Quem tramou Armando Vara? Nós todos (Ep2)

Armando Vara transportou desde o caso da Fundação para a Prevenção e Segurança Rodoviária, ocorrido no ano 2000 e acabando por ser arquivado, o odor a corrupção. Embora apenas os caçadores de socráticos se lembrem do episódio, sendo quase nenhuns os bípedes implumes que saibam o que realmente aconteceu, Vara passaria a ser atacado politicamente sem descanso por causa dessa brecha no seu prestígio. O objectivo político e mediático era o de transformar uma nódoa no seu currículo numa ferida mortal no seu bom nome. A sua amizade pessoal e companheirismo político com Sócrates tornava esse calcanhar de Aquiles no alvo obsessivo para tentar atingir dois inimigos com uma calúnia só.

A crise económica internacional de 2008, a qual veio transformar num cataclismo homérico o terramoto que já estava a acontecer no império bancário da oligarquia portuguesa desde 2007 com a guerra intestina no BCP entre Jardim Gonçalves e o seu delfim Paulo Teixeira Pinto e a anunciada queda no abismo do BPN e do BPP, conduziu a banca para um período de selvajaria accionista própria de tempos desesperados que, imprevisivelmente, acabou por levar Vara a trocar a CGD pelo BCP – onde entraria por cima para escândalo e rancor da direita decadente. Quem perder 1 minuto a recordar aqueles que acompanhavam Vara na nova equipa de gestão, e quem o apoiou na assembleia geral que votou e aprovou por enorme maioria o seu nome, não mais perderá metade de meio nanosegundo dando crédito à teoria da conspiração e à calúnia do “assalto ao BCP”. Porém, as circunstâncias eram tão graves para os antigos donos do poder financeiro português – e para Cavaco, a quem a oligarquia exigia acção decisiva contra um Sócrates sem medo dela – que uma inaudita e implacável golpada-vingança foi montada com recurso aos instrumentos da Justiça e das polícias e usando o embuste do Sócrates tirano, bandido e louco, capaz de corromper tudo e todos (menos a gente séria que o ia apanhar e enfiar na cadeia, claro) e de meter o regime no bolso, como capa das violências que estavam dispostos a cometer. A operação “Face Oculta”, com a sua audaciosa e ilegal ambição, não existiu por causa de um reles sucateiro e suas trafulhices sucateiras. O prémio cobiçado era outro, um que continua ainda hoje a render adrenalina no tribalismo político e gera ódio para dar e vender na indústria da calúnia.

Virgílio Macedo teve meses para se preparar. Seria o primeiro a entrar na arena, o primeiro a mostrar serviço. Apareceu frente a Vara depois de ter combinado com o grupo parlamentar a estratégia para dar cabo do bicho. E não vinha sozinho, trazia pelo menos mais três deputados que lhe foram dando ajudas ao longo do interrogatório, um deles sendo o soberbo estadista e fascinante talento tribunício de seu nome Duarte Marques. A situação era comparável à de vermos o exército de Aníbal perante um singelo rato (pun intended). Frente ao Virgílio imperial e castigador prostrava-se um presidiário enterrado para a política e para o mundo profissional, e de novo enterrado no mais importante processo judicial do Portugal democrático, a “Operação Marquês”. O palco era a Assembleia da República, o mandato equiparado ao das autoridades judiciais. Virgílio sorria impante de confiança, ia triturar o patife sem demora.

Quem tiver visto o vídeo (Ep1) pode constatar: aos 6 minutos da audição, o rato deixou os elefantes de Aníbal assarapantados, sem saberem para onde fugir. 6 minutos é quanto basta para ficarmos com um sumário executivo do que foram as restantes 5 horas e 24 minutos. O pulha não se preparou para um confronto com a honestidade intelectual.

