Para a história da calúnia em Portugal – Pacheco Pereira

«Se há defeito de carácter que infelizmente se repete em Portugal, vez após vez, sem culpa nem remorso, é a adulação dos poderosos seguida pelo seu escárnio público quando deixam de ser poderosos. Todos os que tinham a cerviz bem dobrada, a boca bem calada, a vénia pronta, o tom untuoso, a mão estendida para o pequeno ou grande favor, o silêncio oportunista, correm para a imensa fila, de pedras na mão, para abjurar o anterior senhor. Já vi isto muitas vezes. Já escrevi isto muitas vezes. Suspeito de que não será a última.

Um caso exemplar foi Sócrates, em que se contava pelos dedos de uma mão aqueles que percebiam bem de mais o que ele estava a fazer e a multidão de sicofantas e aproveitadores que lhe servia de barreira contra tudo aquilo que o podia afectar. Alguns desses foram depois profissionais do atirar da pedra, muitos na política, a começar pelo PSD, e muitos na comunicação social. Mas o vento virou e foram logo para a fila do arremesso. O remake actual desta conduta cívica exemplar passa-se hoje com Ricardo Salgado e o BES, só que com a gravidade de esquecimentos e fugas à responsabilidade que nos custaram milhares de milhões de euros e, diferentemente do caso Sócrates, este passa-se na alta finança e não na baixa política.»


Pacheco

🤡

O caluniador profissional de maior sucesso em Portugal, actualmente, é o João Miguel Tavares. A partir de um singular texto ranhoso, em 2009, saiu-lhe a sorte grande de ter Sócrates a esgotar todos os recursos judiciais alegando difamação. Tal procura de reparação judicial acabou em insucesso – e com a agravante irónica de ter criado uma vedeta da indústria da calúnia. Pouco depois, o caluniador trocava o DN pela Cofina, desta vindo a ser contratado pela Sonae para fazer exactamente o mesmo: perseguir Sócrates e o PS através do emporcalhamento do espaço público num modelo de negócio onde se procuram atrair fanáticos e broncos ao click. Pelo meio, aproveitou a boleia do Ricardo Araújo Pereira para se mostrar disponível para todo o serviço à clientela que lhe paga. Seguiu-se a sua utilização por um primeiro-ministro que até aceita obrigar crianças a serem carne para o canhão do caluniador desde que isso o purifique no mercado eleitoral. E culminou com a sua utilização por um Presidente que concebe as solenidades da República como uma extensão do calendário das festas em Cascais e no Guincho, sempre com muita animação e pirraça para mostrar aos pés-descalços quem manda na barraca. Este percurso mercenário onde se cruza a indigência moral do arrivista e o cinismo soberbo dos príncipes encontra-se soterrado na memória colectiva, à maneira daquelas vergonhas de família tão escandalosas que se tornam um tabu que gangrena o respeito próprio.

Porém, o caluniador profissional mais importante em Portugal é o Pacheco Pereira. Enquanto no primeiro caso lidamos com um ser eticamente indigente que acredita estar não só a enriquecer sem gastar uma caloria como a falar para um país onde as suas platitudes ignóbeis são o olhinho na terra de cegos, já com o marmeleiro temos um investigador que vai deixar obra válida no campo da historiografia e bibliofilia. O primeiro suporta-se sem esperança de conversão à decência, ao segundo pode-se pedir responsabilidades. Não existe é quem o queira fazer, daí o Pacheco acabar por ter um mundo interior análogo em distorções narcísicas ao do caluniador seu companheiro de vocação e rival no proveito pecuniário e social. Ambos fizeram de Sócrates a galinha das atoardas de ouro e ambos se concebem como heróis que viram o que mais ninguém viu, fizeram o que mais ninguém fez. Ou quase ninguém, nisso também se imitando ao reconhecerem terem tido a companhia de apenas mais uns dois ou três bravos. Ambos desfilam agora, como se pode ler exemplarmente na versão acima, reclamando os louros pelas campanhas contra os bárbaros e exibindo o cobiçado e mítico grande chefe dos godos amarrado a um toro com as carnes laceradas. Mas do que nos está realmente a falar o Pacheco, inclusive abdicando de sofisticação narrativa pela depressiva obrigatoriedade de tarefeiro a ter de despachar mais uma encomenda com data para sair e, especialmente, pelo cansaço dos seus 71 anos a virar frangos?

