Que queres das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril?

Ontem iniciaram-se as comemorações dos 50 anos do 25 de Abril. O pretexto foi a contabilidade dos dias em ditadura, finalmente superados pelos dias em liberdade. E soltaram-se discursos da praxe sem brilho para memória futura.

Há neste tempo milhões de pessoas em Portugal que viveram como adultos a ditadura. Milhões que a viveram na infância e adolescência. E milhões que nasceram após a instauração da democracia. Mundos sem contacto entre eles, tão radicalmente afastados se encontram no conhecimento e compreensão desse passado e deste presente. Em cada um destes grupos, diferenças de literacia, educação, ideologia, personalidade e experiência de vida geram as mais díspares opiniões a respeito do que foi a ditadura e do que deve ser a liberdade. Impossível haver consenso, como é natural e fica bem.

Que queremos das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril? Se me tivessem perguntado, esta seria a resposta: que se tente demonstrar como a democracia é o regime dos inteligentes, não dos broncos; que se tente demonstrar que a melhor democracia é a que dá mais poder aos mais decentes, não aos mais pulhas; que se tente demonstrar que há um heroísmo próprio da democracia, feito das virtudes chamadas humildade, curiosidade e generosidade.

9 thoughts on “Que queres das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril?”

  1. !ai!, adoro, adoro, adoro. não fazia ideia de isso de já terem começado a festejar. eu cá festejo disso, também aqui, todos os vias. !viva! o 25 de abril e todos os dias de todos os meses do ano, por dentro da inteligência, da decência e das donas virtudes humidade, curiosidade e generosidade. !vivas!

  2. quero que não gastem muito dinheiro em festas e comezianas e propaganda , custa muito a ganhar e faz muita falta para outras coisas bem mais prioritárias.

  3. Que se conseguisse tornar claro que governar em democracia e em liberdade é mil vezes mais difícil do que governar em ditadura, regime em que basta garantir uma rede de repressão brutal e eficaz. Mais difícil, mas compensador em todas as dimensões. A democracia encerra em si o “defeito” de ter que dar margem de manobra a loucos e a candidatos a ditadores, por exemplo, mas será sempre o sistema mais justo e estimulante por ser concorrencial e visar, no final, a não violência. Uma conquista civilizacional.

  4. uma conquista civilizacional do tempo da grécia antiga….e , já nessa altura estudavam a oclocracia , regime em que vivemos , como a fase degenerada da democracia.
    talvez a democracia directa seja diferente , esta , a representativa , parece que desliza ainda mais depressa para a cloaca , perdão , oclocracia.

  5. Além das questões aqui levantadas e requeridas por Valupi a Democracia devia incluir nos estudos obrigatórios desde o 1º ano (antiga 4ª classe) até ao 12º ano (antigo 7º ano liceal) ou talvez, até ao fim dos estudos completos, uma disciplina de história da civilização e da humanidade para que os portugueses, quando chegassem a adultos e homens bons profissionais, não fossem facilmente instrumentalizados por ideias truncadas e fragmentadas introduzidas na marcha natural da história geral da civilização tais como os idealismos anarquistas, marxistas, nazistas, guevaristas e agora, em marcha, o putinismo, o jipinguismo e outros ilusionismos e ismos radicais tão do agrado do idiotismo e consumismo que pensa que se pode erradicar o mal e impor o bem e o bem-estar a todos de uma penada por meio de uma qualquer farsa ideológica que sempre remete tal orgia de bem e beleza para um futuro éden inalcançável ou transcendental inviável.
    Seria uma arma de defesa saber que chegámos aqui através de uma contínua luta de classes primeiro entre os humanos racistas com a vitória dos sapiens, depois entre o divino e o temporal, entre o rei e plebe, entre aristocracia e democracia selectiva e actualmente entre oligarquia e democracia de liberdades alargadas.
    Pelo que lemos, vimos e ouvimos parece que muita gente pensa que chegámos aqui sem luta, sem invasões e guerras sucessivas, massacres e escravatura dos vencedores sobre vencidos, que o nosso estádio de civilização não assenta num passado de camadas de sobreposição de culturas sucessivas de povos invasores que nos legaram o que somos hoje mas que tudo o que temos agora nos foi oferecido numa bandeja e não uma ininterrupta luta contra o poder unipessoal dos tiranos e pela liberdade.
    O idiotismo vai à net e pensa que tem o conhecimento à mão e não se apercebe que, tal como saber o resultado de de uma equação complexa não é saber matemática, também saber o resultado de um estudo social, científico ou filosófico não é conhecimento; a net dá resultados e não conhecimento, a net não ensina a pensar mas a cabular.
    O conhecimento de que precisamos para pensar e racionalizar leva tempo, muito tempo, estudo e trabalho para o obter.
    Os cábulas da net pululam nas caixas de comentários.

  6. A verdadeira democracia , que não devemos confundir com as “amplas”, apenas começou um ano após o 25/4/74.
    25/4/75

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