Rui Rio, de ideólogo do centro a centralina do populismo

Rui Rio, o fulano que concorreu para presidente do PSD a prometer rigor alemão no mealheiro e coragem política para enfrentar fanáticos e criminosos, desfez-se em merda. E merda é só o que se regista saído da sua boca após o sonho lindo nem sequer ter conseguido bolinar numa pandemia.

Por exemplo: Rio critica estratégia de “ostracizar” extrema-direita e prefere traçar “linhas vermelhas”

Quem ler encontrará a mais completa defesa do Chega até agora feita em Portugal. Porque vem do presidente de um partido que continua a reclamar-se social-democrata e que lidera a oposição. Presidente que anuncia, urbi et orbi, que para ele vale tudo desde que resulte do voto. Ele depois lá se arranja com os compinchas e despachará comunicados cheios de “linhas vermelhas” para jornalista amplificar e papalvo mastigar.

Donde, duas imediatas consequências desta “estratégia” do outrora centrista Rio: (i) escusas de voltar, Passos, pois para levar o Chega para o Governo também Rio é homem para essa façanha; (ii) qualquer maluco com assento no Parlamento poderá ver-se convidado pelo PSD de Rio para fazer um acordo, mesmo que seja eleito deputado defendendo o trabalho infantil a partir dos 5 anos e/ou a execução de deficientes e reformados. Como Rio explica, é indiferente o que leva o “povo” a dar o voto a um partido ou candidato, pois o “povo” tem uma “vontade” e essa vontade é sagrada. Desconfio que até o Ventura ficou surpreendido face a este vanguardismo populista com a chancela do partido fundado por Sá Carneiro.

Do muito que haveria para comentar na notícia, vou só realçar o que me parece mais inovador na solução criada por Rio para federar e fazer crescer os populistas. Eis como ele despacha o caso da Susana Garcia, assim mostrando o método para mais candidatos congéneres:

«Quanto à candidata apoiada pelo PSD à Câmara da Amadora, Rio salientou que Suzana Garcia tinha sido convidada anteriormente pelo Chega e recusara. "Como podemos dizer que é do Chega ou que tem simpatias pelo chega, quando ao Chega disse não e ao PSD disse que sim?", afirmou.

Rio admitiu que "algum excesso verbal" da advogada nos seus comentários televisivos "pode não ser coincidente com a forma clássica de um militante do PSD se exprimir", mas considerou que, em artigos escritos no Observador, nada viu que "fira os princípios do PSD".»

Percebido? Na TV, dá para soltar a demagogia, alimentar os preconceitos, instigar ao ódio, puxar pelos instintos mais primários, boçais, animalescos, dementes. Tudo isto e muito mais é permitido aos candidatos autárquicos do PSD, ou a futuros parceiros de governação, na condição de os visados entregarem no Observador umas linhas onde não conste nada “que fira os princípios do PSD”. Princípios esses que Rui Rio, em mais uma inovação para o seu legado político às futuras gerações, defende galhardamente com a preciosa ajuda do José Manuel Fernandes e do Rui Ramos, protótipos ambulantes dos “princípios do PSD”.

Assim se consumou o arco desta personagem ridícula que se limita a aquecer o lugar até ao regresso da personagem messiânica, o tal ex-primeiro-ministro que conseguiu prender um ex-primeiro-ministro.

11 thoughts on “Rui Rio, de ideólogo do centro a centralina do populismo”

  1. O meu comentário é um não comentário. Passadas 5 horas não um comentário sequer ao que Valupi escreveu. Estranho! Nem sempre é o Chega que aqui vem malhar nos textos, há muito centro direita a brincar com as palavras e a fazer insinuações, também lá para os lados da esquerda desta vez não dizem nada. Adianto que desta vez se sentem bem servidos portanto. Quanto ao centro direita nem quer dizer nada o que eles pensam do Rio e para que querem o Rio está a vista, e agora? O silêncio é de ouro. O que me admira é que nenhum puritano tenha vindo dizer que o autor escreveu merda e aplicou a palavra ao desempenho oral de Rio. Eu não iria tão longe na linguagem mas lá que RR é fraquito na eloquência lá isso é. Será congénito ou foi por ter andado num colégio alemã? Sabe-se lá …

  2. Não tenho especial simpatia pelo RR, nem ele se encontra no meu espaço ideológico, mas, desta vez , o Valupi perdeu a cabeça e entrou numa espiral de verborreia demagógica, com utilização de expressões ao nível do mais rasca do que por aqui ultimamente se tem visto. Será que abusou do tinto ?

  3. “… nem ele se encontra no meu espaço ideológico…”

    qual é o teu espaço ideológico?

  4. O “renzo” fez-me lembrar o Ratzo que era amigo do cowboy da meia noite.

    A pergunta não é “qual é o espaço ideológico?” mas sim “qual é o volume…?”

  5. O Rio sempre foi um bluff. Chegou à Câmara do Porto sem saber ler nem escrever, porque os portuenses não perdoaram o Fernando Gomes. Com um estilo austeritário, rapidamente conquistou os média enquanto sucessor de Cavaco, na linhagem Salazarenta. Nunca exprimiu uma ideia para além do: “regime”….o “regime”… Sempre foi um básico. Estavas à espera de quê?

  6. “ Chegou à Câmara do Porto sem saber ler nem escrever, porque os portuenses não perdoaram o Fernando Gomes”

    Heheh .
    o comentário acima é típico de um analfabruto .
    foi precisamente por causa de fernando gomes ( e do seu lugar-tenente nuno cardoso ) que os socialistas desde então nunca mais ganharam a câmara do porto . o cometarista só acertou na sentença do povo do porto ( não confundir com portistas ), que sabe ler e escrever .
    e também sabe votar .
    rui rio ganhou não obstante menezes, que então chefiava a toda poderosa distrital . menezes não teve testículos para enfrentar gomes e mandou rio para a frente, para queimar, depois ficou a roer-se de inveja, lá pelo despacho de gaia .
    o facto histórico é que rio ganhou, derrotando gomes, que tinha voltado . e que ficou para a história como candidato derrotado .

  7. “foi precisamente por causa do Fernando Gomes que os socialistas nunca mais ganharam a câmara do Porto”
    O que é também um facto histórico é que és um idiota.

  8. idiota é você, seu parvo, gomes não foi derrotado por rio ?
    se o povo do porto tivesse gostado da ( primeira e única ) gestão de gomes, tinham votado nele quando se recandidatou, não lhe parece, seu calhau ?
    a péssima gestão gomes/cardoso destruiu parte importante da memória histórica do porto ( a pretexto do progresso ) e serviu essencialmente alguns interesses empresariais, bancários, e futebolísticos, ( portanto, a pretexto do bem-comum, actuou especialmente em benefício de alguns ) .
    no rescaldo, foi prá galp, notando-se logo a espectacular descida de preços dos combustíveis, uma medida 100 socialista e pró-povo, foi isso, abécula ?
    nomeia aí a lista de socialistas presidentes da camara do porto pós-gomes .
    ei-la : rui rio ( mandatos ) e rui moreira ( 2 mandatos ) .
    nepia ! niente !
    calhorda !

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