Quem ler o texto “Os três macacos sábios” integralmente não vai ficar a saber quem foram “aqueles que percebiam bem de mais o que ele [Sócrates] estava a fazer“, não vai ficar a saber quem foram os “sicofantas e aproveitadores“, não vai ficar a saber quem foram os “profissionais do atirar da pedra, muitos na política, a começar pelo PSD, e muitos na comunicação social“. Não vai sequer ter o mínimo vestígio do que é que foi feito por este Sócrates alvo de tanto ódio. O Pacheco nada explica, não dá nomes, não gasta caracteres com factos. Basta-lhe o vox populi moldado pela indústria da calúnia para disparar contra o Diabo, tratando da legião que o serviu através da escola Octávio Machado: “Vocês sabem de quem estou a falar, e se não sabem é porque são uns merdas que andam a ver passar os comboios”. O propósito é o de se conceber como o narrador omnisciente dos pecados e pecadilhos dos bastidores do regime mas sem que alguma vez tal pretensão possa ser testada recorrendo ao contraditório posto que não é possível identificar de quem fala e do que fala exacta ou vagamente.

Esta pose cagona já seria vexante para a comunidade que somos dado o protagonismo mediático de que dispõe há décadas e a carência que temos de intelectuais que cultivem a honestidade da dita. Contudo, algo mais putrefacto ocupa os refolhos da pícara figura. Continuando com o texto na berlinda, um mal amanhado e superficial relambório de maus fígados contra o meio onde ganha o pão, tropeçamos nisto:

«As pessoas comuns não fazem a ideia da enorme quantidade de informação que o círculo de confiança da elite portuguesa – quem, na verdade, manda no país – obtém quase como respira. Circulando de conselhos de administração para lugares políticos, de escritórios de advocacia de negócios para consultoras financeiras, ou pura e simplesmente falando com os seus pares dentro desse círculo de confiança, tudo o que é relevante lhes chega aos ouvidos.»

É um naco de prosa suculento. A começar pelo paternalismo das “pessoas comuns“, passando pela banalidade do suposto segredo que foge aos simples, e acabando no pindérico desvelamento da eminência parda carimbada como “círculo de confiança da elite portuguesa“. Podemos, então, pegar nestas palavrinhas para um exercício de engenharia reversa. Se é desse modo poderoso e oculto que as coisas se passam, prega Pacheco aos comuns, então como é que só dois caluniadores profissionais conseguiram topar com o que Sócrates andava a fazer nas barbas daqueles a quem “tudo o que é relevante lhes chega aos ouvidos“? Faz isto algum sentido? Não será infinitamente mais provável que essa elite tivesse os motivos e os meios para destruir Sócrates caso este resistisse à sua agenda ou meramente lhe pisasse os calos? Ou Sócrates era mais forte do que a elite portuguesa no seu conjunto, e tão mais inteligente que lhe trocou as voltas? Somos tentados a acreditar na segunda hipótese, conhecendo a história de imbecilidade das elites nacionais ao longo dos séculos, só que não dá, pá. A contradição não é só cabeçuda, também tem gigantes orelhas de burro. É preciso manter milhões de pessoas num estado de estupidificação colectiva para que tantos ganhem assim a vida, trabalhando para que o óbvio seja substituído pelo assombroso através do deslaçamento lógico entre as partes e o apagamento do que não confirmar a diabolização.

Mas o pior do pior neste caluniador profissional não diz respeito à sua paixão funesta por Sócrates, paixão de tantos a quem mais nada nem ninguém entusiasma. O pior do pior é vir semana sim, semana sim, duas vezes por semana pelo menos, anunciar seráfico ou iracundo que é a reserva moral da Nação quando ninguém lhe ouviu qualquer denúncia temporã contra o tal senhor Salgado que se propõe agora explicar com gravuras ao Zé Povinho. Quando o Pacheco da inteligência panóptica foi um notável cúmplice activo do cavaquismo e do Cavaquistão, era de corrupção sem igual, sem contabilidade e sem castigo.

