Sabes caluniar? Vem trabalhar para o Balsemão

«Para ser um peão no assalto ao BCP, Joe Berardo “pediu” dinheiro emprestado à banca e deu as ações do próprio BCP como garantia.»

«Do assalto ao BCP, em 2007, à renegociação do novo acordo em torno da Coleção Berardo, em 2016, passando por decisões de comissários socratistas na banca, há incompetências, cumplicidades e crimes de agentes políticos que acabarão por ser julgados.»

«A política, como o dinheiro, ergue e destrói coisas boas e más. E se foi ela que ajudou Berardo a safar-se, foi ela que o ajudou a tramar-se. Dos que o safaram ouviremos falar nos próximos tempos e alguns serão de peso.»

«Mais do que o descaramento, que não tem faltado naquela comissão, foi a boçalidade de Berardo no Parlamento que tornou o assalto intolerável e a estadia na prisão mais provável. As detenções ou prisões preventivas podem ser necessárias para que se faça justiça, mas não é a justiça a ser feita. Até podem criar expectativas que serão frustradas. Espero, por isso, que a justiça não padeça do mesmo pecado que tramou Berardo: o da vaidade. Ando cansado de foguetório sem festa.»

Daniel Oliveira

Este senhor tem a certeza de ter existido um “assalto ao BCP”, que nesse assalto Berardo recebeu dinheiro oferecido pela CGD para tal, que quem na CGD assim decidiu foram os “comissários socratistas”, que quem os comandou foi o Governo de então, que esses políticos mentores e executores do “assalto ao BCP” serão julgados em tribunal, e em breve. Chega (pun intended)?

Há ainda mais, e se calhar até melhor, na sua caluniosa cachimónia: (i) que o Governo do PS em 2016 também alinhou nas falcatruas para “safar” Berardo – o que então, seguindo o argumento, faz de Costa mais um “comissário socratista”; (ii) que o tal “assalto ao BCP” continuaria a ser tolerado pela Justiça não fora a ida de Berardo a uma comissão parlamentar de inquérito exibir a sua “boçalidade” – é outra vez a demente e burlesca tese das gargalhadas que se tornou viral no comentariado do Expresso e da SIC; (iii) que, por causa das gargalhadas, ter passado umas noites no chilindró não só se entende como até se aplaude – fazendo do escriba mais um a tratar a prisão de um arguido para interrogatório como uma punição que se aceita em certos alvos.

Isto é escrito num espaço de opinião. Não foi o resultado de uma investigação jornalística onde o valente Daniel tenha arriscado o corpinho a apanhar com a sua máquina fotográfica secreta e com a sua sherlockiana inteligência bandidagem tão grande, tão perigosa. O mais provável é o ramalhete das delirantes suspeições ter chegado ao seu teclado porque ouviu algures essas ideias, achou-lhes graça, depois olhou à volta e viu os seus colegas pagos pelo Balsemão a repetir muitas vezes o mesmo. Vai daí, achou-se confiante para se juntar ao coro do “assalto ao BCP”. Entusiasmado, em perfeita sintonia com os que de imediato apontaram para Sócrates quando Berardo foi detido, pede o espectáculo de se condenarem banqueiros, bancários e políticos graúdos à conta da história que Jardim Gonçalves lançou, e cuja inerente vingança tem sido executada com formidável sucesso. A “festa” vem a caminho, assevera o ex-bloquista.

Talvez alguém conheça, e daqui penhorado rogo que mo indique existindo, mas eu não sei de algum artigo, ou exposição televisiva, ou declaração radiofónica, onde o Daniel Oliveira tenha apresentado as evidências, os factos, sequer meros indícios, que mostrem ter pensado mais de 30 segundos no que é isso do “assalto ao BCP”. Aposto os 10 euros que tenho no bolso como, calhando ser apanhado desprevenido, nem conseguiria listar a cronologia dos episódios no BCP, desde a escolha de Paulo Teixeira Pinto como sucessor de Jardim Gonçalves, passando pelas peripécias do seu conflito intestino posterior, até à assembleia geral que elegeu a lista de Santos Ferreira para gerir o banco no momento mais difícil desde a sua fundação por causa da crise directiva e das ilegalidades descobertas. Aposto mais 5 euros, pedidos emprestados à minha vizinha do 4º andar, em como não analisou o que foi dito nas comissões parlamentares de inquérito à CGD, onde se deixaram horas e horas (e horas) de informação e testemunhos sobre o que aconteceu, como aconteceu e porque aconteceu o que aconteceu na banca nos idos de 2006, 2007 e 2008. E há uma excelente razão para tal: o filme do “assalto ao BCP” tem como protagonistas, para além do super-vilão Sócrates e a arraia-miúda dos “comissários socratistas”, também Teixeira dos Santos, Celeste Cardona, Paulo Macedo, António Mexia e Vítor Constâncio, mais os 97,7% dos votos presentes na assembleia geral de 15 de Janeiro de 2008, a que se têm de juntar os ministros e secretários de Estado do Governo de então e os do Governo seguinte, mais um mar de figuras e figurinhas que não cabe na prosa. Toda esta gente, portanto, terá alinhado com o plano nascido na mente diabólica de Sócrates, defende o Sr. Oliveira sem, naturalmente, ter tempo para nos explicar por que é que Cavaco e a restante direita ficou então de braços cruzados a ver o crime do século desenrolar-se à sua frente. Sono profundo de que apenas acordaram graças às gargalhadas do Joe, em 2019 com efeitos em 2021, tem a lata de deixar escrito.

