Que dizeis e quereis?

Atribuir notas e avaliar são duas actividades diferentes, não necessariamente relacionadas. Eu saí do ensino nos finais de 90, entre outras razões, porque os alunos não eram avaliados. As reuniões de avaliação eram, isso sim, veículos para o preenchimento das pautas. Estive em cinco escolas, onde leccionei Filosofia, Psicologia e Psicossociologia a alunos do 10º, 11º e 12º: Escola Secundária da Moita, Escola Secundária de Linda-a-Velha, Escola Secundária Ferreira Borges, Escola Secundária Alves Redol e Escola Secundária Professor Herculano de Carvalho (nesta sequência). Licenciatura com Via de Ensino, estágio feito, dezenas de turmas e centenas de reuniões depois, posso não ter autoridade para falar em nome da classe dos professores, mas tenho autoridade para falar da falta de classe de alguns professores com quem partilhei os intervalos, participei em actividades, acompanhei em excursões, fui almoçar e jantar, criei amizade e me reuni vezes sem conta para realizar essa apaixonante e nobilíssima missão: ensinar na escola pública.

Se há pessoas maravilhosas a dar aulas? Ignotos santos, heróis e sábios? Sim, muitos. Milhares. Olha, há milhares e milhares de professores portugueses, em escolas públicas portuguesas, que são anónimos, humildes e sacrificados santos, heróis e sábios. Sim, há. Aos milhares e milhares. Mas agora puxa uma cadeira e vamos falar um bocadinho dos outros.


Invariavelmente, com diferenças apenas relativas ao grau de confiança que eu tivesse adquirido nesse dado grupo e escola, as reuniões de Conselho de Turma no final do ano obedeciam a um acordo tácito para que se chumbasse o menor número de alunos que fosse possível. Isto não está errado em si, e tem variados contextos e pretextos, a começar pela própria natureza de um balanço final e ponderação do futuro dos estudantes. O que desafiou a minha responsabilidade foi constatar como essa bondade teórica estava pervertida pela prática. Uma prática que é imune a qualquer suspeita, pois se furta a toda e qualquer aferição – qual é a família que vai protestar contra uma nota positiva, contra a passagem de ano de alunos medíocres e maus?… Com professores experientes, ou já com anos de convívio, o processo não levantava qualquer suspeita. Eu não o teria descoberto, ou não tão cedo, caso não aparecessem também aquelas situações em que um aluno com 5 negativas, por exemplo, acabava com duas depois de umas voltas no carrossel da avaliação. A questão era posta muito pragmaticamente: qual dos professores podia subir a nota? Este momento tinha um singular encanto, pois o processo teria de levar poucos minutos – sendo que nalguns casos levava segundos. As pessoas olhavam para os seus papéis, ou para o tecto, como se estivessem à procura de migalhas da nota caídas nas entrelinhas ou perante uma conta de dividir mais complicada. Exibia-se, ou simulava-se, teatral relutância. A derrota tinha um preço medido em insistências. Com professores armados em professores, ou ainda não adaptados, ou ingénuos, ou tontos, as situações podiam levar à exposição do que estava em causa: evitar chatices; isto é, não ter certos alunos a protestar, mais os seus encarregados de educação, mais a Direcção da escola, mais a eventualidade de aparecer um inspector do Ministério, situação esta em que estaria definitivamente o caldo entornado, pois todas as notas iriam ser vistas a pente fino por um estranho, o professor teria de as justificar muito bem justificadinhas e ainda, last but not least, vários dias de Verão iam para o galheiro, trocados por acaloradas reuniões na escola a ser-se julgado pelo Estado e pelo povo. Oh, quão melhor o júbilo de despachar os filhos da classe média e classe baixa pela encosta do sistema acima, satisfazendo tudo e todos, mais o cinismo de em nada se acreditar, e, portanto, já nada se defender. Outros que resolvam o problema de se atribuir mérito curricular a incapazes, dar aulas já é castigo suficiente. Ufa, férias. Longas férias.

A escola pública é o retrato fiel da sociedade, sim, claro, pois e tal, mas com este obrigatório apêndice: está nivelada por baixo. É refugio para preguiçosos, patarecos, maluquinhos, cobardes, tarados, bacocos, egoístas. Não surpreende que muitos professores se queixem das tarefas que lhes pedem, pois eles começam por se queixar dos papéis que têm de ler. É que muitos professores sofrem de iliteracia, não conseguem perceber certo tipo de linguagem, certos raciocínios mais complexos, certos fundamentos teóricos que não adquiriram porque nunca foram necessários para se estar fechado numa sala a tomar conta de crianças e depois, em certas datas, atribuir um número a cada uma. Na escola há gente desta, sempre houve, e milhões de portugueses a conheceram e suportaram, geração após geração. São eles que criam o anedotário, mas são também eles que criam o ambiente derrotista que é típico do ensino em Portugal desde que há memória da democracia. Carne para o canhão dos generais sindicalistas, manipuladores da ignorância e do medo.