30 thoughts on “Para a história da calúnia em Portugal – Pacheco Pereira”

  1. “A partir de um singular texto ranhoso, em 2009, saiu-lhe a sorte grande de ter Sócrates a esgotar todos os recursos judiciais alegando difamação”

    Com o teu aplauso entusiasta na altura, convém lembrar, para não falar nas criticas ferozes que dirigiste então ao rui tavares e a todos aqueles que, como eu, afirmavam que as queixas de socrates eram tão infundadas (juridicamente falando) quanto contraproducentes (politicamente falando). Não é necessario lembrar as datas exactas onde isto foi debatido por aqui, pois não ?

    10 anos depois, parece que ja concordas que as acções judiciarias eram estupidas e que apenas serviram para dar protagonismo a um jornalistazeco que não merecia ter saido da mediocridade. Vamos assistir ao espectaculo inaudito de te ver admitir que estavas errado ? Suspense…

    Boas

  2. joão viegas, a tua tonteira tem momentos engraçados, como este que trazes. Bute lá lembrar as datas exactas em que se discutiu tal por aqui. Força, camarada.

  3. joão viegas, a discussão que trazes não nos separou quanto à previsão de ser o desfecho politicamente negativo para Sócrates. O que esteve então em causa era a disputa sobre o sentido político de vermos um primeiro-ministro a processar um colunista por causa de um artigo de opinião.

  4. Chiça, tu nem 10 anos passados sabes reconhecer um erro. O que se discutiu na altura eram duas coisas :

    1/ o fundamento juridico da queixa de socrates (nesse aspecto, estamos conversados)
    2/ a oportunidade e o significado politico da mesma, péssimo vinda de uma autoridade suposta viver bem com a liberdade de expressão, e contraproducente em termos de publicidade, uma vez que a queixa apenas dava notoriedade a quem, na altura (e temo que ainda hoje), não passava de um espertalhão.

    Dizias então : “A esquerda imbecil delira quando vê uns bandalhos à pedrada contra a polícia, automóveis e montras, mesmo que se veja grega para perceber o fenómeno” e pedias aos gritos o auxilo de todos para que o tavares fosse, ou condenado, ou lapidado ;

    Ao que eu contrapunha : “A unica resposta acertada ao artigo em causa, até por ele ser um tecido de alarvidades, era o desprezo.”

    Hoje parece que ja chegaste à conclusão que o tavares so existe porque o socrates caiu no erro, ha dez anos, de o processar (“A partir de um singular texto ranhoso, em 2009, saiu-lhe a sorte grande de ter Sócrates a esgotar todos os recursos judiciais alegando difamação”). Contradição ? Nunca… Es o maior, pa !

    Boas

  5. ó viegas não percas tempo, agora e por falta de argumento tás a levar com falacias de erro de acidente e de ofensa ao interlocutor nao tarda muito a surgir o *** nao compreendes mas eu vou-te explicar***, depois e em crescendo vira o ***nao estendes porque és bronco, ou taralhouco, mas eu posso-te ajudar***, no fim ele nao diz nada, apenas utiliza tacticas de mudar de assunto e de turning the tables, ele procurar fazer textos blindados e quando a coisa sai mal, vai dizer que a culpa é da blindagem e não nunca dele, e tens muita sorte se não entra em modo dr. Dr Jekyll and Mr Hyde e vem na roupagem de ignatz, no dizer dele, “uma máscara que funciona bem” e se não é o mesmo então é uma quadrilha que se entreajuda, e levas enxovalho mesmo, tá certo o que o Pacheco escreveu no a abrupto sobre os tres blogs (talvez dois, não conheço o jugular) .
    repara que ainda ontem ou anteontem, um comentador de nome P de patético escreveu que nunca o viu utilizar nenhum caso pessoal para perorar sobre coisas gerais, no entanto, aos outros, no caso ao pacheco, exige que aponte nomes e situações. senao sao caluniadores .
    qundo cheguei aqui em 2009, por acaso, ao procurar o que significava o imperador e o moleiro, já malhava na magistratura . sintomático
    ou é uma coisa que cá penso, ou é panca das grandes .
    deixa tar, o tavares e o pacheco que se venham aqui defender …
    Ps: no pote sinal dos tempos em alemão, utilizou duas falácias do tipo petição de princípio ou circulo vicioso, argumento que apresenta a própria declaração como prova dela .

