Problem solving

O modo como Alegre transformou um assunto irrelevante numa exibição de inépcia política e fragilidade cognitiva – ao apresentar três versões diferentes em poucas horas para explicar a sua relação com o BPP e a BBDO, e deixando ficar no ar crescentes dúvidas quanto à propalada tentativa de devolução do dinheiro; posto que ninguém sabe onde pára esse tal cheque, a começar pelo próprio – é só a última ilustração do triste facto de ter prestado um péssimo serviço ao País ao se candidatar a estas eleições. Pura e simplesmente, não tem condições intelectuais para o cargo. Isso viu-se no debate com Cavaco com dolorosa clareza, onde nem sequer foi capaz de dar um murro na mesa e exigir respeito pelos portugueses perante o chorrilho de insultos à democracia que o marafado despejava. E vê-se em todos os actos da sua campanha pior do que amadora, sem qualquer rumo estratégico nem sentido táctico.

Do outro lado, temos igualmente um colosso de vaidade, mas a que se acrescenta a perfídia. Cavaco acredita ter uma superioridade moral que o deixa imune à responsabilização. Nada precisa de justificar porque se sabe já justificado perante a sua consciência. Estamos num território diabólico, ou bipolar, onde as declarações de probidade são sinceras, sentidas e violentas. Servem para atirar ao adversário. E permitem as manobras palacianas onde vale literalmente tudo, do conúbio com escroques à conspiração para viciar eleições. O mal é feito em nome do bem.

Alegre é ingénuo e Cavaco é hipócrita. Ambos estão a causar prejuízos incalculáveis à comunidade nestas presidenciais, pois nenhum deles merecia estar em Belém. Mas quão mais depressa aceitarmos que o problema não é deles, mais depressa descobriremos que a solução é nossa.

13 thoughts on “Problem solving”

  1. Bom dia Val. Concordo em absoluto. Tal como há cinco anos, considero que nenhum dos candidatos tem perfil e capacidade (e competência) para exercerem o cargo. Aliás, esta situação é bem demonstrativa do estado do país e não falo da situação económico-financeira. Cada vez temos menos gente competente nos vários sectores. Já li algures que o voto em branco não contará, ao contrário do que sucede nas restantes eleições, onde se aplica o método de Hondt. Ou seja, terei que votar em alguém. Será como ir à sucata escolher um carro…
    Abraço e bom fds.

  2. “Ingénuo” my foot! O que isto prova é que os efeitos da “poesia” argentária do Alegre está a entrar nas algibeiras financeiras do socialismo em geral e das carvoarias em particular e de raspão a complicar o romance entre a Publicidade, o mundo do Valupi em três lições de geografia e um copo de água, e a política podre da democracia.

    Se Alegre sobreviver à caganeira (os malditos polipos que o levaram à Alemanha comunista quando era delfim do Cunhal parecem que ainda o incomodam) causada pela “gastroenterite”, o problema de relações públicas talvez possa, com um pouco de sorte, ser resolvido com mais um certificadozinho que o iria ajudar a tirar um curso de Direito Urso no estrangeiro, possivelmente na Ucrânia, perto duma fábrica de tractores.

    Fora isso, a única solução que vejo é a dissolução do PS e a entrega das chaves ao partido isrelita do trabalho.

  3. Valupi, nem mais. Ricardo Sardo: sucata «indeed».
    Sócrates foi(é) o primeiro a dar o mote para uma nova geração de políticos, mas, noutros quadrantes, e também no PS, ainda não se vislumbra uma boa leva de gente nova, alternativa, arejada, diferente e com qualidade.
    Do PCP, nada a esperar – a linha ortodoxa fiel a um ideal de sociedade morto e enterrado parece ser a aposta para os próximos 100 anos. Tudo velho, portanto, mesmo Bernardino Soares.
    Do BE, idem – O ideal parece ser o protesto como um fim em si. Parecem compreender, ao contrário do PC, que os ideais comunistas, trotsquistas, maoistas e outros foram condenados a morrer um a um, por isso apresentam-se com um programa de mero protesto e agitação e por aí se ficam. Fácil. A malta nova não betinha acha giro.
    Louçã ainda é novo, ainda lhe restam muitos anos para não mudar. Não parece haver candidatos ao seu lugar.
    No CDS, apesar de terem surgido umas caras novas aparentemente energéticas na Assembleia, continua a ser P Portas a dar o tom. O mesmo tom, aliás, que anda a dar há alguns 20 anos. Grandes frases para os jornais, grandes tiradas, 99% das vezes mentiras e demagogias. Depois, traz agarrada a si a passagem, de má memória, por um governo. É astuto para os joguinhos políticos, mas já todos o toparam. Estará a precisar de desandar, não?
    No PSD- no PSD? É verdade, alguém viu por aí o líder?

