Princípios? Nuno Melo tem paletes deles

Neste trecho de Outubro de 2010, Nuno Melo oferece a quem se interessa pela cidade, ou a quem dispor de seis minutos e trinta segundos para gastar sem saber onde, um condensado de demagogia e populismo que tem valor pedagógico, por ser paradigmático e por vir de quem vem.

Começando pelo fim, Nuno Melo é um muito provável sucessor de Portas; e, mesmo que tal não aconteça, ele será sempre um dirigente partidário importante e um político mediaticamente influente. Isto, pressupondo que o CDS não vai desaparecer do mapa parlamentar após a saída do irrevogável. Ver este passarão a exibir-se no nível mais rasteiro da baixa política é algo que não se deve esquecer caso consideremos ser nosso direito exercer a cidadania e tentar viver numa comunidade com o menor número possível de pulhas em cargos de poder político.

O número artístico é paradigmático porque exibe a essência da estratégia da direita desde 2008. Consiste em agitar títulos de jornais (literalmente, como se vê no vídeo, e percebendo-se de imediato a importância da máquina laranja na imprensa) que veiculam opiniões caluniosas e supostos factos não comprovados, de seguida passa-se para o ataque à classe política e ao próprio Estado a partir da deturpação do que é a normal gestão governativa, continua-se apagando qualquer factor externo que tenha tido influência interna e, finalmente, declara-se que há um problema “ético” na origem, ou acima, ou antes, de todos os outros problemas políticos e económicos, problema ético esse que impede qualquer acordo entre os partidos ou a mera discussão racional das questões em causa – isto é, apela-se ao ódio.

Trata-se de uma fórmula ancestral, tão antiga como a democracia e logo apontada, na Atenas de Sólon, Clístenes e Péricles, como uma das maiores ameaças à organização política da sociedade. E é uma fórmula que resulta tanto à direita como à esquerda, por ter base antropológica e ser tão mais eficaz quão maior for a ignorância, iliteracia e absentismo cívico das populações. Repare-se como aquilo que Nuno Melo diz de um Governo socialista a governar ao centro em nada difere na forma e na intenção, inclusive na hipocrisia moral, do que PCP, BE e qualquer herói da esquerda pura e verdadeira têm dito, ano após ano, década após década, do PS. O adversário é retratado como incompetente e corrupto, mas a corrupção não é apenas uma característica de uns quantos, antes decorre de uma natureza maligna que atinge todo o colectivo, por isso seria inútil sequer tentar o diálogo com os presentes ou futuros dirigentes socialistas. Eis como pensam os racistas, por fanatismo ou canalhice.

Nuno Melo assume-se como um arauto dos “princípios” na política. É desse subido poiso que larga sentenças. Provavelmente, nunca será confrontado com o que repudiou e prometeu antes de 5 de Junho de 2011 e o que apoiou, por actos ou omissões, depois dessa data. Talvez seja melhor assim, pois obrigar este senhorito a ter de aplicar os seus “princípios” ao que temos visto de Passos, Relvas, Portas e Cavaco, mais o festival que vai na Justiça amiga dos banqueiros a transbordar de “princípios”, seria uma tortura que, apesar de tudo, não se deseja a ninguém. Nem sequer a um zé-ninguém da política portuguesa.

8 thoughts on “Princípios? Nuno Melo tem paletes deles”

  1. o tipo de exemplos que este trauliteiro troxe à colaçao é corrente ver-se inclusivé nas comissões de inquerito.vamos tambem ao” diario da república” e vemos montes de motoristas,boys e um governo curto que já tem mais gente do que um governo grande.perante esta realidade o ps e psd nada têm para dizer e por isso se calam.só que o fcp do nuno melo, esqueceu-se que é do cds e que seu partido tambem tem sido governo ao longo destes anos.termino dizendo que para vermos quem é este canalha não precisavamos de ir ao canal memoria, e muito menos sem o contraditório no caso de sergio sousa pinto.

  2. Nuno Melo,é um rapazola a quem,entre muitos outros trastes, a Democracia permitiu chegar onde nunca devia ter chegado,por falta de requisitos mínimos de decoro,decência e dignidade,que deviam ser referência obrigatória, com complementariedade em Conhecimento,Saberes adquiridos e Probidade,para se poder ascender a lugares de Responsabilidade Em Funções De Estado.Sujeitos, como o personagem em apreço,enlameiam e conspurcam a vida pública de qualquer sociedade só com o ar que expiram.Pobre País o nosso,que,todos nós,permitimos que caísse nas mãos de miseráveis existências como a de este pobre diabo!(…)

  3. São trastes destes que proliferam por essa Europa fora, por esse mundo fora e que estão a contribuir para a crescente maré do fascismo internacional! O que se vai vendo por esse mundo, não augura nada de bom para o que o futuro nos reserva.

  4. O homem, coitado, empanturra de ética… e o país não aguenta mais.
    Nestes tempos, de má memória, ainda o grande proclamador de dichotes permanecia na sombra agoirenta: ‘Ai aguenta aguenta…’.
    Mas… que dizemos nós? Ética é dizer irrevogável e revogável num intervalo de tempo suficientemente curto. Entretanto, toma-se um café com Oliveira e Costa…

  5. Um (pequeno) grande sacana! Um pano encharcado nas trombas ainda seria pouco. Pior: o estupor ainda vai ter a lata de aparecer como um indivíduo sério nas próximas eleições (a defender o quê?).
    Este post é altamente pedagógico: espalhe-se aos quatro ventos, para fazer ricochete.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.