  6. A natureza de sangue de antiga nobreza não lhe acrescentou nenhum valor nobre dessa velha nobreza familiar e tudo o que “viu” de Sócrates como político e PM é um fabrico próprio amassado da mesma original “visão” que teve quando viu, claramente visto, as imensas bombas nucleares que cobriam o Iraque que o amigo Durão lhe confessou existirem.
    Sobretudo, essa “visão” mui especial a olho nu do Pacheco, já fora produto de fabrico na linha de produção especial da AR junto do seu chefe e amigo Duarte Lima durante anos; anos a fio a não ver nada.
    E mais anterior ainda, o seu material genuíno de fabricação de sua mui original perspectiva de olhar, ver e sentir acerca do “outro” inicia-se, precisamente, quando se faz dilecto aluno da escola do grande visionário que declarou ao mudo o universal oráculo de “que nunca errara e raramente se enganava”.
    É evidente que, como aluno de décadas de tal “Mestre”, de um tal instruendo de tão elevada envergadura intelectual, inevitavelmente nasceria alguém como aqueles de que o povo diz; filho de peixe sabe nadar.
    Mas o homem é um azarento, não obstante toda a sua genial “visão” e sabedoria política o “Mestre” oracular caiu em desgraça, de seguida tem a visão de que afinal é a Leite, outra aluna dilecta da mesma escola, a nova visão da política e aposta nesta como melhor continuadora da obra do “Mestre”. Também aqui não acerta e a sua visão começa a torvar-se ao ponto de ir encostar-se a Durão e não podia ser pior a emenda que o soneto; novamente se associou à grande mentira da visão sobre as armas nucleares no Iraque e depois à vergonha nacional da fuga de Durão para a UE e à vergonha de este se tornar o homem mais corrupto conhecido.
    É todo este percurso de falhado político que gerou o Pacheco que pensa redimir-se de seu percurso de consecutivos falhanços políticos desastrosos apontando o dedo, a alguém que que entusiasmava a política e a acção política verdadeiramente visionária, como o Deus que fez o pacto com o Diabo para o tramar.
    Este álibi que alimenta à exaustão com medo de que, mais uma vez, tal visão oracular expiatória lhe seja um novo falhanço fá-lo proceder com jogos de palavras sem nomear nomes ou provas tal qual quando se fechou numa câmara escura para ouvir os célebres CDs de Aveiro acerca do “atentado contra o Estado de Direito” dos quais extraiu a prova mas nunca apresentou ao MP nem aos portugueses tal interpretação concludente.
    Como político este Pacheco é uma verdadeira fraude.

  7. O Broas daltónico continua a teimar que era preto o cavalo branco de Napoleão. Está por inventar a cromoterapia que o convença do contrário.

  8. “deixa tar, o tavares e o pacheco que se venham”, bolça a bolsonara michelânica. Olha que não, olha que não, aquilo não esguicha, nem com a Cicciolina a assisti-los com a mão, as bisnagas dos caramelos estão em modo de desidratação. Pelo sim pelo não, puta que os parão, estou em modo de liberdade de expressão, ponham-me um processo, maganas dum cabrão!

  9. joão viegas, vou assumir que estás em condições de ler o que trouxeste. Se sim, o texto onde comento declarações do Rui Tavares e do Daniel Oliveira está a precisar de ser lido por ti. É que a sua temática continua a ser mesma, então como agora: o direito a que um cidadão, mesmo no cargo de primeiro-ministro, possa recorrer aos instrumentos do Estado de direito para tentar obter uma reparação na Justiça a respeito de um qualquer dano que considere ter sofrido.

    O que tu, então como agora, percebes ou imaginas a partir desta minha posição, confesso-te, não me tira o sono.

