Para além de um escândalo, estamos perante um projecto político

«A ex-procuradora-geral da República afirmou esta sexta-feira, em declarações à Rádio Renascença, que existem em Portugal redes de compadrio e corrupção nas áreas da contratação pública. “Há efetivamente algumas redes que capturaram o Estado e que utilizam o aparelho do Estado para a prática de atos ilícitos e, felizmente, algumas estão a ser combatidas, mas outras continuam a fazer isso e há até outras que começam”, disse.

Aos microfones da Renascença, no programa Em Nome da Lei, Joana Marques Vidal disse que a realidade mostra que há uma disseminação desse tipo de práticas “em vários organismos de vários ministérios, autarquias e serviços diretos ou indiretos do Estado”.

Já em 2015, numa entrevista ao Público e RR, a então procuradora-geral da República recém-empossada tinha dito: “Há uma rede que utiliza o aparelho de Estado” para corrupção. Se fosse hoje, diz, só mudaria uma parte da afirmação: punha no plural e não no singular. Ou seja, “há redes que utilizam o aparelho do Estado para corrupção”.

Ainda assim, Joana Marques Vidal, que terminou recentemente o seu mandato, tendo sido substituída por Lucília Gago, nega que tenha uma visão catastrófica sobre a corrupção em Portugal. “Eu não tenho essa ideia de que toda a gente é corrupta e que todas as autarquias são corruptas e que todos os políticos são corruptos. Não tenho nada essa ideia. Sou, aliás, uma defensora de que os partidos são um elemento essencial da democracia. Poderemos depois discutir se deviam estar mais abertos ou menos abertos, autorregenerem-se, não serem tão complacentes com certos tipos de atividades, mas isso é outro tipo de discussão”, disse.»


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7 thoughts on “Para além de um escândalo, estamos perante um projecto político”

  1. Uma senhora que esteve à frente da Procuradoria Geral da República durante seis anos e passados meses da sua substituição vem afirmar o que afirmou só pode ser irresponsável ou incompetente. Então quantos anos é que precisaria para acabar com a corrupção? Ainda há dias se soube que um seu irmão – também juiz – defendeu a não prisão de Álvaro Amaro! Há cada uma. Ou será defeito de família.

  2. A Vidal, o Ventinhas, o Alexandre, o Teixeira, o Ferreira da “sic” e seus habituais convivas uns do “mata” e outros do “esfola”, o exibicionista tacanho do “eixo do mal” e “inimigo público”, os “basta” e “chega” de todos os matizes e feitios, bem acompanhados e envolvidos pelos utilitários bem pagos “observadores” e “pensadores” dos “governos sombra” fornecedores ideológicos dos primeiros, todos eles sim, laboram árdua e afanosamente, na tentativa de criar uma rede de mão invisível para assalto ao poder e instalar no próprio centro e cúmulo do poder de Estado, à maneira de Moro no Brasil, a corrupção instituída como ferramenta política.
    Quer a Vidal quer o Ventinhas, como antes fora o Palma, têm sido profectas desbragados contra a ameaça da “corrupção” dos políticos.
    Contudo pelas suas práticas de combate à corrupção constata-se aqui pela Vidal de que ela, “não tenho (tem) essa ideia de que toda a gente é corrupta”. E, coincidência do “carvalho” , onde antes havia uma “rede” entretanto passou a haver “redes” embora ela “não tenho(a) essa ideia de que toda a gente é corrupta e que todas as autarquias são corruptas e que todos os políticos são corruptos.” e que os “os partidos são um elemento essencial da democracia.”
    Quer dizer, onde se lê: “essa ideia de que toda a gente é corrupta e que todas as autarquias são corruptas e que todos os políticos são corruptos” deve ler-se: essa ideia de que toda a gente é corrupta e que todas as autarquias são corruptas e que todos os partidos são corruptos; isto é, uns políticos e partidos são e outros não. O critério de definição deve ser deixado à total “independência”, intocabilidade e livre-arbítrio dos magistrados.
    Contudo, numa Democracia atacada segundo as fórmulas das técnicas modernas “morolistas”, “trumpistas”, “salvinistas”, “erdoganistas” e “putinistas”, etc., os Deputados do Povo da Nação deveriam ser Democratas experientes feitos na luta pelo bem maior da Liberdade e não inexperientes sem vida pessoal para além da escola e do partido, sem ideia de vontade própria nem força moral nem intelectual para lutar por algo mais transcendente e importante que o voto e o seu lugar(zinho) à mesa do poder sem saber fazer o seu devido uso quando é preciso.
    E, assim, caminhamos paulatinamente para o país-coutada cuja lei é “caça aberta” aos justiceiros caçadores de políticos.
    A morte da Liberdade será inevitável se tais “justiceiros” se imporem à Lei do Estado de Direito; a morte da Democracia será imparável se as instituições da República, elas próprias, se instituírem em forças de caçadores justiceiros; a decadência do país será fatal com a instituição de uma república gerida e dirigida segundo uma ideia teológica de combate contra a corrupção.

  3. Com efeito, a senhora está engajada a um projecto político que gira/girou em torno
    do tal que nunca foi político e que, para serem mais onestos do que ele, tinham que
    nascer duas vezes! Já o pai dos manos Vidal foi procurador e muitos anos director
    da PJ logo, uma pessoa bem informada sobre a matéria da captura do Estado … já
    que os filhos seguiram as pisadas é natural que lhes tenha dado muitas informações
    sobre esses “novelos” que tanto prejudicam o país!
    Tudo não passa de acusações avulsas e genéricas sem apontar um qualquer exemplo,
    sendo o caso mais conhecido a famosa SLN que, até fundou um banco para melhor
    fazer os seus negócios com o Estado e, tida como um empreendimento ligado ao la-
    ranjal … conseguiu sobreviver e mudou de nome continuando a fazer negócios!
    Mais uma entrevista para entreter os tótós … com a mais baixa política de mal dizer!!!

  4. a Joana dá cada novidade mais velha… soares e cavaco inauguraram umas redes subterrâneas de ratazanas, que faz favor. parece , por exemplo, que há 3 ou 4 autarquias que se safam de ser investigadas por corrupções/compadrio, em 300 e tal não está nada mal, maioria qualificaderrima.

  5. Quando a senhora estava em funções havia uma rede, pouco depois de cessar funções há redes. A sua responsabilidade no aumento é, portanto, inquestionável.
    Há uma área que fica fora das investigações ou, investigada rapidamente, é pressurosamente arquivada. Uma constatação que também considero inquestionável.

  6. o comentário é do José Neves assino por baixo:
    “A Vidal, o Ventinhas, o Alexandre, o Teixeira, o Ferreira da “sic” e seus habituais convivas uns do “mata” e outros do “esfola”, o exibicionista tacanho do “eixo do mal” e “inimigo público”, os “basta” e “chega” de todos os matizes e feitios, bem acompanhados e envolvidos pelos utilitários bem pagos “observadores” e “pensadores” dos “governos sombra” fornecedores ideológicos dos primeiros, todos eles sim, laboram árdua e afanosamente, na tentativa de criar uma rede de mão invisível para assalto ao poder e instalar no próprio centro e cúmulo do poder de Estado, à maneira de Moro no Brasil, a corrupção instituída como ferramenta política.”

  7. A Vidaleira quer ter aqui em Portugal uma espécie de quadrilha igual á do Sérgio Moro no Brasil.
    Ela ainda não integrou o “vazamento” do Intercept.
    E como o “ácaro” português está enjaulado na cela da PJ julga-se a salvo.

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