Portugal’s Got President

Este modelo de debates a dois impõe uma organização sequencial e um ritmo diário que lembra um torneio desportivo por grupos até chegarmos a dois finalistas. Cada confronto, tratado na imprensa e nas claques com a obsessão de se promulgar vitória, derrota ou empate, sofre então o efeito do “sorteio”, a ordem pela qual cada “equipa” (candidato nos holofotes+conselheiros na sombra) entra em estúdio. Por exemplo, o debate entre João Ferreira e André Ventura seria inevitavelmente muito diferente se ocorresse na próxima sexta-feira. Tal como o de Ana Gomes com Marcelo diferente seria tendo ocorrido no primeiro dia dos debates do que virá a ser ocorrendo no último. E nunca saberemos como, tal como não sabemos qual é a influência do calendário nos jogos de futebol do campeonato da Europa e do Mundo na fase de grupos. Sabemos é que a cada jornada todos os concorrentes retiram informações acerca dos seus adversários futuros e adaptam estratégias, antecipam tácticas.

Na realidade, a potencial 2ª volta das eleições presidenciais funciona como uma típica final donde se tem mesmo de sair com um vencedor. Desconheço mas imagino que ninguém concebeu a possibilidade de uma 3ª volta por empate na 2ª (ou de uma outra solução parecida com as grandes penalidades – por exemplo, séries de 5 perguntas lançadas pelos candidatos uns aos outros cujas respostas seriam votadas pelos eleitores). Talvez se pense que tal desfecho aconteça apenas uma vez a cada 100 milhões de anos, não valendo a pena perder tempo com o assunto. Mesmo assim, dado o entusiasmo popular que estas presidenciais estão a despertar como mero espectáculo televisivo, pois o leque dos protagonistas é mediaticamente diversificado e tarimbado e já se conhece o vencedor, podíamos imaginar um novo modelo de eleição presidencial onde os debates ocorressem ao longo de um ou dois meses com sucessivas eliminatórias. É mero delírio, pois sim, mas o resultado seria congénere aos programas de talentos que tanto prazer e envolvimento suscitam nas sociedades, permitindo um exaustivo estudo dos pretendentes ao trono republicano.

Temos uma natural apetência pelas competições porque elas são relevantes para a nossa sobrevivência. Não há nada de errado em ir para um estádio ver seres humanos a correr e a lançar o dardo apenas para conseguirem ser os ocasionais campeões. Tal como não há nada de errado em passar meses a acompanhar o destino de seres humanos que se consideram com capacidade superior à da ocasional concorrência para cantar, dançar ou fazer rir. O que é absolutamente bizarro, e vexante, é acharmos que, para se ocupar a Presidência da República, a exposição das propostas, valores, critérios e compromissos dos candidatos não mereça mais do que singulares debates televisivos de meia-hora cada onde ainda temos de aturar jornalistas que vão para ali a achar que também estão numa corrida lá deles para se ver qual é o mais entrópico.

6 thoughts on “Portugal’s Got President”

  1. O Sócrates não precisa de defensores !
    Só a obra edificada basta,a quem não é cego, mirrado do juízo,ou invejoso até ao tutano.
    20 anos de rancor,20 anos de escutas, 20 anos a forjar provas com presidente a alavancar, e tudo se desfaz num fumo fedorento de traque !!!
    As MRPPs já falam das excelências das provas indirectas ! Grande Arnaldo Matos, tu é que as conhecias: isto é tudo um putedo!!!

  2. Em troca de mensagens com um amigo, há meses, perguntou-me ele, em pleno “tabu” Marcelo e antes de conhecido o candidato do PCP, se já decidira em quem votar. Respondi-lhe que provavelmente em branco, ele achou mal e eu ospiliquei:

    “A vitória do chevalier de la Vichyssoise é inevitável. Quanto aos outros:

    Ventura — mais depressa lhe dava uma paulada nos cornos do que um voto.

    Marisa Matias — cultiva com esmero a imagem de boa rapariga, mas lembra-te do que dizia o outro: as boas raparigas vão para o céu, as outras vão para todo o lado. Prefiro a companhia das outras.

    Ana Gomes — transformou-se numa coisa-a-modos-que-assim-a-modos-que-lamentável. Dá-me vontade de fugir.

    Robot do PCP — seja lá quem for que se preste a fazer figura de parvo, vontade terei eu nunca de fazer figura igual.

    Marcelo — inevitável como uma caganeira depois de uma omeleta de salmonelas, é o mal conhecido e provavelmente o mal menor, mas seria incapaz de lhe dar o meu voto.”

  3. Camacho:
    Serias capaz de votar em quem te abandona num momento de aflição e se junta ao teu inimigo?
    Se sim, valha-nos S. Carol Wojtylla !!!

  4. Chevy, não percebo a tua pergunta. Quanto ao “santo” Wojtylla, porém, ocorre-me a sua influência, ou melhor, o seu activismo e responsabilidade criminosa no desmembramento da Jugoslávia, por exemplo, com o cortejo de centenas de milhares de mortos, torturados e etnicamente limpos que dele resultou, em nome do “santo” combate à heresia ortodoxa e ao ateísmo comunista. Concretizando: 200 mil sérvios expulsos da Krajina abusivamente croata com apoio militar americano (não assumido) e outros tantos erradicados do Kosovo pela ternurenta coligação entre o terrorismo islamita (patrocinado pela casa de Saud e afins) e o orgulhoso bombismo humanitário da NATO.

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