Referência de merda

O editorial de Ana Sá Lopes – Agit-prop sem vergonha nenhuma – podia ter sido escrito pelo Manuel Carvalho, sem tirar nem pôr. Por aqui, o editorial faz sentido ao manter a coerência ideológica do jornal num exercício de mimetismo. Não sugiro que a senhora imitou o senhor intencionalmente, antes que ela foi escolhida por ele para a sua equipa directiva por se saberem siameses no sectarismo enchouriçado e na mediocridade intelectual.

Nada mais faz sentido nos cinco parágrafos despachados com desleixo e broncoconfusão. Desde a premissa alucinada, de que o Governo está a lidar com a ameaça de paralisação económica e social do País como se estivesse numa arruada no Chiado, passando pela redução da dimensão política e estatal à sua transformação em conteúdos mediáticos avulsos, até ao uso de Sócrates como argumentum ad Hitlerum. O desvairo é tamanho, a estupidez é tanta, a pulsão do ódio atinge tal nível, que chega a fazer de Pedro Silva Pereira, tranquilamente um dos mais bem preparados políticos da história da democracia portuguesa, uma caricatura onde apenas se reconhece a impotência e putrefacção da própria autora.

Dentro de umas horas, o escrito irá desaparecer da atenção do público. Amanhã, só com esforço alguém recordará a coisa. Daqui a uma semana, ninguém será capaz de lembrar seja o que for que lá tenha ficado pespegado. Contudo, dizer que é inócuo será errar. O que sobressai no exercício é a involuntária exposição de uma concepção do jornalismo que é tóxica, corrosiva e poluente para a cidade. O problema nem sequer está no estilo e no conteúdo deste editorial, o qual passaria sem a mínima estranheza se fosse mais uma opinião no Observador, no esgoto a céu aberto, na Sábado ou até no Expresso. O problema está na antinomia entre os estatutos do Público e a prática começada por José Manuel Fernandes num certo dia após uma certa OPA. De lá para cá, e através dos sucessivos directores e conjunturas, pode-se dizer que este jornal continua a ser uma referência – só que passou a ser uma referência da decadência deontológica e do culto da irracionalidade no afã de querer influenciar o jogo político.

O jornalismo que vai sobreviver será o exacto oposto do chiqueiro em que o Público se alimenta e dá a comer.

9 thoughts on “Referência de merda”

  1. isto foi um balão que se esvaziou , a Ana só deu por isso agora ? fizeram um bicho de sete cabeças de zero para tentar fazer um figurão. tal e qual como a treta dos kit de protecção, tudo fake.

  2. Uiii que inteligente que a Yo é, preso por ter cão e preso por não ter. És uma excelente treinadora de bancada!

  3. “Pedro Silva Pereira, tranquilamente um dos mais bem preparados políticos da história da democracia portuguesa” fds ia-me cuspindo todo! xD

  4. Sim, o editorial do jornal Público, de hoje, da autoria da senhora jornalista adjunta Ana Sá Lopes, é dos mais estúpidos e miseráveis dos muitos que nele têm sido publicados, (há excepções, naturalmente), com afirmações absolutamente indecentes: “a mais acabada
    operação de agitação e propaganda de um governo”, “Pedro Nunes Santos acabou de cometer suicídio e parece que não percebeu”, “Pedro Silva Pereira o homem menos dotado do país”, “o povo do PS que ignorou Sócrates exalta-se com o advogado dos camionistas”, etc. Mas a senhora jornalistas acreditará mesmo naquilo que escreveu, ou o seu propósito é apenas agradar ao chefe, aos patrões, ou a quem quer que seja? Face ao disparate, dou-lhe o benefício da dúvida.
    Hoje perguntei uma vez mais a mim próprio: Porque raio ainda continuas a comprar este
    jornal? Respondi: Porque ainda me parece ser o menos mau.

