Retórica do medo e medo da retórica

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The Daily Show With Jon Stewart Mon – Thurs 11p / 10c
Tim Pawlenty
www.thedailyshow.com
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Há variadas semelhanças entre a política norte-americana e a portuguesa, se nos esquecermos das radicais e intransponíveis diferenças. Uma delas é esta que o diálogo entre Jon Stewart e Tim Pawlenty ilustra: a retórica febril e demente contra Obama, tal e qual, mutatis mutandis, a retórica demente e febril contra Sócrates – cujo auge corresponde ao período em que a troika Cavaco-Manela-Pacheco tudo fez para destruir Sócrates através de tentativas de assassinato de carácter na comunicação social, no Parlamento e na Justiça. Ideias, nenhumas ou más; calúnias, torrenciais e venenosas. Foi nisto que apostaram, não tinham mais nada naqueles neurónios que pudesse ser servido ao Povo.

Esta conversa, para além de ser mais uma em que o Jon faz questão de obrigar o oponente a levar com a sua implacável receita e aguentar calado, permite pensar no que terá sido a experiência da direita americana face à agressividade, também histérica, com que Bush era tratado. Claro, Bush foi um dos inquilinos da Casa Branca mais tontos de que há memória, e enfiou o país em duas guerras que ninguém sabe hoje para que serviram (nem ele), mas o ponto em reflexão é acerca do que os Republicanos terão sentido nessa época.

Para além do exercício da empatia, que faz sempre muito bem, é inquestionável que a direita vulgar é mais bélica e tacanha do que a esquerda comum. Há razões antropológicas, históricas e cognitivas para ser assim, mas também se pode resumir tudo ao medo. Como o diz Tim Pawlenty.

12 thoughts on “Retórica do medo e medo da retórica”

  1. Eu até nem estendo muito este comentário só com medo de te assassinar “caracterialmente” ou de desmanchar-te o nó à gravata. Me very good heart. Mas registo a tua continuada e ardente admiração pelo showman judeu da TB yankee. E quando dizes “dementes” mentes, sabias? Cognição, cognição, que só enroscas para o lado do antropólogo…

  2. Esta UMA QUALQUER é exactamente como qualquer uma (e um) da direita tacanha e tonta que nem sequer alguma vez pareceu ser prometedora do que quer que fosse!

  3. eh eh eh, gostei sobretudo daquela do “exemplo” ficar para depois do intervalo que não apareceu. No fim. Ganda finta, judeu duma espiga!

  4. Kalimatanos, larga a vinhaça.
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    adelaide, ele faz muitas vezes essa finta porque a conversa continua a ser gravada para exibição no website do programa (a versão integral, com este tipo de acrescentos, não está disponível para os IP’s de Portugal), mas já não na TV.

  5. Vais a

    http://www.thedailyshow.com/videos

    E seleccionas o dia que queres. Normalmente têm os segmentos todos, incluindo as entrevistas completas. É o mundo maravilhoso dos direitos de transmissão, podes ver tudo desde que seja aos bocadinhos. Uns génios, estes executivos da televisão.

    (A segunda parte da entrevista ainda é melhor.)

  6. Andas, andas, devagarinho claro, e um dia destes ainda convences os técnicos fiscais do teu amigo Sócrates, utilizando a porta trazeira do cavalo que só tu conheces, a aplicarem o imposto de trebelho aos blogues. Depois sempre quero ver onde é que vais descobrir bebedanas como eu para insuflarem neste e noutros blogues o amor à química pura da uva, não aos solutos de água de castanhas ou azeitonas com que apaziguas o teu pulmão artificial.

    Esta é a minha profecia.

  7. Não será alheio à histeria outro factor comum entre Sócrates e Obama: ambos ocuparam o espaço ao centro, forçando os adversários a radicalizarem o discurso para evitar aplaudir as medidas da governação. Olhando as politicas de Obama, elas têm mais em comum com Bush Sr./Reagan/Nixon do que muitos imaginam, embora se possa argumentar que elas provêm mais do frio calculismo político do que de convicção ideológica. Se há alguma base para a desconfiança dos Republicanos para com ele, creio que poderá ser essa.
    Já Sócrates, por exemplo, creio que não envergonharia Sá Carneiro (Blasfémia!, diria Pacheco). Dá-me ideia que as sociedades ocidentais, desde a queda do comunismo, se têm movido mais para a direita, e os políticos de esquerda adaptam-se, forçando a direita a mudar também.
    Já no discurso histérico contra Bush, deixa-me fazer uma analogia também do que vejo como um princípio de discurso histérico contra Cavaco Silva, a nossa versão do político conservador. Há muitos e variados motivos para não gostar dele e para o criticar, mas daí a transformá-lo na encarnação do mal…
    (E se achas que Bush foi mau, observa Palin. Essa sim, é um objecto fascinante, o populismo e a manipulação do medo em estado quase puro.)

  8. Kalimatanos, és um grande profeta, quanto isso nunca houve dúvidas.
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    Dizes muito bem, Vega, o centro é móbil. E a economia dita as restrições aos gastos do Estado, pelo que tudo se organiza a partir da abundância ou da carência. O resto são os factores de desenvolvimento: a educação, a ciência e as liberdades.

    O discurso histérico contra Cavaco só o vi ensaiado tropegamente na campanha de Alegre. Foi mau demais. O resto, como por exemplo o faz Santos Silva brilhantemente, é só malhar na direita ranhosa e decadente.

    Quanto a Bush, creio que o problema maior foi o da resposta ao 11 de Setembro, que criou um sarilho internacional, e a sua irremediável estupidez, a qual era tão grande que até dava a volta ao marcador e gerava uma envergonhada simpatia.

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