Estes professores não avaliam os alunos, porque avaliar é sinónimo de ensinar. Avaliar é algo que se faz continuamente, em qualquer interacção. Numa aula, acontecem incontáveis momentos de avaliação. Quando se elabora um teste, já muita avaliação foi feita. Depois, com esses resultados objectivados pelos critérios do teste, a avaliação continua na aula seguinte, agora melhorada pelo acréscimo da informação adquirida. Ora, este processo pode ser anulado pelo professor que diga ter alunos a mais ou tempo a menos. O que seja isso, o seu limite, poderá ser fronteira inescrutável. Para todos os efeitos, cada professor o saberá. Talvez num inquérito se descobrisse que a maioria dos professores gostaria de ter apenas duas turmas, com muito tempo livre para preparar as aulas. Mas então, porque aceitaram ter 5, 6, 7 ou mais turmas, e turmas de 30 alunos? Não sabemos, tal como não sabemos por que razão eles insistem em ser professores nessas condições. Mas vemos como os professores se vingam: tornam-se peças da engrenagem. Vão para as aulas repetir a sua lengalenga, tornam-se especialistas em não ter problemas, peritos em aproveitar as benesses do seu estatuto. Deliram-se aristocratas, adorando serem tratados por Senhora Doutora e Senhor Professor quando bebericam o café junto à plebe. E cultivam secreta e crescente repulsa pelas necessidades dos alunos cada vez mais incómodos, cada vez mais estranhos. As patologias depressivas florescem, os atestados multiplicam-se, a grande esperança é a reforma. Há mil e duas razões no bolso dos professores para justificarem a sua vil e apagada tristeza, todas a remeter para entidades exteriores à sua responsabilidade, à sua vontade, à sua liberdade. Como é óbvio, nunca tendo avaliado ninguém, estão apavorados com essa ameaça. E têm boas razões para isso.

Os falhados tomaram conta da escola. Muitos dos que tinham vocação e talento para o ensino saíram ao longo dos anos ou nem lá entraram. Aos professores de vocação e talento que restam, milhares e milhares, este é o vosso momento. Que dizeis e quereis?

85 thoughts on “Que dizeis e quereis?”

  1. Bom texto. Lucido. Corajoso. Construtivo. Ja que vai ser criticado, espero que o seja com o mesmo espirito.

    Mas, pelas razões expostas, duvido que assim aconteça…

  2. estou aqui; não te preocupes que não largo um amigo à primeira nem à segunda porrada, o que é bom resiste, até onde não sei, mas por agora caralho de facto não foi nada. Quanto a ler e comentar só amanhã, vim desejar-te que estejas bem, estou esfalfado da má-vida.

  3. Caro ex-colega,

    Onde se engana é na apreciação final, pois esta avaliação apenas beneficiará o professor burocrata dos papéis, ou seja, o falhado enquanto prof. que verá a sua virtude (e virtualidade) burocrática triunfar. Mas compreendo o seu engano, pois não se terá dado conta do delírio burocrático que é este sistema e dos joguinhos de poder e troca de favores que propiciará.
    Noto-lhe igualmente que não há manipulação sindical. Pelo contrário, os sindicatos até tinham assinado o memorando, estavam feitos para embarcar nesta avaliação. Mas não aguentaram o descontentamento dos seus professores. Seria interessante vermos os dados e o abandono dos sindicatos nos últimos três meses. Não conheço, não são conhecidos, mas suspeito que seriam surpreendentes para a conjuntura.

  4. Esses a quem te diriges, os professores conscientes, bons e dedicados, sabes o que fazem neste momento? Não todos, mas em bom número, por medo e timidez, mais algum comodismo, unem-se aos que o não são e que, por essa mesma razão, não querem ser avaliados. Que não querem ser avaliados nem por este modelo de avaliação nem por nenhum outro, excepto a avaliação à Abertojoão e a autoavaliação impostora preconizada pelo sindicato.

    É a realidade. A ministra vai ter que se demitir, porque os militantes da não avaliação já estão nas escolas a fazer aprovar de braço no ar, para intimidar os restantes, medidas de boicote à avaliação que se vão generalizar.

    Vou-me rir dos hipócritas que agora atacam a ministra e que, quando ela se demitir, vão chorar lágrimas de crocodilo por ela. Vão dizer: os bons do governo vão-se embora: Correia de Campos, MLR, etc. Vão dizer que ela foi vítima do Sócrates, vais ver.

  5. O post do Paulo e os links (absolutamente execráveis) só vêm confirmar uma reacção negativa por todos aqueles, como eu, que se mantém relativamente indiferentes a esta polémica. Realmente é muito dificíl aos professores conseguirem captar a simpatia da restante população com estas atitudes, independentemente da eventual justeza das suas posições. Mesmo quem está afastado da problemática e não tem um conhecimento adequado das diferentes posições, vê uma das partes a insultar e enxovalhar enquanto em simultâneo alegam que são eles os ofendidos, vê cartazes e blogs como os referidos (de forma bastante cretina, aliás) pelo Paulo, vê milhares de profissionais atrás de alguém que quebra um acordo enquanto afirma primeiro que aquilo “não era bem um acordo”, depois que foi o ministério que o quebrou. É impossível ficar indiferente a este confronto. E é muito difícil acreditar na seriedade de uma das partes, apesar de ser a mais ruidosa.

