Perguntas simples

Isto da cegada em Tancos não terá sido um cambalacho de Sócrates, abortado graças aos superpoderes da santa Joana, com a intenção de tomar a Procuradoria-Geral da República pelas armas, aquelas?

10 thoughts on “Perguntas simples”

  1. Isto de Tancos, até ver, tem sido uma peça em permanente reescrita, Valupi.

    No I acto, o “desaparecimento” do material de guerra tinha um alvo muito claro – o MD. Caso contrário isto nunca tinha vindo a público, e muito menos com listagem completa disponibilizada a jornal espanhol. Quem tenha alguma tarimba de tropa sabe que sempre que há inventário deMG e este não bate ( e nunca bate…) com o que estava “à carga”, organiza-se um exercicio de fogo real e volta tudo aos seus lugares. No caso concreto, por maioria de razões. Era preciso que a tropa tivesse mudado muito para os ver a assumir publicamente que tinham sido roubados descaradamente dentro da sua propria casa.

    Como o tiro só acertou de raspão, reescreveu-se a peça e passamos ao segundo acto: a “aparição”. Tal como em Fátima, os detalhes ficaram com as únicas testemunhas. Bastava-nos confiar na sua palavra para que o caso fosse arquivado nas catacumbas do esquecimento. E a coisa terai ficado por aqui.

    Mas eis que surge a Santa Joana a precisar de se despedir em grande plano e a PJ a aproveitar a boleia para mijar bem os cantos à casa, para mostrar quem é o macho alfa destas alcateias policiais onde, como toda a gente sabe, é tudo malta que norteia a sua acção por elevados padrões ético-morais. E assim estamos, a assistir a um imprevisto iii acto.

    Para os próximos, aceitam-se apostas. Se eu tivesse ganho os 10 euritos que davas de prémio no post anterior, apostava-os em como no 5 Out o nosso amado PR vai a Tancos e reedita um comicio à moda de Pedrogão.

  2. A despropósito: amigo Lucas, se andas por aí, sugiro-te vivamente a leitura do número de Setembro do ‘Le Monde Diplomatique’, em papel, tanto na edição francesa (preferencialmente) como na portuguesa. Deve estar a chegar o número de Outubro, pelo que te aconselho urgência.

    P.S. – Peço perdão ao Valupi pelo abuso da involuntária boleia a que estou a obrigá-lo.

  3. «Quem tenha alguma tarimba de tropa sabe que sempre que há inventário de MG e este não bate ( e nunca bate…) com o que estava “à carga”»

    Também a minha experiência na guerra colonial me diz que é assim: no fim das ‘comissões’ faltava material e era inventar armas caídas nas travessias dos rios e roubar capacetes aos ‘novatos’ que por sua vez iriam roubrar mais tarde a outros recém-chegados ‘novatos’ de forma que os capacetes no dia do espólio estava sempre certo.
    Talvez tenha de ser assim dada a natureza dos trabalhos da tropa em ‘exercícios’ e ‘manobras’ de guerra permanentemente.
    E, neste caso, ainda não percebi qualquer motivo forte ou menos forte para oficiais militares se meterem num roubo de armas pesadas assim desta forma tão ingénua e rudimentar. E tenho por mim que os militares regem-se por um código e ética militar muito mais patriótica que qualaquer outra entidade estatal, inclusivé a PJ ou o MP, sobretudo, no tempo presente e neste caso.
    Sendo assim porque razão devo acreditar mais na PJ, secundada pela PG e ultra-direita política, esta que sempre bajulou os militares e agora nem essa tradição respeita, do que os militares que, eventualmente quiseram resolver o caso dentro da instituição militar e entre si como é sua tradição e como parece ser o caso (pese embora me pareça igualmente muito mal e amadoristicamente tratado pelos militares) ?
    Vou aguardar o desenrolar dos acontecimentos e estar atento aos argumentos da tropa para ver se percebo se há ou não um atentado de vingança contra a instituição militar na luta política do momento histórico em que os magistrados dizem que chegou o século da primazia da ‘justiça’ sobre todas as instituições.
    O problema grave está em que os militares, historicamente, tradicionais ‘salvadores da Pátria’ podem perguntar à justiça, tal como Estaline fez ao Papa, quantos canhões tem.

