Plano Nacional de Vacinação anti-Pacheco

Uma vacina é feita com o agente patogénico. Neste caso, vamos usar esta sequência genética: POIS É, JÁ HÁ MUITO TEMPO QUE SÓ SE TRANSMITE FOLCLORE TRANSMONTANO.

E comecemos pelo fim:

Mas seria profundamente errado pensarmos que é aqui que a “claustrofobia democrática” é mais grave. É no homem comum, que tem medo de perder o emprego, no pequeno empresário que teme perder uma encomenda porque refilou com as dívidas do Estado ou o fisco ou a ASAE, no funcionário público que sabe que tem que agradar ao chefe do PS, no jornalista que questiona o pack journalisme é logo afastado da “política” por se suspeitar que “está feito com o PSD”. É no homem que tem o direito de viver num país livre, com uma comunicação social crítica, com uma informação equilibrada, e nem sequer se pode aperceber até que ponto está a ser, todos os dias, manipulado com “folclore transmontano”.

Assim termina o milionésimo manifesto anti-situacionista do agent provocateur da Marmeleira, agravando uma situação pessoal repetitiva cada vez mais desgraçada; especialmente por estarmos em período pós-eleitoral e ainda ninguém o ter avisado. A novidade é ver Pacheco assumir que fala em nome do homem comum. E o que é o homem comum, para um homem tão incomum? É alguém que está paranóico, explica. Um ser que vive atemorizado, silenciado, olhando com pavor para os cantos e as sombras nocturnas. Um leitor regular da Helena Matos e do João Gonçalves, inevitavelmente. Teme ser seguido por operacionais da ASAE especialistas em comentários contra o Governo, comunica com os amigos e colegas por gestos, vai para a cama calçado e mete a caçadeira debaixo da almofada. Deste cenário de terror salta a provável fonte da inesquecível denúncia da Manela no final da campanha para as Legislativas, quando alertou os eleitores para o facto de poderem ter a sua correspondência violada pelo Governo. É uma imagem que faz jus ao génio intelectual do Pacheco, essa de imaginarmos Sócrates, trémulo e alucinado, a rasgar envelopes numa cave dos CTT. Foi deste material que se fez a psicose chamada Política de Verdade, a tal salvação anunciada com a passagem de uma estrela decadente pelos céus de Belém.


O texto deixa-nos com o homem comum nos braços. Afinal, esse homem é comum e também é bronco, no que talvez não seja uma coincidência. Todos os dias lhe dão música, leva baile, dedilha o Pacheco, e ele nem disso se apercebe, o morcão. Falta uma comunicação social crítica que lhe diga no que pensar. Daí o esforço insano da loira do Regime, desdobrando-se em aparições nos jornais, nas revistas, nas televisões, nas rádios, nos blogues, nos sonhos de cada português. Ele quer acabar com esse hipnotismo musical que domina o homem comum e o impede de votar no PSD. Como detalha o Pacheco, quem não vota PSD acaba a querer agradar ao chefe PS. É a este binómio que se reduz o seu combate, é esta a causa da ruína nacional. O homem comum que aguente só mais um bocadinho, o Pacheco vai a caminho com a sua informação equilibrada, uma panaceia com o sabor e a consistência da marmelada.

Antes do epílogo melodramático, tivemos direito ao seu disco riscado. Que o PS comprou não se sabe bem o quê. Que o PS domina não se sabe quem. Que à sua volta só vê carneiros e lobos. Que os seus amigos Zé Manel e Cintra Torres, mais uns 5 ou 6 tipos, são os últimos resistentes da liberdade. Que há blogues pagos pelo Governo a fazer dirty job, os malandros. Que a asfixia democrática pode cair, mas só para erguer ainda mais alto a claustrofobia democrática, essa pungente bandeira de uma geração. Que o DN fez muito mal a Cavaco, deviam ter estado caladinhos a ver a maré negra passar. Que, em suma, vivemos numa tirania siciliana onde perseguem as pessoas de bem, como o Pacheco e seus poucos amigos, e se dá o ouro aos bandidos, todos os cidadãos restantes, grupo onde se incluem Passos Coelho e matilha. Aqui está a montra do que lhe congestiona o circuito neuronal.

Ontem, na Quadratura do Círculo, o Pacheco foi gozado até pelo Lobo Xavier. Gozaram com a sua obsessão por Sócrates e o destrambelhamento a que tal infortúnio o levou, ao ponto de ter enterrado o PSD numa estratégia ranhosa que teve a merecida derrota. Isto significa que o plano de vacinação anti-Pacheco está, finalmente, a chegar a faixas da população mais carenciadas, como aquelas onde se situa o Lobo Xavier. Em breve, os focos pandémicos agudos que levam o sr. Abrupto a colocar 25 fotografias do Engenheiro num só texto perderão o seu potencial viral. Pacheco tornar-se-á sazonal e, por fim, será tratado com chá e torradas.

8 thoughts on “Plano Nacional de Vacinação anti-Pacheco”

  1. Bravo!

    Se o Desgraça Moura e o Pacheco Tonteira são os ícones máximo da intelectualidade laranja, bem podem limpar as mãos à parede…

  2. Val
    Sabe o receio que tenho sobre a vacina, é que ao ser tomada o efeito seja tal que desapareça o nome Pacheco e eu tenho orgulho nele. Foi a única herança que recebi dos meus pais, era o apelido de ambos.

  3. Manuel Pacheco, podemos encarar a coisa de outra forma. Se calhar, já nasceu imune a esta virose e nem precisa de ser vacinado. :)

  4. Ao principio era o verbo,e o verbo era declamado pelo sumo-sacerdote,e todos os crentes aceitavam de cabeça baixa o que o sumo-sacerdote dizia. Mas o sumo-sacerdote enganou-se,meteu a pata na poça, e a estratégia montada por ele falhou.Apesar disso, continua a insistir na mesma lenga-lenga. Só que os crentes já são menos, e já ´há menos gente a ir ás prédicas. Os pecados da asfixia já não assustam quase ninguem . Até o papa de Belem já mudou(aparentemente) o rumo.O sumo-sacerdote está a perder audiencia, os crentes já não são tão crentes como isso.É possível que o sumo sacerdote tenha que emigrar de vez para o retiro da Marmeleira.

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