  6. Zeca, estas coisas não deveriam era saber-se lá dentro.
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    joão viegas, pelo menos, está a começar muito bem.
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    Z, a tua má-vida parece ser vida boa.
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    Évora, discordo. Qualquer proposta de avaliação que contivesse algum risco seria alvo de contestação. Se não fosse este o modelo, seria outro e a revolta igual. Só uma avaliação ineficaz, onde o professor se limitasse a recolher créditos em acções de formação turísticas, acabando com um complacente e inútil relatório de auto-avaliação, seria bem aceite.

    Chamo a tua atenção para a evidência: nem sindicatos, nem nenhum representante dos professores, apresentou um modelo concorrente. A estratégia tem sido apenas a de boicotar o Ministério por todos os meios. Não admira que se esteja perante uma psicose colectiva, porque a única atitude da classe é a da recusa. E isso não pode vingar, para bem da democracia.

    Este modelo pode sofrer inúmeras alterações. O Ministério tem cedido onde pode, mas não pode ceder no fundamental: instituir a avaliação com um mínimo de credibilidade e eficácia. Se o problema é o da eficiência, pois que se aceite esse desafio e todos assumam as suas responsabilidades.
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    Nik, também eu lamentei alto a saída do Correia de Campos, para mim o melhor ministro ao tempo (a seguir ao mafioso, claro). E é como dizes: este desafio à classe docente é inaudito, nenhum dos outros Governos passados teve esta coragem. Eu não vivi o PREC (era um puto), mas sinto que o entendo melhor vendo estas manobras dos sindicatos e partidos, todos a explorarem a miséria de um Portugal parado no tempo.

    Se o Sócrates deixar cair a valente senhora (que anda bem nervosa, não lhe invejo a função), será uma enorme desilusão.

  7. Lamento que a seriedade da situação tenha permitido comentários do género “Paulo, és um denagogo barato sem vergonha.links (absolutamente execráveis)” vergonha é a vossa que acabaram de dar provas de inumanidade. Como é possível falam em demagogia seus abutres que querem espezinhar e achincalhar os docentes. A tua simpatia não a quero para nada só desejo que nunca te vejas numa situação destas é NOJENTO

  8. Foram longe demais não se trata de nenhum aproveitamento político, nunca tal foi usado, impedir familiares de expressarem a dor é inaceitável

  9. upi,
    interessante, o flanco. E valentíssima a estocada, lúcida e corajosa prosa. Compreendo o Paulo, argumentar contra isto é o diabo, restam as figuras tristes.

  10. Vá Lá Paulo (!) Dedicai-te um Post.
    …..
    Valupi … engraçado… temos – o mesmo “CV” tirando as escolas ( estive um ano em Angra do Heroísmo … eles lá sabem fazer reuniões de avaliação, acho que entendes o que quero dizer). És da FL? …
    Y já agora: assino por baixo. Y acrescento: perdi o “mito” dos Profs, olhando para os colegas. O “repetir” anos a fio a mesma coisa é, seguramente, um paso para a “loucura” …
    Vale.

  11. bom dia amigo, as nossas preocupações de fundo são iguais, a leitura que fazemos das coisas é que é diferente. Mas também eu que só fui prof do secundário 3 meses há milénios acho que devo calar-me. Não no entanto sem por antes uma coisa que me levou a andar de jornal o dia todo, metido no bolso de trás das calças, quando ia de gato em gato:

    Rosário Gama, presidente do Conselho Executivo da escola Infanta D. Maria (Coimbra):

    «como é possível que um Governo do PS no qual votei tenha aprovado um estatuto [da carreira docente] que promove professores a titular com base em critérios absolutamente arbitrários?», pag. 3, Publico, 12.11.2008

    o meu receio é que o que está a ser feito vise exactamente a promoção dos burocratas dissimulados e hipócritas que regem os bastidores, e não os professores empenhados, dedicados, esforçados, muitas vezes vistos como inconvenientes porque criativos e enérgicos.

    vou-me calar, tomara eu estar enganado, mas venho aqui ver como vais,

    deixo-te uma coisa bonita:

    http://www.youtube.com/watch?v=Gb8lPWvVMBk&feature=related

  12. Obviamente que este processo não está isento de erros e arbitrariedades. Mas são exclusivamente essas que devem ser denunciadas tendo em vista a sua correcção. O problema dos profs é que misturam reinvidicações legítimas com queixas apócrifas, exigências absurdas e acusações falsas contra o ministério. E com isto perdem toda a credibilidade.

  13. Z,

    Não posso falar pelo Valupi mas aposto que ele (como eu) preferia, de longe, estar errado. Acho que até preferia que muitos professores viessem demonstrar que ele esta errado.

    No fim do texto, não é isso mesmo que ele esta a pedir ?

