Porcaria na ventoinha

Hoje é um daqueles dias em que estamos a mostrar ao Norte da Europa que apesar de sermos geneticamente mandriões, estróinas e caloteiros ainda vale a pena terem um bocadinho de esperança na nossa cura e salvação. Desde que a gente séria esteja a mandar nisto, com a sua extraordinária competência e ofuscante honestidade, com a sua heróica ausência de pieguice, termina logo o regabofe. E não nos faria mal algum acabarmos com todos os feriados, com as férias e ainda com o sábado ou o domingo como dia de descanso semanal – neste caso, sendo dada a possibilidade de escolha ao trabalhador, pois finalmente os liberais portugueses chegaram ao poder e há que espalhar a liberdade. Assim reza a doutrina leporídea, por enquanto apenas discutida em almoços e jantares selectos.

É impressionante constatar como aqueles que afundaram Portugal, tourearam o eleitorado e rebentaram com o que restava da economia e dos apoios sociais permanecem sem castigo popular. Mas ainda mais impressionante é tal acontecer com quem, para além da intrujice colossal, apareceu a exibir asco pelos portugueses. Disseram que vivemos num luxo asiático por culpa dos socialistas, nós que sempre nos conhecemos pobres ou remediados. Acusaram-nos de preferir a sombra da bananeira do Estado à dignidade de ter uma profissão, nós que trabalhamos tanto ou mais do que os restantes europeus e por muito menos. Chegaram a mandar-nos sair do País, esse país onde eles beneficiaram desde que nasceram, ou cá chegaram, do nosso contributo para a sociedade.

É o mesmo discurso odioso com que os colonizadores e os miseráveis sabujos falavam dos pretos, essa raça de preguiçosos que melhora a sua condição existencial na directa medida em que o chicote lhes chegar aos costados. São muitos anos disto na oligarquia, séculos, uma cultura de senhoritos e tiranetes que permanece como o mínimo denominador comum do albergue espanhol que é a actual direita partidária.

4 thoughts on “Porcaria na ventoinha”

  1. ouvi agora um cabrão qualquer da edp dizer no telejornal, a propósito do corte de energia no lagarteiro, que os cortes não foram feitos à balda e a situação de pessoas que estivessem ligadas a um ventilador seria tomada em conta. e não há um snipper que estoire os fusíveis a estes aprendizes do pintelho?

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