  10. Quem esta a precisar de aprender a ler – e a pensar – és tu e não é de agora. Podias começar por não escrever alarvidades. O direito do socrates agir em justiça nunca esteve em causa. Esteve em causa o mérito juridico da acção. Hoje ninguém contesta que era nenhum, contrariamente ao que defendias na altura. Esteve em causa, a seguir, a oportunidade politica da acção. O que defendias ha dez anos era, e continua a ser hoje, uma refinada parvoice , assim como o prova, tarde e a mas horas, o que escreveste ha bocado…

    Nunca pretendi tirar-te o sono. Foda-se, quando estas a dormir, o universo fica um bocadito mais equilibrado, com menos um idiota a alardear… Equilibrio relativo, de resto, uma vez que quando dormes pões em alerta o teu fã-clube, cada vez mais miseravel e burgesso a avaliar pelos comentarios que vou lendo.

    Não gostas de ler estas verdades ? Escreve menos baboseiras.

    Boas

  11. sim somos do rio de janeiro, Bairro da cidade de Duque de Caxias, RJ.
    Não confundir com o bairro Jardim Gramacho, conhecido pelo “lixão” .

  12. joão viegas, não duvido de que te consideres capaz de decidir sobre o “mérito jurídico da questão”, assim abdicando do papel dos tribunais e juízes, mas não foi sobre isso que escrevi. Foi sobre algo mais adequado à Constituição: o direito a deixar que o mérito jurídico de qualquer questão entrada no foro judicial seja decidido por quem de direito adentro do Estado de direito sem por tal o eventual reclamante, mesmo que exerça o cargo de primeiro-ministro, mereça ser acusado de estar a interferir com outro direito qualquer do visado pela acção ou de terceiros.

  13. Deixa ver se percebo. Portanto escreveste para defender que cabe unicamente aos tribunais pronunciarem-se sobre os méritos ou desméritos de uma acção judicial, sem que nos possamos opinar a este proposito ou, pelo menos, expressar publicamente opinião a esse proposito ? Isto vale so quando é o 1o ministro a agir, ou também vale quando é o ministério publico a agir contra o 1° ministro ? Não te enterres, pa. Disseste uma asneira. Não foi a primeira, nem a ultima. Seria inteligente da tua parte reconhecê-lo, mas todos sabemos que isso esta acima das tuas capacidades.

    Boas

  14. Neves
    O meu gato, depois de ler o teu comentário, começou a dar-me lições de vida, e depois sentou-se na mesa e explicou-me física quantica .
    Muito obrigado.

  15. Gente fina é outra coisa, porra! Faz um boquete ao jagunço… perdão, ao teu herói do Planalto, quiduxa, que tu estás é desidratada. Uns gargarejos de SARS-CoV-2 e ficas imunizada contra o bichão e o lixo humano que te limpa as retretes.

    Lixão da Rocinha von Hidroxicloroquina

  16. joão viegas, precisamente. Se estiveres em condições de ler, poderás constatar que o argumento contra as opiniões do Rui Tavares e do Daniel Oliveira era esse e só esse. Eles carimbavam a acção judicial de Sócrates contra o JMT como um ataque político que visava diminuir ou anular a liberdade de expressão, e eu carimbava essa posição como um ataque político que visava diminuir ou anular os legítimos direitos de Sócrates, os quais estão consagrados na Constituição e nas instituições que concretizam o Estado de direito.

    É só isto o que há na questão de outrora, pazinho, o resto é a tua invariável maluqueira que despejas sem freio nem consciência. Quanto aos malefícios políticos que se iriam abater sobre Sócrates por ter metido um caluniador em tribunal naquele contexto de caça às bruxas, isso nunca esteve em questão e até no que trazes aparecem afirmações minhas nesse sentido.