  14. Jeronimo, parece inevitável que o processo tenha erros e arbitrariedades, seja porque é de especial complexidade e melindre, seja porque errar é humano. Mas há algo que é certo: o ensino têm sido medíocre, ou mau, e este Governo quer melhorar a situação. Não há outra razão para o conflito que tem sido mantido, bastando comparar a actual vontade política com a de todos os outros Governos passados, os quais foram responsáveis e cúmplices da situação. Por isso mesmo, apontar falhas pede clareza e frontalidade. Mas também pede lealdade, coisa que os sindicatos não têm. Com isso estão a trair Portugal, numa política do quanto pior melhor.

    Concordo muito contigo, e creio que esse é o pensar e sentir da maioria da população.
    __

    Rui, não é corajosa a prosa. Seria-o se viesse de um actual professor. E eu quase nada sei, quão mais fica por contar do que se passa nos bastidores locais do ensino.
    __

    De Puta Madre, sou um menino da Católica. Fico é com inveja desse ano em Angra.
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    Z, haver polémica, discussões, divergências, não significa que uma das partes esteja a errar ou de má-fé. A política democrática, na sua pureza extrema, vive da pluralidade de propostas, de inteligências e de vontades.
    __

    Vasco Polido, combinado.
    __

    joão viegas, nem mais!

  15. Valupi,

    Escreveste que nem um plenipotenciário do Sócrates.
    Mas, de certa forma, lamento, porque poderias ter transformado isso, com pequenas alterações, num dos capítulos do romance muito sócio e epopeico que tenho a certeza andas as escrever sobre a vida dum rapaz abandonado, em bébé, pela mãe (sindicalista, professora, desempregada, solteira) numa alcofa à porta do Ministério da Educação.

    Já disse antes, torno a dizer, não me meto em lavagens de roupa e regateirices de inspiração maçónica desenhadas para darem um ar de frescura e certificado de funcionamento em beleza à Democracia. A minha contribuição não entra nesse processo que considero vazio, contrário aos interesses duma boa saúde mental de toda a gente incluindo os católicos. Quando raramente quebro essa rotina, limito-me a dobrar umas coisas e por vezes passo-as a ferro, mas mesmo assim é preciso estar muito bem disposto.

    A lição que qualquer cidadão com niveis normais de cobre na ceruloplasmina deveria tirar de toda esta polémica com altos e baixos e concessõoes de parte a parte há alguns é a seguinte: se 120.000 professores são, de qualquer forma, manipuláveis, que dizer então dos recipientes mais vulneráveis da propaganda e desensino, as pobres crianças e jovens apanhados no meio desta zaragata entre governo e docentes-sindicatos que provavelmente obedece a uma única e inconfessável agenda?

    Essa é que é a carne e o cerne da questão. O resto são ossos, quando não é rama.

    E o vinhinho está bom, não mo mandes largar.

  16. Não sou, receio ter de dizer-lhe isto, professor. Mas com certeza encontrará quem lho explique, meu caro. Eu e você sabemos que você sabe que cometeu um erro de palmatória. Não esteja à espera que lhe dê palmadas nas costas por isso.

  17. Fugir é, sempre, a única vitória sobre a incapacidade.

    Não é ridículo. “SERIA-O” se eu quisesse. Prefiro ignorar. É esse o caminho face à ignorância.

  18. EU,

    És o único marmanjo da Papadócia que prefere “ignorar” uma questão em quatro comentários sucessivos. Vou actualizar o meu caderno de aforismos: para bom entendedor quatro palavras bastam. Mas espera aí, não vou, i-lo-ia se merecesse a pena.

  19. O problema das causas sérias que justificam toda a convicção e empenho na discussão de argumentos é que não deixam tempo nem queimam conversa com banalidades circenses. Normalmente não há espaço para esse tipo de diversão num debate sério, não porque toda a gente não saiba fazer gracinhas e trocadilhos, uns mais felizes que outros. Mas sim porque isso ofende a própria causa que se defende para já não falar na inteligência dos outros. Noutro contexto seriam engraçadinhas, talvez, seriam-no, sê-lo-iam, take your pick. Assim parvoíces serão. Só.

  20. Caro Rvn, se para si a língua portuguesa – e o seu estado de conservação nas mãos de quem a usa – é uma parvoíce, nada a fazer. E nada mais a dizer.

  21. E por falar em gracinhas, Chico, há anos que pergunto a mim próprio se terei os ‘niveis normais de cobre na ceruloplasmina’. Ajuda-me se puderes. Tens medidor?

  22. Ah, até que enfim que é reposta a legalidade: “sê-lo-ia”. Mas aviso já que estou contra, prefiro o muito mais cómodo “seria-o”, com possível variante “seria-lo”.

  23. caríssimo tu,
    nesse aspecto concordo consigo, tanto que só leio quem cumpre os mínimos e daí para cima, sendo sempre avaro com a reverência que presto, omo ou mesmo tide, que também já não me deixo deslumbrar às primeiras. Mas e que tem isso a ver? Falamos por acaso de má escrita, português deficiente, ignorância linguística por aqui? Acredita mesmo que é disso que se vem tratando nos comentários a um post que diz o que este diz? É essa a mácula do exposto, para si? Espero sinceramente que não, seria estranho, algo como ver interpretar uma equação matemática com base na repetição da importante constatação de que está a chover. Mesmo que esteja, e a potes.
    Perdão, cântaros, (de cantharu).