Tenho dado atenção a este publicista pelo mérito que lhe reconhecia para o bem comum. Infelizmente, considerando a influência social de que desfruta, a sua ambivalência deontológica e a pindérica soberba de confundir percepções com conhecimento não o recomenda para outros voos. Parece feliz da vida a cumprir-se como um serventuário do Balsemão. Que se foda e tenha muita saúde.

16 thoughts on “Sabes caluniar? Vem trabalhar para o Balsemão”

  1. Daniel Oliveira é um leal serventuário, contratado e pago para
    1) difamar socialistas,
    2) sustentar a falsa aparência de que a esquerda também tem voz no reino da Impresa e
    3) impingir ao Bloco posições favoráveis às estratégias da direita.

    Pois que rebente de saúde e, sobretudo, que se foda.

  2. alguém ouviu alguma vez as catarinas, os louçãs ou a rebarbadora ana gomes fazerem críticas ou declarações desfavoráveis à sic ou ao espesso? não, são pagos e têm antena para fazer contrafogo quando os incendiários da direita ardem nos fogos que ateiam. gostava era de ver como é que convivem nos bastidores com o andré.

  3. A fábrica de ilusões dos verdadeiros donos disto tudo – ou seja, a “joint-venture” «Impresa&Associadas» -, é como um buraco negro: atrai e suga para o seu interior tudo aquilo que, fora dela e do seu controle, possa causar mossa aos interesses do Dono (uma poderosa entidade grupal).

    E quem se deixa sugar, por mais qualidades que antes tenha aparentado ter, nunca mais volta a ser o mesmo.

    Os exemplos, nos últimos trinta anos, encheriam uma super-nova…

  4. Gosto muito deste blog, é na minha opinião o melhor blog de humor em Portugal

    Desejo que continuem o excelente trabalho

  5. Há muito que o desprezei como um reles oportunista que pretende passar a imagem de quem “se esforça para [parecer]ser honesto”. Bem vistas as coisas, obedece, rigorosamente, aos critérios do casting que seleciona Francisco Louçã, Ana Gomes, etc.. Esta, no último Expresso da meia-noite, excitou-se de tal maneira que até (aposto!) se esporrou em direto.

  6. O RAP também começou por nos querer enganar dizendo que era de esquerda, do PCP dizia ele. Agora anda a concorrer com o JMT para concluírem quem é mais de direita, mas da extrema.
    Este escriba DO também veio do BE, só que há muito se hipotecou ao capitalismo selvagem.
    Cavalos de Troia do dos desventurados da vida.

  7. um peixe fedorento que passou a ser prato único neste restaurante .
    concordo com o excerto do texto do DO .
    ele tem a certeza e v. tem desconhecimento, ou incerteza, ou a falta de certeza, ou, a dúvida permanente .
    cada qual fica com a sua e daqui não saimos .

    no segundo bloco, em essência porque o resto é palha para encher chouriços, fala na inação e laxismo do cavaco . foi uma opção para deixar que socrates se estatelasse . péssima, porque o País , por arrastamento, também se estatelou . Decorre do mau-feitio de cavaco, um excelente monte-de-merda, como estadista .

    no terceiro bloco manifesta tristeza por alegado mérito que lhe reconhecia ( e não densifica referindo porquê e em quê ) convoca uma hipotética influência social ( sem dar dados sobre quem e quantos sequer conhecem DO, quanto mais o lêm e aceitam o que escreve ) e termina concluindo com percepção e conhecimento .
    ora, percepção, em algumas matérias, volve-se em conhecimento, quando passa a revestir, para o autor, a qualidade de certeza .
    é inevitável que assim seja porque a distância que separa percepção de conhecimento ( repito, em algumas matérias, que não a ciência em estrito sentido ) é tão ténue que aquilo que v. qualifica como desconhecimento e reputa de percepção, é para outrém, percepção, consolidade em conhecimento .
    ou só v. é que tem direito a manifestar opiniões, e traz a verdade escrita num papel, dentro do bolso ?
    cumprimentos .