  17. ó viegas não há pachorra ele esquiva-se como uma enguia responde ao que lhe convém e evita o que lhe desconvém, inventa e reinventa, deturpa, diz (agora) que o que lá está dito (implicito) é o que agora quer dizer (expresso) e para cumulo de tudo ainda permite a presença de um cachorro no blog .
    com taticas e estratagemas desta descarada elasticidade decerto que dá para para iludir alguns fiéis fanáticos, que mais que pela razão, se babam pela agressividade da contenda verbal, claramente todos vimos quem ganhou e quem perdeu, porem ele insiste sempre em dizer que o vencedor é ele e lá tens o apodo assassino “a tua invariavel maluqueira, etc.”
    também não tem razão quando diz que a galinha dos ovos de ouro do pacheco foi o consulado socrates foi sim o consulado passos que ele zurziu forte e feio na quadratura e foi também ele o impulsionador da solução geringonça ao referir que passos tinha ganho as eleições mas que mesmo assim nada estava perdido existia uma clara maioria que se opunha ao paf, até mostrou o caminho dizendo que o pc podia entrar mediante o programa minimo, costa escutou pacheco, como sempre escutava, atentamente, e fez o acordo tripartido . depois estragou tudo, apontou alto em termos eleitorais, recolheu os louros e reclamou o mérito só para ele, os outros dois e em especial o pc sairam prejudicados e apunhalados, é tipico de um partido de traição como é o ps, é a politica partidária a mostrar o seu lado sujo.

  18. ai-ai-ai-ai-ai-ai-ai-ai-ai-ai should know better pinch balls hurts e agora agarras-te aos do viegas.

    “é tipico de um partido de traição como é o ps”

    ranking de traidores portugueses por ordem decrescente:
    1 – aníbal cavaco silva, traiu o país “inventona de belém” e companheiros do partido “fernando nogueira”
    2- durão barroso, traiu os eleitores “fuga para cee”
    3 – passos coelho combinou apoiar o pec4 e no dia seguinte roeu a corda, todos sabemos o que custou ao país.

    não ponho mais para não esticar a toalha.

  19. “é tipico de um partido de traição como é o ps, é a politica partidária a mostrar o seu lado sujo.”

    Valupi, a convivência com fascistas rançosos e porcos nazis de aviário… perdão, de pocilga… perdão again, de suinicultura, faz parte da tolerância democrática?

  20. Ergue-te é um projecto social benemérito das Irmãs Adoradoras para as prostitutas que existe há mais de 10 anos. O outro Ergue-te é um projecto político maléfico dos filhos das ditas que existe, sob vários nomes, há perto de 100.

  21. Antes de mais as melhoras para o Pacheco. Que coitadinho anda com um arzinho que não augura nada de bom. Só espero que não tenha mordido a própria língua. O problema dos Pachecos é que os seus percursos de vida nunca coincidem com os seus discursos. Só os outros é que têm que ver sempre tudo mas eles nunca viram o gang do BPN na mesma bancada parlamentar, com líderes como o muito recomendável Duarte Lima mesmo ali ao lado. No fundo, no fundo, um dos maiores intelectuais portugueses nunca passou de um verdadeiro bimbo que queria era comprar um vídeo VHS na década de 80.

    Em Portugal nenhuma linha de acção política pariu tanta tralha como o maoismo. Salva-se ainda hoje a participação cívica de Garcia Pereira e pouco mais. Que aliás foi tão bem tratado pelo próprio partido já na fase final da vida do grande educador da classe operária. O que para quem nunca percebeu como alguma juventude indolente se radicalizou politicamente no fim da ditadura até admito que possa parecer estranho. Muito embora este Pacheco nunca tenha chegado ao ex-libris- MRPP, tendo-se ficado pela bersão PCP(m-l). Já não pode dizer o mesmo dos duelos entre radicais de esquerda. Com compagnons de route puros como eles se designavam como o Furão Barroso, o Zé Manel das escutas, a desbocada da Ana Gomes ou a Matos que queria era construir um Quartel da Moncada na Serra da Estrela para guardar as armas automáticas. As teorias da conspiração de quem já foi de quase tudo na política ainda devem ser reminiscências dessas lutas fratricidas.

    A verdade é que o próprio movimento em Portugal já foi fundado num alicerce muito pouco recomendável na política, o ódio. O que não podia ser pior sinal. No caso ódio aos revisionistas do PCP. Ao fim e ao cabo trocaram as purgas soviéticas pelas chinesas. Porque a revolução chinesa era muito mais cultural como ainda hoje defende o Pacheco. Ao fim e ao cabo é muito mais fino levar com um pequeno livrinho vermelho nos cornos que com uma foice e um martelo. E de lá para cá qualquer acção política é só mais uma área onde exprimem o ódio pelos adversários sem qualquer capacidade de construir o que quer que seja de útil para a sociedade. Já para destruírem…Portanto, ódio só ao único movimento político organizado que tinha passado as últimas cinco décadas a lutar verdadeiramente pela liberdade e pelos mais desfavorecidos em Portugal. Muitas vezes com a própria vida. Está na wiki mas é verdade, aquando da revolução dos cravos em 1974, os seus 36 membros do Comité Central em conjunto tinham já cumprido mais de 300 anos de prisão. E eu ainda hoje não conheço luta mais nobre à face da terra. Infelizmente para se conseguir lutar 50 anos contra uma ditadura e a sua polícia política acaba-se a funcionar quase da mesma maneira.