  24. Caro Valupi, desilude-me, ainda mais, se ainda não o tinha percebido.

    Caro RVN, de nada vale o topo se a base for de manteiga. Ou de margarina. Um dia eu explico-lhe.

  25. CHICO, foste o meu salvador. És sempre, portanto, não se trata de uma novidade.
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    Rui, as questões gramaticais, especialmente a este nível tão básico, merecem toda a nossa atenção. Afinal, a temática é a do ensino, meu amigo.
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    Eu, não só não o tinha percebido, como nem o quero perceber. Irei lutar pela validação do “seria-o”, um portentoso acrescento para a Língua.

  26. Somos todos, meu caro Valupi. Somos todos. Professores – sim; e, sobretudo, alunos. Mas não: não é essa a minha profissão. Seja lá o que isso for.

  27. “…um estatuto [da carreira docente] que promove professores a titular com base em critérios absolutamente arbitrários” (senhora Rosário, citada por z)

    z, a ti, que alegas desconhecimento, não sei que te diga. Olha, informa-te.

    À tal senhora Rosário eu perguntaria: quais são os tais “critérios arbitrários”, mesmo sem o “absolutamente”? A assiduidade? Os cargos ocupados nos órgãos de gestão da escola? As acções de formação em que os profs participaram? As outras actividades curriculares e extra-curriculares? O quê, senhora Rosário? O quê?

    Há cada idiota, minha Nossa Senhora do Rosário!

  28. Quase completamente de acordo com Valupi – quase, devido à referência a Correia de Campos.. Não o vi – ao C de C – “entrar” pelo médicos, andou pelas indirectas, maternidades, urgências, etc..Afinal, aos médicos, à classe, não vai qualquer um, ou melhor, só me lembro de um, ainda está vivo, felizmente, chama-se António Arnaut, e é, para mim, um homem com “tomates”, que se bateu, e de que maneira, pela criação do Serviço Nacional de Saúde, já no período do pós-25 de Novembro.
    Ao texto inicial de Valupi, acrescento: por anos e anos, depois do 25 de Abril, todos queríamos filhos doutores – a porta abrira-se, finalmente – e vai de ver “sodotores” às pazadas…tantos que, depois, não tinham trabalho..e, se não tinham ocupação, então iam para profs… A procura para o ensino democratizado era tanta que até conheci alguns, quase “analfabetos ” que, graças à introdução da cadeira de comunicação social nas escolas, foram convidados para profs da área.. e lá foram e por lá ficaram. Tempos passados, era vê-los com os seus alunos em visitas de estudo à empresa onde trabalhavámos – eles, já travestidos de “sodotores”, mais seus educandos…
    E estamos assim – vieram muitos, durante muitos anos, e todos “sabiam” ensinar qualquer coisa..Só que, agora – com esta avaliação ou com qualquer outra, desde que minímamente séria – são confrontados com a realidade.. E é aqui que, como se diz na minha terra, que a porca torce o rabo..

    J.Coelho

  29. nik: não, não vou informar-me mais do que já estou. Hoje o Público é um manancial de informações sobre o assunto. Essa senhora que eu citei via Publico de ontem creio que é presidente da escola com melhores resultados de avaliação de alunos nos últimos anos, não é uma senhora do Rosário qualquer, e também não é um nick.

  30. Rui,

    Podes basear a minha “gracinha” nisto:

    “Ceruloplasmin is an α2-globulin containing copper. About 70% or more of total serum copper is associated with ceruloplasmin, 7% with a high MW protein, transcuprein, 19% with albumin, and 2% with amino acids”

    No link, escapou-se.

    E nota: o nível de cobre nessa coisa – em relação ás quantidades normais, medias, de cobre, bem conhecidas, no resto do organismo, salvo erro cerca de 140 miligramas. Vale?

  31. j.coelho, é verdade, Correia de Campos não atacou ostensivamente os médicos, mas talvez tal fosse impossível, mesmo desaconselhável de se tentar. De qualquer maneira, interveio para racionalizar o sistema. E isso foi uma pedrada no charco, como se viu.

    Quanto ao diagnóstico da situação escolar, é exactamente como dizes. É um problema com 30 anos de peso, e é altamente melindroso. Teria de ser dos mais difíceis de lidar.

  32. mas Valupi, fiquei impressionado com o relato que fizeste, mas eu acho que isto só se ultrapassava com provas nacionais regulares para os alunos, ou regionais, qualquer coisa que introduzisse uma métrica fiável para ponderar o resto, ou seja o sucesso do professor medido pelo sucesso dos seus alunos

    fazia-se um conjunto de exames considerados equivalentes face ao programa e sorteava-se a sua distribuição aleatória

    eu nisto sou grego: os miúdos devem ser bem apoiados, estimulados, etc., mas chega a uma altura e é prova, todos iguais face ao mesmo enunciado

  33. Lamento que o Sr. Valupi se mostre tão empenhado em denegrir uma classe que tem sido vítima de políticas educativas delirantes, erradas, e que levaram a educação a este descalabro.