  4. Cavaco acredita ter uma superioridade moral que o deixa imune à responsabilização.
    Nada precisa de justificar porque se sabe já justificado perante a sua consciência,
    O mal é feito para a obtenção do bem.

    CULTURA CATOLICA ao cento por cento. A democracia não calhou tão bem na Igreja como no mundo protestante.
    O papado, a verdade absoluta, eleito por Deus.
    A confesão, tudo fica perdoado, ja podes seguir a fazer o mesmo, se confesares estas na graçá de Deus.
    A superioridade moral, que da o estar na graça de Deus e não como os que andam o res do chão.

    coclusão: HIPOCRESIA.
    Esta sociedade foi educada muitos séculos no catolicismo, todos nós temos uma forte influência católica.

    Cavaco: presidente, ad maiorem gloria Dei.

  5. Caro Valupi

    tempos de sabedoria, mais um “Valupi” de boa colheita, quase com a qualidade dos primórdios. A historia do BPN vai parir o próximo Chefe de Estado. Seja lá ele quem for. Quando a verdade chegar, como foi possível esta situação? Muito boa gente não vai acreditar, os gulosos do costume estão todos envolvidos. Querem que o povo pague o saque a prestações. Sócrates pensou gerir o seu futuro político ficando dono de muitos casos de polícia do bom mundo das negociatas do “cavaquismo” e doutras filiações. POBRE POVO. Tens razão, a solução é nossa, só falta saber é como.
    Não esquecer que cada voto vale dinheiro para o candidato, o meu vai para o valente Coelho da Madeira, que ontem mandou ás malvas uma quantas desqualificadas personagens.

    PS. quando tiveres alguma ideia avisa.

  6. A solução é conhecida: directas. As tais que nos deram Sócrates em vez de Alegre ou João Soares. E que nos teriam dado outro qualquer em vez do inepto bardo, com a vantagem de uma maior visibilidade do candidato que delas saísse, devido à cobertura mediática que estas teriam. E com a certeza que quem as vencesse tinha capacidade de organizar uma campanha como deve ser, de lidar com polémicas e revelações, de debater com alma, de saber falar, de conseguir apoios, espaço nos media, etc. O candidato deve ser decidido na batalha, não em plácidos almoços no guincho e em círculos de influência.
    E, para além disso, têm outra vantagem preciosa: permitem o “primary challenge”. Ser possível que, à margem das lideranças partidárias e dos consensos tácticos, alguém desafie um candidato a segundo mandato, caso este não se tenha portado bem. Ajuda a mantê-los alerta.

    A solução passa sempre por mais democracia. Resta implementá-la.

  7. Vega9000, concordo, mas acho que o termo certo é “primárias” (directas é uma coisa algo diferente)! No entanto, isso pressupõe que escolhamos também um regime presidencialista, porque num como o nosso a chefia do Estado, por enquanto, tem apenas uma função de representação, não própriamente executiva, como deveras tem no tal País grandalhão onde há as “primárias” que te encantam.

    Ricardo Sardo, muito a propósito de confusões conceptuais, atenção que o método de Hondt não vem nada ao caso para a relevância ou não dos votos em branco! A questão diferente, nas Presidenciais, é apenas no cálculo das percentagens dos candidatos, o qual é efectuado a partir sómente do total dos votos “válidamente expressos” – ou seja, todos os que escolham correctamente uma das hipóteses do boletim de voto -, e não com base no total de votos, ponto (válidos, brancos e nulos), como se faz nas Legislativas…

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