PGR-TV

Será que a Procuradoria-Geral da República deve ser também detentora de um jornal e de uma TV? O facto de nenhum dos 195 países reconhecidos pela ONU se ter lembrado de tal até agora, isso de atribuir funções jornalísticas aos órgãos que exercem a acção penal, não nos deve tolher a imaginação. Como seria um canal mediático da nossa PGR? Bom, primeira constatação, nunca lhe faltariam conteúdos de altíssimo interesse para as audiências, tanto no caso de envolverem celebridades com as suas luxúrias e perversões como na sordidez e pungência, por vezes lirismo, dos pés descalços. Segunda constatação, a política editorial só poderia ser uma: apresentar o melhor possível, recorrendo às melhores técnicas mediáticas, as posições da PGR e o trabalho dos procuradores do Ministério Público. Ora, que pretendem esses valentes? Apanhar criminosos. Quantos mais apanharem, melhor. Quão maiores eles forem, melhor. Melhor para todos, procuradores e sociedade, xerifes e vítimas. Só que não chega conseguir apanhá-los e depois cobri-los de alcatrão, falta ainda despejar as penas. Para esse apoteótico final, um jornal e uma TV podem ser de extrema utilidade. É que o MP apenas consegue acusar, ainda não consegue completar o processo e despachar logo as condenações (mas lá virá o dia, está na hora de redescobrir o Brasil). Realmente, os acusadores estão sujeitos às imprevisíveis decisões dos juízes, os quais podem não ter a inteligência dos procuradores, ou serem mal formados ou estarem comprados pelos criminosos (invariavelmente socialistas). Ora, se a PGR conseguir usar as técnicas mediáticas e narrativas para convencer as audiências de que se deve engaiolar este fulano porque tem uns gostos irritantes em fatos ou casas, ou aquela fulana porque apresenta uma atitude desagradável nos interrogatórios e anda a escrever em jornais, isso ajudará os juízes a ver a luz. Basta-lhes ligar o televisor, nos próprios tribunais ou ao chegarem a casa, e desfrutarem das peças brilhantemente montadas e dramatizadas pela equipa de artistas da PGR. Nessas peças, para comodidade dos juízes que têm muito trabalho para despachar, apenas se mostrariam excertos dos interrogatórios onde arguidos e testemunhas, pelo seu tom de voz e postura corporal, estivessem a exibir não só a sua culpabilidade como a sua asquerosa personalidade. Todo este espectáculo, para comodidade dos pobres juízes que tendem a ser muito distraídos, devidamente enquadrado por comentadores especialistas em socialistas corruptos, passe a redundância. No final das peças, acrescentava-se o resultado de uma votação telefónica acerca da sentença preferida pelo público, nunca com opções abaixo dos 10 anos de choça em nome do combate à corrupção. Assistindo com regularidade à PGR-TV, qualquer juiz estaria em condições de chegar ao seu tribunal e arrumar os processos do dia antes de sair para o almoço. Acabaria logo a demora na Justiça, como pede o nosso adorado Marcelo.

Sonho impossível? Felizmente, a iniciativa dos privados permite-nos evitar ter de gastar milhões no que seria um investimento público condenado à corrupção socialista, passe o pleonasmo. A PGR não tem só um jornal e uma TV, tem um ecossistema mediático que ocupa 80% da imprensa em Portugal. Claro que o ideal seria termos 100% de cobertura, ou até mais, para o heróico serviço à Pátria que os impolutos e angélicos procuradores capitaneados pela santa Joana estão a fazer, mas que nenhum juiz venha para aí dizer que não condenou um socialista corrupto, passe a tautologia, por desconhecimento do que se anda a mostrar e dizer no CM, CMTV, Sábado, Sol, Público, Expresso, SIC, Observador, “Governo Sombra” e sobrancelhas do José Rodrigues dos Santos. Se querem ser juízes, então ao menos que acompanhem as notícias.

19 thoughts on “PGR-TV”

  1. acho bem , se os pobres podem ser presos em directo na tv amaricana em cenas tipo documentário/série de polícias por que não os ricos colarinho político? ou há moralidade ou comem todos -:)

  2. Eu acho que, já agora, a PGR também deveria investigar todos os que votaram na quadrilha PS. Altamente suspeitos, como é evidente

  3. o caso manuel vicente não dá direito a demissão dos responsáveis pela merda que fizeram? os custos que tiveram para o país são debitados a quem? diz o ventoínhas que têm falta de pessoal e que são mal pagos, para quê? só se for para aumentar a produção de merda do ministério público. noutro país de 2º. linha a joana já tinha ido de cona há bués, aqui tem os tablóides e os pasquineiros a apoiar estas birras próprias de quem gostaria de governar sem ser eleito.

  4. O post teria piada, se não estivesses infelizmente errado quanto ao fundo. Lembro-te que as audiências dos tribunais são publicas e que, embora haja um publico adepto de processos espectaculares (e de uma certa forma ainda bem que ha), isto é manifestamente insuficiente para satisfazer a curiosidade boçal sedenta de shows televisivos.