    1.Dedica apenas um pequeno parágrafo aos professores excepcionais (apesar de dizer serem milhares), sábios, heróis e sacrificados. Para si, todos os professores deveriam ser assim. Claro que se incluiu neste grupo, nos poucos anos em que exerceu.

    2.Aos incompetentes que sofrem de iliteracia, preguiçosos, patarecos, maluquinhos, cobardes, tarados, bacocos e egoístas, dedica 4 longos parágrafos. Quantos são estes centenas, dezenas, milhões?

    3.Esqueceu-se dos milhares e milhares dum terceiro grupo e que são, sem dúvida, a maioria. Não sendo geniais; são honestos; profissionais; preparados; sofredores que denunciaram, ao longo dos anos, as experiências absurdas e as directivas intimidatórias do Ministério da Educação; que nunca tiveram medo de justificar as negativas que atribuíram e que jamais “subiram notas para passar alunos”; que tentaram travar a degradação da Escola Pública e viram, com mágoa, os seus esforços “caírem em saco roto”.

    Reduzir, na prática, ao segundo grupo os Professores portugueses é um abuso e não é honesto. Claro que há professores excepcionais, claro que há professores sem capacidade para o serem, claro que há professores mal preparados (muitos deles já vítimas dessa Escola degradada). A grande maioria, porém, pertence ao terceiro grupo, no qual tenho a honra de me incluir.

    Já estou aposentada, mas toda a minha vida lutei por um ensino de qualidade, rejeitando esse “nivelamento por baixo” e procurando sempre cumprir, o melhor que pude, o meu dever. Continuarei a lutar por isso, enquanto o Ministério da Educação não mudar de rumo.

    Sei que esta Ministra não é a única culpada do que se passa. O seu problema é seguir a mesma linha, com a agravante de ser prepotente e teimosa.

    Lamento reconhecer, no que escreve, um qualquer ressentimento e uma pretensa afirmação de superioridade em relação aos Professores, que não lhe fica muito bem.

    E já agora… Acredita mesmo que este Modelo de Avaliação dos Professores (já para não falar no dos alunos) é bom e vai resolver alguma coisa?

  34. Acho que até preferia que muitos professores viessem demonstrar que ele esta errado.

    Z, acho que os professores já estão muito para lá disso. Neste momento já não querem discutir com quem tem opiniões blindadas e não pretende ter outras.

    Como dizes, basta ler o ‘Público’. É preciso muita inabilidade política e desleixo para se permitir que a situação se degrade a este ponto. E é preciso muita saloiice para se continuar a usar a mentira como método. É preciso muita estupidez para se convencer de que não há mais nada para além de si mesmo.

  35. mas olha que isso foi o João Viegas que disse. Seja como fôr eu tenho sempre de parabenizar o Valupi por fazer uma polémica tão escarpada,

    M, de vez em quando lembro-me de ti, leio duas ou três páginas da peregrinaçam todos os dias e já me ri tanto, tão engraçado, mas depois lá volta tudo a esquartejar-se, afogar-se, sei lá que mais e paro,

    está um tempo delicioso, não?

  36. Z, a educação é um tópico altamente complexo, e, por isso, altamente controverso. No caso de Portugal, onde a própria classe dos professores é um catálogo de carências várias, ainda mais. Mas é muito bom estarmos a falar dela, o pior é o alheamento da sociedade.
    __

    Elisabete, muito obrigado pelo tua participação. Concordo, obviamente, com a caracterização do terceiro grupo, seguramente o maior. Mas, lá está, é também o grupo dos medíocres – ou seja, dos que estão na média, e na média querem ficar. Terá de ser assim? Por um lado, sim, pois é inevitável dinâmica psicossocial. Por outro lado, não, pois cada um de nós é livre.

    O problema do Governo, e do Ministério, não é a Maria de Lurdes. Essa forma de fulanizar a questão está ao serviço da defesa do marasmo. O problema do Governo é a coragem, por isso tem chatices. Com todos os outros Governos – que tu, como o resto da classe, denuncia como sucessivos responsáveis pelos problemas – não haveria manifestações, claro, pois seria servido mais do mesmo. Então, concluímos que os professores até nem se importam de serem maltratados, desde que seja com as regras do costume, as tais que eles já dominam.

    Este modelo de avaliação pode ser alterado, e até completamente transformado. O ME está disposto a isso. Mas ninguém neste Universo o poderá fazer sem a vontade dos professores. E estes não apresentam nenhum modelo alternativo. Porquê? Porque querem mais do mesmo, é a conclusão. E mais do mesmo, é não serem avaliados. Esta, a questão de fundo que origina a actual situação.
    __

    M, qual é o modelo de avaliação que defendes?