  8. O juiz Rui Coelho, do colectivo que condenou ontem Armando Vara a dois anos de prisão efectiva por branqueamento de capitais, além da sentença (justa ou injusta) que lhe competia, cagou… perdão, lavrou a seguinte sentença que não lhe competia:

    “Exerceu altas funções públicas, esteve aos comandos do país e ganhava num ano aquilo que a maioria não ganha em mais de uma década de trabalho.”

    É deprimente verificar o empenho de pessoas com óbvias dificuldades no domínio da língua (no plano formal e no plano do conteúdo) em debitar (ou cagar) vaidosas sentenças com pretensões moralistas e estilosas, aproveitando oportunisticamente situações de pontual exposição merdiática para armar ao pingarelho, na bacoca esperança de uns sound bytes merdiáticos que as livrem do anonimato. Que eu saiba, o Vara nunca “esteve aos comandos do país” e aposto (mais uma vez) o colhão esquerdo e metade do direito em como o juiz Rui Coelho também “ganha num ano aquilo que a maioria não ganha em mais de uma década de trabalho”.

    Enfim, é a história do argueiro no olho do vizinho.

  9. «A política, como o dinheiro, ergue e destrói coisas boas e más.»

    Sim, e até os que fazem política com o rabo de fora e nunca ergueram nada na vida; DO&Amigos bloquinhas e bloquinhos são exemplo.
    São pessoas sem vida própria para além da escola e livros que paulatinamente se metamorfoseiam em ratazanas de relatórios que vasculham palavra a palavra à procura de matéria para acusar; acusar, acusar sempre e em força qualquer desgraçado que tenha tido a veleidade de subir de sucateiro a empresário, de bancário a banqueiro, de moço de recados a empresário e ainda por cima ter a lata pequeno-burguêsa de revelar o bom gosto de coleccionar uma gigantesca colecção de arte; isto independentemente das trafulhices e sacanices que tenham cometido para lá chegar mas, onde estão as grandes fortunas sem mácula de pulhice e trafulhice recente ou passada?
    DO é mais um em queda livre decadente em direcção à ralé da “massa” que quer vingança contra as pessoas que lutam e ainda tentam levar o país mesmo que seja arrastado pela UE.
    DO é já um fruto podre que já não consegue evitar, antes pelo contrário, quer contagiar tudo à volta.

  10. Imaginemos, por um instante, que tem razão? Nunca pensou em dedicar o seu tempo a causas mais justas? É uma obsessão em defender gente que de forma criminosa ou não mostraram estar-se pouco borrifando para o bem comum.
    Há muito mais gente pobre a ser alvo de injustiças. Mas a sua obsessão é em ser a Madre Teresa dis Ricos. E não se refugie no argumento que ao defender esta gente está a defender o Estado de Direito ou qualquer outro devaneio.
    Defenda quem de facto precisa. E não são essas pessoas.
    É uma obsessão com os ricos e poderosos que borda a patologia.

  11. a constituição da república portuguesa aplica-se a todos, ricos, poderosos, remediados, pobres, pelintras e populistas como tu que ignoram o artigo 13.º (princípio da igualdade)

    1. todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.
    2. ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.

    não gostas , altera a constituição e encomenda pelourinhos que vai dar bué de gozo pendurar fachos e cheganos.

  12. Também vinha comentar o texto altamente manipulador de “Os Ricos sabem defender-se” posto acima mas o “robin dos broches” já respondeu à letra invocando, a preceito, a CRP.
    A habilidosa falsa mensagem manipulatória começa logo com a frase vazia “Imaginemos, por um instante, que tem razão?” que não diz nada, não informa nada e está lá mesmo para encher e ser nada.
    Depois ataca os criminosos (que de forma criminosa) se cagam (estão borrifando) para o “bem comum” mas, contudo, este bem comum são apenas os pobres (típica defesa dos pobrezinhos pela ideologia totalitarista).
    Após mais uma tirada acerca de Madre Teresa dos ricos para um brilharete literário vazio ataca o Estado de Direito como sendo um devaneio, assim: “E não se refugie no argumento que ao defender esta gente está a defender o Estado de Direito ou qualquer outro devaneio.” Sobre o Estado de Direito o “robin dos broches” já lhe respondeu à letra
    Quem não sabe ler nas entrelinhas papa esta conversa papa-parvos mas quem os percebe topa logo neste tipo de defesa dos pobres coitadinhos quem está por detrás de tal palavreado em defesa dos pobrezinhos e criminalização a eito dos bandidos ricos; os que tentam cavalgar os pobres para, à sua custa, tentarem o assalto ao poder e poder, eles sim, maltratar todos os pobres que protestem contra o trabalho de tipo escravizado.
    Este tipo de comentário trata, tão só, de informação falsa.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.