seja a mesma, que seja um problema comunicacional que resulta em não aproveitar a espantosa mensagem comum que ambos têm na sua génese.

    Achei que o bom ponto de vista ficou contaminado com a associação aos feriados. Só isso.

    (Sem pose de Comendador, para variar)

  17. shark, é uma das minhas palavras favoritas: “jorna”.
    __

    Comendador, tudo bem, mas curto. De que contaminação falas, quais as consequências, qual o mal? Não entendo, porque falar dos feriados é falar do Povo, do Estado e da Pátria. Nenhuma destas entidades, dimensões, realidades me parece infecta.

  18. Valupi, tenho para mim que a fluidez da mensagem é meio caminho andado para o debate. No caso deste post, há duas boas ideias que, por si, dariam dois posts que comentaria com vontade de acresentar valor. Uma das boas ideias, já a referi lá em cima. A outra boa ideia é questionar os feriados, a sua razão de ser, o porquê de se manterem mesmo quando já ninguém se lembra da razão da sua existência. O cruzamento destas duas boas ideias resultou menos feliz.

    (Antunes de Burnay, outra vez em Não Comendador mode…)

  19. Caro e dispendioso Comendador em modo Não Comendador, a temática era relativa aos feriados religiosos, e só a eles, farás a justiça de reconhecer. Estranho, então, seria não falar na Igreja Católica. E, de caminho, estranho seria não falar na posição das forças ideologicamente antagónicas. Nenhuma as representa melhor do que o PCP, por razões evidentes. Ora, a tese magnificamente desenvolvida por este nada modesto escriba aponta para uma similitude de culturas em duas organizações declarada e historicamente opositoras, até inimigas. Este genial foco de atenção explica a passividade geral face aos feriados religiosos que ninguém celebra e com os quais ninguém se incomoda. Afinal, tanto à esquerda como à direita, a hipocrisia e a inércia são rainhas.

    Resulta que onde tu vês duas ideias a conviver em infeliz conluio, eu vejo uma só ideia cuja complexidade exibe um amoroso amplexo.

  20. Associar o paganismo ao não cooperativismo é de completo ignorante. É exactamente aí que se vê que Portugal não é celta e muito menos pagão. Rendeu-se algures ao individualismo e ao você. Sabe o que são baldios? vá ver como os aproveitam na galiza , na escócia ou na irlanda. E depois veja o que se passa com eles em Portugal. Até só o PC lhes dá importãncia e pelos motivos errados.
    Já agora , o portuga , do alentejo , sem terra , é comuna. O do norte , com o seu bocadinho de terra , esse , é que não é comuna , tem medo de ficar sem ela. Eu também tinha.
    E depois , essas criticas ao PC e Igreja? mas pensa mesmo que tem a ver com doutrina ? não será por já se ter percebido a justeza dum ditado que diz mais ou menos : olhem para o que eu digo , mas não para o que faço?
    É que a doutrina de um e outro são maravilhosas , pena que os pregadores não a ponham em práctica. E sabe , já andamos um tanto avisados contra publicidades enganosas.

  21. pois é, concordo muito contigo: “É que a doutrina de um e outro são maravilhosas , pena que os pregadores não a ponham em práctica.”

    Até aposto que tu estás capaz de concordar comigo também, à luz desta tua ideia.

  22. A hipocrisia dos Feriados é igual, quer se trate dos ditos religiosos (todos católicos), quer dos ditos civis (nem todos de Esquerda).

    O que não quer dizer que todos os “celebrem” da mesma forma hipócrita, evidentemente.

    Do meu ponto de vista pós-moderno, liberal e reformista, que é no fundo o que eu mais sou, acho que a hipocrisia poderia ser erradicada a contento de todos e do seguinte modo: cada Trabalhador teria o seu PLANO PESSOAL DE FOLGAS (P. P. F.), que poderia escolher livremente (ou, vamos lá, com os constrangimentos mínimos possíveis em função da natureza do seu emprego) de entre o somatório de Sábados, Domingos e Feriados actuais (ou legalmente definido).

    Ou seja, partir-se-ia do princípio de que o P. P. F. faria parte integrante do contrato laboral, como o Salário e outras regalias e condições, permitindo assim ao Trabalhador, como ao Empregador, ajustar de forma eficiente os horários de laboração.

    Exemplos (ao acaso, penas por exemplo):

    1º – um trabalhador judeu escolheria (digo eu) folgaria SEMPRE aos Sábados, mas poderia eventualmente trocar Domingos ou Feriados católicos por outros dias do ano à sua (quase) livre escolha (e isto, mutatis mutandis, serve para outras crenças religiosas ou filosóficas);

    2º – Um empregado do “Pingo Doce” que, por exemplo, gostasse de saír na noite dos “profissionais” poderia escolher sempre a Quinta-Feira para folgar em vez do Domingo e trocar Feriados esquerdalhos (como o 25/4, ou o 1/5, ou mesmo o 5/10) pelo Feriado municipal da sua terra, ou pelos das terras dos outros (por exemplo para poder ir descansado à Feira da Castanha em Marvão, ou ao leilão de cavalos em Alter do Chão no dia de S. Marcos, etc.);

    3º – Um triste que não gostasse do Carnaval poderia sempre trocá-lo por Feriados religiosos antigos e que tanta graça tinham mas acabaram, como o Dia de Reis, a Quinta-Feira de Comadres, o Dia de Finados, ou a Quinta-Feira da Ascenção (igualmente conhecida como o Dia da Espiga), ou mesmo gozá-los a todos sem espiga prescindindo de Feriados abomináveis como o 1º de Dezembro, o Dia de Natal e o Dia de Ano Bom, apenas como exemplos…

    Isto implicaria, obviamente, que todos os empregos estariam sempre abertos sete dias por semana e cinquenta e duas semanas por ano, como os hospitais, as esquadras de Polícia, os Aeroportos e os Centros Comerciais, resolvendo de uma assentada os problemas do sô Belmiro com o “Continente”, mas iguamente os problemas dos empregados do “Continente” do sôr Azevedo que tenham Filhos e que tivessem de passar a trabalhar aos Domingos, pois poderiam pôr os Filhos numa Escola pública numa Turma que folgasse semanalmente não ao Sábado e ao Domingo, mas à Quarta e à Quinta (se fossem esses os dias de folga dos Pais), ou noutra qualquer combinação de dois dias da semana, de entre as vinte e uma possíveis, caso mudassem de emprego (podendo ainda “jogar” com o número de Feriados…).

    Que tal?

  23. Já agora, para os mais crédulos ou perversos que argumentam com o profundo significado do 15 de Agosto para os indígenas da Margem Direita do Mondego (que penso incluír também, nesta lata acepção, a Margem Direita do Douro), sempre os informo de que, isto no meu modesto modo de ver a coisa, a importância deste Feriado advém muito mais de ser no pino do Verão e as vilórias e aldeolas dessa vasta zona geo-sociológica do nosso amado País se encontrarem por essa altura pejadas de Emigrantes cheios de guito e as múltiplas Festas constituírem, para muitos locais (e respectivos comércios), assim como o dia em que o Porto ou o Benfica vão jogar ao campo de um mija-na-escada em dia de Taça, ou seja, o momento que justifica o sucesso ou fracasso de um ano inteiro de trabalho, muito mais do que pelo profundo conhecimento dos jovens “avecs” e seus preclaros e pragmáticos progenitores àcerca das profundezas místicas, ou mesmo dos factos históricos, concernentes à tal Assumpção de Nossa Senhora aos Céus.

    Essa é que é essa…

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