  37. Z, eu não me referia a ninguém em especial mas aos blindados em geral. A dimensão que isto atingiu fala por si.
    Só um tratado sobre a cegueira pode explicar que se admita que uma classe profissional, no geral cordata e colaborante como é a dos professores, tenha de um dia para o outro acordado com instintos carbonários.

    Os peregrinadores eram gente de outra vindima, irrequieta e metediça, sem paciência para a multiculturalidade.

    Sim, tempo delicioso. Vou sair e apanhar uns raios enquanto é tempo.

    http://www.youtube.com/watch?v=LSSIlx9hiu8

  38. Porque querem mais do mesmo, é a conclusão. E mais do mesmo, é não serem avaliados.

    Nâo tenho neste momento muito tempo e principalmente já reciclei o material de desencastramento.

  39. M, olha que eu não sacaneio um amigo, mesmo à conta de uma gaja bonita, tens aqui prá troca, também vou para o Sol:

    http://www.youtube.com/watch?v=QaFgU0C2Rtw&feature=related

    temos de agradecer à ministra e à equipa contribuir para a recuperação da procura interna no sector dos ovos pelo menos

    não, Valupi, não foi agora que eu queimei a ministra, ela queimou-se a si própria na outra manif quando disse que 100 000 prof.s era irrelevante, quando se fora intelectualmente honesta teria dito: preocupante,

    ora eu só confio minimamente numa reforma sobre a Educação (e sobre o resto, aliás) feito por gente honesta, no caso intelectualmente honesta

    também acho que é a conversar, a partir de paisagens escarpadas como fizeste que se poderá chegar a um melhor equilíbrio, mais justo, mais honesto, mais inovador até porque agora com esta coisa da internet estou farto de pensar como poderá ser,

    vou bazar

  40. Valupi,

    Na minha mediocridade, nunca teria a arrogância de considerar-me sábia, heroína ou santa. Mas tenho espirito crítico e, mal ou bem, costumo pensar com a minha própria cabeça.

    Volto a repetir:não quero mais do mesmo. Quero uma Educação digna desse nome, isto é, rigorosa e exigente.

    Não considero os Professores os principais responsáveis pelo estado a que chegámos, mas sim o Ministério da Educação e os incompetentes que lá “trabalham”.

    Não se deixe cegar pelo conceito que tem de si próprio e por partidarismos políticos!

  41. também gosto mais da Nina, M, nobreza está bem escolhido. Hoje a dormir ou melhor amanhã quando acordar, ou inbetween, vou tentar lembrar-me do nome de uma que agora não consigo, para ver se tem no youtube e depois boto aqui.

    Elizabete: o Valupi é bem formado, ele faz provocações fortes e mesmo duras, e até porventura injustas, e eu levo de vez em quando, e também lhe dou, mas acho que mais que tudo ele gosta é que alguma luz brote no fim.

    Todos nós que fomos prof.s sabemos quão delicioso que é ser ultrapassado(s) pelos discípulos,

    até amanhã

  42. Z, 100.000 manifestantes podem ser irrelevantes se estiverem contra o interesse dos restantes 9.900.000 concidadãos.
    __

    Elisabete, é condição da sabedoria não se reconhecer sábia. Assim, estarás no bom caminho. Onde falhas, tu e a classe, é na incapacidade de explicitar o que “uma Educação digna desse nome, isto é, rigorosa e exigente” queira dizer. E pouco importa, até, que a questão seja muito complicada ou difícil. Para todos os efeitos, os professores não conseguem unir-se numa qualquer proposta construtiva, apenas se juntam para destruir.

    É o facto, e tem décadas.

  43. Valupi, não se consegue governar um sector tendo a classe toda contra si, é básico, lembra-te de Maquiavel: ou o princípe é amado ou a ‘melhor garantia de posse é a destruição’.

  44. quando eu era rapaz essa Annette acompanhou-me muito; é tããão blasé!

    amanhã vou-me encher de coragem e fazer uma transcrição deliciosa do peregrinaçam

    hoje tenho que andar no ingliú

  45. Não estou a par dos problemas do ensino em Portugal, não faço ideia quem seja a ministra, não conheço o enredo, nunca vi o Valupi mais gordo, mas este texto é tão convincente que imagino perfeitamente as reuniões de professores que ele descreve, como se estivesse presente….

    Por isso faço minhas as palavras de um tal João Viegas (Nov 12th, 2008 at 22:18), um comentário à altura do texto:

    “Bom texto. Lucido. Corajoso. Construtivo. Ja que vai ser criticado, espero que o seja com o mesmo espirito.
    Mas, pelas razões expostas, duvido que assim aconteça…”

  46. Z, a educação diz respeito a todos nós, não é um exclusivo dos professores.
    __

    carmo da rosa, pois é…
    __

    M, ficaram retidos por causa do link. Queres que apague um deles?

