Para quê ideias quando se tem músculo?

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Que têm em comum estas duas bocas e respectivas cabeças? O PSD, a Católica e Passos Coelho, para começar. E um repetido e impante à-vontade para difamar as instituições democráticas e emporcalhar o espaço público. Não é uma coincidência.

Miguel Morgado faz o sebastianismo de Joana Marques Vidal enquanto trata o actual primeiro-ministro e o actual Presidente da República como cúmplices dos crimes de corrupção – portanto, como criminosos. Indiferente ao absurdo e delírio de fazer depender de um único indivíduo o combate contra a corrupção, o que o motiva na aberração cognitiva é o acto de assinalar a sua disponibilidade para ser agente de violência política. Com ele a mandar nisto, haverá xerifes implacáveis que vão disparar primeiro contra a bandidagem socialista e tratar da papelada a seguir.

Francisco Almeida Leite junta Marcelo Rebelo de Sousa e Pinto Balsemão, mais os respectivos nomes que se podem associar institucional e profissionalmente a cada uma das duas magnas figuras, no Campo Pequeno da sua demente pesporrência e esvazia os carregadores da Gatling. De acordo com o que tecla, o Expresso e a SIC têm um plano secreto (mas que ele topou e resolveu partilhar com a gente séria) que passa por usar Louçã em ataques contra o único juiz que nos pode salvar dos corruptos. Nem o vinho nem outro tipo de drogas explicam tamanha estupidez.

Não é uma coincidência que duas figuras tão próximas de Passos Coelho estejam agarradas à judicialização da política e à politização da Justiça como se a política se reduzisse ao poder para condenar adversários. Passos é o herói destes decadentes porque conseguiu colocar uma comissária política na Procuradoria-Geral da República, e essa magistrada permitiu que se detivesse e prendesse o ícone supremo do ódio político, Sócrates, sem provas para tal e deixando o Ministério Público cometer variegadas irregularidades – e até crimes – antes, durante e depois da caçada. Na verdade, quando se usa a Justiça para perseguir e abater adversários políticos a caçada nunca acaba. O simbolismo de arrastar o corpo do inimigo pelo chão tem um fascínio arcano e deixa em êxtase a tribo triunfante. Pretende-se espalhar o terror nos alvos restantes, transmitir que se é invencível.

Não existe qualquer órgão de comunicação social, nem um, onde se trate com isenção, cidadania e decência a “Operação Marquês”. Não existe qualquer figura pública, uma única que fosse, capaz de apresentar uma análise objectiva do que tem ocorrido na Justiça, no sistema partidário, na Presidência da República e na imprensa a respeito do que está a ser feito a Sócrates. Quem o poderia assumir e apresentar inibe-se porque a neutralidade é impossível quando todo o ecossistema mediático está tomado por sectários ou pós-traumatizados. Restam fogachos de coragem e decência, de que Miguel Sousa Tavares, Garcia Pereira e Pedro Marques Lopes são exemplos que saltam alto na memória.

Passos Coelho e Joana Marques Vidal, com a bênção e munição de Cavaco, representam o futuro de uma direita que desistiu de fingir precisar de ter ideias. Estes ferozes caçadores de socráticos passam agora o tempo a lamentar-se de ter perdido o músculo.

11 thoughts on “Para quê ideias quando se tem músculo?”

  1. É sabido que, o Morgadinho foi enfiado pelo Ministro Centeno num labirinto onde
    ainda procura uma saída, basta recordar a risota do Passoilo com as intervenções
    do seu escriba de discursos, na primeira sessão em que Mário Centeno participou
    na A.R.! Logo, aquele gajo que nada percebia de política embrulhou os expeditos!
    Pode ser que apareça um Mecenas que financie uma investigação aprofundada
    sobre as relações de “amizade” entra algumas das famílias das políticas, justiça e
    da comunicação social, para que se clarifiquem como nasceram as famosas “opera-
    ções” visando sempre o Partido Socialista … melhor que, se estudem os graves
    indícios que, permitiram prender um ex Primeiro Ministro em busca de glória fácil
    sem cuidar de que estavam a atirar o país para o topo dos corruptos! Quem responde?

  2. E o FAL (o Almeida leite) não é aquele rapaz que no governo do paf saiu do DN designado Administrador de uma empresa pública, tendo merecido uma avaliação negativa por falta de competências para o lugar?

  3. “Não existe qualquer órgão de comunicação social, nem um, onde se trate com isenção, cidadania e decência a “Operação Marquês”.”

    Tens de ir para lá tu, Valupi! Tu és o único isento, cidadão e decente a falar do Marquês, pá. Sempre disponível para assinalar, com toda a isenção e decência, tanto os aspectos em que o ministério público esteve mal, como os aspectos em que o sr. eng. Sócrates esteve muito bem. Sempre a olhar para os dois lados, com isenção e decência. Os outros não, põem-se a dizer que as explicações do Sócrates são completamente estapafúrdias e absurdas, só porque são completamente estapafúrdias e absurdas.
    Como é que tu ainda não escreves no DN é um mistério.

  4. Há malta que não evoluiu um avo desde a idade média. Continuam a pensar que é o indiciado/acusado que tem de provar inocência. Nunca irão perceber que a não inversão do ónus da prova é pedra basilar do Estado de Direito. Nunca leram nada de História, portanto não têm como saber que quando as arbitrariedades justicialistas atingem os “poderosos”, quem se lixa é o mexilhão, que vai depois levar com elas em dose dupla. . Se eu fosse cristão, faria votos para que os “Imparcial” deste mundo nunca tivessem de sofrer na pele as diatribes da “justiça” que defendem. Como não sou, gostaria que levassem em cima com um processo do género, para depois os ler a opinar.

  5. também há quem nunca ouviu falar de crime de colarinho branco e provas indiciárias e necessárias justificações do arguido a provar que todos aqueles indícios são treta. parecido com o termos de dar justificações ao fisco pelos “sinais exteriores de riqueza” que não correspondem aos impostos declarados.

  6. claro que agora , com o precedente aberto pelo zézito, dar as justificações passará a ser muito fácil : temos todos uma tia avó que nos deixou um cofre em herança que fabrica dinheiro.

  7. se fosses podre de rica e mal casada, se arranjasses um amante tão discreto e tão teso como eu, a quem resolvesses presentear com casa, carro, mota, rolex, e mais o que te desse na real gana, se depois o fisco fosse perguntar ao gajo de onde viera o dinheiro, tenho a certeza que gostarias muito que ele te apontasse a dedo…também deves gostar muito de ser apalpada e tratada como terrorista para entrares num avião, filmada ( para tua segurança ) a enfardar pastéis de nata, e outras merdas que tais que funcionam como marca d’água da mentalidade fascisóide que por aqui alardeias, ao ponto de apetecer a quem te lê imitar araújo e aconselhar-te o banho na mesma pia que recomendou à laranja

  8. jpferra, não sei qual será o resultado final desta guerra, mas temos de admitir que os triunfos dos porcos nas batalhas civilizacionais dos últimos anos, tem sido mais frequente do que gostaríamos.

  9. está bem , compreendo que o zé não possa dizer que o silva o tinha por conta e lhe oferecia as coisas a troco de favores , sim , mas sexuais. é preferível inventar um cofre, de facto.

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