    Nem luta mais actual. Porque independentemente de não concordarmos com muita coisa no PCP, do seu funcionamento interno que começámos a saber pelos primeiros dissidentes, à maior central sindical do país cativa – mau para o próprio movimento sindical mas a verdade é que a UGT sempre do lado das confederações patronais não faz muito mais pelo movimento – até ao facto de nunca ter cortado o cordão umbilical com regimes que não diferiram muito da nossa própria ditadura, nada apaga a luta do PCP em Portugal durante o Estado Novo. E muitas das críticas que ainda hoje apontamos ao PCP, também eles foram vítimas das próprias circunstâncias. Ainda hoje é impossível dissociar os problemas todos do regime venezuelano da doutrina Monroe do imperialismo norte-americano.

    Qualquer português que ambicione ter uma governação verdadeiramente de esquerda nesta fase da vida do país, com um PS e um governo minoritário e com tantas bandeiras verdadeiramente de esquerda ainda por conquistar devia olhar para o PCP sempre mais do lado da solução, como fez aliás AC, que do lado do problema. Porque além das questões europeias ainda hoje a génese da luta do PCP é uma maior distribuição dos rendimentos. E não há nada mais nobre, mais humanista e mais à esquerda que lutar contra as desigualdades sociais. Ainda há muitas plataformas de entendimento possíveis com o PCP hoje em dia, além das questões europeias. E digo infelizmente porque é só mais um indicador do nosso atraso em muitas matérias como, por exemplo, o código do trabalho, onde temos vindo quase sempre a regredir. E de sobremaneira com a onda neo-liberal troikista. Portugal ainda vai precisar muito do PCP e do sindicato do PCP na actual legislatura ao nível da retoma da economia. Aliás, Rio acaba de anunciar uma possibilidade de aliança com o Chega!!! Para quem sempre temeu o lobby de interesses do bloco central que só nos tem tramado foi um verdadeiro alívio. Nem sei se algum dia o PSD já chegou a ter uma liderança tão errática e tão inábil. Também por lutar contra todo o tipo de exploração é que o PCP já era verde, ainda a Greta não tinha nascido e ninguém falava de ecologia. E ainda hoje é menos populista que o novo partido do Pacheco, o BE. E muito mais fiável!

  22. P.S.1. Atenção que este comentário que acabou numa dissertação sobre a verdade e a mentira não é nenhuma apologia ao PCP. Que já agora também nunca integrei. É tão só repor a verdade histórica face ao movimento maoista em Portugal. De onde saltou muita gente que já correu praticamente o espectro político todo de lá para cá como é o caso do Pacheco. E hoje já nem as pedras contra o chumbo do PEC IV – que eu também critiquei – fazem muito sentido. Os partidos não podem nem devem abdicar das suas principais linhas orientadoras. E o chumbo do PEC IV, para as forças políticas à esquerda do PS que o chumbaram foi muito mais um chumbo à austeridade da UE já expressa no PEC IV que outra coisa qualquer. E o tempo e a economia só vieram dar-lhes razão, como a própria UE e o próprio FMI já reconheceram ambos aliás. Se PCP e BE deviam ter pensado primeiro no país? Deviam mas a verdade é que Portugal não deixou de ser vítima da especulação dos mercados financeiros que conduziram ao resgate! Com a UE muito mais preocupada em salvar os grandes bancos europeus. Um artigo que explica bem porque é que a UE nunca olhou para o verdadeiro problema, a dívida privada, como devia ter olhado. De um ex-acessor do Furão, imagine-se:

    https://www.publico.pt/2014/05/11/economia/entrevista/ajudas-a-portugal-e-grecia-foram-resgates-aos-bancos-alemaes-1635405