  4. Um pais que tem um hino como o de Portugal corre sempre o risco de a letra ser mal interpretada “Às armas, às armas”. Esta cena na América valia uma emenda qualquer.

    Entreguem a chaves ao MP e a Judite, a Juanita toma conta disto por plebiscito e escolhe o campiao de futebol, o chefe do estado maior, as pilas do Mapplethorpe e outras chatices da vida moderna. Só 6 para a Juanita? Meu Deus, credo, ela é de multiplos! Pelo menos 48.

  5. Amigo Camacho, muito obrigado pela sugestão. Já estou em campo. Tem ali bons materiais, sim senhor. É extraordinário. Acho que não me engano muito se disser que em muitos, muitos temas de política internacional, a extrema esquerda libertária francesa se aproxima da extrema direita libertária americana (http://www.ronpaulinstitute.org/), deixando as posições extremistas mais perigosas ser representadas pelos outrora moderados que ficam no meio. Abraço

  6. Amigo Lucas, nas páginas 1, 6 e 7 da edição francesa, a questão do documentário sobre o lobby israelita nos EUA feito por uma equipa da Al-Jazeera (quatro episódios de 50 minutos cada), que nunca verá a luz do dia porque o Qatar está à rasca com a Arábia Saudita e conseguiu, metendo o documentário na gaveta, o “favor” do dito lobby, que, como sabemos, tem no bolso a Administração americana. Está lá tudo, nomes de pessoas e organizações, citações, etc. E o articulista do ‘Le Monde Diplomatique’ não se socorre de fontes anónimas, daquelas que juram a pés juntos que viram, ouviram ou leram aquilo que apenas existe na sua imaginação, na sua agenda ou na encomenda que lhes foi feita. Ele diz expressamente que viu, na íntegra, os quatro episódios gravados. E o que relata é absolutamente assustador.

  7. Valupi, para lá do caricato daquilo que qualificas, e bem, como uma “cegada”, há um aspecto que deveria merecer de todos a maior preocupação. Refiro-me ao descrédito nas Instituições de República que estes processos induzem.

    Mais uma vez estamos perante a detenção de altos responsáveis para serem ouvidos. Não me consta que o DIrector da PJM se tenha recusado a prestar declarações, pelo que a detenção só me parece fazer sentido se existirem contra eles factos”à prova de bala”. Receio,no entanto, que estejamos perante uma encenação em tudo semelhante à produzida para JSócrates. De comum têm ainda a particularidade de haver informação a circular nos jornais que, mais uma vez, devia estar em segredo de justiça. O resultado é inequivoco: à descredibilização dos politicos segue-se a dos militares. E perante esta dinâmica que faz o homem que jurou ser “fiel garante do regular funcionamento das instituições”? Dá um murro na mesa, chama à pedra quem está sob a sua alçada directa e repõe a ordem no galinheiro ? Não! Vai às compras em NY.

  8. Simplesmente patético, e ridículo !
    Valopia cada vez está pior da cabeça e nos seus contorcionismo extremos para ilibar Socrates, qualquer dia está a defecar pela boca .
    Esta é boa !
    Então sugere-se que, porque Sócrates nada tem a ver com Tancos, segue-se que nada tem a ver com os factos que lhe são imputados na operação Marquês, e que que, portanto, não deveria ter sido investigado, e que estaria assim, a ser perseguido pela PRG .
    Porque não dizer então, que Sócrates nada teve a ver com o Holocausto, e que porquanto nada tem a ver com os factos investigados na operação Marquês .
    Ou então, se Sócrates, não gosta de limonada ( premissa ) logo não é alcoólico ( conclusão ) . E se não é alcoólico, nunca poderia ter cometido os actos de que é acusado .
    É o valor que tem a falácia, dita de negação do antecedente, implícita no texto de Valópia .
    Tem o mesmo valor que dizer “ comer arroz não causa gripe “ .

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