  5. «Assinar o Público é participar na construção de um país melhor

    O PÚBLICO nunca foi tão lido. Todos os meses passam pelo nosso online mais de 6.5 milhões de visitantes. Para nós, este número confirma a importância do nosso trabalho. Queremos produzir mais e melhor informação, com a liberdade de sempre e sem abdicar da diversidade de opiniões que enriquece uma sociedade livre. Queremos reforçar a nossa investigação para garantir um escrutínio mais eficaz dos poderes. Precisamos que se junte a nós neste esforço. A verdade, o pluralismo, a justiça, a solidariedade ou a abertura ao mundo são valores que partilhamos consigo.»

    Esta é a extraordinária Fake News do “público” que o velhaco artigo de opinião da Drª. Ana Sá Lopes de tão evidente e deprimente miséria intelectual, falta de verdade e vergonha, confirma inteiramente.
    A Drª. Ana, para servir os ideais e gostos políticos dos seus amos, usa em over-dose exactamente os mesmos pontos de vista e argumentos do Dr. Pardal, o inteligente do sindicato de motoristas de matérias perigosas.
    E vai mais longe na sujeira do seu artigo porquanto, à falta do mínimo de argumento válido, serve-se do uso e abuso dos absurdos lógicos dos inquisidores medievais como VPV, PP e outros tais que, por conveniência política própria, tentam à força inventar um deus do mal rodeado de uma corte melífula que lhes sirva de bode expiatório das suas más-consciência que os atormentam.
    O jornalismo actual, como prova este editorial de Ana Sá Lopes, é hoje em dia um servilismo total. Só raras excepções conseguem erguer-se acima da servidão a bom preço que os empresários lhes proporcionam; jornalistas que ganharam reconhecimento e notoriedade como defensores da opinião isenta venderam-se ao poderoso argumento do belo vencimento.
    Agora, dada agressividade e o modo oportunista do viver actual, o jornalismo já nasce preparado e adequado mentalmente, isto é formatado, para serem a voz do dono.
    A Ana Sá Lopes dá sinais de querer ir mais longe; abana o rabo ao dono.

  6. Valupi, é isso mesmo…. Ela e os Maneis de Carvalho do Público não desistem de fazer a propaganda descarada e desleixada…. Sinto a mesma raiva de sempre pela persistência na desonestidade intelectual destes jornalistascomentadores….

  7. “Dentro de umas horas, o escrito irá desaparecer da atenção do público. Amanhã, só com esforço alguém recordará a coisa. Dentro de uma semana, ninguém será capaz de lembrar seja o que for que lá tenha ficado pespegado.”

    Pois, e é pena que remes contra tal inevitabilidade dando-lhe este imerecido destaque, e não ironizo no ‘imerecido’. Não fosses tu e eu nem saberia da famigerada “coisa” que, “amanhã, só com esforço alguém recordará”. E, já agora, aposto de novo o meu colhão esquerdo e metade do direito em como, da tua parte, o esforço será zero, a “coisa” ficar-te-á gravada a letras de fogo, para todo o sempre, na caixa dos pirolitos. É aposta que já arrisquei várias vezes e, da última vez que lá joguei a mão (não há sequer cinco minutos) a bisnaga ainda tinha as três peças originais.

    Dito isto, podem vosmiceias agitar por aqui as indignações que quiserem que, tirando as encomendas e obsessões socretinas do costume na prosa da madama, não é por isso que, tal como o relógio avariado está certo duas vezes ao dia, a ASL deixa de ter razão num ou outro ponto. Alguma caridade cristã, caraças, ou islâmica, ou budista, ou seja-lá-o-que-for-ista, irmãos e irmãs, a rapariga tem de assinar o ponto, todos os meses há melões para comprar e o jejum não é opção.

  8. Ela tem que fazer pela vida, não é? Senão quem lhe paga as contas?
    Está assim de há uns tempos para cá o jornalismo dito de referencia, em que a referencia são os caceteiros do costume… E quem não bate, salta fora! Até a Visão está a mudar de rumo, que triste; lá vou ter que desistir da minha subscrição.
    Já agora, o Sócrates já foi condenado? Quem lê esta malta fica mesmo a pensar que o homem no que à imprensa concerne, já está justiciado, com o aval de alguns eruditos que por aqui deambulam.

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