8 thoughts on “Quem tramou Armando Vara? Nós todos (Ep2)”

  1. Depois de ver a Senhora chorar aflita nos acontecimentos dos fogos de Pedrogão condoí-me fiquei pensando que tinha sido apanhada desprevenida no meio do fogo o que me suscitou alguma simpática dúvida.
    Mas, coitada, da Senhora. Afinal ainda não percebeu nada do que lhe aconteceu em Pedrogão e sobretudo o linchamento público que Marcelo e seus amigos de partido lhe fizeram.
    De tal modo que parece que perante um Vara condenado e chegado da prisão sem saber porquê ela alinha com a direita vingativa nos mesmos “não acha”, “não viu”, qual o “racional”, “porquê ” isto e aquilo sem naquela cabecinha pensar um segundo sobre o terramoto financeiro lançado no mundo, precisamente, pelos “maiores” e “melhores” e mais “impolutos” banqueiros do planeta.
    Uma revelação miserável.

  2. há aí um problema com o título, 99.9% do pessoal que tramamos o armando, estamos muito satisfeitos com o facto, e não vale a pena jogos florais dramatizando situações que têm um protocolo específico ou uma encenação habitual , aplicado em qualquer caso semelhante, para tentar minar a nossa consonância cognitiva

  3. yo tem razão: 99.9% do pessoal faz parte de uma unidade mesquinha e merdosa da qual seria impossivel esperar mais que das hienas.voilá!

  4. acontece que hienas não seremos, posto que andamos atrás do bicho muito, mas muito, antes de ele ter virado cadáver. digamos que o tipo era uma raposa e nós galgos. e foi difícil de caçar , puxa, é normal um bocadinho de entusiasmo barulhento.

  5. Pois, já dizia a Maria Albertina … eles põem-se a jeito!?!
    Claro que, como o próprio nome da “operação” clarifica, o objectivo era mais
    elevado ou seja alcançar o P. Ministro … só que, não tiveram o apoio necessário!
    Basta analisar quem foram os operacionais na dita “operação” no mínimo gente
    muito suspeita e, anti socialista por razões de natureza diversa incluindo mesmo
    as pessoais !!!

  6. Falhei o 1° episódio e também não vi este .
    Só vi o epílogo, o comentário Yo .

    Se emprenhou a mulher de um amigo, decerto, deve ter sido por de(formação) profissional, afinal, ele tem o curso de Relações internacionais .
    Se bem que o curso, dê mais para emprenhar suecas e quejandas, e não tanto, nativas, pode bem suceder que tenha uma pós-graduação, em relações extra-conjugais . Quem sabe ?
    Não tenho nada a opor, se andasse numa roda viva, com um espanador enfiado no (!) a cantar, “foi um peixinho do mar, quem me ensinou a nadar”, aí já seria assunto de estado, e grave .
    Estaríamos então, na presença de um infiltrado do PP-CD .
    Digo PP-CD, porque inicialmente chamava-se CDS, depois passou a CDS-PP, depois só PP, quando retiraram o retrato de Freitas e o enviaram para o Rato, e finalmente PP-CD . (*)
    (*)Está bem assim Ignatz ?

    Aquela universidade só produziu infelizes, e coisas estranhas .
    O acima, um outro, que tem um diploma emitido a um domingo, e ainda por cima, rasurado (também não podia ter sido rasurado por baixo), sem dúvida, azelhice da empregada da secretaria, e esse outro, que tem um diploma, sem nunca ter colocado um calcante na universidade . Este último, tem um curso in abstentia, foram-lhe atribuidas equiparações. Portanto, é licenciado em absentismo comparado .
    Fez bom uso do curso, basta verificar que, tendo sacado fundos para as empresas dele e do amigo, as mesmas faliram, e depois o licenciado surge no Brasil, arvorado em candidato a banqueiro. As empresas faliram e o dinheiro apareceu no Brasil ? Estou só a comparar, sob o ponto de vista do absentismo, não estou a insinuar, nem a levantar suspeições . Longe de mim!
    E depois, o fulano e o beltrano, não vêm aqui matéria suspeita ?
    Ou será que não vale a pena investigar, porque o Brasil não extradita, porque o Bolsodano diz que a extração fica cara, e que se tivesse que extraditar bandido, então teria que extrair metade do país ?

    Por fim, o ministro Mariano, que não é gago, mandou encerrar a universidade . E lá se foram os arquivos pró maneta . Agora, não há provas . E sem provas, não há fatos . Eu, por exemplo, enquanto houve alfaites por medida, exigí sempre duas provas (para o casaco) e uma (para as calças) .
    Sempre defendí isto : sem provas, não há fatos !

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