  47. M, a Grace Jones ainda concedo, ou melhor entendo, embora eu tenha descido muitas ruas looking at the billboard

    Agora a Jeanne Moreau no Querelle está muito bem, tomara eu que não fora aquilo uma tristeza desencontrada como umas que já conheci, mas é a vida:

    man kills the thing he loves

  48. é violento é, fico sempre meio destroçado quando se exercita bem o truque fácil de denegar o amor, Creio que é porque os homens, em regra, não conseguem internalizar a morte como libertação da alma, apesar do belo exemplo de Socrates, e portanto a pulsão de morte invade tudo. Fácil e trágico.

    Vocês, as mulheres, são muito mais robustas no exercício do amor e da sua crença.

    Creio que já topei os teus gostos musicais: gostas de ‘genes selvagens’, como dantes se dizia, hoje já não sei – como o trigo duro ou o milho painço – e não gostas, ou gostas pouco, de híbridos sofisticados.

    E isto? Eu gosto.

    http://www.youtube.com/watch?v=2-yDO-pT3F0&feature=related

    So lá para o meio dia é que boto aqui a citação, vai-me dar um trabalhão transcrever, mas é tão divertida

  49. Valupi, rapaz, estás a diabolizar toda uma classe profissional que se expressa em números avassaladores. É como se o número para ti não tivesse importância, como a milú, ter 10000 ou 100000 na rua é a mesma coisa, quando mudou a ordem de grandeza. Usando as tuas próprias palavras, terás razão, mas não toda a razão.

    bem, agora é ingliú

  50. (Valupi: tenho uma aqui para contar; lembras-te daquela ponte romana-filipina que eu andei a namorar, e contava aqui no Aspirina, e andei mesmo, passava-lhe a mão pela pedra, até lambi num cantinho para ver como andava o calcário, pois olha disseram-me anteontem que já está classificada como monumento municipal, publicado e tudo. Nada como fazer um basqueiro e trufa. Portanto com essa já posso ficar descansado.)

  51. fica já despachado, senão não consigo ir ao outro,

    tugas e coisas de honra mal sofrida:

    «E havendo já quase um mês que aqui estavamos pacificamente, e contentes de nós por acertarmos melhor tratamento do que esperávamos, vendo o demónio quão conformes vivíamos todos nove, porque tudo o nosso era comum de todos, e todos irmãmente repartíamos entre nós essa miséria que cada um tinha, ordenou semear entre dois de nós uma contenda assaz prejudicial para todos, nas cida de uma certa vaidade que a nossa nação Portuguesa tem consigo, a que não sei dar outra razão senão ter por natureza ser mal sofrida nas coisas da honra. E a diferença foi esta. Vieram acaso dois dos nove que éramos a travar-se em palavras sobre qual geração tinha melhor moradia na casa d’el rei nosso Senhor, se os Madureiras se os Fonsecas, e de palavra em palavra veio o negócio de chegar a tanto que vieram a usar dos baixos termos de regateiras dizendo um para o outro, quem sois vós? Mas quem sois vós? Com porventura cada um deles ter um pouco mais de nada. E com isto se meteram em grande cólera , que um deles deu ao outro uma grande bofetada, a qual houve por resposta uma grande cutilada pelo rosto do que a deu, dada com um faca, que lhe derrubou meia face em baixo, e o ferido lançando mão de uma alabarda (…), acudiu Chaem em pessoa com todos os Anchacis da justiça, e tomando-nos às mãos nos deram logo a cada um trinta açoutes, de que ficámos mais sangrados que das feridas, e nos levaram a uma masmorra que estava debaixo do chão, onde nos tiveram quarenta e seis dias com grilhões nos pés, algemas nas mãos, e colares no pescoço, com que passámos assaz de trabalho.»

    Peregrinação, Fernão Mendes Pinto

  52. Z, dizes muitíssimo bem: ter razão, mas não toda a razão. E os professores não podem esperar convencer a população só porque estarão maioritariamente unidos contra certa política. Não estamos num referendo.

  53. A robustez é o resultado de milénios de investimento, por falta de alternativa e de tolerância.
    Mas são contas complicaditas de fazer.

    Sim quase sempre e às vezes não, mas realmente prefiro as canções ásperas, rugosas, embora com muitas excepções.
    Olha esta.

    http://www.youtube.com/watch?v=YTMSojPcF1g

    As galinhas poedeiras conseguiram levar a delas avante e poupar nos ovos. Hoje, o dia da graça do senhor e do descanso, fez saltar um despacho a vigorar já amanhã para reduzir a produção. O amarelo-gema não ficava lá muito bem a um tom de pele esverdeado.

    E parabéns pela intervenção. Não sei que ponte é, onde fica, qual o estado, mas parabéns na mesma.

  54. Sim Zazie, eu só namoro com uma ponte de cada vez, sou uma estranha mistura de promíscuo fiel. E obrigado pelo apoio que me deste na altura. Esta fica dedicada a todos os pinguins do mundo, o meu nome não anda por lá mas isso não me interessa nem um bocadinho.

    Também gostei M, vinha para aqui com o Paco de Lucia, etc, mas vi um kpk lá em cima e não resisti: tufa!

    mas tens aqui o meu Caetano preferido, ele é simpático na praia, falei com ele:

    http://www.youtube.com/watch?v=V3mhSgcmNWk&feature=related

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