Passamento do falecido

Melhor do que falecer nasceu morto e não ressuscitou. Convidado a desabafar, Miguel Guilherme sugere que o humor feito pela dupla é demasiado sofisticado para as classes etárias abaixo da B. Dá vontade de rir, concordo, e aqui vai a citação tal como aparece na imprensa:

Não sei se o programa será para todos os públicos, mas acho que veio trazer um novo público à TVI e isso é bom. Além disso é um formato de cinco minutos, não se pode esperar que seja top de audiências. Quem vê o programa são pessoas da classe A e B, e de outra faixa etária.

Tudo bem, o Miguel saberá que a divisão por classes A, B, C e quejandos é uma fórmula que diz apenas respeito à capacidade financeira dos consumidores, não se confundindo com diferenças etárias. Mas, então, que se lembrasse disso antes de falar caso esteja a faltar algo no raciocínio. Já o que não oferece dúvidas é a pujança da sua criatividade, pois estávamos todos muito longe de supor que o esquerdista puro e verdadeiro que assina a autoria do programa andasse preocupado com a falta de riso nas classes A e B. Malhas que o império tece, ou talvez uma deformação por tão prolongado e íntimo convívio com o mundo dos reclames.

Seja como for, uma justiça impõe-se ser feita neste funeral. Graças à existência do programa, e ao talento do Ricardo Araújo Pereira, um dos melhores momentos de televisão em Portugal, desde sempre, é este: Episódio 10

Não por acaso, o Ricardo não aparece em cena. Não por acaso, já não estamos no território infantilóide dos Gato Fedorento. Não por acaso, o resultado nada tem de cómico.

É de uma tristeza pungente. Belíssimo soco no estômago.

29 thoughts on “Passamento do falecido”

  1. Valupi, gentes e programas da corda passam-me ao lado. Prefiro os canais por cabo, onde encontro programas mais enxutos, e sem 12 minutos de publicidade.
    Esta “farmácia” está mais arejada, mais catita. Parabéns. Todavia eu gostava que exibisse uma “marca”, uma aspirina na colher, ou qualquer cabeçalho ligado ao mitier. Um abraço.

  2. quer dizer, eu não sei em que gaiola de classe me colocam mas mal começa a música irrita-me imediatamente de tão monocórdica e entediante que é.

    e este episódio não dá mesmo vontade de rir. é sátira triste, puta que pariu, não é entretenimento. ademais, penso que há uma grande falha – não será propositada porque não lhes atribuo tamanha inteligência no pormenor: já não há quem saiba partir cenouras às rodelas – só vidas.

  3. soco forte. a revelação do nosso quotidiano de convívio com o espírito fascista do bom povo português. sobrevivente a todas as costeletas democráticas. power to the people?só se for para o americano; aqui o people quer paz e “mundial” e caga no poder que tem, prefere um poder que lhe dê “sossego”.

  4. que chatice, o episodio não dá vontade de rir, deve ser por falta de inteligência, se a olinda o diz. (já agora, a tua classe é sub-Z).

  5. Evaristo Ferreira, ainda não sabemos se ficaremos com este visual. Foi o que se arranjou na sequência de um problema técnico que parece não ter solução. Por isso, a parte da marca Aspirina B está ainda por pensar.

    Já agora, que te faz gostar mais desta versão?

  6. Júlio, na construção da frase citada, está a confundir. Daí eu o ter aproveitado para a reinação. Mas, tal como também escrevi, acho óbvio que ele não confunda.

  7. Já agora, um viva à Maria do Céu Guerra, sóbria na ironia e perfeita no seu papel. Um espanto!

  8. Aproveitando a deixa do Evaristo, falta realmente qualquer coisa no cabeçalho.

    E não sei se não prefira o azul anterior.

  9. É uma pena que Ricardo Araújo Pereira já não faça crítica política e social como no tempo anterior a este governo… é uma pena e uma cobardia.
    Dizem dele inteligente, ele gosta e cita Luhmann… Prefere transmitir reflexões superficiais a pôr o dedo na ferida.

    O episódio 10 é de facto bom, mas seria melhor se Ricardo não tivesse medinho de chamar os bois pelos nomes, mas foge e apenas faz uma ligeiríssima aproximação a Cavaco.

    Na direita não se toca.
    É uma pena…

    RIP RAP

  10. como o( b )não é só patrimonio do aspirina,sugiro um cabeçalho, com alguem de joelhos a engolir a pastilhinha muito boa para prevenir ataques cardiacos!

  11. o pcp,como anda numa de “charme,democratico”de molde a justificar amplamente os elogios com que a direita o presenteia,não tem coragem de pedir a demissao deste governo,e como tal manda os seus sindicalistas fazer esse trabalho!

  12. “Não sei se o programa será para todos os públicos, mas acho que veio trazer um novo público à TVI e isso é bom.”

    yaaah meu! antes do falecido, o público da tvi era uma cambada de burros. bem hajas, oh guilherme.

  13. Valupi, gosto do verde, na margem direita, por ser a cor da natureza, mas também me agrada o azul, preferido pelo Júlio.
    Gosto do fundo branco, por facilitar a leitura. Detesto ler em fundo preto, tão usado pelos novos criativos e pelos “chefs” de qualquer tasco. Acho horrível os cozinheiros e empregados de bar usarem fardamento preto. Será para esconder a sujidade? Para mim o preto (a cor escura) é sinal de morte, de tristeza, e que conduz à depressão.
    Aguardo pelo remate final do Aspirina B.

  14. volta mazé ao caixilho anterior e deixa-te de modernices. o cabeçalho anterior tinha piada e agora nem cabeçalho existe. se esta porra é para ficar assim, muda o nome para “melhoral”, não faz bem nem mal.

  15. Depois do episódio de hoje do “melhor que desfalecer”, sou obrigado a recuar…
    Afinal Ricardo Araújo Pereira ainda está vivo e de boa saúde.

    Gostei.
    Long Live the King e o seu novo formato

  16. olá edie, que tal vai essa dor de dentes? :-)

    Val: uma aspirina vanguardista e sustentável e que saiba a mentol só de olhar – que pique, gostosa, sem picar.:-)

  17. já sei! tive uma visão: um rebuçado gordo, à moda da régua, que pica – e adoça – o bico da inteligência, mas com papel reciclado. :-)

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