    E PCP e BE estavam tão disposto a lutar contra o resgate como contra a receita da UE impressa no PEC IV. E não estava à época em causa como ainda não está hoje o sucesso do Syrisa na luta contra o resgate, que já estava a acontecer na Grécia e também foi o que se seguiu em Portugal a seguir ao chumbo no PEC IV. Os partidos políticos têm obrigação de lutar por aquilo em que acreditam. Uma frente de esquerda do sul da Europa, com duas das maiores economias do euro, podia perfeitamente ter mudado por completo o jogo de forças no interior da UE. Como acabou por mudar agora perante a pandemia. Aliás por mais que custe a muitos leitores do Aspirina que não podem com Costa nem com sumo de laranja, devido à sua ambiguidade perante o processo Marquês, com a qual eu também concordo, tudo indica que tal como agora conseguiu unir o sul da Europa também em 2011 podia ter sido tudo muito diferente para Portugal com Costa ao leme. E admitir a habilidade política de alguém, seja ele quem for, não é nenhuma ignomínia política, é mesmo só inteligência. Eu sei que não é vulgar em Portugal reconhecermos as capacidades dos políticos, sobretudo daqueles que não gostamos, é sempre muito mais fácil chamar-lhes logo, por exemplo, corruptos. Como também é verdade que agora está sobretudo em causa salvar três das maiores economias do euro e basta olhar para o envelope financeiro dessas três economias. Para o envelope a para a queda do PIB anunciada hoje. Mas não era a primeira vez que Portugal tinha um tratamento diferenciado. Costa começou primeiro por cativar Espanha e de seguida fez tudo o que se exigia a um PM de Portugal na actual situação junto da Comissão e do Conselho europeus. E não foram muitos os PM portugueses que conseguiram estar à altura do seu tempo. Assim de repente… Era bom que Portugal e sobretudo os portugueses também estivessem à altura do envelope conseguido pelo PM. Além de que também Sócrates e para finalizar o capitulo do resgate, devia ter pensado melhor nos apoios internos que acabou por escolher em 2011 para aprovar o PEC IV, como a canalhada do PSD como o Marco António a dupla de trafulhas Relvas/Massamolas que até os pais vendiam para chegarem ao poder.

  23. P.S.2. Vale a pena ler esta declaração do Pacheco, em 94, mesmo no fim do Cavaquismo. Como todos sabemos, o seu mais que tudo político. Um bimbo azedo como ele. “Aliás, acho que Mário Soares devia recordar os seus tempos de primeiro-ministro: quando era tão injustamente criticado – inclusive pelo PSD – ou quando a esquerda, que hoje anda ali à volta dele, o tratava como um traidor, um burguês insensível à miséria, ou ainda quando acusavam o seu governo de corrupção e fraudes. Hoje é tudo muito parecido: o tipo de ataques que se fazem ao governo, a maneira como se coloca a questão da corrupção, o modo como se coloca a questão do exercício do poder político, etc.”

    Só para se ter a certeza que alguns saltimbancos da política nasceram mesmo para as cambalhotas. Nesta última o Pacheco é só uma dos mais acérrimos críticos do neoliberalismo do Massamolas que defendeu acerrimamente ao lado de Cavaco. Já os homens verdadeiramente íntegros, independentemente do espectro político onde se situam, partilham valores. Que é aliás também uma das características que nos distingue enquanto homens. Por isso é que a coerência, concorde-se ou não, já guardou um lugar na história portuguesa para homens como Cunhal. Já os Pachecos muitas vezes ainda não morreram e já ninguém se lembra deles. No fim do Cavaquismo, quando lhe perguntaram algo sobre o seu futuro político e não vale rir, Pacheco disse que praticava há muitos anos uma arte que os gregos desenvolveram chamada “ataraxia”, isto é, a adequação dos desejos à realidade. Que como é sabido, dizia ele, nem sempre se consegue. Pois eu até acho que o Pacheco já conseguiu obter o pleno da sua forma de fazer política. Ser tão odiado à esquerda como à direita e precisamente pelas mesmas razões. É obra.

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