    Isto porque – e trata-se com certeza de um dos dramas das nossas palidas democracias – o cidadão-taxista gosta moderadamente desse tipo de espectaculos. Por exemplo, não gosta ao ponto de se dar ao minimo incomodo em contrapartida, quer seja para tentar compreender do que trata um processo, ou mesmo para se deslocar ao tribunal. O cidadão-taxista que se repasta da CM-TV quer somente ver uma coisa a mexer em frente do sofa enquanto engole umas batatas fritas oleosas, regadas a cerveja barata, ao ritmo dos seus proprios arrotos.

    Admitindo que um ou varios magistrados se lembrassem de tentar instrumentalizar este tipo de “curiosidade” popular, não haveria rigorosamente nada a temer, tão estupida e inocua seria a iniciativa.

    Boas

  5. “Será que a Procuradoria-Geral da República deve ser também detentora de um jornal e de uma TV?”

    não, os que existem são suficientes e já estão ao serviço da casa há muito tempo. assim faz de conta que são a opinião pública e legitimam as encomendas da direita.

  6. ” O cidadão-taxista que se repasta da CM-TV quer somente ver uma coisa a mexer em frente do sofa enquanto engole umas batatas fritas oleosas, regadas a cerveja barata, ao ritmo dos seus proprios arrotos.”

    dass… é preciso teres lata. vens aqui todos os dias defender as notícias/opinião da pasquinada e agora saltas fora da carroça em andamento. cá pra mim andas a snifar câncio comprada no dealer galamba.

  7. Oh sucedâneo do (saudoso) Ignatz, que pelo menos tinha alguma matéria na caixa craniana, se fores capaz de citar um unico comentario meu a “defender as notícias/opinião da pasquinada” dou-te 100 paus.

    Boas

  8. não é preciso ir muito longe, basta ler a tua produção literária das duas últimas semanas e retirar 2 comentários, este que referi e outro d’ontem sobre uma confusão qualquer sobre julgamentos políticos e morais onde tentas demarcar-te de tudo o que insinuaste e afirmaste anteriormente sobre o sócras. aliás essa merda é alinhada com a preocupação actual de reescrever a história e limpar a imagem da merda que a direita tem feito. ontém na sic era o monteiro, o fernandes e mais umas almas depenadas a lavar a inventona de belém e por aí a fora. cabrões e cobardes, dizem atrás do arbusto e desdizem para memória futura.

  9. Há lista de comentadores dos canais de TV da PRG, não esquecer, porque pode ficar ofendida a bocarras Manuela Moura Guedes….

  10. Pois, não consegues mostrar um unico. Por sinal também não has de conseguir apontar um unico comentario meu contendo considerações de direita…

    Boas

  11. Meus e minhas, vou fazer lobby junto da Ana Paula Vitorino para reduzir drasticamente a quota de Portugal na pescada, em troca do aumento na sardinha, carapau, tamboril, besugo ou chicharro, tanto faz. Com a abundância actual, o Broas presunçoso não come outra coisa e depois, é claro, passa a vida por aqui a arrotar à dita, o desinfeliz.

    Em alternativa, de tanto mijar de cima da burra, qualquer dia a jumenta farta-se, afinfa-lhe um coice no corta-palha e, perdendo ingloriamente os poucos dentes que lhe restam, em verdade vos digo que será difícil ao besuntas pretensioso comer pescada por uma palhinha. Lá terá de ir a correr à Clínica Maló investir numa cremalheira nova, mas nos entretantos diminui por aqui o risco de afogamento em presunção e água benta. Oremos.

  12. …e mais eu…
    …olé…olé…olé
    rir ainda é bom remédio.
    Joaquim Camacho, Lucas Galuxo mais o espelho e o leninista no melhor do humor.
    VALUPI na recolha total da pasquinagem visual e escrita deu belo mote.
    Só lhe faltou aquele que lê/diz o que lhe mandam, faz beicinhos desdenhosos e colecciona tuites com o adão, rapaz do partido falido mais o psd belfo em debate de cérebros amputados.
    Tudo ao serviço das melhores audiências.
    José Sócrates vai enchendo os bolsos da vilanagem dos mírdia falidos.

  13. Hei pessoal, acham que orgasmos fingidos também é razão suficiente para tramar uma antiga namorada à pala de traição? Ou é só motivo para me sentir envergonhado?

  14. Excelento texto.

    Sobre a “moralidade” de tudo isto, Daniel Oliveira tb tem hoje um excelente texto no Expresso. Mas há nele um detalhe que acho delicioso. É que, quando fala de corrupção na politica, remete o assunto para a órbita dos chamdos partidos do ” arco do poder” ( PS, PSD, CDS ). O DO faz isso e aqui há poucos dias o Pedro Tadeu fazia o mesmo no DN. Mas então, pergunto: a politica em Pt é só administração central ? Ao nivel das administrações regionais e das autarquias locais, está tudo bem ? E, nesse palco, porque é que o PCP não consta do “arco do poder ” ?

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